A discussão sobre a execução de
pena após condenação em 2ª instância leva ao questionamento sobre até que ponto
vai o poder judiciário frente ao legislativo e a Constituição. O ponto a ser analisado é o processo de
judicialização, ou seja, que segundo Barroso é a “transferência de poder para
juízes e tribunais, com alterações significativas na linguagem, na argumentação
e no modo de participação da sociedade”, e até que ponto vai esse processo
frente a um poder que pertence tradicionalmente ao legislativo.
Porém, essa decisão não envolve
apenas a questão normativa, existem outras emblemáticas a serem levadas em
conta, como a lentidão dentro dos processos judiciais. De acordo com a versão
de 2016 do relatório feito pelo Conselho Nacional de Justiça, “Justiça em
números”, 2015 terminou com aproximadamente 74 milhões de processos em
tramitação. A condenação antes de chegar a ultima instância, teoricamente,
garantiria que pessoas que aparentemente apresentariam algum risco a sociedade seriam
presas mais rapidamente. Entretanto é necessário ressaltar que temos também o
problema de superlotação das cadeias, segundo o Levantamento Nacional de
Informações Penitenciárias (Infopen) de 2014, existem cerca de 610 mil presos
no Brasil, quando a oferta de vagas é em torno de 375 mil. A aplicação da
penalidade na segunda instância poderia agravar esse problema.
O fato de existirem tantas
questões a serem levadas em conta nesse caso é que torna a participação do judiciário
nessa decisão imprescindível, e esse envolvimento é possível graças ao processo
de judicialização, processo que se tornou mais forte a partir da Constituição
de 1988, e dentro das condições que deram força a ele está o fato de o Brasil
possuir um dos mais completos controles de constitucionalidade, permitindo que
um juiz não aplique uma lei caso considere-a inconstitucional e que o tribunal
discuta matérias que não estão ligadas diretamente ao Judiciário.
Mas existe uma grande
problemática dentro do processo de judicialização, que é o alto ganho de autonomia
que o judiciário recebe. Segundo o Ministro Marco Aurélio, com a competência do
tribunal derivando dele próprio, ele acaba submetendo outras instâncias a sua interpretação
de se liberta das leis constitucionais, leis aquelas que deveria proteger e se
limitar nela. Seguindo essa linha de pensamento, de acordo com o artigo 5º,
inciso LVII de nossa Lei Maior “ninguém será considerado culpado até o trânsito
em julgado de sentença penal condenatória”, então, partindo do preceito constitucional
da presunção da inocência, a condenação em 2ª instância deveria ter sido julgada
inconstitucional.
Portanto, o processo de
judicialização é sim de extrema importância, pois permite ao judiciário “fiscalizar”
leis com o objetivo de salvaguardar os preceitos constitucionais e também por
ser um poder, na teoria, “não politico”, suas decisões seriam mais neutras de
ideologias politicas, e também mais objetivas. Apesar de ter sua legitimidade
contestada, pois não houve eleição para a entrada dos ministros no STF, as decisões
que eles tomam são baseadas em leis que necessitam de legitimidade (as pessoas
que as elaboram foram eleitas) para existirem. Mas, como disse o Ministro Marco
Aurélio, “[...] quando avançamos, extravasamos os limites que são próprios ao
Judiciário, como que se lança um bumerangue e este pode retornar e vir à nossa
testa”, ou seja, o Judiciário tem seus limites e o principal deles é a
Constituição, que deve ser sempre respeitada em suas sentenças.
Referências Bibliográficas
Extras:
Superlotação dos presídios facilita
proliferação de doenças, afirma médica. Justificando. Disponível em: .
Acesso em: 30 out. 2017.
3 MOTIVOS QUE FAZEM O JUDICIÁRIO BRASILEIRO SER LENTO.
Politize. Disponível em: .
Acesso em: 30 out. 2017.
MARIA CLARA AGUIAR, 1º ANO/NOTURNO
Nenhum comentário:
Postar um comentário