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segunda-feira, 1 de abril de 2019

A sombra pendular do fascismo



  A sociedade é composta por um conglomerado de relações, estas que alimentam o ideológico das gerações conforme suas mudanças e transmutações ao longo do tempo. No filme “Ponto de Mutação” a cientista expõe que para entender os problemas da sociedade, é preciso analisar todas as suas conexões, de forma sistêmica e integral, e é dessa forma que o fascismo do século XX e o fascismo contemporâneo devem ser abordados.
   A origem do fascismo na Itália com Benito Mussolini tem raízes profundas e é fruto de um longo processo político num contexto conturbado da história europeia, que partiu desde a aversão aos estrangeiros, o desenvolvimento do nacionalismo fanático, até a implementação de um governo totalitário, que conseguisse reunir todos os ideários fascistas com o consentimento da população.
   Tanto Mussolini como Hitler possuíam um carisma sem igual, seus discursos eram famosos por conseguir convencer até mesmo o opositor mais endurecido, o que lhes dava pleno apoio político, legitimando suas atrocidades e seu governo autoritário. Este fator carismático configura uma das formas de poder explanadas por Max Weber, em que o governante tem sua legitimidade calcada na aprovação geral, além disso, os governantes fascistas em questão conseguiram compilar outras formas de poder também expostas por Weber, como o Legal (por ocuparem o mais alto cargo político) e o Tradicional (por representarem uma liderança militar). Atualmente, este cenário pôde ser visto nas eleições brasileiras, em que determinados candidatos adotaram discursos que a população queria de fato ouvir, ainda que tais falas apresentassem aspectos repugnantes e preconceituosos.
   Além do carisma, o totalitarismo presente nesta forma de governo contribuiu diretamente para que os regimes fascistas se perpetuassem, pois extinguiram todos os meios democráticos, com o fechamento do parlamento, a censura e a propaganda nacionalista. No Brasil, o totalitarismo se manifesta a partir das constantes repressões à mídia, por meio de uma censura velada e covarde contra os meios de comunicação. Além disso o racismo, a homofobia, a xenofobia e outras formas de preconceito voltaram a crescer de forma exorbitante a partir dos últimos meses, em decorrência da ascensão de um governante que compactua de forma declarada com este ponto de vista grotesco.
   Como se não bastasse a semelhança com os aspectos fascistas entre os governos de Mussolini e Hitler, e o governo atual brasileiro, viu-se uma crescente vertical do setor militar, que agora, conta com cargos de alto escalão nos ministérios e secretariados, que reiteram uma política hipócrita de combater a violência com mais violência, por meio da criação de leis mais ríspidas e a proposta mais absurda de todas: a revogação do estatuto do desarmamento.
   A superação do pensamento irracional por Descartes e Bacon foi consumida pelo desenvolvimento do fascismo na Europa através da ausência de uma ciência racional que provasse a inveracidade de tudo aquilo que se pregava pela ditadura alemã e italiana, que eternizaram o fascismo não mais como uma forma de totalitarismo, mas sim como uma vertente a ser seguida, uma forma de pensamento de caráter pendular, que ao longo dos anos retorna para assombrar aqueles que são reprimidos. A aberração fascista agora tem assolado a população brasileira, que, em sua maioria, permitiu que ela se alastrasse novamente, ao abandonar o a forma racional do pensar, adotando-se um discurso odioso típico de tempos remotos em que a barbárie e a violência eram cotidianas.

- Jonathan Toshio Maciel da Silva
Direito (noturno)

Racionalismo mecanicista: uma visão de mundo ultrapassada


    Na Idade Média, o mundo encontrava-se predominantemente subjugado pelo obscurantismo, o povo era privado do conhecimento e condicionado à uma realidade de pouca percepção em relação ao que estava à sua volta. Entretanto, com a passagem para a Idade Moderna, apareceram Descartes e Bacon trazendo ao mundo novas formas de encará-lo: o primeiro com seu racionalismo fundamentado em um eterno estado de desconfiança e o segundo em um exercício empírico rigoroso. A natureza e a sociedade passaram a serem vistas como uma máquina, um relógio que se pode desmontar e reduzir a um monte de peças que, ao serem analisadas, tornariam o conhecimento palpável.
  
   Entretanto, apesar de ter sido extremamente revolucionária, tal percepção da realidade tornou-se limitada. Ver o mundo como uma máquina pode ter sido útil para a superação dos obstáculos de 400 anos atrás, mas hoje, com a grande diversidade de ideias e o surgimento de novas barreiras, essa visão objetiva não é nada além de ultrapassada.  Como foi dito no filme "Ponto de Mutação", a realidade não é um relógio desmontável, é um sistema extremamente profundo e plural que relaciona todas as coisas.
  
   Infelizmente, esse esclarecimento sobre a situação não é compartilhado por todos e tal visão mecanicista continua tendo relevância na formação de conhecimento e na tomada de decisões importantes. É necessário entender que nossas vidas não são objetos isolados que podem ser vistos de forma objetiva como se fossem máquinas, elas são parte de uma estrutura muito mais complexa e integrada que envolve a natureza, seus fenômenos, as experiências de cada indivíduo e as relações dele com o que está a sua volta.
  
   Dessa forma, pode-se entender que o que antes era a solução para os entraves da sociedade, agora é o problema. Tal visão abriu margem para que pensamentos problemáticos e soluções imorais para crises que seguem uma lógica simplista e mecanizada de perdas e ganhos se proliferassem. Um exemplo categórico foi o Fascismo, que surgiu como uma resolução ideal para a questão da crise que a Itália enfrentava e a maioria de seu povo, sem olhar para a realidade como um sistema integrado e encarar os problemas que tal regime iria trazer para aqueles que destoavam de seus ideais, aceitou sem muita reflexão.
     
    Analisando historicamente, o Fascismo italiano, em teoria, teria sido superado.  Entretanto, a conjuntura social e filosófica que criou o ambiente propício para o seu surgimento não. Tal movimento intolerante foi reconfigurado e ganhou um novo rosto: o neofascismo. Essa continuação, diferentemente de seu antecessor, não é mais sobre a luta contra uma classe operária em busca de uma ditadura do proletariado e contra liberalismo desenfreado, ela encontrou sua nova forma no ódio contra aqueles que lutam por direitos mais igualitários e no discurso moralizante e incoerente dos grupos economicamente liberais e moralmente conservadores. Na contemporaneidade, esses grupos opositores aos ideais fascistas não querem eliminar o capitalismo, querem reformá-lo para que ele atenda não só a classe dominante, mas toda a sociedade.

   Hoje, assim como na década de 20, a intolerância e o desespero por uma solução objetiva que colocaram o fascismo no poder ainda se manifestam. De fato, a realidade é outra, não há o perigo de uma revolução de esquerda e nem um Estado nacionalista buscando enfrentar as potências dominantes. Entretanto, a intolerância mobilizando massas que pregam o conservadorismo reacionário continua presente. Ainda somos uma sociedade que não se preocupa com o bem estar geral seguindo uma tendência liberalista sedimentada em uma ideia utópica de que os indivíduos possuem iguais oportunidades para se desenvolverem. Ainda somos uma sociedade que não encoraja a prevenção de seus problemas e sim a intervenção quando eles se mostram verdadeiros empecilhos. E continuaremos sendo até que entendamos que esses problemas são apenas fragmentos de um bem maior: a visão de mundo que temos.

   Nesse sentido, é preciso afirmar que os pensamentos de Descartes e Bacon não devem ser condenados, apenas precisamos reconhecer suas limitações para superarmos os entraves que impedem o surgimento de uma ciência que consiga acompanhar a evolução do mundo com suas particularidades. Assim como Thomas Jefferson disse, é tolice uma sociedade se apegar a ideias ultrapassadas em novos tempos como é tolice um homem tentar vestir suas roupas de criança. É necessário uma nova forma de visão de mundo que nos ajude a escapar do fascismo e de outros problemas causados pelo excesso de racionalismo mecanicista e individualizante. É necessário que a realidade seja reconhecida pelo que ela realmente é: um sistema de conexões interligado que contempla todas as coisas em seus mais diversos ângulos.

                                                         Victor A. Lopes - Direito Noturno

A contemporaneidade da discussão acerca do Fascismo.


O Fascismo se trata de um regime político surgido na Europa no começo do século XX, porém um regime que não se limitou à este referido espaço e tempo, sendo necessária a reflexão acerca de suas vertentes e de sua influência que se fazem presentes até a atualidade.
Conforme observado na fala dos palestrantes Hélio Alexandre, Patricia Soraia e Pedro Xapuri, o Fascismo se caracteriza como uma forma de regime político do Sistema Capitalista que surge na Itália em meados da década de 1920, com a ascensão de Mussolini ao poder. Podemos caracterizar sucintamente esse regime como sendo um regime totalitário, ditatorial, em geral pautado em princípios como o Nacionalismo Ufanista, a centralização do poder na figura de  um líder – ora carismático, ora autoritário – e a promessa de solução rápida e eficaz dos problemas pelos quais a sociedade estaria passando, bem como a culpabilização imposta à pequenos grupos sociais por esses problemas. À exemplo disso, podemos contextualizar o cenário alemão de 1920: uma sociedade arrasada pela 1ª Guerra Mundial bem como pelas sanções dela oriundas – tais como o Tratado de Versalhes – que humilhavam a nação:

“A população alemã, por sua vez, detestou o tratado [de Versalhes]. Um jornal alemão, o Deutsche Zeitung, comentou: “Nunca nos deteremos até recuperarmos o que merecemos.” Economicamente, o tratado representou uma corrente no pescoço da Alemanha.”
(CHALTON, 2017. p. 54)

            Conforme citado, a sociedade alemã do Entreguerras se constituía de uma sociedade com seu orgulho, sua nacionalidade ferida. Para além dessa esfera nacionalista, se tratava também de uma sociedade economicamente falida, que enfrentava um cenário de fome e destruição. É esse o contexto fértil ao surgimento do fascismo: uma sociedade em crise.
A sociedade em crise é essencial ao fascismo pois a população, ao se ver inserida nessa condição de crise, necessita e anseia de um milagre, de uma resposta rápida e eficaz para sanar esses problemas, e é desse anseio que se alimentam as lideranças e o próprio regime fascista. A liderança fascista se aproveitando do momento de desespero se apresenta com um discurso autoritário, que, ao prometer milagres, faz surtir na população uma esperança por dias melhores, e esta, quando enxerga isso, passa a apoiar veementemente o regime e suas ideias.
 O perigo de – num ato de desespero - acreditar e apoiar tão intensamente um regime e suas ideias é justamente fugir e abdicar da metodologia racionalista proposta por Descartes: ora, se acreditamos tanto em algo que nos é imposto sem ao menos questionar, sem que essa crença seja oriunda de nossas experiências, retrocedemos ao período anterior à revolução do pensamento cartesiano, acreditando agora em dogmas fascistas como analogamente acreditávamos nos dogmas religiosos, que tínhamos como verdade absoluta. O perigo desse retrocesso e dessa abdicação do conhecimento oriundo da razão e da experiência – nesse caso – é historicamente conhecido: o Holocausto. Por simplesmente aceitarem a tese de que a culpa dos percalços pelos quais a Alemanha passava era dos judeus, uma sociedade inteira passa a legitimar e apoiar um massacre humano sem precedentes na história. Tal como na época da forte influência da Igreja Católica toda uma sociedade – acreditando em dogmas religiosos no lugar da experimentação racionalista - apoiava o assassinato de pessoas simplesmente por serem supostamente bruxas, a sociedade Alemã Nazifascista apoiou o Holocausto, tendo no lugar dos dogmas religioso os “dogmas” fascistas.
Para nós, atualmente, chega a parecer insano que toda uma nação apoiou e legitimou tão naturalmente um massacre como o Holocausto, porém devemos compreender que esse absurdo foi oriundo justamente da ideologia Nazifascista que, se aproveitando do momento de crise, tirou das pessoas o método racional e a própria racionalidade, implantando no lugar um pensamento quase que psicopata.
            Contextualizando com a analogia aos dogmas católicos, podemos também dissertar acerca da referência presente no filme Ponto de Mutação: ao entrarem na Igreja, os personagens notam e se sentem pequenos frente à grandiosidade da construção, algo totalmente intencional por parte da Igreja Católica. A grandiosidade não deixa de ser uma imposição do catolicismo aos fiéis, uma vez que esse sentimento de inferioridade da pessoa perante a Igreja resulta também numa sensação de que aquilo – a Igreja – por ser extremamente maior, majestoso e imponente, não seria passível de nenhum questionamento, devendo apenas ser aceitado sem contestação.  
            Historicamente não faltam exemplos de como essa aceitação de conceitos pré-estabelecidos - bem como a consequente abdicação do uso do método científico pautado na razão – resultaram em consequências drásticas em seus respectivos contextos, seja na Alemanha Nazista com o Holocausto, seja na Europa da “Caça às Bruxas” com a morte de milhares de pessoas de forma institucionalizada. Em se tratando da história ser geralmente tida no mundo acadêmico como algo cíclico, devemos sempre estar atentos à essas ameaças, principalmente em momentos de crise como os que passamos atualmente.
            Segundo a palestrante Patricia, o Neofascismo obviamente não se utilizaria das mesmas características de seu contexto de surgimento, haja vista que a maioria  das características não é mais passível de sentido no atual contexto, porém, isso não significa que  algumas características constatadas na sociedade de hoje não possam ser tidas como vertentes de características do Fascismo original, evidenciando assim certo perigo. O anticomunismo exacerbado pode ser ligado ao atual sentimento de antipetismo, a crise alemã pode também ser comparada – resguardadas as proporções - com a atual crise política brasileira que surge com o Impeachment da Presidenta Dilma. O surgimento de uma liderança – agora eleita - pregando soluções rápidas, agressivas e principalmente culpabilizando determinados grupos sociais pelos problemas também pode ser objeto de comparação. Todos esses exemplos nos mostram certamente a contemporaneidade e a necessidade da discussão acerca da temática fascista, uma vez que não obstante termos, segundo a obra “Ponto de Mutação”, evoluído do “grande relógio mecânico” ao “pequeno relógio de quartzo”, ainda assim estamos sujeitos aos erros – e às consequentes barbáries – do passado.

 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CHALTON, Nicola. A história do século 20 para quem tem pressa. Rio de Janeiro: Valentina, 2017. 200 p.

Adelino Mattos Marshal Neto - 1º Direito Matutino. 

Por uma ciência que nos ajude a escapar do fascismo


      O fascismo surge após a Primeira Guerra Mundial, um regime totalitário específico do capitalismo que, além de muitos outros aspectos, combatia manifestações de esquerda e buscava ser uma contrarrevolução. Hoje, é possível perceber uma ascensão da extrema direita por todo o mundo e no Brasil não é diferente. É possível perceber, porém que, em alguns países, essa onda converte-se progressivamente em regimes neofascistas. A conversão não é literal, e sim ideológica, pois é visível a disseminação de posicionamentos preconceituosos e consoantes com o fascismo.
       No Brasil, as manifestações fascistas contemporâneas estão ligadas a crise da democracia e estagnação econômica que fortalecem a insatisfação e a criação de um inimigo comum, que no fascismo do século XX era o comunismo. No entanto, é possível escapar dessa ascensão por meio da ciência. O filme “Ponto de Mutação” de Bernt Capra mostra uma crítica ao pensamento mecanicista de Descartes e aponta uma outra maneira de analisar o mundo.
        Pensar o mundo e as pessoas como máquinas, como um relógio não leva em consideração a diversidade de acontecimentos e a repercussão das ações presentes no futuro. A personagem Sônia, uma cientista que enfrenta um dilema em relação ao avanço científico e o uso dele nas guerras, sugere uma visão mais abrangente do mundo. De acordo com ela, as pessoas e suas relações não devem ser analisadas separadamente, pois, os problemas estão no conjunto.
         Essa interpretação pode ser trazida para o contexto político atual. Quando a população analisa os problemas que sofre de maneira cartesiana, deixa de lado as repercussões e, muitas vezes, as reais razões daquela questão. Assim, suas convicções são baseadas na própria bolha e isso pode gerar uma propagação de ideais específicos e danosos para a sociedade, como o fascismo. Dessa maneira, analisar os problemas enfrentados como um único corpo e buscar resolvê-los pensando nas consequências e demandas sociais, não permitirá o avanço neofascista.

Beatriz Falchi Corrêa - diurno

O alerta da ciência


O modo mecanicista de se pensar baseia-se na filosofia de Descartes e Bacon ao considerar as partículas do todo, aquilo que o compõe, como objetos de estudo para se ter uma visão e real e domínio do mesmo. Tal maneira tem sido usada desde sua concepção até os dias atuais, tratando-se da política, cultura e demais áreas do conhecimento, como áreas separadas e analisando-as como fatias de um todo denominado sociedade. Desta maneira, classifiquemos como exemplo o regime fascista de acordo com o pensamento apresentado.
                Politicamente falando o sistema fascista é contrário a ciência por essa ser crítica e tentar duvidar das alegações impostas ao regime. No quesito sociocultural temos uma sociedade fragilizada por uma crise econômica e de representatividade, restando se apegar ao saudosismo ou a movimentos considerados “suprapartidários” que possuem um líder que expressa os anseios populares. Segundo o professor e jurista da USP Alysson Mascaro, o Brasil encontra-se exatamente nesse ponto, porém a análise mecanicista falha ao não analisar o todo e sim partes das características que acarretaram tal fato.
                Em vista disso é nítido que o mecanicismo possui falhas evidentes e outro método deve ser utilizado. No filme “O ponto de mutação” de Fritjof Capra é possível analisar o esboço de um sistema, o qual denomina-se ecológico, no qual desprendendo-se do significado do termo é a análise do todo e de suas circunstâncias para assim analisar o fato. A cientista retratada, Sofia Hoffman, apresenta para os outros personagens tal método e os auxilia a sair do mecanicismo.
                A ciência atual utiliza-se desse e de certo modo consegue desenvolver-se melhor do que o mecanicismo, que começa a gerar danos à humanidade. Por criticar o modo de pensar e as verdades absolutas existentes, é papel da ciência utilizar dos meios da dúvida e do sistema ecológico demonstrado no filme para alertar a sociedade do fascismo e auxiliar em seu combate, pois dessa maneira cumprirá um papel que não lhe cabe apenas, mas de forma oportuna lhe foi designado.

O Sistema da Política no Brasil

            O atual cenário político brasileiro é delicado e difícil de se traduzir, muito embora seja passível da compreensão. Ao apenas suscitar o tema política atualmente, várias dúvidas e questionamentos surgem, pessoas entoam discussões acaloradas e não se chega praticamente a lugar nenhum.
Enfim, para compreender as celeumas da política brasileira, há de se refletir de outra maneira, e não somente basear-se nos debates, deve-se ir mais a fundo, tratando do sistema como um todo. Esta forma de se compreender e investigar os problemas da realidade está presente no ponto de vista de Sonia Hoffman, personagem do filme “Ponto de Mutação” (1991), do cineasta Bert Capra. Ela, ao discutir com um político acerca dos entraves sociais presentes na sociedade contemporânea, propõe um modo de análise oposto ao cartesianismo, que concebe o mundo como uma máquina perfeita, na qual cada detalhe é uma peça e para compreender a máquina como um todo deve-se conhecer a fundo cada peça individualmente. A cientista sustenta a teoria de que se deve compreender as coisas a partir do sistema no qual elas estão inseridas, afirma ainda que vê o mundo não como uma máquina, mas sim como um ser vivo.
Na política, esta forma de compreensão é de grande utilidade, visto a vivacidade e a humanidade do sistema político. A tendência autoritária do novo governo brasileira não é explicável a partir de fatos analisados individualmente. Para a total compreensão do sistema, implica a esquematização de fatores precedentes, os interesses por trás desta gestão, a formação histórica-social da população brasileira, acontecimentos internacionais e, inclusive, o advento das novas mídias digitais. A soma de todas estas peças, acrescida das ligações entre elas nos permite conceber a política brasileira em seu atual estágio.
          Para a compreensão destes fenômenos e suas interrelações não basta um estudo apenas teórico, há necessidade de observá-los na prática. O entendimento desta matéria só é possível através da experiência prática, pois a mera teorização e antecipação dos conceitos não traduzem a totalidade da complexidade da realidade, compreensível apenas na visualização do sistema completo. A completude do sistema é entendida através da realidade factível da sociedade, o contato com esta sociedade de fato é essencial para a compreensão da realidade política. E, então, a partir da soma dos fatores e interrelações, conglobado com a experiência da sociedade de fato, pode-se compreender o sistema da política brasileira em seu inteiro teor. 


Luiz Felipe de Aragão Passos - 1º Ano de Direito/ Diurno.

A ciência como prevenção


Discutir política, ciência e economia não é só importante, é necessário. Mais necessário ainda é que esses assuntos passem a ser abordados não só por um seleto grupo de pessoas, mas por uma pluralidade, afinal, assuntos que afetam a humanidade diretamente não devem ficar restrito somente para quem estudou sobre, é preciso interdisciplinaridade. O filme “O Ponto de Mutação”, do diretor Bernt Capra, trata explicitamente da importância dessa pluralidade, quando coloca três pessoas de áreas de conhecimento diferentes debatendo e discutindo sobre os problemas sociais, políticos e ambientais do mundo. Cada um com a sua bagagem histórica e cultural contribui para deixar a discussão com maior conteúdo. Dentre os temas da discutidos, a personagem cientista critica fortemente o método cartesiano, alegando ser ultrapassada uma ciência que estuda partes ao invés do todo e a forma com que os políticos atuais não acompanhando as mudanças das relações humanas, ainda governam utilizando tal método.
Na palestra realizada na ultima quinta com o tema “O fascismo e suas manifestações contemporâneas” foi citado as situações em comum que precederam as ascensões de regimes fascistas, deixando evidente que não se pode olhar isoladamente para problemas globais ao tentar entende-los, observação também feita por um dos personagens do longa-metragem, que falou sobre a importância de compreender as conexões dos fenômenos humanos para prevenção de catástrofes sociais e políticas.
Com base nos diálogos dos personagens e das informações trazidas pelos palestrantes, foi possível compreender a importância de uma ciência eficaz que não só interfere em problemas globais, como é capaz de preveni-los, sendo de extrema relevância a melhor execução da mesma.

Barbara Vitoria Medeiros Verissimo, 1 ano- Direito noturno.


O Homem estragou Tudo

Título de música
Título da dialética dos horrores
Provocada para a manutenção
Do Status Quo

Bom Príncipe, carismático e hostil,
Estragou tudo
Estragou o povo
Que com sangue na mão chorou

Bom Príncipe, carismático e hostil,
Estragou tudo
Famílias de sangue
Famílias de Guerra

Líder de multidões
Lidera para matar as Outras massas
Massas inferiorizadas
Por ideologias doutrinadas

Usa da tecnologia
Ciência
Para ressaltar seu desejo
Manter o Status Quo

Nacionalismo
Baseado no povo dos macacos
Que tentam resolver os problemas
Através de tiros de pistola

O fascismo
Produto do capitalismo
Superficialismo crítico
Em que a pequena burguesia

Anseia pelo
Status Quo
Status Quo
 Status Quo

A tecnologia e ciência
Avanço para o desastre
O Homem estragou tudo
Técnica é de enfermagem de guerra

O Homem usou da prosperidade
Para causar ruínas
Paradoxos ou Antíteses
Essa é a dialética dos Horrores


Fissão Nuclear
Para fissurar o mundo
Átomo pequeno
Para um desastre enorme

Status Quo
Pedem Segurança
Pedem Morte
Só não pedem educação

Educação para criticar
Aquilo tão degradante
História ensina
Mas não tem alunos

A “Agenda”
A Escala F
Apego em valores convencionais
Para manter o Status Quo

Sequência de fatos
São os passos dos policiais
Tirando os pais de seus filhos
Um de cada vez

Uma morte de cada vez
Mais uma morte pelo
Status Quo
Status Quo

 Yasmin Simões

Fascismo: ameaça iminente, mas reversível!

O filme "O Ponto de Mutação" (1991) expõe as principais ideias defendidas na obra homônima, a qual foi escrita pelo físico F. Capra, um dos principais pensadores da atualidade. A demonstração desse pensamento é feito por meio de um diálogo sobre vários assuntos (política, economia, ecologia, ciência, etc.) entre uma física, um político e um poeta em uma cidade medieval, na França.
De início, ocorre uma crítica a respeito da visão mecanicista de Descartes (caracterizada por dividir um objeto em estudo em diversas partes para estudá-las individualmente, sendo que, após ter concluído esse processo, se colocaria essas partes juntas, compreendendo esse objeto como um todo), afirmando que esse modo de encaram o mundo (como uma máquina) não é viável para se compreender a atualidade, pois hoje ela está "enferma", com muitos problemas como fome, guerras, individualismo,  miséria, poluição do ambiente, falta de ética na aplicação da ciência (usada para fabricar armas e para a obtenção de lucro), insatisfação política, doenças, inflação, conflitos ideológicos, etc., precisando de "tratamento".
Não se pode negar que Rene Descartes foi uma das mentes mais brilhantes do século 17, pois seu método (baseado na dúvida e na evidência), permitiu que o mundo pudesse ser estudado ao quantificá-lo, revolucionando todos os campos do pensamento da época, criando as bases da ciência moderna.
Ainda assim, esse método de análise mecanicista, o qual orientou - por séculos - o desenvolvimento da ciência, reduziu a realidade que nos cerca em máquinas (Descartes gostava de comparar tudo com funcionamento do relógio), incluindo o ser humano, não conseguiu visualizar adequadamente o mundo em que vivemos, não sendo, portanto, suficiente para resolver os problemas atuais.




Surgido entre as décadas de 1920 e 1940, o fascismo surge como um modo de resolver os problemas citados anteriormente e tem como características: totalitarismo, militarismo, culto à força física, censura, propaganda. Esse movimento se origina com um líder carismático, mas autoritário e quer obter controle político, sendo apoiado pelas massas revoltadas, que acaba forçando que os demais setores da sociedade (ricos e pobres) o apoiem também.
Esse líder convence as pessoas que a situação grave em que a nação se encontra só pode ser resolvida empregando medidas extremas, ao mesmo tempo que afirma que existe um inimigo em comum que deve ser combatido. A população acredita nas propostas e começam a agir junto com essa liderança, descartando sua subjetividade, o que faz com que seja facilmente manipulada e doutrinada, pois já foram enganadas pelos ídolos citados por Francis Bacon.



No Brasil, a eleição de Jair Bolsonaro (um indivíduo que demonstrou em seus vários discursos uma tendência fascista) para a presidência foi causada devido à crença de uma população enfurecida com o desemprego, diminuição do poder de compra de que a crise econômica responsável pelo seu sofrimento, nos anteriores à eleição, foi causada pelo PT, algo que foi explorado pela direita e divulgado pelas mídias. O povo, então, passou a ter um alvo real, alguém em quem poderia realizar alguma vingança e, como se estava em um ano eleitoral, Bolsonaro teve vantagem na votação.
Mas isso não quer dizer que o fascismo será adotado no Brasil, pois ainda há como reverter esse quadro.



Na proposta de F. Capra, os problemas do mundo estão relacionados como uma teia, de forma que, tentar resolver um deles separadamente, só fornecerá uma solução paliativa (no filme, se usa metáfora de que, ao se colocar uma peça nova de uma máquina entre duas ou mais estragadas, em pouco tempo essa peça nova estragará). Empregando-se esse novo modo de compreender o mundo, é possível a solução dos problemas que podem levar ao fascismo nos países, pois o mundo será "tratado" das suas "enfermidades" com a ajuda de uma ciência que visa ao bem comum e não ao lucro ou à obtenção de armas, eliminando o mecanicismo cartesiano e os ídolos de Bacon, bem como a sociedade tomará decisões baseada na sabedoria dos índios americanos (como é citado no filme), isto é, pensando na sétima geração, abandonando o individualismo.


Allan 1º ano Direito noturno



Fascismo X Ciência

Após a Primeira Guerra Mundial, proliferou-se um medo de guerras pelos horrores que esta gerou, a criação da Liga das Nações foi exemplo disso, porém, como afirmou Eric Hobsbawm, ela revelou-se quase um total fracasso ao não reintegrar os Estados perdedores na economia, o que levou à ascensão de partidos fascistas e, posteriormente, à Segunda Guerra Mundial.
Na "X Jornada Inaugural do Direito Marielle Franco" segundo dia: "O Fascismo e suas manifestações contemporâneas" explica porque houve a ascensão desse regime: fascismo é um regime político capitalista, embasado pelas classes dominantes que veem partidos de esquerda como ameaças ao status quo e à concentração de capital, servindo como uma barreira contrarrevolucionária, além disso, atende aos anseios liberais de retirar benefícios dos trabalhadores em prol de grandes empresários, aumentando a produção e também a desigualdade entre as classes.
Após a Segunda Guerra, houve uma repulsa por qualquer manifestação desse caráter, entretanto, no século XXI a crise do capitalismo levou à crise do regime democrático, por não atender a busca insaciável por prazer por meio do consumo das sociedades capitalistas. Isso culminou na volta de ideais fascistas, ficando ainda mais evidente, no caso do Brasil, com a eleição de Bolsonaro a Presidente da República.
"O Mito", homem com ideias, desde o início de sua carreira política de 28 anos no Congresso, machistas, racistas, fascistas, tornou-se o líder hostil e carismático a quem grande parte do eleitorado doou sua individualidade para segui-lo, já começou a mostrar suas garras neofascistas ao reverenciar a Ditadura Militar e líderes torturadores, considerar movimentos sociais como grupos terroristas e apoiar um Ministro da Educação que ao invés de atender as demandas de uma sociedade que está ficando para trás na Quarta Revolução Industrial-continuando a ser um país "colonial"- emite um documento tornando obrigatório cantar hino nacional nas escolas. Esse último fato demonstra o desejo de alienação da população por meio de uma educação rasa e que não promova a crítica.
Isso nos leva a refletir o quanto a educação é importante e pode gerar uma revolução social no Brasil. Para isso, a produção científica no país deveria basear-se tanto em Descartes, estimulando a racionalidade, o pensar, refletir, quanto em Bacon, utilizando fatos concretos para atender a demandas reais e não só no plano das ideias- ou do papel, como ocorre no Brasil- e não ficar limitado às universidades, levar esses conhecimentos a todo o povo, às escolas, para que os brasileiros tornem-se mais críticos em relação a tudo, desde o que consomem, o que escutam na rua, tv, até a em quem votam.
Essa importância da ciência para conter o fascismo, também pode ser refletida a partir do filme "Ponto de Mutação" de Bernt Capra, ao levar à compreensão do quanto o mundo é interligado, o quanto o dia a dia e os estudos científicos influenciam um ao outro, também o quanto os interesses políticos barram o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária, e grandes corporações financiam esse aumento de desigualdade para manter seus monopólios, que, relacionando com o Brasil atual, é o incentivo a uma educação alienante e uma legislação que diminua os direitos dos trabalhadores, utilizando um governo com tendências fascistas, para impedir a caminhada para o mundo mais justo.
Portanto, a ciência tem um papel importantíssimo de levar à crítica e a melhoria de vida de todos, contrapondo-se a ideias fascistas que atendem somente a ideais ultraliberais que pretendem tornar as sociedades cada vez mais desiguais e encilhar a população, impedindo qualquer forma de revolução.

Caroline Kovalski, 1º ano, 1º semestre  Direito noturno

O fascismo movendo as engrenagens do Direito


            Os pensamentos mecanicistas da sociedade sempre contribuíram para que as decisões fossem destinadas a um contingente de pessoas específicas e, dessa forma, o Direito foi fascistilizado, pois selecionou aqueles pelos quais foram atribuídos dignidade por razões específicas de soberania social. Ou seja, a sistematização, iniciada por Renè Descartes como norma para que as engrenagens do mundo continuassem funcionando escolheu a quem favorecer.
             No longa metragem “O Ponto de Mutação”, do diretor Bernt Capra, ocorre a crítica quanto a essa sistematização e mecanicidade, e tal crítica surge de um complexo raciocínio, quando os personagens comparam as formas de organização sociais e políticas às engrenagens de um relógio antigo. A personagem feminina expressa sua opinião contrapondo o pensamento cartesiano, e ressalta a importância da compreensão humana paralelamente com a evolução do mundo, e nos atenta para a reflexão de que as políticas estatais referidas a sociedade são moldadas com o tempo e, por conseguinte, caminhando ao passo que a humanidade evolui. Portanto, seria imensamente prejudicial acalentar a sociedade com normas e direitos iniciadas em um período onde tudo ainda era não descoberto.
             O Direito foi fundamentado ao decorrer do tempo para ser aplicado automaticamente a determinados casos, portanto, ocorre a subsunção da lei, ou seja, observamos o acontecimento vigente e aplicamos uma norma geral a ele. Desse modo, especifiquemos que casos são relativos e diversos e que a norma sistemática não pode ser atribuída de forma que não pense o humano. O equilíbrio nas relações precisam prevalecer, o pensar coletivo precisa estabelecer o contato humano e , assim, realocar as leis de forma igualitária. Nesse sentido, o fascismo se introduz no âmbito do Direito, pois nega direitos e liberdades fundamentais a uma parcela específica da sociedade. A opinião da personagem retrata o mau das diretrizes cartesianas que generaliza todo o pensar normativo sem observar as questões evolutivas, as descobertas do mundo e o caminhar da humanidade. 
             Parafraseando o professor da Universidade de São Paulo (USP) Alysson Leandro Mascaro, em sua palestra ministrada na Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP), “ não somos Sujeitos de Direito, somos sujeitos pelo Direito”, ou seja, realocamos nossas percepções de justiça pra seguir normas e diretrizes que não favorecem a todos. Somos, de certa forma, fascistas pelo Direito excludente, organizado no intuito de manter a sociedade sujeitada a uma soberania que sempre existiu. Por isso, a necessidade de mudar as engrenagens do mundo são de extrema importância, é preciso estudar os casos de forma minuciosa e questionar o Direito seletivo, a fim de nos auto policiarmos para não sermos ditatoriais com a esfera jurídica que tem como finalidade, no final das contas, estabelecer a justiça de forma igualitária e equilibrada.




Beatriz Dias de Sousa - Direito, Noturno

A Reformulação da Razão


     O século XXI está imbuído de contradições que se manifestam nos âmbitos científico, informacional e racional. O desenvolvimento da metodologia científica moderna, visando libertar a humanidade de suas amarras, propiciou – colateralmente – a formatação da racionalidade, os novos grilhões das civilizações que abarcam a era industrial hodierna.
     Essa sistematização do próprio pensar, aliado a positivação dos Estados e da própria economia, gerou, consigo, uma realidade que orbita em torno do pragmatismo. Nesse ínterim, a população, de modo geral, é condicionada a supervalorizar questões que se prontifiquem de modo imediatista, seja na esfera emocional ou informacional. A partir disso, os indivíduos se inserem numa bolha interpretativa da realidade, participando de um processo contínuo de autoafirmação de suas próprias crenças, ideologias e verdades, sem a reflexão do contraditório. Esse processo provocou a criação de um fenômeno denominado “Cognição Preguiçosa”, proposto por Daniel Kahneman, em que os processos mentais negligenciam toda e qualquer fonte de estudo que necessite do esforço dos processos reflexivos e críticos.
     Isto posto, a manutenção do pensamento reacionário é iminente e inevitável, visto que o seio familiar é a célula primordial de sociabilização do indivíduo, sendo responsável pela propagação de valores que, aliados a Cognição Preguiçosa, tornam-se inquestionáveis. Assim, mantém-se uma radicalização perante movimentos que reivindicam a promoção de medidas sociais, progressistas, ao mesmo passo que se incita o discurso de ódio, aflorando o preconceito já existente. Com base nesses fatores, constata-se que a atual conjuntura política é extremamente propícia para a ascensão de movimentos fascistas e neofascistas. Embora divergentes em alguns quesitos – fruto de um diferente contexto histórico, a sua atuação contra minorias políticas e movimentos progressistas e a exacerbação da violência, ainda são fatores presentes no neofascismo.
     Destarte, ressalta-se a contradição da era moderna, em que, mesmo com o turbilhão informacional presente em todos os campos de estudo, torna-se extremamente difícil promover a conscientização populacional em relação às variadas pautas, pois as inovações e pesquisas que se contrapõem aos conceitos já enraizados socialmente são refutados – mesmo sem fundamentação, em virtude da baixa credibilidade atribuída popularmente às fontes científicas. Ademais, as descobertas tecnológicas frequentemente mantêm-se restritas a um seleto quadrante da humanidade, seja em virtude do fator econômico, seja pela escassez de sua disseminação.
     A partir dessa perspectiva, evidencia-se a importância do filme “Ponto de Mutação” e do tema abordado. O título, por si só, representa – simbolicamente – a imensurável necessidade da dialética na convivência humana, que posteriormente se manifesta na figura dos 3 personagens, sendo eles a materialização empírica da Hipótese, Antítese e Síntese. Nisto, a obra aborda a “crise de percepção” presente na sociedade, em que a praticidade excessiva promove uma forma de mecanicismo social, onde a vida se torna descartável, desumanizada e presa aos moldes da modernidade. A ciência não mais é produzida sob o intuito de promover a dignidade humana e manter a salubridade ambiental, passando a atender a interesses de cunho mercadológico e sendo implementada como utensílio de repressão e subjugação. Outrossim, a formatação da racionalidade esvaziou a relevância do ensino dos valores éticos e morais. Por fim, o longa enfatiza a essencialidade da reformulação do próprio pensamento crítico humano, com a finalidade de reverter o quadro de insustentabilidade, desumanidade e pragmatismo instaurado.
     Caio Laprano – Direito Noturno 1º Ano

domingo, 31 de março de 2019

O mundo como uma teia


O mundo, na visão cartesiana, é entendido como uma máquina, na qual há inúmeras engrenagens. Entretanto, para compreender esse cosmo é vital analisar cada peça individualmente, caracterizando, dessa maneira, Descartes como o primeiro teórico com uma perspectiva mecanicista da humanidade. Esse raciocínio ainda é muito empregado, principalmente no âmbito político, o que proporciona diversas falhas, já que, como afirma a ciência pura, tudo faz parte de uma teia inseparável de relações. Não é possível estudar um elemento específico sem relaciona-lo com o meio em que ele está inserido.
            Sabe-se que o fascismo é um dos ramos de um sistema político, ou seja, ele pode ser percebido como um fragmento da máquina política. Com isso, para que a sociedade se liberte de fato dos juízos desse regime opressor e autoritário, não é ideal empregar o método mecanicista cartesiano, uma vez que como é afirmado no filme “O ponto de mutação” do diretor Bernt Capra, é possível consertar uma peça, todavia, ela irá quebrar de novo rapidamente, pois, foi ignorado o que se conecta a ela. Assim, constata-se, que para emancipar o corpo social do fascismo, tudo deve ser alterado ao mesmo tempo, desde as instituições até os valores arreigados na sociedade, já que conforme o palestrante Hélio Alexandre, o fascismo apenas perdeu militarmente com o fim da Segunda Guerra Mundial e não ideologicamente, desse modo, ele por emergir a qualquer momento se providencias efetivas não forem tomadas.
            A ciência, ademais, possui um papel imprescindível nessa busca por autonomia, visto que ela é uma rede interligada e abrangente. Segundo a Teoria dos Sistemas Vivos, que também é abordada na obra de Capra, a ciência não picota as coisas, ela olha para os seres vivos como um todo. No entanto, ela deve ser pura, a ciência deve cumprir o seu ofício de compreender o mundo como ele realmente é, isto é, ela não deve ser cara, utilizada para gerar lucro, mas sim fascinante.
            O fascismo, por conseguinte, é um fenômeno que deve ser estudado cientificamente, uma vez que ele está em oposição com os preceitos liberais, como a individualidade e a competitividade. Segundo o palestrante, nesse regime as pessoas dissolvem as suas individualidades para cultuar um líder. Desse modo, para compreender esse sistema e consequentemente escapar dele, é necessário analisar todo um contexto histórico e econômico que levaram a sua ascensão.  Percebe-se, portanto, que o mundo é uma teia conjugada e não peças isoladas.


Laura Santos Pereira de Castro
Primeiro Ano Direito Matutino

Uma sociedade interligada pela ciência


Durante a Idade Média, a Igreja Católica concentrava o poder ideológico e, portanto, era ela quem permitia quais os conhecimentos sobre o mundo as pessoas poderiam adquirir, tanto que as primeiras universidades eram ministradas por pessoas pertencentes à Igreja.  Depois desse monopólio cultural religioso, a ciência (conhecimento científico atingido através da razão) começou a ser pensada, escrita e divulgada por esses cientistas, sendo que eles enfrentavam o poder do Clero somado aos julgamentos conservadores da sociedade, com o propósito de questionar paradigmas que sempre foram dados como corretos, mas sem nenhuma base científica que comprovasse sua validez.
Desde então, é preciso explicitar que as pessoas passaram a acreditar, majoritariamente, no conhecimento derivado da razão com respaldo científico, e com isso, corpos políticos utilizaram esse fato para desenvolver teorias que manipulassem a opinião pública objetivando ascender no poder político de uma região.  E dessa forma emergiu o fascismo, um governo autoritário de extrema direita opressor das liberdades individuais, como as perseguições aos opositores ideológicos, sendo que tais ideais contêm cunho científico e racional.
Relacionado a essa administração antiliberal, é visível no filme O Ponto de Mutação, baseado na obra de Fritjof Capra, o conceito mecanicista elaborado por René Descartes. Tal discurso afirma que as ideias devem ser divididas em setores para análises separadas e assim será possível a conclusão do conhecimento verdadeiro. Esse conceito pode ser aplicado ao fascismo, pois além de haver a individualização dos problemas de uma sociedade, faz-se o apontamento de soluções definitivas para eles. Exemplificando, os problemas da população alemã, sob influência do nazifascismo, eram setorizados para grupos específicos, como os judeus, e por isso, a exterminação desses sujeitos do país significariam o fim das dificuldades nacionais. Para afrontar esse mau uso da concepção racional, muitas vezes baseadas em preconceitos e dizeres falaciosos, a ciência propôs uma nova maneira de analisar o mundo, e isso seria através da visão sistêmica. A hipótese sugere que nenhuma situação é separada e independente, e com isso, as circunstâncias, para buscar um equilíbrio, devem ser analisadas e solucionadas como um conjunto.
Dessa forma, para que escapemos do fascismo, é preciso valorizar uma ciência capaz de revelar que todas as ações estão interligadas, e ao mesmo tempo, preparar os indivíduos para a impossibilidade de viver em uma sociedade ministrada por uma perfeição prometida.
Sarah Fernandes de Castro     Direito/noturno


A crise de percepção: sua relação com o fascismo e as ciências


O fascismo surgiu na Itália no século XX, encontrando espaço naquela sociedade inserida em um contexto de crises e tensões, o regime autoritário, cultuava a violência e guerra , o constante crescimento do Estado e de seu poder  por meio de um ideário nacionalista e desenvolvimentista.O Estado implantado era denominado Estado de exceção; no qual as leis eram postas de lado e não existia a separação dos poderes.Diversas atrocidades foram cometidas por regimes fascistas e nazistas nesse período.
Com o fim da Segunda Guerra foram instaurados tribunais militares denominados Julgamentos de Nuremberg, onde o crimes de guerra foram julgados.O objetivo era responsabilizar os culpados e revelar os horríveis acontecimento para que a humanidade nunca esquecesse a destruição que tinha sido submetida e não permitisse no futuro, que tais monstruosidades viessem ocorrer novamente.
O resultado no entanto parece não ter sido atingido, desde a década de 1990 vem ressurgindo movimentos com ideologias fascistas, a extrema direita tem conquistado cada vez mais adeptos no mundo por meio da propagação de discursos exclusivos, violentos, desumanos, que pressupõe uma superioridade de uma parcela de indivíduos em relação a “outros” que não partilham dos mesmos ridículos princípios.Assim como no passado a humanidade se encontra em uma crise,crise que pode ser entendida como uma crise de percepção e de identidade, que constitui um terreno fértil para demagogos e falsos lideres.
A ciência tem sido desacreditada por indivíduos que simpatizam com as ideias fascistas,são os chamados negacionistas, que negam os efeitos e as ações cometidas por regimes fascistas,distorcendo constatações históricas e criando pós-verdades no imaginário dos ignorantes,como a de que o fascismo era uma ideologia de esquerda.Esse processo é responsável por disfarçar  comportamentos desprezíveis desses grupos que são em geral compostos pela extrema direita.Uma vez que o fascismo,segundo os mesmos ,seria de esquerda portanto a dita direita não pode ser considerada neofascista mesmo que propague as mesmas ideias da época de Mussolini.
Quando a ciência não é desacredita é utilizada como instrumento militar ou de poder, pois como a máxima Baconiana dizia“saber é poder”.Os conhecimentos ou melhor dizendo os falsos conhecimentos acabam se tornando métodos de dominação das massas.As palavras incisivas com propostas de um novo horizonte são a muito tempo usadas com o intuito de articular interesses muitas vezes ocultos, omitidos na vaga demagogia.Muitas dos indivíduos acabam por seguir movimentos desconhecendo suas origens ou simplesmente negando a história.
Perante tais acontecimentos,é preciso que se insira consciente coletivo, um novo olhar de mundo, uma  percepção da realidade e da importância do “outro”, que não se trata de um ser isolado, mas que deve ser visto como uma conexão de nós mesmos.A ciência deve começar a questionar o pensamento vigente desde Descartes que indicava que o mundo,o ser humano funciona como uma maquina que possa ser analisada peça por peça e consertada isoladamente.Viver em sociedade não é regular isoladamente os problemas,mas sim enxergar que todas as relações são de fato interdependentes,por meio dessa transformação nas ciências, assim como ocorreu no século de Descartes e Bacon, toda uma sociedade poderá se modificar e mitigar tais ideologias destrutivas. 

Lívia Alves Aguiar 1º ano  Direito matutino

Ciência prevalece sobre o mal


Ciência prevalece sobre o mal

O fascismo além de movimento, tornou-se poder na Itália e na Alemanha no período entre guerras, sendo assim uma forma específica de regime político do Estado capitalista. Não qualquer regime, mas uma ditadura contrarrevolucionária com características específicas, como por exemplo: totalitarismo, nacionalismo, militarismo, culto a força física ,censura e antissocialismo.  Embora tenha entrado em crise após a II Guerra Mundial, alguns aspectos da ideologia fascista ainda estão presentes em alguns grupos e partidos políticos. Não é um fato exclusivamente brasileiro, pois se observa esse crescimento na Europa e em outras regiões. Sendo assim, pode se verificar no filme ''O ponto de mutação'' uma reflexão através de três personagens que embora tenham estilos de vida e pensamentos diferentes, são abertas a novas idéias e refletem sobre a visão mecanicista de Descartes de que pode ter funcionado por um tempo, mas esta percepção, hoje, além de errada, é na verdade nociva. Precisamos de uma nova visão, a percepção sistêmica, que é escapar do conforto dos processos, onde temos o controle, mas muitas vezes não a compreensão. Não se pode olhar separado para os problemas globais tentando entendê-los e resolve-los separadamente. Deve-se entender as interconexões para depois resolver os problemas. Com isso é possível pensar em um mundo com crescimento sustentável, com melhores condições para todos e maior segurança democrática. Ademais, a ciência é de extrema relevância para a garantia do desenvolvimento não só tecnológico, mas também o social.  A presença da leitura que ajuda na formação do pensamento critico e ao conhecimento dos episódios passados; a matemática que ajudou o homem a criar máquinas que facilitaram suas tarefas no dia a dia; a preservação dos costumes que contém muitos ensinamentos; a medicina que contribuiu para curar e prolongar a vida e as outras ciências que possibilitaram honras e riquezas. Assim, as ciências são essenciais para serem utilizadas como uma arma para afastar os fantasmas do fascismo e de outros maus a sociedade democrática.


André Luís Antunes da Silva. 1ºano Direito - Noturno

O ego humano e a busca pelo poder

   A todo momento uma gama de eventos ocorre ao redor do globo, e é perceptível que suas respectivas consequências afetam toda uma sociedade e os indivíduos e elementos inseridos nela. Esta visão mais sistêmica do mundo é abordada ao longo da discussão entre os personagens do filme "Ponto de Mutação", baseado no livro homônimo, os quais debatem acerca dos mais variados problemas que envolvem a humanidade e a natureza, buscando diferentes soluções que pudessem surtir efeitos duradouros e abrangentes.
   O método científico de René Descartes é alvo de críticas na conversa, uma vez que a separação de algo para analisá-lo e compreendê-lo parte por parte não permite que haja o entendimento pleno do seu funcionamento; é possível, por exemplo, saber as mecânicas e os componentes de cada órgão do corpo humano de maneira a combater doenças e desgastes que venham a acometê-lo, porém não se é valorizada a possibilidade de evitar, adiar ou minimizar tais problemas, não havendo a necessidade imediata de fazer algum tipo de intervenção direta. A visão também mecanicista de Francis Bacon é abordada negativamente, pois o filósofo inglês afirmava que a natureza deveria ser domada pelo ser humano e que "saber é poder", dando margem ao ideal de exploração incansável de recursos naturais e de busca constante de uma resposta definitiva para tudo, podendo ignorar as consequências de seus atos por causa de um bem considerado "maior" (o que não aconteceu com Sônia, personagem protagonista, que afirma ter abandonada a carreira de física por ter percebido que seu projeto foi utilizado para os fins errados).
   Pode-se estabelecer também uma relação do filme com a ocorrência do fascismo no período entreguerras, uma vez que o surgimento de grandes líderes, destacados pelo seu nacionalismo extremo, carisma e autoritarismo, aliado a momentos conturbados vivenciados no momento (relação direta com eventos como Primeira Guerra Mundial e a devastação, a Crise de 1929 e a instabilidade do sistema capitalista, e a Revolução Russa e o temor do socialismo), fez com que a população no geral aceitasse ser guiada para um caminho supostamente de glória jamais alcançado, não importando o preço que se pudesse pagar (muitas vezes acobertados pelos regimes autocráticos) para eliminar os inimigos da nação e atingir os objetivos. Atualmente, é necessário que o olhar mais sistemático do mundo seja mais prevalente, pois além de ter maiores possibilidades de buscar respostas genuínas para os problemas já existentes, "cortando-os pela raiz" e sem afetar os outros, também evita-se ser ludibriado por promessas realizadas por indivíduos egoístas, autoritários e corruptos, adeptos de um modelo fascista ou de qualquer linha de pensamento que dê suporte somente para as ambições suas e dos pertencentes ao seu grupo.

Eduardo Cortinove Simoes Pinto
Direito Matutino - 1°ano

O tempo e a física


Eram sete horas da manhã quando o celular despertou e João acordou. Mais dez minutos na cama não o atrasariam para a aula. Apertou, então, o botão da soneca e deitou a cabeça no travesseiro. Porém não conseguiu dormir. Como poderia a tecnologia ter avançado tanto em tão pouco tempo? Há vinte anos atrás nem computador existia direito, hoje temos um pequeno aparelho que controla todos os aspectos de nossa vida, inclusive o tempo.
Lembrou-se então dos textos de Descartes e Bacon que foram a base do método científico. Que revolução! Ver a natureza como uma máquina, dominá-la para trazer inúmeros benefícios ao homem, saber realmente é poder!
Pensamentos a mil, resolveu levantar. Todas aquelas tecnologias a sua volta, quantos benefícios. Ligou aquela que fez uma grande transformação na vida do homem: a TV. O jornal continuava a falar sobre os massacres que haviam acontecido naquela semana. Que tragédia! Quantas pessoas mortas! Quantas crianças mortas! Todas tinham um futuro pela frente.
Logo veio em sua mente o pensamento de que as ideias de Descartes e Bacon haviam levado à tortura do mundo. Onde ouvira isso? Possivelmente em algum filme. Era vaga a ideia de uma mulher, física talvez, falando sobre o assunto. Mas provavelmente ela estava certa.
Não que Descartes e Bacon tenham provocado isso, mas a visão deturpada das suas ciências sim. Aquelas armas utilizadas pelos garotos em Suzano haviam sido desenvolvida por essa ciência. A propagação de ideias neofascistas que teriam influenciado os meninos a agirem daquela forma tinha sido fruto do avanço da ciência moderna. A destruição causada pelo próprio Fascismo no século XX era responsabilidade da ciência. Foi o avanço dessa ciência que desenvolveu a indústria bélica. Foi o avanço dessa ciência que criou as câmaras de gás utilizadas no holocausto. Foi utilizando o avanço da ciência como fim que muitos nazistas fizeram experiências cruéis com judeus nos campos de concentração. Foi o avanço dessa ciência que criou as bombas atômicas e colocou o mundo em constante medo de uma guerra nuclear. O conceito dessa ciência deveria, na verdade, ser chamado de ciência de dominação, dominação tanto da natureza pelo homem quanto do próprio homem pelo homem.
Mas na verdade o que seria o Fascismo? João não lembrava muito sobre o significado do conceito propriamente dito. Não havia prestado muita atenção nas aulas de História do ensino médio, mas lembrava dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial e da destruição que o Fascismo tinha causado. E, além disso, havia percebido que o conceito, hoje em dia, havia voltado à boca do povo.
Resolveu, então, buscar sobre o assunto no Google. Descobriu que haviam duas modalidades de fascismo: uma que caracterizava apenas o indivíduo e outra que caracterizava um governo; mas que ambas tinha inúmeros aspectos em comum. Ambas eram marcadas por ideais preconceituosos e por características autoritárias.
E o que seria ideais preconceituosos e autoritarismo, se não uma forma de dominação? Talvez o próprio fascismo tenha sido fruto desse conceito de ciência, dessa dominação do homem pelo própria homem.
Eis que veio a seguinte dúvida na mente de João: seria possível haver uma ciência que nos ajudaria a escapar do Fascismo? Dessa dominação do homem pelo homem?
A imagem da física do filme foi se tornando cada vez mais clara. Ela sabia a resposta. Para ela, o mundo não seria uma máquina composta de partes que devem ser analisadas separadamente para podermos analisar o todo, nem o homem. Somos um todo composto por partes interligadas e interdependentes, que devem ser analisadas conjuntamente. A Terra não é simplesmente um planeta composto por matéria e seres vivos, ela é um grande organismo vivo, como aponta a Hipótese de Gaia.
Realmente, a física estava certa. Esse pensamento de que o todo é composto por partes que devem ser analisadas separadamente gera individualismo. E enquanto pensarmos em uma ciência que beneficia o indivíduo, ou até mesmo um grupo, e não o coletivo, não seremos capaz de nos livrarmos dessa dominação. É necessário começar pela transformação do conceito de ciência e do próprio método científico, é necessário olhar o todo, as partes e as suas relações ao mesmo tempo.
Tempo! Já eram 8h15. A ciência moderna falhara mais uma vez. João estava atrasado.

Bianca Garbeloto Tafarelo (1º ano de Direito - matutino)

O Fascismo e a Razão Instrumental

O fenômeno do fascismo alastrou a Europa durante as décadas de 1930 e 1940, com ascensão de Benito Mussolini e Adolf Hitler no poder da Itália e Alemanha, respectivamente. Característico por ser um movimento de massa, ultranacionalista e de governo autocrático, o fascismo vem se manifestando em alguns Estados nos dias atuais e nos lembrando do papel da ciência nesse processo.
Conceito criado por pensadores da Escola de Frankfurt, a Razão Instrumental define a operacionalização do conhecimento científico a fim de utilizá-lo como instrumento de dominação. Incorporado nessa definição, está o movimento fascista, que utiliza da racionalidade para dominar grupos, manipular massas e conquistar poder político. A exemplo disso há o pensamento nazista, segundo o qual existiria uma raça pura, ariana, e que todas as outras seriam inferiores a ela. A justificativa científica é equivocada mas foi eficiente para incitar a população alemã a apoiar o Holocausto judeu.
Além disso, o conhecimento científico e tecnológico pode ser direcionado para o desastre e a tragédia de maneira direta, como as bombas atômicas lançadas sobre as cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. Nesses trágicos eventos, todo o saber dos cientistas e a tecnologia envolvida foram utilizados para dizimar milhares de pessoas inocentes.
Como abordado no filme de Fritjof Capra, "O Ponto de Mutação", a ciência dentro da articulação política serve como dispositivo de obtenção de poder, elemento essencial na guerra entre Estados e entre indivíduos. A máxima de que o desenvolvimento científico é a comprovação da evolução humana ainda pode ser considerada verdadeira? É possível pensar em evolução quando a humanidade usa de seu próprio conhecimento para destruir humanos?
É vital refletir sobre essas questões e pensar sobre o rumo que estamos tomando diante de tão veloz desenvolvimento da ciência e o que estaremos deixando para as próximas gerações, caso contrário destruição é o que restará. 



Mariana Paz Formigoni Puentedura - 1º ano - Matutino

A involução tecnológica

  Se programadores afirmam que o avanço da tecnologia é dependente da criação de uma IA para as máquinas, e que ao mesmo tempo afirmam que não existe IA tão avançada para a criação do livre arbítrio, podemos ver que esse livre arbítrio que falta nas maquinas deveria ter em excesso nos humanos , já que disso todos podem ter em excesso e em uma quantia que todos se satisfazem como já mencionava Descartes, mas hoje em dia , como na época nazista alemã e na italiana de Mussolini , podemos ver o renascimento do fascismo na  humanidade, tal movimento que apoia a falta de livre arbítrio e o apego ao que Francis Bacon chamaria de ídolo do foro que é impossível dizer que o ser humano seja melhor do que a maquina, e talvez por isso que nas relações humanas atuais predomine o maquinismo social.
  Como mencionado no filme "Ponto de mutação" em menção ao pensamento de Descartes, o mundo em que vivemos se baseia em um pensamento ultrapassado e apoiado em uma identidade de máquina que caracteriza tudo, onde há problemas pontuais invés de sistemáticos, e por isso que nossa sociedade é incapaz de lidar com seus problemas, e indo até além, estamos incapazes de lidar com os velhos problemas também, com uma exemplificação perfeita que é a volta do Fascismo para essa época, ao sermos tratados como maquinas estamos começando a agir como uma sem ter a capacidade de pensar racionalmente através de nós mesmos.
  Se por um lado a tecnologia evolui se tornando cada vez mais independente, os seres humanos involuem se tornando cada vez mais dependentes de uma personalidade forte para decidir por eles, se continuar assim chegaremos a um ponto onde as maquinas estarão protestando na rua para não serem tratados como humanos: uma simples ferramenta sem pensamento critico algum.

Carlos Eduardo Trigo Nasser Felix 1º ano de direito matutino. 

                           Crise de Percepção


Segundo Hannah Arendt, evitar responsabilidades e não julgar leva os indivíduos a cometerem aberrações, que a ordem fascista prega. A ascensão do fascismo é um exemplo da falta de questionamento por parte de seus adeptos, no qual eles creem que é através de um regime totalitário, e é pela eliminação do outro que a paz e ordem serão garantidas. Existe uma crise de percepção, sobre o outro e sobre o que é paz.
O fascismo é um aglomerado hegemônico, em que o indivíduo se dilui para seguir um líder, desta forma o “outro” é qualquer indivíduo que não pertença ao regime, portanto uma ameaça ao comportamento de bando dos fascistas. A partir disto surgiram aberrações como a Solução Final do Estado Nazista, no qual o “outro” – judeus, ciganos, homossexuais, doentes físicos e mentais – era responsabilizado por todos os dissabores da vida humana, assim somente com a eliminação do “outro” haveria a realização do grupo. No entanto, o silêncio devido as mortes de inúmeras pessoas não foi paz, e sim um genocídio.
Segundo a teoria dos sistemas a existência é uma teia da vida, ou seja, todos estão conectados, são interdependentes do “outro” para existirem. A crise de percepção provém da ideia de que o outro é alguém além de mim, separado, quando na verdade estamos intrinsecamente ligados. Os juros pagos a esta falta de entendimento são corpos incinerados, torturados, perdidos. Os estrangeiros somos nós, que renunciamos nossa essência em nome do medo, para participar de grupos fascistas que dizem garantir a nossa segurança.
Diante deste cenário, entende-se que a desgraça não está na ação do diferente a mim, mas na própria ignorância, que entende a vida como retalhos. Sendo esta uma vida mutilada por autoflagelos, infligidos na própria alma humana.

Érika Nery Duarte, primeiro ano direito (matutino)