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domingo, 18 de julho de 2021

NÃO CONTE COM COMTE

 

 

A concepção de que uma sociedade só pode chegar ao progresso com o estabelecimento da ordem, precisa ser revista. O cientificismo, que pregava a ciência como a panaceia para resolver todos os malesteve origem no positivismo, corrente filosófica criada por Auguste Comte. Esse pensamento filosófico ganhou inúmeros seguidores nos séculos XIX e XX por sua influência, basicamente, Comte acreditava que a sociedade deveria se organizar, e o conceito de ordem era elementar, pois apenas com ordem poderia haver progresso. Ademais, esse pensamento ignorava às origens dos problemas, focando apenas no imediato e no superficial. O Brasil, que ostenta em sua Bandeira Nacional as expressões “Ordem e Progresso” foi nitidamente influenciado pelo pensamento positivista, logo, vemos que “ordem” não é sinônimo de progresso. 

Precisamos analisar o contexto histórico em que Auguste Comte elaborou sua teoria, que foi pós Revolução Burguesa (conhecida por Revolução Francesa) e pós primeira fase da Revolução Industrialou seja, um cenário de arrefecimento pós ebulição social. Entendo que Comte acreditava que os movimentos sociais que questionavam os regimes opressores existentes, eram inapropriados para o progresso de uma sociedadequando na verdade a ordem estabelecida, entes da Revolução Burguesa, servia para manter privilégios do clero e da nobreza e só ouve um progresso quando a ordem estabelecida foi questionada; Comte estava erradoNo regime vigente - capitalismo, a “ordem” só serve para manter os privilégios de uma minoria em detrimento de uma imensa maioria. O princípio elementar da liberdade de escolha, tão propagado pelo pensamento liberal, se mostra uma piada de mau gosto no amplo sentido da expressão na medida em que somos bombardeados pela Indústria Cultural que dita o que devemos vestir, comer, comprar, ler etc. Sedemos nossa liberdade em troca de conectividade, quase não existe contato humano e como já lecionou Zygmunt Bauman “às ciosas não foram feitas para durar”. A ordem estabelecida só sucumbirá ante a “desordem” promovida, precisamos revolucionar, “bora” com Marx. 

Precisamos unir a maior classe existente em qualquer sociedade organizada nos moldes neoliberalista, a classe do proletariado (que precisa ser atualizada), massivamente explorada pela ganancia do acumulo de capital. Na ordem estabelecia, os trabalhadores estão na base da pirâmide e só uma revolução pode mudar isso, não podemos contar com às ciênciacontaminadas pelo capitalismo. A ciências deixou de ser movida pela vontade de conhecer e passou a se guiar pelas possiblidades de manutenção da classe exploratória, o positivismo nunca foi e nunca será a corrente filosófica que nos guiará para o progresso, mas sim para um retrocesso. Julgo importante salientar que o conhecimento científico é importante quanto aplicado com propósitos humanos, não capitalista.   

Meritocracia é outra piada de mau gosto em um mundo onde imperam às desigualdades sociais, mais uma invenção burguesa, que amam Nicolau Maquiavel (pregava a pratica acima da ética), respaldada no pensamento positivista que só serve para governos autoritários. Nós, pessoas do bem, altruístas e apaixonados pela humanidade, promoveremos a desordem para que não prevaleça essa “ordem” proposta por Comte 

Por conseguinte, e tendo em vista que a sociedade continua em permanente transformação, considero o positivismo um pensamento falido e digno de ser apreciado quando formos avaliar como um pensamento filosófico pode ser prejudicial para a humanidade. Fica claro que não podemos contar com Auguste Comte para acabar com o massacre das minorias, mas podemos contar com Karl Marx que dizia que “as revoluções são a locomotiva da história”.  


Edson dos Santos Nobre  

1º Semestre Direito/Noturno

 

 

Ordem e Retrocesso

         

     No período histórico que compreende a República da Espada, a formulação da bandeira nacional esteve vinculada ao ideal do positivismo: ordem e processo. Dessa forma, tal doutrina constitui não só um alicerce do pensamento militar, mas também de uma "moral correta" a ser seguida pelos brasileiros. Sendo assim, essa ideologia do século XIX persiste, na contemporaneidade, sob a perspectiva de um governo militarizado e moralista presidido por Jair Messias Bolsonaro.

     Para além dessa compreensão histórica, na sociologia Augusto Comte em sua obra, Discurso sobre o Espírito Positivo, argumenta que o progresso aliado à ordem sintetiza o entendimento da  humanidade, isto é, a superação do estágios teológico e metafísico seria de fundamental importância para desenvolver o setor mais elevado do conhecimento. Este, por sua vez, representa o positivismo cujo principal objetivo seria o estudo da sociedade, almejando leis efetivas de utilidade prática na realidade. Com isso, esta física social seria responsável por sistematizar uma moral capaz de regulamentar normas de convívio e de comportamento, estabelecendo um domínio sobre os indivíduos.

     Seguindo essa lógica, Comte debate acerca da ideia de solidariedade, a qual expressaria a ligação de cada um a todos. O trabalho, portanto, é a expressão privilegiada desse conceito, uma vez que ratifica as relações de interação entre os seres humanos. Contudo, o autor defende a aceitação dos "lugares sociais" pela classe trabalhadora mais explorada em prol do bem público, contrariando as necessidades e a busca por melhores condições na vida dos proletários.

     Em suma, é evidente que Jair Messias Bolsonaro utilizasse de uma moral conservadora e militarista, a fim de garantir um maior controle social sob sua presidência. Ademais, a concepção trabalhista do positivismo é arcaica, visto que enfatiza os aspectos desiguais existentes no ambiente de trabalho, promovendo a exploração das classes mais desfavorecidas.


Bruno Solon Viana  -  Direito Matutino Primeiro Semestre 

 O Positivismo e a Trilha de Lágrimas


   "O progresso não é mais que o desenvolvimento da ordem", declarou Auguste Comte sobre a filosofia positivista. Mas afinal, o que é "ordem e progresso"? Para alguns, é o avanço, a ciência, o "American Dream", já para outros, o progresso nada mais é que um sinônimo para a conformidade, a morte, e a pobreza.

   O positivismo, em seu cerne, é uma coleira ao povo e aos pobres. "O trabalho dignifica o homem", disse Benjamin Franklin, numa posição privilegiada de pensador e cientista, enquanto muitos morriam de exaustão em posições análogas à escravidão. O trabalho, nessas condições, não liberta, mas apenas escraviza e força o proletariado numa posição alienante, sob o pretexto de "dignificação" e conformidade.

   O progresso promovido pelo positivismo de Comte apenas beneficiou uma óbvia classe social, a elite branca e burguesa dos países colonizadores, que destruíram centenas de civilizações e culturas, com a proteção da desculpa de estarem levando "ordem e progresso" a esses povos. Para a grande maioria do mundo colonizado, "progresso" é chão de fábrica, condições miseráveis e exploração de mão de obra.

   Em suma, o positivismo de Comte nada mais é que uma ideologia burguesa, alienante por sua própria natureza, impossibilitada por seu próprio discurso de atingir o verdadeiro conhecimento. Embora bela, a Dama Ordem escolheu apenas alguns sortudos homens para serem seus amantes, dando-lhes luxuosos presentes com uma de suas mãos, enquanto na outra, segura uma firme coleira de grilhões, que arrasta homens e mulheres necessários para a manutenção da sua vaidade. Da dor de muitos povos, a Dama Ordem construiu essa gigantesca e monstruosa Trilha de Lágrimas.

Progresso Americano (1872) - John Gast

Matheus de Souza Lusko

Direito - Turma XXXVIII

Período Matutino



Uma das premissas do positivismo, ditas por Comte, seria essa ciência posta como o real frente ao quimérico, o útil frente ao inútil, o certo frente ao incerto. Isto é o pensamento positivista seria a visão sóbria e racional da sociedade, no qual, levaria os seres humanos a caminhar sob o progresso e o desenvolvimento. 

Para essa filosofia, a qual pretendia agir como as ciências naturais, estabelecendo leis sobre a sociedade, os homens deveriam entender-se como parte de um organismo, a fim de alcançarem o seu apogeu. Não obstante, nesse momento, os homens contemporâneos abastecidos pela história e uma nova ótica de mundo, podem-se questionar se há uma evolução real. Melhor, elencar o que é considerado evolução: as máquinas? a produção em larga escala? o elevado nível técnico-cientifico? isso pode-se ser considerado o progresso humano?

A principio, não poucos ratificariam isso como veemência, contudo, ao analisar a outra face do "progresso" consegue-se observar um sub-mundo, os dos não-pertencentes a essa evolução. Ainda conforme a filosofia positivista, há para Comte o conceito de solidariedade como fundamental, porque os homens estariam todos ligados, formando um só. Assim, o trabalho seria uma reverberação disso, afinal ele seria a expressão de solidariedade, posto que cada um deveria aceitar o seu lugar e seu papel social. 

Dessa maneira, depois de expostas essas perspectivas, pode-se analisá-las perante a óptica da pós-modernidade. Como por exemplo: das opções trazidas acima como progresso e desenvolvimento, a quem ela beneficiou e a que preço ela afirmou-se nas entranhas da sociedade? O trabalho, devem todos seres humanos, mesmos os subalternos, aceitarem suas condições desumanas, porque é "seu papel social"?

Não! Essa corrente filosófica ecoa num período da história da humanidade, em que havia um fervilhamento revolucionário (1820-48), de forma que buscava-se a todo custo uma forma de traduzir a sociedade por um método. Porém, ainda que hoje superados séculos,  pode-se observar pensamentos assim em certos setores sociais. Contrariando a tese de evolução e revelando um completo retrocesso, a elite brasileira, por exemplo, porta-se como emissora de falas positivistas, nas quais diante do seu local de privilégios, negam-se a aceitar mudanças sociais, enxergando nas classes sociais, uma espécie de estamento em cuja os pobres serão para sempre pobres e os ricos para sempre ricos.

Para certos nichos sociais, o progresso capitalista de avanço tecnológico e maior saturação das desigualdades sociais, hostilizando todas as consequências existentes e inevitáveis desse sistema, é o correto. Do mesmo modo, para muitos pertencentes a essa bolha, seria inaceitável assistir a um negro de periferia ser colega de classe com o seu filho, nas salas de aula das universidades públicas do país. Pois, seria descumprir com a ideia colonialista, de que a senzala não poderá nunca pisar na Casa Grande, ou seja, uma vez marginalizado, para sempre será. 

Contudo, não se pode deixar que esse pensamento crie mais raízes, a sociedade é outra. A sociedade vigente é a do não aceitar, ir à luta sempre, de retirar esse espectro colonial, positivista que insiste em abraçar o futuro. 


Isabella Uehara - 1a semestre

noturno - turma xxxviii

A crise da moral (machista, misógina, racista, burguesa) brasileira

O problema da “crise da moral” encontra origem na corrente positivista, ciência que buscava entender as relações sociais para poder intervir nos problemas da sociedade. Segundo os positivistas, qualquer tipo de manifestação que se diferenciasse daquilo considerado normal pela sociedade seria encarado como subversivo e poderia levar a uma “crise da moral”.

Levando em consideração que o positivismo surgiu no século XIX, o que era considerado normal era a submissão da mulher, a supremacia do branco, a superioridade do europeu, os privilégios a burguesia, dentre outros pensamentos. Logo, tudo que fugisse a essa ordem machista, racista, eurocêntrica e burguesa, era subversivo e deveria ser combatido.

Em pleno século XXI, essa corrente conservadora ainda encontra adeptos, pricniplamente, no Brasil. A crescente violência contra pessoas LGBTQIA+ é um exemplo disso. Por serem contra a moral heteronormativa, tais pessoas são consideradas subversivas e, em muitos casos, agredidas e mortas em nome da ordem e da moral "brasileira". 

O asssassinato de Marielle Franco foi um exemplo dessa tentativa de silencimaneto dos focos de diversidade. Mulher, negra e lésbica, a jovem vereadora foi assasinada em 2018 por grupos que a consideravam "um afrontamento a ordem vigente". Confrontar a ordem vigente significa a possibilidade de tirar do poder aqueles que o detém.

Portanto, o positivismo é seguido majoritariamente por aqueles que detém o poder e buscam permanecer nele, visto que tal corrente prega a ordem, isto é, a manutenção dos privilégios e desigualdades sociais e o não questionamento das posições e funções sociais. Assim, o positivismo não busca conhecer a origem dos problemas para solucioná-los, mas busca conhecer as relações dos problemas para colocar tapa-buracos, assim como fez com Marielle, mulher que confrontava a moral machista misógina, racista e burguesa brasileira, ou seja, a "moral brasileira".

Gabriela Caetano da Silva - Turma XXXVIII - Diurno

sábado, 17 de julho de 2021

É na ordi que se progrédi?

Tava com uma vontade de prosear hoje...Vou contar procês um pouco da minha história. Meu nome é Carol, tenho 15 ano, fui criada quando menó lá na roça, em Jequitibá, mas hoje memo eu moro na cidade, seu Afonso que me trouxe pra trabaia na casa dele. Minha mãe, tadinha, com 13 fio e sozinha de amor, não deu conta, e foi se despedindo das cria. Eu fui uma delas, que vim ser empregada aqui na casa da família Andrade.

As coisa não são ruim não, eu acordo bem cedin pra deixá tudo em ordi, a casa nos conforme, fazê o café do seu Afonso, a vitamina da dona Marina, vô trabaiano ao longo do dia e paro memo pela noite, quando a casa tá toda bonita, numa organização que só. O chefe fala memo que só quando as coisas tá em ordi, é que a casa progrédi. Faz sentido, se não tivesse eu pra limpá, tira a sujeira dos canto, arruma a comida, o banheiro deles, o banheiro meu, como que o dia ia se desenrolá? O dia só começa depois que a empregada começa a coloca tudo nas ordi, aí progrédi, progrédi memo!

Teve uma época que eu tava de namoro, sabe? Eu e o Zezin, a gente se encontrava lá na esquina da minha rua, bem de madrugada, pra dar uns beijinhos, cês sabe, né? Eu fazia escondido porque o seu Afonso é quase que meu pai, e ele não deixava não, dizia que a paixão distrai a mente de quem trabaia, que coloca tudo fora de ordi, e se fica fora das ordi, nada progrédi. Ele dizia que trabaiadô não faz nada quando tá apaixonado. Eu num acho, o Zezin me deixava tão boa do coração que até quando eu ia limpa as coisa em casa eu fazia com mais vontade, sabe? Tudo ficava tão mió, até os serviço que é mais cansativo, eu não ligava de fazê. Mai quando a dona Marina descobriu, eu não tive o que escolhê, disse adeus pro Zezin. Inté que não foi de todo ruim, não dá pra causá desarmonia na casa, né? Deixa os patrão incomodado. Eu fiz o que era mió pra todo mundo.

Hoje memo eu num quero nem namora, eu quero estudá! Eu já tô com 15 ano e não sei entendê as letra ainda. Não que eu não sei nada também, meu nome eu escrivenho, mas eu queria poder ler aqueles livro da estante do Jorge, que é o fio do seu Afonso e da dona Marina. É um monte de letrinha miuda que eu queria muito sabê os significado. Mas seu Afonso falô que isso é vontade demais, que eu já passei de idade, e donde que eu vô arranja tempo pra limpa, cozinha, passa roupa e aprende as letra? É pedi demais… É o meu sonho, sabe? Quem sabe quando eu fô mais velha eu consigo trabaiá mais depressa e separa um tempo pros estudo.

Mai por enquanto, eu não posso ser egoísta, preciso lembra que se eu num coloca a casa em ordi, ninguém coloca, o meu trabaio é importante, ele faz as pessoas mais feliz, deixa tudo no seu lugar, em perfeita harmonia. Nem sempre nois faz o que quer, mas se eu tô fazendo algo que ajuda, deve de ser suficiente... Não quero ser egoísta, vô bota tudo em ordi, porque assim a casa progrédi, é o que diz o Seu Afonso. Se cada um ficar no seu lugar e fizer sua função, quem sabe as coisas num dão certo. Se tá todo mundo feliz, vô ficá feliz também, isso que é o importante. Tudo nos conforme. E quem sabe um dia o Jorge não me ensina um pouco das letra…De quarqué jeito, tô sempre aprendeno aqui nessa casa. Uma coisa já me ensinaro. É na ordi que se progrédi, né?

-Letícia Magalhães, Noturno 


O PREÇO DO PROGRESSO

 O positivismo é uma corrente filosófica construída por Augusto Comte se dá em um período muito conturbado da história, muitas evoluções em curso ou que acabaram de ocorrer, a carencia de um método que sistematizasse a ciências humanas assim como a construída por descartes e bacon para a ciências exatas era grande. Nesse cenário surge Comte, sociólogo que buscava analisar a sociedade e propor algo a ela, esse algo nada mais é do que o positivismo.

Para se compreender como o conhecimento se deu ao longo da história até chegar no positivismo Comte observou que a priori o ser humano buscou explicar o mundo através da teologia, naturalmente com o surgimento dos filósofos e o ato de questionar foi tornando-se necessário utilizar também da metafisica para se explicar os eventos naturais que ocorriam em volta do ser humano, nunca buscando através da ciência entender o que ocorria no mundo. 

Embora ambos os conhecimentos, teológico e metafisico não serem o essencial, Comte reconhece que ambos os dois foram importantes para a evolução e contexto em que a humanidade se encontrava na época. Todavia ele propunha um método positivista para análise da sociedade se fundamentando na ideia de que a natureza se sobrepõe as ações humanas com princípio na invariável do movimento social.

Duas palavras muito recorrente no livro “Discurso sobre o espírito positivo” de Comte são as mesmas que o exército empregou a bandeira brasileira, “ordem e progresso”. Para a corrente positivista ambos os dois princípios são igualmente essenciais, não existindo progresso sem ordem e nem ordem sem progresso, sendo que a ideia de ordem vem para reprimir qualquer tipo de manifestação de variabilidade que se possa ocorrer no meio social, é interessante se observar o antagonismo que ele já fazia com o comunismo que se pauta em revoltas e da mudança revolucionaria e o mais contraditório nessa ideia positivista é não reconhecer que se nada sair da ordem a sociedade ficaria naturalmente estagnada, o que não abre margem para qualquer tipo de progresso.

A dualidade entre positivismo e a igreja naturalmente é existente, afinal o positivismo preza muito pelo conhecimento cientifico, todavia é muito curioso ver que preceitos do catolicismo surgem dentro do positivismo, exemplo disso é o preceito de família e de disciplina comportamental, outro ponto como o bem publico é prezado, não existindo uma felicidade individual e nem sem ordem, mas sim uma felicidade coletiva que seria essencialmente pautada na ordem.

O positivismo se faz até hoje presente nas instituições do mundo, sendo que no Brasil ele pode ser amplamente observado. Um exemplo disso é a campanha feita pelo governo federal no início da pandemia de covid-19, com o slogan “O Brasil Não Pode Parar” incentivando que as pessoas deveriam enfrentar, de peito aberto, o vírus, pois o progresso não pode parar. A questão que fica sobre tudo é: qual o custo do progresso e progresso para quem? As 541.000 vidas ceifadas pelo vírus covid-19 desde o início da pandemia sabem o custo, famílias que perderam um ente querido também sabem qual o custo. O custo do progresso é a vida, e a vida não deveria ter um preço.




Victor Hugo da Silva Fernandes ||||| Turma XXXVIII ||||| Noturno

Imagine o que seria do Brasil...

Imagine, que lindo seria, se o lema da nossa bandeira fosse positivista.

A partir do ideal que Comte ensinou, 

mesmo se faltasse incluir o amor.


Deus e família seriam a base, 

de uma sociedade perfeita e sem desigualdade.


Porque pensa só, pra que diversidade? 

se somos todos parte da mesma unidade.


Como o Comte previu, só você não viu, 

imagine, o que seria do Brasil?!


A pobreza teria fim de imediato, 

pois basta o trabalhador se sentir realizado.


Um país perfeito, desde de sua fundação, 

e não esse atual que pobre tem ambição.


Estudar pra quê? seu lugar é esse aí, 

daqui a pouco a Disney empregada vai ir.


Imagine também, em plena pandemia, 

sacrificar sua vida só pra salvar a economia.


Porque quem se importa de fato,

com o destino da Dona Maria ou do Seu João.


E nesse sentindo, seu papel social estaria completo, 

pois a ordem natural resulta em progresso.


Seria o fim da luta dos homens então, 

se a moral e os costumes regessem à nação.

 

O egoísmo por princípio, 

a meritocracia por base e a desigualdade por fim.


A República está feita, proclamou o Marechal, 

mesmo se faltou combinar com geral.


Esse é o Brasil, não precisa imaginar, 

pois o cientificismo de Comte encontrou seu lugar.


Claudio Marinheiro

Turma XXXVIII

Noturno

Elite brasileira: a defensora da moral e dos bons costumes.

 Maria da Silva, 47 anos, trabalha na casa de uma família como empregada doméstica desde seus 17 anos. Todos os dias de segunda a sábado trabalha das 8h até as 18h, isso quando ela não é chamada para fazer uma almoço de domingo para a família, família essa que sempre afirma que Maria é como se fosse da família, mas "como se fosse não é,ser". Maria foi quem criou os 3 filhos da família e para isso teve que abrir mão de criar os seus próprios filhos, Maria é que cuida da casa da família e para isso abriu mão de cuidar da sua própria casa, que diferente da casa em que trabalha no bairro dos Jardins, fica na periferia de São Paulo sem acesso a direitos básicos,como rede esgosto.

Os 2 filhos de Maria, diferente dos filhos da família, sempre estudaram em escola pública e fizeram cursinho popular para conseguirem ser aceitos na USP e na UNESP, universidades de grande renome no país e no mundo. Com a aprovação dos filhos nessas universidades, Maria sentiu a diferença do tratamento da família para com ela, para eles apenas os seus filhos poderiam ter acesso a essas univerdades.
A vida de Maria é de muita luta, no entanto, apesar de tudo isso durante os seus 30 anos de trabalho na casa da família conseguiu juntar dinheiro e levar a família para a Disney, ela e os 2 filhos viveram momentos mágicos,mas, dias depois de sua volta foi demitida porque a família não aceitava que sua empregada doméstica frequentasse os mesmos locais que eles.
"Empregada doméstica ia para Disney", a frase foi dita como se fosse um absurdo uma mulher que trabalhou anos de sua vida conseguir levar a sua família para fazer uma viagem. A elite brasileira, não está preparada para ver os empregados em pé de igualdade, eles se chocam ao menor sinal de que essa igualdade está começando a ocorrer.
Essa elite defende "a moral e os bons costumes" , baseadoa em ideais positivistas de ordem e progresso que estão estampados na bandeira do país. Essa moral e esses bons costumes, são apenas para eles. No pensamento deles, Maria é menos humana e menos sujeita de direitos do que eles, ela deve abrir mão de seus filhos e deu sua casa para cuidar dos deles. Ela tem que trabalhar 10 horas por dia de segunda a sábado e as vezes aos domingos, mas não pode reclamar ou disfrutar de momentos de lazer com sua família.
A moral e os bons costumes são defendidos pela elite,porque é através deles que ela oprime os trabalhadores e fazem com que eles pensem que são menos sujeitos de direitos do que eles.
Quantas Maria da Silva você conhece?
Tem que ter filho da empregada na faculdade pública,tem que ter empregada indo pra Disney, tem que ter empregada com carro e com casa própria. Assim, a elite será desbancada e então a ordem e o progesso passaram a existir de fato, deixando de ser apenas uma frase na bandeira do país.

Ellen Luiza de Souza Barbosa
Turma XXXVIII
Noturno

MERITOCRACIA E PROGRESSO

        A meritocracia é um modelo na qual se privilegia aqueles que se sobressaem em meio a todos, seja intelectualmente ou mesmo economicamente, tem a premissa de que todos possam prosperar basta o esforço individual, vinculando o sucesso unicamente ao esforço, e independe da situação financeira ou das oportunidades, restringindo apenas ao indivíduo.  Vincula as suas “conquistas” há um falso merecimento, como por exemplo, um aluno que conquista uma vaga em uma determinada universidade, essa conquista será tratada como merecimento pelos seus esforços enquanto estudante.

        A grande questão da meritocracia é que ela faz uma análise superficial, positivista, leva em consideração somente o fato consumado da “conquista” de determinado objeto ou cargo, como o exemplo dado anteriormente, não busca entender os acontecimentos sucessivos que levaram a tal fato, como as condições desse aluno, que pode ter tido uma qualidade de ensino melhor que de outro aluno, e por isso teve maiores chances no vestibular, ou mesmo de qual região esse indivíduo pertence. Portanto, coloca de maneira indevida todos em um mesmo ponto de partida, sendo que vários privilégios colocam os indivíduos em posições diferentes, uns mais a frente e outros trás, de modo desigual.

        A meritocracia apoia-se do método positivista como um modelo, fazendo uma análise meramente vaga dos fatos, ou melhor do fato observável, tido como válido apenas a realidade, excluindo todas as análises mais profundas que possam levar a conclusões diferentes. De certo modo, é um sistema que naturaliza as injustiças sociais, já que não leva em consideração uma investigação mais profunda da conjuntura, e, portanto, não busca a profundidade que reverbera a dinâmica social, assim sendo, o indivíduo aceita o seu “lugar social” e seu papel assim definido. Nesse sentido, toda a busca pela superação desse modelo é tida como a desordem e contraria ao caminho, dessa sociedade, do progresso.

        No Brasil, como em todos os países capitalistas, tem a meritocracia no cerne da sociedade civil, aliás é extremamente comum escutarmos que uma pessoa é esforçada, muito dedicada e por isso conseguiu um feito extraordinário, dito para poucos. Não passa de um mecanismo adotado para que essas “ambições exorbitantes”, como uma graduação em uma universidade pública, sejam vistas como algo difícil de ser alcançado e só com muita dedicação é possível alcançá-la, renunciando o papel do Estado nessas questões, que a priori deveriam ser tratadas pelo próprio Estado, ou seja, querem que haja uma harmonia social, e que não ameacem a ordem, quer dizer, querem a manutenção das desigualdades sociais. Ironicamente essa é a tal ordem defendia pela elite politica brasileira em prol do progresso.

Cássio Goulart - 1°Semestre Direito-Diurno

O fim das anormalidades.

1- Caro leitor, irei lhe contar a história de Beltrano e seu filho, conhecidos da família. - ver nº 10

2-Até que começasse as aulas, Beltrano obrigou o menino a ler Augusto Comte, para que ele pudesse entender seu erro. -ver nº 11

3- Acredito, leitor, que Comte estaria festejando ao ver um discípulo tão assíduo em suas teses, já que este pai visava o bem coletivo e seu filho em breve abdicaria de sua felicidade para a continuação do ordenamento. - ver nº 7

4-Furioso com a cena e o medo de seu filho ser homossexual, proferiu o seguinte discurso: - ver nº 9

5- No entanto, meu caro leitor, o que me assustou é que, ao conversar com o recém-formado, descobri que o fatídico episódio não era nada mais que uma ajuda entre amigos, o outro menino tinha perdido sua mãe em decorrência de um câncer de mama. - ver nº 8

6- Em determinado dia, ele viu seu filho dando um beijo na bochecha de um amigo. - ver nº 4

7- Passados anos, com a formatura do filho de Beltrano o inevitável aconteceu: o jovem se transformou em mais um defensor da normalidade e lutava contra possíveis anomalias sociais. - ver nº 5

8- Ainda hoje me sinto desconfortável ao ver tamanha brutalidade que ainda persiste nesta sociedade ao denunciarmos as mazelas da desigualdade. - fim.

9-"Isto que fez é anormal, desconfigura a ordem da sociedade. Serei obrigado a te mandar a uma escola cívico-militar para virar homem de verdade. Você está proibido de sair de casa e visitar este 'viado'." - ver nº 2

10- Beltrano é ex-militar de alta patente, adepto da doutrina positivista. - ver nº 6

11- Durante o jantar, sempre era o mesmo discurso "Não podemos permitir que ocorra uma ditadura gayzista, ninguém sofre preconceito. Só querem causar caos em algo ordenado." - ver nº 3

Bruna Soares Teixeira

Turma XXXVIII - Noturno



Dialética dos princípios positivistas

Auguste Comte presenciou a desordem e o caos em seu país; o que tardiamente se tornaria responsável por revoluções em escala mundial.  Fundador e pai da Sociologia, o francês nunca foi apto às doutrinas católicas que lhe eram impostas desde sua infância, contribuindo para o cenário político que surgia da época das luzes. Seu trabalho é voltado para a reorganização social, visando a ‘’Ordem e o Progresso’’ como um princípio, trazendo o sistema de política positivista, que preza por uma religião da humanidade, a qual abandona as superstições e a teologia, para o alcance do estágio ideal – estágio positivo – trazendo a paz, a ordem e o progresso em uma sociedade organicista.

A sociedade organicista de Comte pode ser considerada bastante contraditória. Ao apresentar esse modelo, o sociólogo coordena-a pela estática e dinâmica social garantindo o encontro de uma lei fundamental e funcional para todos. O que se detém, já que na prática, somente a lei não é possível assegurar até o mesmo o direito inato de cada indivíduo. Comte define a felicidade como realização plena do bem público. Mas, desvaloriza a solidariedade social que é diretamente ligada as relações sociais. Portanto, Não há como obter a felicidade individual ao parâmetro organicista - onde cada indivíduo é visto como uma parte essencial dentro de um todo- se o todo, possui diversas desigualdades e conflitos externos e internos, que se desdobrarmos esses conflitos, é nítido os conflitos patológicos que devastam a dignidade humana.  Como por exemplo: A exclusão da população que possui doenças mentais.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência afirma e reafirma, entre outros, a proteção dos direitos à saúde e à educação, como também se assegura o direito ao trabalho. O que na prática, não vemos tanta efetivação desses direitos. O preconceito é um dos pilares enraizados na história do Brasil que desvalorizam a vida pessoal, profissional e amorosa dessas pessoas; Sempre colocando pressupostos no caráter ou na personalidade, tornando cada vez mais difícil a inserção na sociedade. De acordo com o psiquiatra, Antônio Geraldo da Silva ‘’ A psicofobia é o preconceito às pessoas que sofrem de transtornos e deficiências mentais. Popularmente, as doenças mentais são distorcidas para conotações negativas. A psicofobia existe quando o indivíduo  é caracterizado como “louco” ou “doido” e quando a doença é negada por familiares, profissionais de saúde, pelo próprio paciente ou até mesmo pelo governo (municipal, estadual ou federal). ‘’

Atualmente temos redes públicas, onde dão auxílios e prestam atendimento para aqueles que possuem transtornos mentais graves e persistentes, como o CAPS; que são sustentados através de verbas do governo municipal.  É de suma importância as suas realizações para ajudar, através de atividades, a introdução na comunidade e a sua evolução no meio. Mas, muitas vezes entram em risco, por conta dos cortes de gastos, valorizando ainda mais a exclusão e  desprezando a inter relação de forma geral.

De fato, o positivismo não passa de uma idealização de um mundo perfeito. O mundo é vasto e abstrato, possuindo conflitos patológicos e outros que levaram a grandes revoluções.  Não há possibilidade de ignorar as outras ciências e as suas pesquisas empíricas.

 


Érica Caroline Olivio - Turma XXXVIII - Matutino.

Vencemos.

 

Vejo passos mecânicos e vida sem cor. Adoraram ao falso deus e agora pagam seu preço. Abandonaram a humanidade, a sensibilidade e pouco mais. Acreditaram no mito do progresso e sacrificaram seus irmãos em nome do óleo, da fumaça e do carvão...

Qual o futuro?
Se me permite responder, é melhor nem saber... Aquele que no fim do dia pouco sabe, também pouco sente.
E não me venha dizer que acabou.
O que acabou está apenas começando.
Então, abracemos o futuro apático e sua melodia tediante. Ignoremos suas brutalidades e o sangue derramado dos inocentes.
Louvemos a ciência! As Máquinas! Os cientistas!
Quem sabe, louvemos até nós mesmos!
Somos brilhantes, incríveis, diferentes e implacáveis...
Não me importa de onde veio, me interessa o que se tornou.
Do beco do mundo ao topo da vida. Do topo da vida ao limite do além. Somos Deuses e muito mais!
Em mensagem aos que virão, atentem-se:
O progresso é o que importa. O nosso progresso.
Ilusões, apenas as que criamos e as que nos são úteis para manipular.
Vencemos a natureza e seus entraves.
Vencemos uns aos outros.
Vencemos ao mundo.
Vencemos o atraso.
Nos perdemos no processo. Já não nos reconhecemos.
O que importa no fim do dia, é que por bem ou por mal, vencemos.

Pedro Basaglia - 1° semestre Noturno

O progresso não pode parar

  A corrente positivista que surgiu durante o século XIX defende a concepção de “ordem e progresso”, essa que inspirou inclusive a bandeira do Brasil e a carrega consigo até os dias de hoje. Infelizmente, as ideias positivistas não estão apenas ilustradas na bandeira mas norteiam grande parte das políticas públicas no país desde a proclamação da República, em 1889, com forte apoio militar e da burguesia civil.

O positivismo enquanto ideologia defende que a ordem e o progresso só poderiam ser alcançados por meio de um Estado Forte, em que os indivíduos deixam sua perspectiva individual, seus sofrimentos, suas reivindicações e necessidades particulares, em prol da sobrevivência e do progresso coletivo. Dessa forma, a moral humana seria a concepção de que a felicidade está na realização plena do bem público, distante de conflitos e orientado pela família, Estado e pela moral.

Essa corrente de pensamento se posiciona contrariamente às ciências criticas como a filosofia e sociologia, uma vez que essas trazem aspirações exorbitantes e pensamentos críticos para o proletariado e impede a propagação do bem comum, de acordo com seu principal pensador Augusto Comte. 

Assim, pode-se observar que as medidas adotadas pelo governo neoliberal liderado por Jair Bolsonaro possuem grandes influências dessa corrente de pensamento, tal qual aconteceu anteriormente na história do país como na Ditadura Militar, em que há a tentativa de criminalizar todos os tipos de manifestações políticas em prol da conservação da família e da boa moral brasileira. Dessa forma, manifestações das minorias em favor dos seus direitos são diretamente atacadas, como aconteceu com a parada gay, mundialmente reconhecida, e outras manifestações, sejam elas em defesa das mulheres, dos negros ou mesmo da população economicamente marginalizada. 

Além disso, a necropolítica adotada com a pandemia de COVID-19, que coloca a economia acima da vida, com a justificativa de que o progesso não pode ser retardado por uma “gripezinha” mesmo depois de matar 530 mil pessoas, demonstra o quão prejudicial o positivismo se apresenta quando aplicado em uma nação composta pela diversidade, como no caso brasileiro.


Mariana Moreira Belussi - 1º semestre diurno

A proposta positivista para a educação

     Ao longo da segunda metade do século XIX, manifestam-se os primeiros prenúncios de uma nova corrente filosófica, denominada Positivismo. Esse segmento crítico-revolucionário, constituído massivamente pela burguesia, possui muita importância para o desenvolvimento de uma ideologia conservadora que se mantém presente até o momento atual. Pode-se dizer que esse caráter conservadorista é associado à sua origem, tendo em vista que Auguste Comte, considerado pai do positivismo, elabora a ideia principal dessa filosofia após a Revolução Francesa, especificamente no período em que a burguesia batalhava intensamente contra os interesses da classe proletária.

    Sob esse prisma, é importante salientar alguns princípios essenciais para a estruturação da teoria positivista. No que diz respeito às ciências sociais e da natureza, essas deveriam ser limitadas à elucidação, de maneira direta, imparcial e desprendida de ideologias e de pré-conceitos. Nesse sentido, é viável pontuar que a premissa da neutralidade frente às ciências da sociedade faz com que a conjuntura histórico social seja desprezada, ou seja, não há uma ligação entre a ciência social e o conhecimento científico positivista. Assim sendo, pode-se pontuar que o positivismo não é anacrônico, haja vista que hodiernamente essa corrente filosófica ainda desempenha influência na sociedade, de maneira análoga, os programas de escolas sem partido são representantes dessa filosofia.

    Sob esse ponto de vista,  deve-se ressaltar a relação entre o objetivo do movimento Escola Sem Partido e o Positivismo. De forma sucinta, pode-se dizer que esse movimento visa alcançar cidadãos que sejam passivos, inertes, às leis em vigor, além de as admitirem, a fim de preservar a ordem social. Esse é o ponto de convergência entre a proposta ‘educacional’ e a corrente filosófica, tendo em vista que, na visão positivista, a sociedade é administrada por leis naturais, que funcionam independentes dos anseios e das vontades dos homens, e, principalmente, invariáveis.

    No entanto, esse pressuposto de neutralidade nas escolas, e nas ciências sociais, é a aspiração mais almejada pela classe dominante, uma vez que, com a falta de posicionamento, a probabilidade da emancipação do oprimido é nula. Assim, é de vontade da camada conservadora defender seus próprios interesses e ideologias sob o aspecto da neutralidade. Posto isso, evidencia-se que todo conhecimento, científico ou social, é tomado de ideologias de um grupo social. É nesse momento que o marxismo manifesta-se criticamente em oposição à premissa de neutralidade ostentada pelo positivismo. Sendo assim, na visão de Marx, assumir determinado posicionamento não seria um empecilho para alcançar o conhecimento, pelo contrário, a tomada de partido é requisito primordial para compreender a realidade.

    Portanto, sob o contexto da neutralidade educacional, é imprescindível questionar-se: de que têm medo esses setores conservadores contrários à politização da educação? Será temor de uma ascensão juvenil estimulada a questionar  e problematizar as profundas desigualdades vigentes na sociedade? Será apreensão de uma juventude que não corrobora e não consente com a existência de concentração de privilégios a uma classe minoritária? Ou será medo de um ensino libertador que incentivasse a questionar a ‘ordem’, ao contrário de aceitá-la bovinamente?

Clara Crotti Cravo - 1° Semestre - Diurno

POSITIVISMO EM 21

 

            A corrente sociológica do Positivismo é a primeira forma de ciência social - denominada inicialmente como “física social” – preconizada pelo sociólogo Augusto Comte. Essa ciência além de explicações, busca ter todo o controle da sociedade em suas mãos e para isso, aproxima-se fortemente das ciências naturais, por estabelecer um método para o conhecimento sistematizado e domínio do mundo social.

            Primeiramente, para se alcançar o estado positivo – último estágio da construção do conhecimento – é necessário passar por outros dois estágios, o teológico e o metafisico. Para Comte é preciso explicar a problemática única e exclusivamente pelo fato em seu fenômeno imediato, sem buscar as raízes nem explicar as causas que levaram ao acontecimento. A filosofia positiva rejeita todos aqueles métodos, estabelecidos pela filosofia antiga, nos quais o questionamento é um pilar primordial para a obtenção do conhecimento e do esclarecimento. Desse mesmo modo, o saber advindo de aspectos religiosos, adquiridos por meio de uma revelação divina é invalidado pelo Positivismo.

            Mas o que torna a “física social” preocupante é a necessidade de manter a ordem a fim de gerar o progresso – lema escrito na bandeira brasileira “Ordem e Progresso”. Com o objetivo de estabelecer constantemente essa ordem é estipulado que tudo seja mantido em seu perfeito estado, sem que haja alterações, melhoras ou reivindicações. Assim como nas leis naturais, tudo precisa estar equilibrado, modelado e ordenado, da maneira que é imposta pelo preceito moral – modo de conduta – estabelecido. A estática é uma das leis logicas que produz a aptidão para agir, dentre os alicerces fundamentais que constroem essa “estática” encontra-se a família, o direito e a moral.

            Diante disso, tudo aquilo que de alguma forma abala a ordem social imposta está inviabilizando o progresso almejado pela filosofia positiva. Na atualidade é visível claramente tudo aquilo que é sacrificado em nome do bem social, a fim de que não ocorra uma “degeneração moral”. Diariamente, no Brasil, indivíduos que buscam direitos igualitários, condições dignas, tolerância religiosa e sexual, são atacados, inferiorizados, agredidos e, infelizmente, mortos por estarem reivindicado algo mais humano do que a racista, machista, heteronormativa “ordem” estabelecida.

            Portanto, é ameaçador quando governos em pleno século XXI utilizam do Positivismo como suporte para o seu modelo de conduta, de tomada de decisões e suas ações, por impor que indivíduos se sacrifiquem – renunciem suas reais personalidades – para que a sociedade se mantenha coesa e estável, a fim de não ameaçar a ordem imposta. Sendo assim, as desigualdades continuam estabelecidas, os preconceitos potencializados e as formas de conduta pessoais invalidadas.


Maria Fernanda Barra Firmino - 1° ANO MATUTINO