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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Carta hegeliana à Marx: Da Matéria e dos Espíritos

Caro Karl Marx,

Recentemente, tive a oportunidade de presenciar tão ilustre crítica tua à respeito de minha obra. Ressaltou qual seria o motor do mundo em meu ver: o espírito das coisas, mas abominastes tal espírito em prol da matéria. Digo-lhe não vivem separados, sem a matéria, espírito é simplesmente ilusão, sem espírito, a matéria é unicamente sobrevida, pois não vive, sobrevive, evolui-se cega e inconsequentemente, podendo levar a desastres de enormidade infame. Suas críticas a meu respeito foram também em relação ao status quo, nego veementemente, não seria, de uma maneira até marxista de se dizer, um reacionário. Pelo contrário, minha filosofia é toda pautada no movimento, na evolução. De maneira similar, não seria minha filosofia, então, criada para a manutenção social, concordo que dela pode ter disseminado ideologias reacionárias e conservadoras, mas, ainda, de uma releitura dela surgiu vossa teoria científica do marxismo. Vossa é a síntese da qual minha teoria foi a tese e o reacionarismo liberal foi antítese, mas, não me julgais, não mate o espírito das coisas.

            Em defesa deles, dos espíritos, digo que sem eles seria tudo igual, da mesma cor com mesma tonalidade. Como disse, não pode o espírito viver sem a matéria, mas a recíproca não é verdadeira, porém, é duro pensar em um mundo de sobrevivência, um mundo em que a igualdade é único foco, e que a liberdade e diversidade foram anuladas por esta. Sim, refiro-me ao teu comunismo, um mundo sem os espíritos, o fim da História, a humanidade estagnada num porvir ideal que nunca será alcançado. Ao que me refiro? Bem, a História é dialética, e a dialética infinita, contudo, se se destrói os contrastes culturais, a possibilidade de mudança, o que fere, em verdade, é a lei dos opostos e com ela a antítese. A sociedade estagnar-se-ia em uma eterna verdade imutável, e não me refiro à religião alguma, e sim à tua contradição. Logo, a função dos espíritos é garantir movimento ao mundo.

            Não me compreendas mal, não estou aqui a fazer uma defesa do reacionarismo, mostro-te, e a quem ler esta carta, uma terceira via. Sim, para além da filosofia hegeliana e do marxismo, a síntese entre os dois. Tua teoria fez-me, de fato, repensar a minha, não havia eu refletido acerca dos efeitos da matéria no espírito e na sociedade. Não são uma coisa só, mas duas que se complementam. Contudo, como já dito, separadas levam ao desastre, façamos simulações: Um mundo levado apenas pelos espíritos das coisas é este presente na sua crítica, realmente, o mundo burguês liberal, mas somente pela matéria, como já demonstrado, levaria à anulação da História e, por consequente, da humanidade como condição. Mas, se juntas andarem, matéria e espírito, a realidade influiria de forma decisiva nas ideias (espíritos) assim como as ideias sobre a realidade, alcançando uma sociedade benéfica e construtiva, chamaram no século XXI, tal sociedade, de Estado Democrático de Direito.

                                               Espero que me compreenda.

                                                                                  Atenciosamente, Georg F. W. Hegel
Escrita por: Vinícius Henrique de Oliveira Borges.

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