Desde
o nascimento, uma pessoa é inserida em determinadas condutas sociais, sem mesmo
perceber, desde antes a possibilidade de ela ter conhecimento suficiente para
formar suas próprias concepções. Quando amadurece, toma consciência de que é
preciso cooperar de alguma forma com a sociedade, para o funcionamento do
“organismo” social. Incutem-se valores a serem seguidos, uniformes escolares,
métodos de ensino padronizados, e a noção de que é preciso participar do
funcionamento do sistema. Cooperar, solidarizar, constituir o que Durkheim
chamou de “solidariedade orgânica”.
Toda a divisão do trabalho formando a noção
de fazer parte de um todo ("consciência coletiva") a fim de suprir as necessidades sociais. Na teoria, um organismo social em perfeita harmonia, mas na prática
o que se viu e ainda se vê é extremamente diferente. Com uma divisão do
trabalho valorizando extremamente o trabalho intelectual e reprimindo a “força
bruta”, Marx percebeu uma clara desigualdade social. A consciência coletiva
permitia, de fato, uma coesão social, mas não beneficiava a todos, apenas a classe
dominante. E quando um indivíduo, ou uma massa desses, ousava romper com o
sistema opondo-se a um fato social, estava claro uma das características básicas desse último, a coercibilidade,
com a mesma justificativa de sempre, garantir o bom funcionamento do “organismo” social.
Mais surpreendente foi quando,
deturpando-se as ideias de Marx, que pretendia romper com esse sistema de “coesão”
social, Stalin não se mostrou muito diferente. Usando da violência contra
opositores, estabelecendo uma educação que inserisse os indivíduos no seu
sistema, na sua ideologia, sem possibilidade de refutação, mostrou-se tão controlador quanto a antiga classe dominante, contra quem lutara exaustivamente.
Hoje, como dito no início desse
texto, a situação, embora amenizada, ainda permanece semelhante. Diz-se que
existe a liberdade de expressão, mas logo se reprime aquele que vá contra as
condutas sociais. Afirma-se a liberdade de escolha em relação à orientação
sexual, mas ainda muitos veem com olhos de repulsa os homoafetivos. Um homem é
sustentado por sua esposa, e é visto como um “vagabundo”. Muita coisa mudou,
mas há muito pelo o que lutar, a fim de se atingir, de fato, aquilo que é
necessário para toda a sociedade, o bem social.
Lucas Ferreira Sousa Degrande - Direito Noturno
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