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domingo, 8 de março de 2020

Poder e saber: a ciência entre a modernidade e a pós-modernidade


         É indubitável o contexto de retrocesso vigente na sociedade pós-moderna no que tange à ciência: ao passo que filósofos do século 17 como o francês René Descartes e o britânico Francis Bacon postulavam fundamentos necessários para a construção do pensamento científico tal como este é conhecido, presencia-se, na atualidade, a ascensão de movimentos que questionam a confiabilidade expressada pela ciência e seus instrumentos. Posto esse cenário, torna-se vital a busca pela origem dessas indagações que colocam em risco o avanço da produção de conhecimento. Encontra-se, então, o diálogo exercido entre o saber e o poder – de tal modo que se compreende a estrutura do obscurantismo intelectual contemporâneo sob a perspectiva de que a nossa razão motriz é a busca pelo controle do meio.
            Paralelamente ao terceiro aforismo de Francis Bacon em “Novum Organum”, que afirmava que “Ciência e poder do homem coincidem”, Michel Foucault, em sua obra “Vigiar e Punir”, de 1975, diz que “O poder produz saber (...), não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder”. Sob esse viés, é notável que a produção do conhecimento científico na atualidade volta-se à consolidação da estrutura social de poder e opressão. Isso é decorrente do fato de que a ciência cria custos e demanda investimentos, o que a torna refém daqueles que podem pagar por ela. A exemplo de tal condição, pode-se mencionar a indústria farmacêutica, cuja ciência, necessária para as condições de saúde humana, é comercializada em prol do rendimento de lucros à uma conjuntura econômica capitalista. Ademais, situa-se em uma condição semelhante de rendição a indústria bélica – para qual a ciência atua em favorecimento da destruição através de embates armados e abastece entidades militares em conflitos geopolíticos, favorecendo aqueles grupos que podem financiá-la.
           Diante o cenário supramencionado, cabe ressaltar a maneira com a qual o distanciamento entre a Academia e a grande parte da população colabora na solidificação dos movimentos de anticientificismo. Seja devido à linguagem rebuscada ou por uma dificuldade de acesso à compressão da produção científica, é indubitável que, na modernidade, a ciência está cada vez mais restrita em uma bolha. Enquanto a sociedade apenas se depara com as conclusões dos experimentos e não com os processos e as pesquisas utilizadas para que se alcançasse tal veredito, torna-se popular o questionamento à metodologia e aos instrumentos aplicados. Inflamados pela rapidez da velocidade das informações nas mídias digitais, coletivos contrários à ciência como conhecida passam a ganhar popularidade justamente por dialogarem de maneira horizontal com a população que não está inserida no meio científico. Portanto, embora as constatações dos grupos anticientíficos sejam falaciosas, é relevante que essas ideias não somente sejam desconstruídas, mas também que a origem dessa linha de raciocínio seja avaliada e revertida – reduzindo a distância entre a ciência e o corpo social.
            Assim, entende-se que, embora a discussão no século 17 fosse a construção de um método científico eficaz e confiável, é necessário, no século 21, o debate sobre como mantê-lo, aprimorá-lo e democratizá-lo. Manter o conhecimento restrito a poucos e formulá-lo à luz do interesse do topo da pirâmide social é um comportamento nocivo à própria vitalidade do conhecimento científico, pois torna-o passível da dúvida e do questionamento por parte dos demais. Com efeito, embates como o travado por Bacon e Descartes - considerados pais da ciência moderna - em defesa da racionalidade na produção do conhecimento emergem na sociedade contemporânea e tornam-se cada vez mais atemporais - uma vez que a proteção à gnose deve ser contínua e, sobretudo, efetiva.

Giovanna Spineli de Paiva - Noturno (1º ano)

sábado, 7 de março de 2020

As análises de Bacon que transcendem eras


O inglês Francis Bacon em seu livro Novum Organum faz uma crítica à sociedade moderna e a maneira como a mesma realizava ciência até aquele momento. A obra publicada no início do século XVII buscou demonstrar um método para estruturar o conhecimento de maneira racional. Assim, de acordo com as teses do autor, da mesma maneira que determinadas noções proporcionam um conhecimento verdadeiro, outras podem perpetuar o erro. Tais noções errôneas são denominadas por Bacon de ídolos.
Em primeiro lugar vale destacar que o Inglês cita a presença de quatro ídolos que ofuscam o conhecimento. O ídolo do teatro pressupõe a ideia de que alguns dogmas religiosos, filosofias ou até mesmo ideologias políticas podem reduzir a visão do indivíduo, isto é, a crença exclusiva em determinadas ideias podem comprometer o desenvolvimento da ciência.
Dessa maneira o ídolo do teatro parece atravessar séculos, pois por mais que o texto de Bacon tenha sido publicado somente no século XVII sua critica ao conhecimento duvidoso por meio de noções tendenciosas são extremamente atuais. Assim, após aproximadamente quatrocentos anos ainda nota-se na sociedade determinados grupos que tentam estruturar o conhecimento sem bases teóricas, guiados muitas vezes, pela paixão ou por convicções próprias, que fogem das matrizes acadêmicas.
Assim, no início da segunda década do século XXI é possível observar a ascensão de grupos terraplanistas, o crescente apoio ao movimento antivacina, líderes que buscam confundir a história e entre outros raciocínios que questionam a ciência, porém, muitas vezes, estão associados a visões dogmáticas e tendenciosas.   

Rafael Bronzatto – Direito Matutino   


As Bases da Ciência Moderna e a atual crise na ciência contemporânea


No século XVII houveram vários autores que discutiram a respeito da produção cientifica, suas bases e fins, dentre eles Francis Bacon, e René Descartes. O primeiro, estabelecia a cura da mente e a superação dos chamados ídolos (falsas percepções de mundo estabelecidas por nossas convivências e meio cultural) como o novo método para abordar a pesquisa cientifica. Já o segundo, com uma visão mais moderada, via uma ruptura cautelosa, além da superação das próprias convicções pessoais e a dúvida, como essenciais para um novo caminho para a produção de ciência.
Quatro séculos se passaram, e ao longo desse tempo nossa sociedade acompanhou diversas mudanças no cenário cientifico, seja na evolução da ciência moderna ou no próprio método utilizado. Entretanto, em contramão de todo esse desenvolvimento, houve a ascensão de diversos movimentos que se orientam no obscurantismo, e nos anteriormente citados ídolos da mente, que longe de terem sido superados, parecem estar se consolidando cada vez mais no cenário atual.
Chegou-se a um ponto da ciência, que surgiu-se a necessidade de questioná-la com afinco, sobre tudo, mesmo que já existam respostas e dados apresentados por ela própria, que comprovem muitas de suas respostas. O movimento terraplanista, constatações anti-vacina, e a negação das consequências do aquecimento global são apenas alguns dos exemplos de visões guiadas por esses chamados ídolos, que numa sociedade como a brasileira, fortemente influenciada por mitos, tradições religiosas e conceitos messiânicos, tem ganhado grande apoio e influenciado diversos setores, infiltrando-se até em camadas do governo federal.
“ É o momento da Igreja governar”, disse Damares Alves, atual ministra dos Direitos Humanos, no púlpito de uma igreja evangélica, em vídeo que viralizou recentemente. Frente a isso, apenas me pergunto qual seria a reação de Bacon, frente a uma civilização que ao invés de abandonar seus ídolos em prol do conhecimento cientifico, vem abraçando-os com tamanho fervor em detrimento de qualquer visão que pareça destoar do conhecimento comum, e da crença das massas.

A interação entre a Ciência Moderna e o Homem

 Da ciência moderna 

"Nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal"  René Descartes,  filósofo francês que desenvolve em 1637, pela obra Discurso do Método, o Método Científico pela razão como forma de superar a superstição com que era adquirido o conhecimento. O pensador apenas não imaginaria que após 400 anos, sua obra e seu legado no mundo estariam tão presentes e se fazendo tão necessários como nunca.


O método

  Partindo dos primórdios, Aristóteles, grande filósofo e pensador grego, define que as bases para o método científico se dariam através do mundo (o único, em sua visão), desse modo, não obtendo experiência com o objeto pesquisado, seria impossível de crer por estar inserido no mundo das ideias e ideais platônicos. Já Descartes, partindo do princípio da dúvida metódica, diverge dos pensamentos aristotélicos e escolástico por meio da razão como forma de superar a superstição na construção do conhecimento.
“Efetuar em toda parte relações metódicas completas.” 


Da sociedade

  Com o advento da internet e suas qualidades e males, o princípio de dúvida como fundamental se inverteu em todos os sentidos, trazendo-a tanto para a veracidade do que se é pesquisado quanto para a fonte com que aquele material circula. Podemos tomar como exemplificação o CoVid-19 (popularmente conhecido como Coronavírus), a forma como se alastrou pelo mundo com uma velocidade assustadora, despertando certo pânico e dando margem para inverdades serem transcritas em momentos de desconhecimento.
Ressaltando outro apontamento da Reconstrução Científica, tendo a ciência como elemento voltado para o bem do homem, fazendo com que os cientistas trabalhassem e trabalhem incansavelmente em busca de uma cura ou um melhor tratamento para seus pouco mais de 90 mil infectados ao redor do mundo.


Conclusão

  O ramo da filosofia, a partir da separação através do Método Cartesiano possibilitou uma separação dos conhecimentos e um desenvolvimento tecnológico e científico que reflete tanto na Era Moderna quanto nos dias que correm, dando base para futuros aprimoradores da vertente, dentre eles: Augusto Comte e Albert Einstein. Portanto, apesar de contestações que foram surgindo ao longo do desenvolvimento da ciência através dos séculos que se seguiram, ambos (Francis Bacon e René Descartes) marcaram a história como pessoas que queriam compreender e modificar o mundo à favor do Homem. Partindo para o campo atual, percebemos que a união da comunidade científica pôde assentar sua evolução e reinventar para contribuir não só mais a favor da humanidade, e sim, no que nos rodeia e, eventualmente, nos agride.



GABRIELLE ALVES PINHEIRO - 1º ANO - MATUTINO
    



Teorias Mirabolantes


A partir da ideia de que a ciência é feita usando hipóteses e a contestação delas, a observação do mundo ao nosso redor é essencial, uma vez que é através dos sentidos que cientistas e pesquisadores são capazes de formular novas teorias. É essa a ideia defendida por Bacon em Novum Organum e é o que podemos constatar no dia a dia, quando crianças tentam explicar o mundo ao seu redor através de seus sentidos, por exemplo.
Como na infância tudo é novidade, a criação de “teorias mirabolantes” sobre o mundo é natural, mas quando se chega em outra fase da vida, o uso exclusivo dos sentidos não é suficiente e a razão se faz necessária, com ela é possível deliberar se as constatações físicas fazem sentido e se adequam ao que já é conhecido e estabelecido pela ciência.Com o passar dos anos desde a elaboração do método científico, ele não perdeu sua relevância e independente do surgimento de instrumentos mais precisos, ele provou cada vez mais seu valor, ou melhor, a ciência provou a necessidade do processo para sua existência. O “passo a passo” desenvolvido pelo método científico transformou a ciência e a maneira de se fazer pesquisa, mas não anulou os sacrifícios que precisam ser feitos para tanto. A necessidade de ir além das próprias convicções e verdades, de se libertar de sentimentos (sejam eles religiosos, patrióticos etc) ainda persiste.Apesar da notória importância da verdade e da razão na ciência, ultimamente o crescimento de notícias falsas e de percepções falsas sobre o mundo mostra que a ciência não alcança toda a população. Esse não é um fenômeno apenas de países emergentes, que tem a tendência de não investir tanto em educação, os Estados Unidos, grande potência capitalista, é um dos lugares onde as Fake News surgiram e se espalharam.
Crianças que elaboram teorias sobre o funcionamento do mundo, adultos que acreditam e defendem na internet que vacinas não funcionam, cientistas que perdem bolsas e não são gratificados por seu trabalho são faces de uma mesma ciência que se iniciou há tempos com pensadores como Descartes e Bacon e que agora enfrenta barreiras graças a falta de prudência e a divulgação de informações falsas. Mais do que nunca é preciso ficar atento com o excesso de dados que recebemos e não deixar o método científico apenas nas mãos de quem trabalha com ele, mas adotar os passos de observação, criação de hipóteses e realização de experiências para a vida.

 Aluna: Beatriz Araújo Gomes - RA n* 201223066 - Matutino - Primeiro Ano  

Estou certo de algo?

O homem, em todas as sociedades e em todos os tempos, busca ter conhecimento e, consequentemente, a certeza. Qual tipo de conhecimento? Aqueles que lhes for útil para dominar a tudo que lhe for possível, seja a natureza, seja o corpo humano ou até mesmo o próprio homem. Mas quando que o homem passou a se interessar tanto pelo conhecimento? Sempre, apesar de possuir diferentes objetivos, o conhecimento sempre representou uma ferramenta de poder e de controle.
É difícil imaginar, no entanto, que a ciência como conhecemos hoje tenha sido aplicada a milhares de anos atrás da mesma forma. Obviamente que o método científico foi aplicado de formas distintas, mas possuíam o objetivo de compreensão para que houvesse o controle. Podemos usar, por exemplo, as sociedades nômades do período paleolítico, que, apesar de não usufruir de tanta tecnologia, tinham que estudar o comportamento dos animais para a caça, ou conhecer os frutos do território para não pegarem algo venenoso. Querendo ou não, tal prática requer conhecimento e estudo dos comportamentos animais e as características vegetais das regiões pelos quais passavam. Após a revolução Neolítica, o homem teve que estudar, de forma muito mais intensa, a flora e fauna, visto que, quando a agricultura fora inventada, a fisiologia vegetais e dos animais deveriam ser compreendidos para, respectivamente, a manutenção de plantações e para a domesticação. Enfim, ao longo da história, há inúmeros exemplos de como a ciência fora aplicada sem a aplicação de um método específico.
O que sabemos é que tais estudos funcionaram, e as técnicas desse período conseguiram sustentar civilizações, tanto a europeia, como outras externas. E tais métodos se baseiam na captação sensorial aliada ao raciocínio lógico. De forma extremamente simples e sem levar em consideração outros aspectos, se eu vejo uma semente caindo na terra molhada e, depois de certo tempo, uma planta nasce no mesmo local, eu devo supor que os dois fenômenos estão ligados. Mas e se tal informação não fosse captada? E se, outro exemplo fútil, eu acreditasse que na verdade o que dá origem a outras plantas fossem as fezes dos pássaros, e não as sementes? Seria possível que nunca tivesse existido a agricultura.
Lembro-me do filme Matrix (1999), logo na cena inicial, em que Morpheus, um homem que revela ao protagonista Neo que sua vida não passava de uma simulação de computador, pergunta ao herói o que ele considera “real” e afirma que, se o que ele considera real é aquilo que se pode sentir, cheirar, provar e ver, então real não passa de sinais elétricos interpretados pelo cérebro humano. O filme, ainda que possui forte vínculo com a ação e violência, trata de uma reflexão feita por Platão no mito da caverna, mostrando-nos como nossos sentidos podem ser falhos e acabam apenas nos afastando da verdade. Foi seguindo tal raciocínio que René Descartes escreveu O discurso do método (1637), em que o autor nega a validade do empirismo para a produção de conhecimento, afirmando que o bom senso é a única ferramenta confiável.
Mas será que a razão humana é tão digna de fé assim? Ou na verdade nossa mente que é extremamente falha? O antropólogo Roque de Barros Laraia, ao estudar a cultura e seu impacto nas sociedades na obra Cultura (1986), afirma que diferentes etnias possuem visões de mundo distintos e, portanto, possuem lógicas e raciocínios distintos. Como se pode alcançar a verdade através da razão de cada indivíduo possui uma razão diferente e única? Francis Bacon adota tal desconfiança na obra Novum Organum (1620), afirmando que a mente humana é dotada de vários ídolos que atrapalham na busca pela verdade, e que a única forma da mente humana ser limpa e curada é livrando-se desses vícios.
Ora, se a razão e os sentidos não são confiáveis, como vamos descobrir a verdade se as duas únicas ferramentas não são dignas de fé? Voltemos ao exemplo da agricultura. Como descobrimos, na conquista no conhecimento de botânica para as plantações na pré-história, ou no estudo do comportamento animal para a caça e domesticação, enfim, todos os conhecimentos são considerados verdadeiros simplesmente porque cumpriram seu objetivo. São verdadeiros? Talvez, preferimos acreditar que são porque estamos produzindo tecnologia baseando-se em conhecimentos passados. Mas há certeza absoluta no que já conquistamos?

Bases da ciência moderna e suas aplicações na atualidade



            Teóricos importantíssimos da ciência moderna, René Descartes e Francis Bacon publicaram estudos que revolucionaram a realidade das sociedades da época e que até hoje ditam bases de importantes instituições ou são ainda aplicáveis no estudo da sociologia.
          O método cartesiano, por exemplo, é ainda parte essencial do projeto pedagógico de escolas, principalmente nos cursos pré-vestibular. Esse método é aplicado por professores e posto como ideal no estudo das matérias cobradas nas provas de vestibular no país. Entretanto, características do modelo cartesiano de aprendizado como a expressiva divisão e ausência de interconexão entre os conteúdos e a revisão frequente dos pontos estudados podem não ser benéficas para o efetivo aprendizado dos estudantes. O método cartesiano é, para muitos, uma maneira fácil e prática de se absorver informações, mas, para outros, pode parecer uma forma pouco proveitosa de se estudar, devido à ausência de autonomia e experimentação na construção do conhecimento, elementos estes que confeririam maior verossimilhança ao conteúdo e consequente maior absorção do mesmo pelos alunos que necessitam de uma aplicabilidade da matéria para compreendê-la de todo. Isso faz com que as escolas e cursos pré-vestibular sejam, de certa forma, excludentes ao não variarem o método de ensino ou não disponibilizarem outras opções de projetos pedagógicos, considerando a diversidade de modelos de aprendizado entre os alunos.
         A filosofia baconiana, por sua vez, está presente na realidade principalmente quando levamos em consideração a questão dos ídolos. Estes se expressam na influência que a vida pregressa de alguém e suas experiências possuem acerca da visão de mundo dessa pessoa, fazendo com que seus ideais, valores, opiniões e atitudes dependam do que ela teve ao longo da vida como educação, religião, estruturação familiar e vivência. As consequências disso são distorções da realidade de cada indivíduo, uma vez que os ídolos, por mais diversos que sejam, representam limites à interpretação da vida. Atuam como filtros ou "lentes" na análise social e dos acontecimentos, visto que ditam sob qual espectro o indivíduo age e influenciam diretamente sua leitura do universo

Bases epistomológicas do conhecimento na era da informação

As bases do pensamento moderno, estabelecidas pelas revoluções racionais de pensadores como Descartes e Bacon, foram de extrema importância para o avanço da ciência e da sociedade. O desenvolvimento do método científico permitiu sistematizar a produção de conhecimento, um conhecimento comprovado experimentalmente e feito útil para a sociedade.

No entanto, hoje em dia não é difícil encontrar profissionais e especialistas, supostos homens e mulheres da ciência, expelindo opiniões e teorias insanas, ora de seus próprios campos, ora de outrem. Teorias que seriam facilmente contestadas com a mínima aplicação de um rigor científico, ou identificando os tropeços lógicos em seu desenvolvimento, ou com a simples observação de que as implicações de tais teorias não se sustentam no mundo real.

Como pode isso acontecer tanto nos tempos modernos? Tempos em que muitos dispõem de incríveis ferramentas para a obtenção de informações, para a comunicação com pessoas tão diversas quanto desejarem? A simplística resposta de acusar todas essas pessoas de estarem agindo em má-fé ou serem ignorantes to método científico não me satisfaz. Suspeito que essa "doença" que está infectando todas as áreas da ciência e da sociedade hoje, seja causada por novos fenômenos sociais, e de uma possível obsolescência do método científico, enquanto guia prático da razão do homem contemporâneo.

A adesão de sistemas democráticos em muito do mundo ocidental veio com a implícita responsabilidade de que o bom cidadão deveria estar tão bem informado quanto possível em todos os assuntos que afetam sua sociedade, enquanto isso, os avanços científicos tornaram várias áreas do conhecimento tão complexas que seu avanço agora requeria uma hiperespecialização. Finalmente, com a implementação de uma organização global, todas as sociedades estavam diretamente relacionadas através de sistemas tão complexos como eram diversos, sistemas que o bom cidadão agora deveria entender de forma a poder exercer seu papel democrático.

Então, o homem moderno, envergonhado, exausto e frustrado por tentar e não conseguir ter um conhecimento especializado de tudo (tal oximoro só ressalta a natureza herculeana da tarefa), se viu bombardeado por informações que ele não mais conseguia analisar racionalmente ou comprovar experimentalmente. Desprovido das proteções do rigor científico, mas ainda pressionado a ter que entender tudo para poder ser um bom cidadão e não ser responsabilizado pelas falhas de seu governo, o homem moderno se vê tentado pelos conhecimentos "fáceis", de natureza reveladora e de apelo emocional e psicológico, daí o sensacionalismo, as fake news, as inanidades produzidas por "falar o que o povo quer ouvir".

Enfim, acredito que as bases epistemológicas do conhecimento precisem de renovação, mas não de caráter filosófico e racional, mas de caráter social. Estamos chegando a um ponto em que até o próprio pensamento do homem precisa ser colaborativo para ser efetivo, mas podemos ser muito incompetentes em como colaborar, nos falta a educação e a técnica social para efetivamente distinguir fontes confiáveis de conhecimento, encontrar colaboradores de confiança e competência. E não só no papel de ouvintes, mas também de falantes, quantas vezes já adulteramos a enunciação de nosso conhecimento só para soar mais agradável ao nosso ouvinte?

Proponho que passemos menos tempo minuciosamente analisando o mar de conhecimentos em que estamos mergulhados, e mais tempo analisando seus afluentes, quais estão límpidos, e quais estão envenenados. Afinal, se Bacon zombou da noção de se tentar erguer um obelisco sem as ferramentas apropriadas para demonstrar a necessidade do método científico, eu me permito zombar da noção de se tentar erguer um arranha-céu sozinho, independente de quão bem equipado se acredita estar, para demonstrar a necessidade de uma melhor colaboração social, mesmo que essa ainda implique alguma perda de rigidez e purismo racional (pelo menos até o advento do transhumanismo, mas isso é um assunto para o futuro).

Thiago de Oliveira Lopes - 1º ano de Direito - Noturno

O limiar da racionalidade

 Quando tive a noção última do que eu era, enfim soube que nunca foi o método a minha paixão. Só então desvinculado da engenharia dos meus costumes e jogado à rua compreendi o vazio de vida. E foi esse o motivo do meu sofrimento. Pois é claro que não posso estar certo de tudo, e ser a única certeza aquela alcançada por princípios e validada pela experiência e por matemática. Além do meu escritório, a vida não é matemática e não tem um só risco ortogonal da geometria. Apenas sombras incógnitas. Assim é que saí ao mundo e me deparei com um cachorro morto à rua de casa. Nunca entendi o que nasceu em mim após isso. Talvez uma descrença ilimitável, descrença à minha construção, pois tenho em mim a epistêmica do conhecimento, a dúvida que me motiva a trabalhar meu intelecto e lógica. Creio nisso a ponto de neutralizar a lágrima que me escorre ao rosto? Pois morrer não tem sentido, não há fórmula para a física disso, nem para lhe explicar a tão incerta natureza. E assim mesmo, se não me atrapalha o incerto, atrapalha-me o sono e a miséria de conhecer. Espantei-me por, de repente, haver cachorros e morte unidos em uma sentença. De fato, uma questão ilógica em que me despi de minha racionalidade, espaço vago em que não me pude achar nos preceitos modernos que cria seguir. Não cheguei a analisar o corpo a ponto de entender o que lhe havia acontecido: eu tive medo e fugi, tão desprezível estava, pela primeira vez.
 Se segui fielmente os princípios cartesianos, e até mesmo de Bacon (lembro-me das bases que me alçaram ao voo científico), isso foi de coragem minha. Tive a ousadia de analisar, perceber e modificar a realidade que a mim se me era apresentada. Partindo do racional e dedutivo, do caráter empirista de minha engenharia, os experimentos laboratoriais e a certeza consolidada das coisas mais gerais explicava corretamente o particular de cada questão. E então, sem o meu trabalho, criavam-se outras tantas, pois eu ali seguia fielmente uma análise metodológica nítida e distinta (e logo verdadeira, como afirmava Descartes, em seus quatro princípios). O pensar mecânico a tem como instrumento para a verdade. Só então percebi que meus sonhos eram engrenagens. E aqui o que proponho é exibir um questionamento em que até então eu não me apoiava, pois fora de mim não era necessário. Mas há sempre mais no íntimo, e às vezes a vontade corrompe tudo o que foi trabalhado com razão e frieza. Quanta certeza tinham os pensadores disso. O meu particular era muito maior que qualquer coisa. E isso eu não percebia até que vi a morte de perto, morte insignificante, morte pequena. As pequenas coisas se relacionam até alcançar meu inerte coração. E lhe deveria dar algum grau de atenção? Se o fizesse, fá-lo-ia frio, exterior e separaria suas batidas entre sua utilidade e propósito? Elas surgem de mim descompassadas, não há racionalismo ou empirismo que as signifique. Aqui exemplifico erros científicos, se contasse isso aos meus discentes, diria que errei e tenho errado tanto. Entretanto, ei-los, meus sentimentos, minha compaixão pelo inevitável destino, que me invalida inteiro e até reduz todas as minhas “Interpretações da Natureza” a pó.
 Seriam esses os meus ídolos?

Lucas Rodrigues Moreira - Direito diurno

Et Bilú e o que é razoavel



E então ele desceu do monte, após ter contato com seres estelares e trouxe consigo, “A teoria da terra convexa”. Após a “iluminação”, Urandir Fernandes de Oliveira iniciou sua jornada científica em busca de validar as teorias divulgadas pelo ET Bilú.
Embora o supracitado guarde alguma semelhança com a sinopse de um enlatado do streaming, a história é real, e preocupante. Após a publicação de alguns de seus trabalhos, Urandir e seu instituto de pesquisas, Dakila, já colecionam diversas condecorações e alguns aportes públicos destinados à divulgação de sua ciência, Lilarial. O que até então era algo empiricamente comprovado, o formato da terra, foi questionado, sendo este apoiado pelo povo, por meio de seus representantes, os deputados da ALMS.
Então, o razoável, o fato da terra ser redonda, passa a ser questionado, com ferramentas que encontram sua validade dentro de um meio controlado “Ciência Lilarial” e com os resultados validados dentro desse sistema, uma hipótese que tivera sido descartada por Pitágoras em VI A.C volta à tona.
A derrocada de teorias como a da terra plana, ou então o movimento antivacina, mostra que a razão que rege parte da sociedade não é a que Descartes,  e Bacon  pregavam, pois, a aceitação de teorias sem embasamento é fruto de um contínuo desapreço pela ciência e por como a mesma é feita, desapreço esse que hoje se manifesta por meio de falas dos governantes e também pelo sistemático desmonte da educação pública no Brasil.
Portanto, fica possível notar que a sociedade é em parte orientada por uma visão deturpada pela falta de vontade de buscar o saber, visão essa que oprime a comunidade científica, pois à acomodação da sociedade perante a absorção do conhecimento abre espaço para que teorias infundamentadas, mas com explicações aparentemente simples, o teste da régua na linha do mar, sejam aceitas e replicadas, tornando-se assim algo semelhante à verdade para os indivíduos de determinado grupo.


O desvirtuamento das bases epistemológicas na contemporaneidade

Responsáveis pela ruptura com a filosofia tradicional contemplativa oriunda da Antiguidade, no século XVII, durante o início da ascensão da burguesia como classe dominante, os métodos na busca pelo verdadeiro conhecimento elaborados por Francis Bacon e René Descartes, mediante as publicações de, respectivamente, “Novum Organum” (1620) e “Discurso do Método” (1637)  foram de suma importância para o desenvolvimento da ciência na Modernidade e, consequentemente, para a transformação da humanidade. Contudo, apesar da célebre contribuição e da evidente relevância dessas obras, atualmente, é notório a ocorrência de uma crise epistemológica, em que, sem nenhum tipo de fundamento plausível, movimentos conspiratórios — como o terraplanista e o antivacina — desvirtuam-se dessas bases, refutam comprovações científicas e propagam teorias inautênticas ao senso comum, o que resulta, assim, na desvalorização do pensamento científico.

De acordo com o método empregado por Bacon, considerado “o pai da filosofia experimental”, após a superação de distorções que dificultam a emancipação da mente humana — os chamados “ídolos” , deve-se buscar a verdade por meio do uso de sentidos experimentais, orientados pela razão. Contudo, ao alegarem que seus sentidos simplesmente indicam que a Terra é nivelada, sem nenhum critério ou parâmetro verossímil, os terraplanistas não aplicam nenhum dos critérios ordenados por Bacon ou de qualquer outra base epistemológica coerente, pois da mesma maneira que a esfericidade do planeta, as ondas de rádio, a título de exemplo, não podem ser perceptivas, mesmo estando presentes. Outrossim, outros coletivos, como o antivacina, fazem o uso do ceticismo metodológico de Descartes, a primeira das quatro etapas de seu método, de modo errôneo, ao questionarem conhecimentos irredutivelmente ostensivos — no caso, a procedência das vacinas, que, notoriamente, foram responsáveis pela extinção de várias doenças, o que evidencia, mais uma vez, a falta de bases epistemológicas na  conclusão desses “conhecimentos”.

Ademais, infere-se que, mesmo não tendo nenhuma base epistemológica coesa, os respectivos ideais inexatos do negacionismo científico conseguem perpetuar no senso comum, o que faz com que as massas acreditem nessas inverdades. Isso acontece pois há claramente uma crise nas atuais instituições, especialmente nos meios de comunicação tradicionais que, em tempos da era digital,  não conseguiram acompanhar a necessidade de agilidade na busca por informações pelas populações, o que fez com que uma mídia alternativa — como grupos de WhatsApp e canais do YouTube, principais canais de comunicação utilizados por esses movimentos, que não possuem nenhum tipo de credibilidade, prosperassem, ocasionando, dessa maneira, uma crise epistemológica na contemporaneidade.

Luís Arquimedes Takizawa Albano - Direito Noturno

A Ciência moderna em tempos obscuros


Durante o século XVII, diversos pensadores refletiram acerca da produção científica. Dentre eles, Francis Bacon e René Descartes se destacaram na publicação de obras referentes a tal tema. Embora divergentes em alguns aspectos, Novum Organum, de Bacon e O Discurso do Método, de Descartes, buscam discutir sobre as novas formas de produzir conhecimento e, além disso, sobre como a ciência pode entrar em conflito com os conceitos já pré-estabelecidos na sociedade.
Apesar de carregarem consigo as crenças referentes ao contexto no qual estavam inseridos, os autores discorrem sobre a importância de abandonar o senso comum e relativizar a religiosidade e as superstições para adentrar no campo científico. Sendo assim, a razão e a experiência seriam caminhos válidos para alcançar uma verdade. Cerca de quatro séculos depois, apesar do aprimoramento do método científico e da própria ciência moderna, vemos um retrocesso na maneira que os indivíduos compreendem a produção do conhecimento.
O obscurantismo e o negacionismo científico estão presentes das conversas informais do cotidiano aos discursos dos representantes governamentais ao redor do globo. A existência de uma grave crise climática, fato já comprovado em importantes pesquisas, é fortemente questionada pelo presidente dos Estados Unidos, um dos países mais influentes do mundo e um dos grandes responsáveis pelo agravamento de problemas ambientais. No Brasil, as propostas de Bacon e Descartes sobre o conhecimento ser orientado pela razão e pela experiência, afastando-se dos dogmas religiosos, são desconsideradas em discursos como o da ministra Damares Alves, que afirmou: “A igreja evangélica perdeu espaço na história. Nós perdemos o espaço na ciência quando nós deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas, quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência”.
Dessa forma, podemos entender que o contexto contemporâneo é marcado pela forte influência do que Bacon denomina “ídolos”, elementos do cotidiano que podem surgir como obstáculo à instauração da ciência moderna, já que bloqueiam a mente humana da reflexão e do pensar crítico. Nesse contexto, mesmo que o método científico siga os princípios básicos da razão científica segundo Descartes, como o princípio de “nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal”, a influência dos ídolos parece prevalecer em tempos de obscurantismo científico.

Júlia Scarpinati - 1º ano Direito- Matutino 

quinta-feira, 5 de março de 2020

Considerações sobre a Ciência Moderna

Considerações sobre a Ciência Moderna 

   No poema “O Sobrevivente”, de Carlos Drummond de Andrade, existe um imponente verso: “Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade”. O eu lírio do poema apresenta-se profundamente angustiado com os morticínios gerados pela Primeira Guerra Mundial, morticínios esses que teriam impossibilitado a criação da poesia a partir desses eventos. Fora da poesia, é fato que as grandes tragédias do século XX, do Genocídio Armênio, passando pelo Holocausto e terminando no Massacre de Sebrenica são resultado de um processo de instrumentalização da Ciência para fins subversivos. Além disso, tais eventos demonstram as limitações e o caráter ambíguo da Ciência. 

 2 – Do Método Científico  
      Antes de nos aprofundarmos na problematização do Método é mister pontuar seu contexto de surgimento e progressão histórica. Em 1637, René Descartes publica o “Discurso do Método”, obra fundadora da Ciência Moderna e do Racionalismo. Ao longo de suas meditações, o filósofo busca guiar a Razão (ou Bom Senso), através de um método para encontra a verdade. O matemático coloca o homem no centro da existência com seu “cogito ergo sum” (Penso, logo existo). Do outro lado do Canal da Mancha alguns anos antes, Francis Bacon escreve em “Novum Organum, um elogio ao conhecimento cientifico e rompe com a Filosofia Escolástica e a tradição científica clássica.  

2.1 - Progressão histórica  
     O projeto idealizado por Descartes e Bacon é concretizado pela Revolução Cientifica de Issac Newton e Johannes Kepler. As leis de Newton conjuntamente com a Mecânica Celeste abrem caminho para o Iluminismo que colocou o domínio da Razão sobre as sociedades humanas, rompendo de vez com o Direito Canônico e a Igreja Católica. Ademais, o Iluminismo proporcionou o surgimento do Positivismo e da Revolução Darwiniana.  

3 – Da crítica ao Método.  
        O Método Cientifico de Descartes gerou uma forma quase mecânica de pensar, que separou o “sujeito” e o “objeto”. Desta forma, a construção do conhecimento passou a ser seletiva e separada e não sistêmica. Em Bacon, encontramos uma proposta de dominação do homem sobre a natureza. Atualmente, as mudanças climáticas demonstraram empiricamente profundas falhas nos métodos e ideias de Francis Bacon. Outrossim, destaca-se a influência do Método Científico nas teorias do Darwinismo Social e nas teorias raciais que levariam nove milhões de judeus à morte durante o Regime Nazista.  

4 – Conclusão.  
       “(Desconfio que escrevi um poema)”, diz o último verso de “O Sobrevivente”. Nesse sentido, o eu lírico depois de muito relutar descobre que ainda existe inspiração para a poesia, mesmo depois de tantas tragédias. A Ciência proporcionou avanços tecnológicos importantíssimos, curou doenças e nos levou até para a Lua (embora essa última cause polemica em tempos de solipsismo), mesmo com seus erros históricos a Ciência não pode ser desacreditada, é preciso reforma-la e aperfeiçoá-la de forma sistêmica e não mecânica. Somente assim, poderemos superar as maiores dificuldades e mistérios da realidade.   
Luís Gustavo da Silva - 1º ano de Direito/Matutino. 

terça-feira, 29 de outubro de 2019

O imperialismo católico

O professor Boaventura de Sousa Santos teve e tem importante papel no estudo da sociologia do direito e da sociologia política. Em sua obra “Direitos humanos e o desafio da interculturalidade” o autor trata sobre a dificuldade frente a criação de direitos humanos que respeitem a multiculturalidade e que exterminem com o padrão ocidental esses direitos. Uma das coisas citadas por Boaventura em sua obra são os topoi podem ser compreendidos como “lugares comuns retóricos mais abrangentes de determinada cultura, que funcionam como premissas de argumentação que, por sua evidência, não se discutem e tornam possíveis a produção e a troca de argumentos.” Basicamente são elementos de determinada cultura que são aceitadas por todo aquele povo. Dentro da sociedade brasileira a Igreja católica e suas crenças pode ser apontada como topoipois segundo estudos a população em sua maioria ainda é adepta a essa religião. O fato dela ser um topoi levanta diversas discussões quando essa questão entra em âmbito juridico, a ADI 4.439 é um ótimo exemplo disso. 
No julgado que trata sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.439, proposta pela Procuradoria Geral da República (PGR), o Supremo Tribunal Federal (STF) viu a necessidade de debater novamente sobre o ensino religioso nas escolas, mais especificamente o ensino confessional (que tira a possibilidade de uma pluralidade religiosa direcionando esses estudos para uma religião em especifico, a cristã). Em defesa do Estado laico, o STF considerou improcedente a ação. 
Uma das teses levantadas e defendidas pelo professor Boaventura de Souza Santos é a sobre o localismo globalizado, campo esse onde ele discorre sobre uma determinada parte da cultura de uma nação imperialista que se difunde entre outras nações levando o nome de “globalização”. O catolicismo, símbolo de uma cultura ocidental e imperialista é a representação desse localismo globalizado, pois, após sua propagação no continente, passou a ser defendida bravamente pelos países colonizados. A luta pelo ensino confessional nas escolas públicas é um reflexo desse localismo globalizado, a religião católica foi implanta no Brasil, causou muita dor e sofrimento, mas pelos seus moldes imperialistas está viva até hoje na cultura brasileira dando uma ideia de liberdade e pluralismo religioso. 
A Constituição garante a liberdade de crença, a diversidade cultural religiosa e à pluralidade confessional, delimitar essa pluralidade apenas para o cristianismo é ignorar a aumento gradativo da ascensão de religiões de origem indígena e africanas. A população brasileira começa a se desprender das amarras do cristianismo e religiões como Umbanda, Candomblé e afins estão ganhando ao longo dos anos, um certo crescimento no seu número de adeptos praticantes. Além disso, com avanço de estudos e questionamentos científicos, o ateísmo se propaga cada dia mais. É certo que a população brasileira é majoritariamente católica tornando o catolicismo como um topoi, como dito acima, entretanto a sociedade brasileira está sofrendo grandes mudanças em seu âmbito religioso e social, introduzir o ensino religioso com método confessional nas escolas é ignorar todo esse avanço de diversidade e tolerância religiosa e voltar a tempos sombrios de monopólio religioso e desaparecimento do estado laico. 
Barbara V M Verissimo - 1° Direito Not