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sexta-feira, 15 de março de 2024

A rejeição das mudanças e avanços sociais

O crescimento da extrema-direita é um fenômeno que está causando diversos problemas e retrocessos na sociedade contemporânea. Uma vez que esse movimento, de caráter conservador e reacionário, é embasado, entre outros aspectos, no ataque e questionamento à ciência e à produção cientifica. Assim como propõem a anulação das minorias perante a sociedade. Dessa forma, faz com que os indivíduos percam a consciência crítica e com que direitos básicos sejam reduzidos. 

Em primeira análise, o sociólogo Wright Mills, no livro “A imaginação sociológica”, afirma que a velocidade das mudanças no mundo atual gera um colapso dos valores tradicionais. Como essas transformações são resultado da produção científica, surgem esses movimentos de extrema-direita, que reagem de forma conservadora. Por meio da negação de uma mudança de perspectiva que promova um entendimento racional da realidade pessoal dentro da nova estrutura social, metodologia que Mills chama imaginação sociológica, e que é sedimentada pela ciência. A partir disso, a metodologia cientifica é questionada, e o senso comum é trado como verdade, ocasionando diversos distúrbios sociais, como na pandemia do covid-19 no Brasil, em que muitas mortes poderiam ser evitadas se os governos conservadores, tivessem seguido as recomendações científicas. 

Por meio dessa invalidação da imaginação sociológica, os direitos conquistados pelas minorias, pautadas em reivindicação racionais, são anulados nos discursos e ações desses movimentos de extrema-direita. Nessa perspectiva, a escritora Grada Kilomba, no livro “Memória de uma plantação: episódio de racismo cotidiano”, retrata, através de relatos de sua vida acadêmica, como os conhecimentos produzidos pelas minorias são negados dentro da sociedade, pois, mesmo com os avanços sociais, persiste a visão colonial, que as tratam como o “outro incapaz de pensar. Dessa maneira, os movimentos reacionários utilizam da inferiorização intelectual e cultural para rejeitar esses grupos minoritários dentro da sociedade, perspectiva que está por trás do genocídio praticado pelo Estado de Israel, que é governado por partidos de extrema-direita, contra o povo palestino. 

Por tanto, o crescimento de movimentos de extrema direita surge do questionamento dos avanços e quebras de paradigmas que a ciência proporcionou. Assim, a interpretação racional da sociedade, proposta por Mills, é deixada de lado por esses grupos, e acentua-se o olhar colonial, evidenciado por Kilomba, que anula as minorias. 

Luccas Pinheiro Nascimento- 1° ano Direito Noturno

O Método Científico em um mundo manipulado.

Durante a Idade Média, o conhecimento científico e o senso crítico era um luxo entre os europeus, uma vez que a população não tinha acesso às fontes de conhecimento, nem podiam questioná-las, porque - naquela época - a Igreja Católica detinha o poder e por isso influenciava as massas à seguir os valores cristãos, mantendo os conhecimentos científicos fora das mãos da grande maioria da população. Dessa maneira, a sociedade vivia alienada pelas doutrinas da fé e seguiam em completa ignorância dos fatos. 
           Contudo, essa realidade mudou alguns séculos depois com o advento do movimento Iluminista, o qual criticava o pensamento baseado pela fé e estimulava a pulverização do pensar racional a todos, a fim de estimular o pensamento crítico e garantir mudanças econômicas, políticas e sociais. Foi graças a esse movimento que as ideias defendidas por Renè Descartes - filósofo, físico e matemático francês do século XVII - se espalharam pela Europa. Tal pensamento defendia que o conhecimento verdadeiro só poderia ser alcançado através do Método Científico, ou seja, a partir do questionamento das hipóteses com base na ciência e não com base nas crenças, na fé ou nas experiências pessoais. Nesse sentido, os séculos seguintes ao movimento iluminista foram marcados pelo afastamento do pensamento baseado na fé e a maior aceitação do pensamento racionalista, o qual propiciou milhares de descobertas científicas que trouxeram muitos benefícios para a civilização, tais como: surgimento da eletricidade, do automóvel, a descoberta da gravidade e a compreensão da genética. 
            Entretanto, no século XX e XXI, o pensamento científico foi encoberto novamente pela ignorância, porém, agora é por causa do contato constante que o indivíduo tem com as milhares de informações sobre o mundo, graças a globalização. Nesse novo contexto em que a sociedade se encontra, a população leiga está diariamente sendo expostas a milhares de informações sobre tudo o que acontece no mundo, tendo assim muita dificuldade em discernir o que é verdade do que é falso (fake news). 
            Nesse cenário, a figura de um político surge como uma “salvação” da ignorância, uma vez que uma pessoa detentora de alto cargo é vista como um ser de grande conhecimento e capaz de definir o que certo ou errado; bom ou ruim. Contudo, essa figura não passa de uma nova versão e mais sutil da Igreja Católica na Idade Média, pois, de acordo com Wright Mills: “tudo aquilo de que os homens comuns têm consciência direta e tudo o que tentam fazer está limitado pelas órbitas privadas em que vivem.”. Assim, mesmo a pessoa de maior cargo no país é persuadido pelos seus ideais e acaba por passar essas ideias influenciadas para a população, a afastando ainda mais do conhecimento científico, mesmo que ele esteja ao seu alcance. A exemplo disso, há o caso do movimento anti-vacina que retornou ao Brasil no ano de 2020 devido a pandemia do Covid-19. 
            Durante esse período em questão, o movimento baseado no negacionismo científico ganhou mais força graças ao posicionamento anti-vacina do presidente da época, Jair Bolsonaro. Nesse cenário, de acordo com Glícia Salviano Gripp (professora de metodologia científica e pesquisadora do movimento antivacina), a adesão das vacinas pela população está bastante atrelada a confiança que as pessoas tem no país e nas figuras de autoridade, tal qual o ex-presidente. Assim, ao exprimir o seu posicionamento em seus discursos, o político está influenciando as pessoas leigas a seguir seu pensamento e as manipulando para ir contra a ciência, a qual está pautada na razão e neutralidade e não nos paradigmas pessoais. 
            Em suma, apesar de a civilização humana ter evoluído nos cenários científicos e técnicos, infelizmente, a ignorância continua ser uma realidade. Dessa forma, as massas são facilmente manipuladas pelas figuras de poder e pela falsa ideia de neutralidade e conhecimento [científico] que eles devem ter. Nesse sentido, apesar da ciência se provar eficaz, nada do que se é dito é levado em consideração pelas pessoas que já estão com seu senso crítico nublado ou atrofiado. Dessa maneira, mesmo com todas as descobertas, as grandes massas,lamentavelmente, continuam a ser influenciadas pelos dominantes, nunca saindo desse ciclo vicioso. 


Beatriz Pasin de Castro - 1º ano - Matutino.

DE BACON E DESCARTES A MORO: DEZ ANOS DE LAVA JATO

Iniciada em 2014, a Operação Lava Jato, tratada como a maior investigação de corrupção do Brasil, completa, neste mês de março, dez anos. Dez anos de acumuladas apreensões, condenações e prisões. Dez anos do início de um movimento ritualístico, que consagrou reuniões de família nas salas de estar para assistir ao Jornal Nacional e ver o preso do dia, momento em que se contava até com figuras já carimbadas na televisão brasileira, como a do ex-agente da Polícia Federal Newton Ishii - o “Japonês da Federal”. Dez anos da incorporação de um novo vocabulário para o povo brasileiro, que passou a incluir palavras como delação, receptação e peculato. Mais que tudo isso: dez anos que demonstram a necessidade de um Direito racional e socialmente estruturado.  

Nessa perspectiva, cita-se René Descartes, que, em “Discurso do Método”, revela uma nova forma de produção racional da ciência baseada na dúvida. Depois de duvidar de tudo o que se passa em seu espírito, Descartes percebe que, para duvidar, antes de mais nada, é preciso existir. Logo, a existência vira sua primeira evidência dessa linha de raciocínio racionalista, desbocando em sua máxima: “Penso, logo existo”. Assim, se para o filósofo torna-se imprescindível a manutenção da dúvida para produção da ciência, façamo-nos duvidar da legitimidade com que se conduziu os trabalhos na finada 13ª Vara Federal de Curitiba de Sergio Moro e sua alcateia.

Não se quer, porém, fazer críticas ao combate à corrupção, um mal pungente no Brasil que pensou-se caminhar à extirpação, com a Lava Jato. Quer-se apenas duvidar dos moldes com que se deram os trabalhos durante esses anos. Afinal, pode-se sustentar como justo um sistema em que o investigador, o acusador e o julgador trabalham juntos? Pode-se admitir, sem a menor ressalva ou dúvida, uma Vara Federal movimentando, de forma misteriosa, bilhões de reais? Não se valida o questionamento sobre a legalidade de um julgamento em que o acusado não tem seus direitos resguardados? Talvez o que se deu em Curitiba possa ser visto sob a ótica de Francis Bacon, que, notando pela sua obra "Novum Organum", bem provavelmente teceria críticas à ciência jurídica de Moro, que mais ensejava na vitória sobre adversário político que no resultado da justiça.

Desse modo, o filósofo inglês bem representa uma boa face da produção da ciência que, se tivesse sido utilizada, talvez se estabelecesse uma verdadeira luta contra a corrupção, pautada no estabelecimento de graus de certeza no âmbito da ciência do Direito e utilizando a razão despida de noções pré-concebidas para produzir justiça. Faz-se, portanto, estabelecer, ao modo de Descartes, uma sequência de dúvidas sobre as temáticas suscitadas para que, no futuro, uma verdadeira ciência jurídica, pautada nos termos de Bacon, possa, finalmente, consagrar uma luta anticorrupção voltada para o bem do homem - noção cartesiana - e à consagração de resultados - percepção baconiana.

LUCAS MATSUMOTO
Direito - Noturno

quinta-feira, 14 de março de 2024

O Impacto da Globalização na Ciência Moderna

                     Após a Terceira Revolução Industrial, o mundo começou a passar pelo processo de globalização, uma vez que evoluiu tecnicamente os meios de transportes e comunicação. Contudo, o filósofo e cientista Francis Bacon, durante o século XVII, já produzia o conhecimento de uma ciência baseada na interpretação da natureza, ou seja, assumindo um caráter mais racional e menos ligado com o senso comum. Dessa forma, nasce, nesse contexto, a Ciência Moderna no meio burguês, com isso, criticava a filosofia da época,  a qual era pautada na retórica e abstração.

                     Dessa forma, a globalização pode ser vista como uma síntese desse pensamento, pois para haver essa conexão global foi necessário que as pessoas de diferentes nações fossem abertas às outras culturas, tendo em vista que ada um possuía uma bagagem social formada a partir do senso comum  de diferentes lugares. A partir disso, as ciências, as quais possuem valores mais exatos e empíricos, facilitou a troca de informações e uma maior produção de conhecimento nessa área, consequentemente, diminui o foco na filosofia tradicional e questionadora nos tempos modernos. Isso pode ser observado nas artes cinematográficas, o filme ''Oppenheimer'' apresenta um momento de intensa produção científica e tecnológica: a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial.

                      Portanto, nessa atual configuração o desenvolvimento da ciência foi de suma importância para a interconexão entre as regiões globais, seja ela física, seja ela virtual, logo, preferencia-se um conhecimento  neutro e guiado pela razão, e não em pré-noções. Nesse viés, atualmente, as áreas da tecnologia da informação possuem um maior crescimento, pois o a conjectura mundial visa um desenvolvimento, o qual tem por base a evolução e aumento de recursos no sistema capitalista atual. Por fim, mesmo séculos passados,  Francis Bacon já conseguiu prever a ciência moderna superando o senso comum, o que permitiu o planeta Terra interligar diversas nações sob a óptica da Globalização, a fim de produzir conhecimento científico               

Anna Luiza Marino Dourado- Direito Matutino

Positivismo... positivo?

 O positivismo, ou então, física social, doutrina criada por August Comte tinha, como uma de suas premissas, a análise do fato, a sociedade como ela é, gerido por leis imutáveis e aplicáveis a todos, tal qual a física, astronomia e outras ciências necessariamente objetivas.

No entanto, ao imbuirmos uma concretude, rigidez às normas, o resultado certamente não será o resultado da “ordem e progresso“ esperado por Comte. É temerário reduzirmos uma população a meramente algo estático e sem forma, no qual apenas o amor à pátria é suficiente e necessário.

Ao fundamentarmos a interpretação de alguma ocorrência da sociedade, como a lei, por exemplo, ficamos manietados a meias verdades; caput:

´´Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade[...]´´Constituição Federal Brasileira de 1988; para alguns, não há questionamentos e é isto, porém, como Miguel Reale, diretor do projeto do código civil de 2002, disse em seu artigo ´´visão geral do projeto de código civil´´: legislar para o homem enquanto marido; para a mulher enquanto esposa; para o filho enquanto um ser subordinado ao poder familiar´´, isto é, analisar amplamente a situação de cada caso.

Além disso, muitos ´´positivistas´´ das gerações atuais contemplam-se de apenas uma interpretação, alegando que outras normas também positivadas são mero fruto de abstração, que não devem ser levadas em conta, como por exemplo o próprio artigo 5 º supracitado, o qual, para alguns, é uma norma deificada, excluindo outras como por exemplo o:  ´´Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;´´ como, quando, por exemplo, são defendidas as cotas raciais, os quais os positivistas atuais usam de sua carta magna da igualdade jurídica, sem considerar todo o contexto que permeia a vida humana e sua historicidade.

É, de certa forma, perigoso e anacrônico usar da filosofia positivista nos dias atuais.

Thiago Dacyszyn Macedo. 1º ano de direito, Matutino - RA: 241222184

O Questionamento do Branco sobre a Ascensão Social do Negro

 

           A digital influencer Raquel Nazareth posta, em suas redes sociais, seu cotidiano. Compras, maquiagens, rotina de cuidados com a pele e passeios no Villlage Mall, seu lugar preferido. Entretanto, Raquel recebeu notória atenção dos expectores devido a outro motivo; como ela se tornou rica? Convenhamos que esse questionamento foge do conteúdo que a digital influencer publica, além de tal pergunta não ser feita as demais influencers da mesma rede social que Raquel. A única diferença entre Raquel, que vive sendo questionada sobre suas condições financeiras, das demais blogueiras é: Raquel Nazareth é uma mulher negra. Nessa perspectiva, e de acordo com a escritora Grada Kilomba, persiste, na sociedade contemporânea, o questionamento do branco sobre a ascensão social dos negros, evidenciado pelo pensamento de incapacidade que eles têm em relação as pessoas negras e pela negação da alteridade.

Diante desse cenário, se torna válido ressaltar o equivocado pensamento de que pessoas negras são incapazes intelectualmente. Por exemplo, em sua vida acadêmica, a escritora revela que foi barrada de frequentar a biblioteca de sua universidade pois, diferentemente dos outros estudantes brancos, Grada não parecia pertencer àquele lugar. Além disso, os trabalhos acadêmicos dela sobre o racismo cotidiano eram vistos como algo subjetivo, pessoal, imparcial, mas nunca científico. Grada Kilomba até mesmo cita que “elas/eles têm fatos/nós, opiniões”. Logo, a capacidade intelectual da escritora esteve sempre em observação e em julgamento, apenas por ela ser uma mulher negra.

Ademais, desde a colonização, perpetua a ideia de superioridade dos que estão no poder. Os demais grupos sociais, sem ser o do homem branco europeu, eram considerados “menos humanos”, somente por causa de serem diferentes. Nesse sentido, ao terem sua alteridade negada, esses grupos foram colocados em uma posição vulnerável e expostos a todo tipo de violência. Infelizmente, é percebível que, atualmente, essa falsa superioridade de determinado grupo social continua existindo, demonstrando que o poder está concentrado nas mãos deles. Para salientar esse argumento e comprová-lo, retomamos o que foi dito anteriormente, uma vez que, por não fazer parte do grupo social que acumula a maior parte do poder da sociedade, uma mulher negra rica é um acontecimento atípico para essa sociedade, recebendo questionamentos sobre a origem de seu dinheiro.

Conclui-se, portanto, que, assim como a mesma classe social persiste sendo a representação do poder na sociedade, a ideia de superioridade perpetua até os dias atuais, fazendo com que as capacidades e a ascensão social de grupos minoritários sejam encaradas como incomuns. Dessa forma, esse preconceito infundado, passado de geração para geração, é exposto no comportamento diário dos indivíduos na sociedade, permitindo que essa violência ainda aconteça.


Maria Clara da Silva Cruz, 1º ano Direito Matutino

BRASIL E POSITIVISMO: ENTRE A CRENÇA E A CIÊNCIA

 

Auguste Comte foi um dos pensadores mais importantes da humanidade, tendo como sua principal contribuição a fundação da sociologia. Mais especificamente, Comte elaborou a corrente de pensamento denominada Positivismo, que defende, sobretudo, a atuação da sociologia inspirada nas ciências naturais, isto é, o estudo dos fenômenos sociais de maneira totalmente empírica e neutra, deixando de lado qualquer subjetividade do sociólogo.

Além disso, Comte elaborou a Lei dos três estados, na qual afirmava que o pensamento humano e a maneira dos indivíduos compreenderem o mundo evolui através de três estágios – sendo o primeiro teológico, o segundo metafísico e o terceiro positivo. Dessa forma, o sociólogo acreditava que uma sociedade, quanto mais próxima estivesse do seu auge, mais utilizaria da ciência para entender a realidade e resolver seus problemas.

Recentemente, durante a pandemia de COVID-19, instaurou-se uma enorme polêmica a respeito das vacinas contra o vírus, com diversas autoridades (inclusive o então presidente da república Jair Bolsonaro) questionando a eficácia e a segurança dos imunizantes que estavam sendo produzidos. Tais questionamentos evoluíram para uma onda de acusações alarmistas dos mais variados tipos, como a possibilidade de desenvolver problemas vasculares e ter um chip chinês introduzido no próprio corpo.

O ponto crucial dessa discussão é que, enquanto as vacinas foram estudadas, produzidas e testadas seguindo rigorosamente os critérios estabelecidos por anos de estudos científicos, as acusações levantadas contra elas não continham o mínimo embasamento. Ainda assim, uma parcela relevante da população optou por acreditar nas falsas afirmações, incluindo o então presidente Jair Bolsonaro, o que levou a uma postura negacionista por parte do Governo Federal. Com isso, crenças totalmente infundadas levaram ao atraso na compra de vacinas e à não cooperação entre a União e o governo do estado de São Paulo para a produção da CORONAVAC, causando danos irreversíveis a milhares de famílias brasileiras.

Portanto, através dessa postura trágica do Governo Federal, respaldada por grande parte dos cidadãos, é possível inferir que o Brasil ainda está muito longe do estado positivo de Comte; pois, se fosse o caso, tal aberração nunca teria ocorrido. Para que o Brasil caminhe em direção ao progresso, é necessário – segundo o sociólogo – que os indivíduos e as autoridades se desprendam de crenças pessoais e passem a utilizar a ciência para investigar e resolver os problemas da nação.

 

Tiago Zanola Ferranti, 1º ano - Matutino, RA: 241221366


quarta-feira, 13 de março de 2024

Não existência contemporânea

 

Não pesquisamos mais. Não questionamos mais. Não refletimos mais. A era das fake news é imparável, virulenta e arrebatadora- ou não?

A fugacidade das informações, a capacidade de destruição que as redes possuem e a quantidade de informações falsas são elementos que compões a sociedade contemporânea. O caráter manipulador da web torna-nos fatalistas acerca do futuro, dizendo a nós mesmos que a tendência é apenas a piora. No entanto, esse questionamento não é novo- René Descartes consternou-se profundamente sobre a verdadeira realidade e sobre o que é o factual.

A aceitação na sociedade não depende apenas de seu caráter, e isso Descartes disserta: ´´Havia bastante tempo observara que,  no que concerne aos costumes, é às vezes preciso seguir opiniões, que sabemos  serem muito duvidosas, como se não admitissem dúvidas´´; DESCARTES, René. O discurso do método (1637). São Paulo: Nova Cultural,  2000 (Coleção Os Pensadores)  então, obcecado pela verdade toma uma atitude radical até para os dias de hoje, questionando tudo aquilo que deixasse o mínimo de dúvida ou inveracidade- tão questionador que o fez questionar a sua própria existência, visto que, após tantas dúvidas sobre tudo, René elaborou a seguinte proposta: como ele estava duvidando de sua própria existência, e para haver algum questionamento/pensamento era necessário algo que gerasse tal, uma força-motriz para tal questionamento, culminando na emblemática frase:´´ penso logo existo´´, no mesmo livro supracitado.

Apesar do interim de quase 400 anos, muitos não adotaram a postura questionadora do pensador, conferindo aos parlamentares do congresso brasileiro a decisão de minimizar a corrente não questionadora dos grupos de WhatsApp com o Projeto de Lei n° 2630, de 2020, conhecido como PL das Fake News, que está em tramitação no congresso.

Mesmo que não pareça, a desinformação se escala de forma exponencial, de forma que o Brasil padeça com casos indiretamente ou diretamente ligados a tais informações, como por exemplo o surto de Sarampo que desde 2018 o vírus voltou a circular por grupos antivacinas que integraram mais pessoas a comunidade que não imuniza suas crianças, de modo que nos anos de 2018 a 2022 foram confirmados 9.325, 20.901, 8.100, 676 e 44 casos de sarampo, respectivamente.

Não só isso, mas casos políticos que criticam de forma exacerbada o Supremo Tribunal Federal fortalecendo atos antidemocráticos, não só os casos do ataque do 8 de janeiro de 2023 na praça dos três poderes, mas também casos como o ex-deputado Daniel Silveira, que foi preso em 2022 por ameaçar o Estado Democrático de Direito.

Portanto questiono: pensamos e existimos ou dormimos e esmaecemos?

Thiago Dacyszyn Macedo, 1° ano do curso de Direito, Matutino - RA: 241222184

segunda-feira, 11 de março de 2024

Em busca da certeza (em busca da ciência)

A verdade para os gregos e para os escolásticos poderia ser resumida como: a adequação do intelecto à coisa. Assim, compreende-se que tal coisa está presente no imaginário e a sua representação se encontra no mundo, ou seja, se de fato existe uma representação concreta daquilo que está no intelecto, sendo ela perceptível pelos nossos sentidos, essa seria a consideração da verdade.

Com a busca da prioridade da mente, René faz um distanciamento dessa correlação do imaginário com a natureza e se aproxima das questões científicas, aplicando o método científico para não se prender apenas à verdade explícita, mas buscando sempre uma certeza. Porquanto, só se pode ter certeza daquilo que seria provado através do método, dando a entender que o alcance pleno da razão pode ser naturalmente igual a todos os homens, desde que se utilize essa fórmula.

O seu método era composto por sempre manter a dúvida. Nunca considerar algo como verdadeiro ou imutável, evitando a pressa e as informações confusas e obscuras, juntamente com uma análise minuciosa de qualquer situação, a qual pode possuir diversas nuances, sendo cada uma delas relevante para seu entendimento. Por exemplo, qual seria a verdade por trás de uma ideologia? Ou até mesmo, o quão forte seriam as reações químicas em nosso sistema nervoso por trás dessa ideologia?

Diante do cenário contemporâneo, marcado por avanços tecnológicos e mudanças sociais, é intrigante observar como certas ideologias extremistas se manifestam de maneiras inesperadas. Após mais de 400 anos desde a existência do filósofo francês, nos deparamos com notícias de idealizadores partidários da extrema-direita, onde acreditam fielmente que seres vizinhos do planeta terra, - ou de outro sistema solar - poderiam cooperar com o golpe de Estado enquanto acampavam em frente ao QG do exército de suas respectivas cidades.

É crucial, portanto, compreender o que seria uma ideologia diante dessa perspectiva. As ideologias são crenças, sistema de valores e princípios que moldam a maneira de interpretar o mundo de um indivíduo, essa verdade surge da capacidade interpretativa e normativa de interação com a realidade, nunca fundamentada, nunca capaz de se chegar a uma certeza. Sendo ela legítima para justificativas de certos sistemas políticos, econômicos e sociais, podendo mobilizar indivíduos em torno de certas causas.

O coronel (e bolsonarista), Jorge Eduardo Naime, ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal, afirmou que bolsonaristas acampados em frente ao quartel-general do Exército em Brasília “viviam em um mundo paralelo”. Indivíduos que estão sempre em busca dos seus ideais que trazem sensações relacionadas ao bem-estar e redução de conflitos internos, promovendo uma coerência e tranquilidade mental sempre relacionadas ao seu eu, deixando de lado a busca por uma certeza e nunca questionando as informações que lhes são apresentadas a todo momento por conta da tecnologia.

Segundo Wright Mills, “Não é apenas de informação que precisam - nesta Idade do Fato, a informação lhes domina com a frequência a atenção e esmaga a capacidade de assimilá-la. [...]”. “[...] O que precisam, e o que sentem precisar, é uma qualidade de espírito que lhes ajude a usar a informação e a desenvolver a razão, a fim de perceber, com lucidez, o que está ocorrendo no mundo e o que pode estar acontecendo dentro deles mesmos.” (p.11).

Sem ao menos a capacidade de discernimento que nos foi apresentada há 400 anos atrás e sem a disposição de encarar as dúvidas que causam o conflito interno de ideias e corroem o caráter desse indivíduo que se vê, idealizador de extraterrestres que cooperam especificamente para um partido político, demonstra um perigo eminente nessa sociedade apocalíptica que nem sequer se desprende do imaginário, mesmo sem tendo encontrar a existência dessas presunções na realidade concreta. 

À luz do exposto, é necessário superar a superstição e preocupar-se com a ciência, que pode ser morosa, mas que traga bons resultados e não se fundamente apenas em verdades rasas. Deve-se buscar pela razão que pode vir da nossa realidade e não da ideologia humana. Para compreender o estado atual da sociedade, é necessária uma compreensão sociológica, ou seja, olhar para a Idade do Fato a fim de buscar pela ciência relacionada ao presente, ao passado e à própria natureza, mas que garante resultados que vão além do bem-estar de um único indivíduo preso às suas convicções. 


‘’... mediante a qual, conhecendo a força e as ações do fogo, da água, do ar, dos astros, dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam, tão claramente como conhecemos os vários ofícios de nossos artífices, poderíamos utilizá-los da mesma forma em todos os usos para os quais são próprios, e assim nos tornar como senhores e possuidores da natureza” (DM, p. 34-35) Érica Olivio


domingo, 10 de março de 2024

A imaginação sociológica como forma de entender o racismo na sociedade brasileira contemporânea

    Em "A Imaginação Sociológica", de C. Wright Mills, a utilização do método homônimo oferece a capacidade de ver a partir de outras perspectivas, a fim de compreender o cenário histórico e político vivido e como chegou-se a tal. Dessa forma, pode-se utilizar seus argumentos, feitos em 1959, para embasar a visão de Grada Kilomba ao comentar o racismo em seu livro "Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano".

    A princípio, vale ressaltar que o racismo não é uma perturbação pessoal, e sim uma questão estrutural na sociedade. Grada Kilomba trata do preconceito que sofreu no ambiente acadêmico alemão, sendo vista como intrusa em locais e precisando fazer processos não exigidos de estudantes brancos, porém sua crítica se estende até a sociedade brasileira, dentro e fora da academia, pois, além da necessidade da Lei de Cotas em universidades para garantir a formação de mais pessoas negras, profissionais negros são questionados em suas habilidades e formações, como ocorreu com uma neurologista negra em Sergipe, a qual teve um paciente que exigiu que mostrasse seu número de registro no Conselho Regional de Medicina, mesmo que o dado já estivesse disponível antes da consulta.

    Além disso, é importante destacar como discussões sobre o racismo são tratadas com desdém em vez da devida preocupação. Ao falar sobre situações cotidianas de racismo, pessoas negras se deparam com a ideia de que estão apenas "exagerando" ou que é uma situação exclusivamente pessoal, e que deveria ser tratada como tal. No entanto, a ideia presente no livro de Mills sobre grandes questões estruturais serem reduzidas a problemas a serem tratados individualmente, com o propósito de evitar o questionamento em massa do problema, é comprovada no Brasil com a Lei 14.532/2023, na qual a decisão muito criticada de não comparar injúria racial ao crime de racismo foi finalmente retificada, pois não é possível ofender alguém com base em sua raça sem fazer isso de modo racista, ofendendo a todos com as mesmas características. 

    Logo, é perceptível como o racismo é presente na sociedade brasileira contemporânea. Apesar de avanços realizados em sua punição, é necessário também uma mudança na estrutura da sociedade, ainda construída com base na sociedade escravagista do século XIX.


Beatriz Perussi Marcuzzo, 1º ano - noturno, RA: 241220459

O negacionismo científico e a crise do Método

   "Uma mentira dita mil vezes, torna-se verdade", tal é a célebre frase proferida por Joseph Goebbles, ministro da propaganda na Alemanha nazista. Orientada por uma visão distópica da realidade, um ensaio acerca do dizer permite inferir uma exaltação da inverdade, uma vez que valoriza a opinião desvinculada de ciência como incontestável. Nesse sentido, a sociedade brasileira calcada nos dias atuais tem se apresentado como uma extensão do ilógico e perpetuado a disseminação da opinião anticientífica. 

   Desde a Idade Moderna, a concepção de ciência e a negação das opiniões infundadas já havia se tornado pauta para os filósofos do período. Conforme os preceitos de René Descartes, físico, filósofo e matemático moderno, a verdade incontestável seria proveniente de deduções metafísicas e científicas, alheia do empirismo e das crenças individuais. Foi nesse contexto, que instaurou o Método Científico, em que a partir da observação e da solução das dúvidas seria capaz de atingir um conhecimento verdadeiro, racional e confiável, "Penso, logo existo". Dessa forma, a verdade para Descartes, diferentemente de Goebbles, é alcançada a partir do estudo e da análise racional. 

   No que tange a contemporaneidade, no entanto, a pandemia da Covid-19 que assolou o mundo em 2020, expôs abertamente a crise do intelecto humano e o retrocesso do saber científico. No Brasil, por exemplo, durante o ápice da disseminação do vírus, o país atingiu a menor cobertura vacinal já registrada em duas décadas, fato corroborado pelo aumento do discurso negacionista, uma vez que negava a eficácia da vacina e caminhava na via oposta à científica. Como consequência de tal ato, a condenação da ciência custou a vida de aproximadamente 700.000 brasileiros na pandemia. Assim, denota-se que a negação do método cartesiano e o enaltecimento das "verdades" provenientes de meras opiniões são amplamente prejudiciais tanto na esfera científica quanto na vida em sociedade. 

   Conclui-se, portanto, que a verdade incontestável e racional não está pautada na sua banal repetição como pensava Goebbles, mas na busca por um saber científico. Com efeito, a exaltação do Método Cartesiano é a base para uma sociedade livre de crenças empíricas e doutrinas vãs, à medida que a ciência e a racionalidade já se mostraram os pilares para o progresso social e tecnológico. 

  

                                  Marcela Druzian Melo, 1º ano - noturno, RA: 241223806

O NEGACIONISMO E O ESQUECIMENTO DE DESCARTES

Mergulhada em diversas crises durante seus 500 anos de vida, a nação brasileira possui um grande histórico de caos político, social e econômico. Todavia, sendo motivo de orgulho ao brasileiros que ainda possuem pelo menos um grão de razão em sua consciência, requisito raro na atual conjectura social, o Brasil sempre demonstrou, desde a Revolta da Vacina em 1910, uma exímia aptidão na aplicação de tal imunização ativa, sendo coroado, durante muito tempo, como um dos países com maior cobertura vacinal. 

Como a alegria dos subdesenvolvidas dura pouco, a nação, conforme o passar dos anos, esquecera os ensinamentos de Descartes e fora destronada. Localizado no século XVII, René Descartes, filósofo e matemático francês, tornou-se reconhecido pela frase "Penso, logo existo". Valorizando a dimensão do pensar cientificamente, o filósofo desempenhou grande papel na divulgação do método científico racional, destacando a exímia utilidade da ciência como um elemento voltado para o bem do homem. 

Entretanto, nota-se que significativa parcela do vigente corpo social manifesta crescente deliberada ignorância no que tange aos benefícios da ciência, especialmente a questão vacinal. Preferindo manter-se submersos no mar de suas falsas certezas, os cidadãos tornam-se céticos irracionais, negando a eficácia daquilo que já fora comprovado eficaz, alegando não ver aquilo que é evidente e obedecendo a um messias que, ao invés de trazer-lhes vida e salvação, leva-os ao caminho da morte.

   Nesse sentido, ao negar os ensinamentos de Descartes e projetar seu próprio fim, os indivíduos se valem do pensamento de Thomas Hobbes: "O homem é o lobo do homem".


Emanuel Francisco da Silveira, 1º ano - Matutino, RA: 241220637

sexta-feira, 8 de março de 2024

O RACISMO E A REJEIÇÃO NO MEIO ACADÊMICO

 

Sônia Guimarães é uma física brasileira, mas não uma qualquer. Ela detém o mérito de primeira mulher negra doutora em física no Brasil. Graduada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutora pela Universidade de Manchester, Sônia apresenta uma trajetória de muita luta, mas também de muito mérito e competência. Atualmente, ela atua como docente no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e dá palestras sobre educação por todo o território nacional.

Recentemente, a física revelou, em uma entrevista com Pedro Bial, que seus alunos do ITA não a respeitam e não a reconhecem como professora, o que se dá, principalmente, por sua etnia. A escritora portuguesa Grada Kilomba, na obra Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Cotidiano, trata, dentre diversos recortes, da rejeição que as pessoas negras sofrem no meio acadêmico, inclusive trazendo como exemplo o racismo que ela mesma sofreu durante seu doutorado na Alemanha.

Esses episódios de racismo ocorrem por conta da herança escravista do Brasil, em que os negros escravizados não eram sequer reconhecidos como sujeitos de direito. Após a abolição da escravidão, diversas políticas higienistas foram adotadas para expulsar os negros dos centros urbanos, forçando-os para as periferias ­– ou margens, de acordo com o texto de Kilomba. Assim, desde a formação do país, a sociedade branca é acostumada a não conviver com os negros, principalmente em meios de alto prestígio, como o acadêmico.

Por conseguinte, o encontro com um indivíduo negro nas universidades pode causar estranheza a muitos brancos, ainda mais se este ocupar o cargo de docente. Nos piores casos, tal estranheza evolui para rejeição, descredibilização e hostilização, as quais podem se dar de diversas formas. Segundo Kilomba, as principais estratégias adotadas para descredibilizar sujeitos negros no meio acadêmico são ignorar pautas relacionadas à negritude e considerar suas interpretações subjetivas, parciais e demasiadamente emotivas. Ademais, a autora ressalta que essas atitudes, em conjunto com outras ações discriminatórias, têm sempre a finalidade de silenciar as vozes negras e forçá-las de volta às margens. Uma vez que, por conta da herança colonial, tais sujeitos não pertencem aos ambientes de alto prestígio.

Por fim, assim como afirma Grada Kilomba, a postura que deve ser adotada por Sônia Guimarães (e por todas as pessoas negras que desafiam o status quo) é de consciência, resistência e pensamento crítico; procurando sempre lutar para ocupar espaços no centro, alterar a realidade e influenciar outros indivíduos a seguir esse caminho.


Tiago Zanola Ferranti, 1º ano - Matutino, RA: 241221366

terça-feira, 9 de maio de 2023

MATERIALISMO HISTÓRICO E AS RELAÇÕES HUMANAS

Importantes nomes e teóricos da filosofia, Karl Marx e Friedrich Engels, foram responsáveis por desenvolver a tese sobre o materialismo histórico-dialético, a qual diz que as relações sociais – como a religião, arte, moral e ciência – não têm autonomia, mas são estabelecidas a partir do modo e relações de produção. Contrapondo, então, a filosofia idealista de Hegel com abordagem do “socialismo utópico”, dado que não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência.

Essas relações são encontradas no cotidiano e implicam na dinâmica da vida pessoal do indivíduo, como bem exemplificado no livro “a corrosão do caráter” de Richard Sennett. Pois, as demandas do trabalho de Enrico exigem excessivamente do tempo dele e que se adeque a constante mudança do mercado, trazendo instabilidade para a família porque não sabia como passar os valores que considerava ideais, por conta do seu estilo de vida no sistema capitalista:

“Na verdade, para esse casal moderno, o problema é exatamente o contrário: como podem eles evitar que as relações familiares sucumbam ao comportamento a curto prazo, ao espírito de reunião, e acima de tudo à fraqueza da lealdade e do compromisso mútuo que assinalam o moderno local de trabalho? Em lugar dos valores de camaleão da nova economia, a família — como Rico a vê — deve enfatizar, ao contrário, a obrigação formal, a confiança, o compromisso mútuo e o senso de objetivo. Todas essas são virtudes de longo prazo.”

Outra realidade que as relações de produção impactam diretamente é o contrato e forma de trabalho, visto que a CLT está em decadência por muitas empresas que não a utilizam mais. Desse modo, há o crescente número de trabalhos terceirizados sem a segurança de um bom contrato e o aumento de pessoas trabalhando em Uber e aplicativos de delivery, com a máscara do empreendedorismo e autonomia, mas a realidade é a precariedade do serviço e que essa muitas vezes é a única maneira de ter uma fonte de renda.

Portanto, conclui-se que a tese do materialismo histórico está é contemporânea e exerce influência não só no trabalho, mas também nas relações pessoais e fragilizadas dos indivíduos. Traz também a evidência de que o modelo econômico capitalista e a meritocracia são falhos, pois coloca em detrimento os direitos e estende a efemeridade das relações e do tempo.

 

Aline Nunes dos Santos                                                        RA: 231220693

1 ano - Direito noturno