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sábado, 2 de abril de 2022

A Sociedade acerca do estudo e desenvolvimento do método

     Quando o pensamento humano seleciona e analisa o método científico como a influência ao comportamento e dinâmica das ciências sociais, é necessário regredir a pesquisa para as próprias bases do método. Qual a realidade humana e social vivida no período de filósofos como Francis Bacon ou o próprio René Descartes? Sendo eles aqueles que trouxeram a primazia do debate acerca da ciência moderna, de que forma a sociedade da época afetou no nascimento do método cartesiano ou do método indutivo?

    De forma primordial, é necessário entender que não apenas a sociedade molda a forma como a ciência é pensada, mas a própria ciência influencia ativamente no funcionamento do corpo e do ambiente social cotidianamente vivido pelos seres humanos. Nesse contexto, essa influência se exemplifica em como a ciência atua em campos domésticos, comerciais ou na política, como em eleições.

    A partir desta análise, é possível concluir que o método científico original, compilado sobre pensamentos de filósofos do período histórico moderno, é um reflexo de como os grandes cientistas da época enxergavam o desenvolvimento do conhecimento, ao mesmo tempo que é a própria ferramenta por trás desse avanço da ciência e da sociedade.

    Num contexto atual, ao sair dessa regressão temporal, a resposta para a forma qual a sociedade afeta a ciência torna-se mais clara. Os chamados “tempos contemporâneos” são diferentes de seus antecessores, a mecanização deu lugar para a dinâmica da informação, o homem perde o controle sobre o ambiente doméstico, perde o controle dos próprios desejos em função da exposição propagandística e perde o controle de seus direitos na ascensão autoritária política recente.

    Em suma, cada um desses exemplos reconstruídos fazem parte do grande sistema complexo que determina a evolução do método científico e da própria ciência em si: é a influência da sociedade sobre o conhecimento humano, objeto de estudo sociológico.

Pedro Henrique Falaguasta Nishimura - 1º Direito Matutino

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Entre o método e o credo

Ainda que Descartes e Bacon tenham dado as origens fundamentais do método científico já no século 17 revolucionando a forma como o ser humano entende o conhecimento e o categoriza, essa forma de legitimação do saber ainda não se tornou universal entre as pessoas. O exemplo mais claro disso é o fato de que até os mais altos membros do Governo, os quais se espera um comportamento pautado na razão, ao invés de optarem pela ciência, ou seja, pela forma mais segura de interpretar os acontecimentos, acabam por tomar decisões baseadas somente em suas posições ou esperanças pessoais. O resultado disso foi, em um exemplo mais recente, as 660 mil mortes por COVID-19 até Abril de 2022.

Aqueles que, com razão, criticam os seguidores da cega intuição, frequentemente são rechaçados por significativa parcela da população. Existe um paradoxo enorme em nossa sociedade, de um lado, a descredibilização da ciência por muitos, e do outro, o fato de que essas pessoas provavelmente só estão vivas e possuem diversos luxos justamente por causa daquilo que criticam. Sendo ainda mais claro, a alta rejeição da instituição vacina frequentemente vista é um erro enorme, visto que essas próprias pessoas tomaram diversas vacinas durante sua vida e foram exatamente elas que provocaram grande parte de sua qualidade de vida atual. Isso sem citar as diversas outras contribuições imensuráveis da ciência.

Concluo dizendo que o progresso proporcionado ao ser humano pelas mãos e mentes de diversos pensadores como Descartes e Bacon foi gigantesco e essencial para a forma como o mundo existe hoje. A ciência moderna foi o alicerce de muitas coisas maravilhosas e praticamente mágicas, ela definitivamente não deve ser ignorada ou trocada por achismos.


João Pedro Menon- 1º Direito Matutino


 O Negacionismo supersticioso contra a Razão

O que foi dado ao homem, além de sua incrível capacidade de se reinventar, é a sua capacidade para discernir. Por mais que seja lógico, há quem ainda negue a verdade fundamentada pela razão, partindo de preceitos e superstições. Neste viés, em tempos tão desenvolvidos, os movimentos negacionistas são notórios obstáculos para o desenvolvimento do ser humano em sociedade.

René Descartes e Francis Bacon defendiam a utilização do Método Científico como principal meio para a busca do conhecimento, sendo improvável achar a verdade somente através da fé e do senso comum, portanto fundamental o desapego das ciências tradicionais e das opiniões a que se deu antes crédito por especulações e misticismo. Neste sentido, pode-se afirmar que a sociedade atual se desenvolveu até o presente momento somente com a superação das tradicionalidades em busca pelo reinvento e melhoria do homem. Todas as grandes vitórias da humanidade são advindas das desconfianças do especulativo e pela vontade de explorar os campos os quais o ser humano se insere. Contudo, a falta de ousadia por parte de grandes grupos, desde o início do que conhecemos como sociedade promoveram os atrasos para alguns avanços, como por exemplo o movimento anti-vacinas, presente atualmente, este dificulta a disseminação de conhecimentos medicinais comprovados através do estudo empírico. É preciso salientar que crenças e superstições impedem o desenvolvimento do bom senso e a capacidade de discernir a verdade da mentira, visto que o indivíduo precocemente estabelece a sua verdade através do senso comum. Com isso, o movimento citado não somente nega tudo aquilo defendido por Descartes e Bacon, como contradiz tudo até então conduzido pelas ciências empíricas que permitiram a sociedade alcançar importantes mudanças para saúde.

Ademais, é preciso reafirmar as concepções lógicas e fundamentadas na razão para promover avanços à sociedade. O rompimento com correntes supersticiosas e equivocadas promovem o desenvolvimento do coletivo e do homem individual. Tudo aquilo acerca do ser humano deve ser conduzido pela razão em virtude da dúvida do que já se é ultrapassado, a superação do negacionismo científico é imperiosa para a condução do conhecimento.


Isabella Carvalho Silva

1º Ano de Direito Matutino

2022

A verdade no mundo atual

A verdade no mundo atual

A filosofia acompanha a sociedade há anos, e desde os tempos antigos os homens tentam encontrar respostas verídicas sobre o porquê das coisas, assim desenvolvendo métodos e teorias em que eles acreditavam ser os melhores para obter o real conhecimento. Desse modo, em meados do século XVII, os filósofos René Descartes e Francis Bacon propõem novas maneiras de encontrar a verdade, pautada na experimentação e observação, ao contrário da filosofia antiga que se baseava em princípios e dogmas estabelecidos. Contudo, apesar de toda sua importância, na atualidade tem-se o pensamento de que tal metodologia não se aplica mais no cotidiano, apenas no âmbito acadêmico ou que simplesmente ficou obsoleta.

Hodiernamente, mais do que nunca, lidamos com uma sobrecarga de informações. Todos os dias somos bombardeados por notícias em variados canais midiáticos e para não cairmos em falsas notícias, os métodos de Francis e René nos ajudam a discernir entre o real e o falso. Segundo Descartes, filósofo racionalista, a busca ao conhecimento deve ter como principal base a dúvida, isto é, não se deve acreditar firmemente em nada que lhe foi empurrado e é necessário  seguir quatro passos por ele traçados para alinhar os pensamentos ao nível da razão, sendo eles: observar, dividir as informações, ordenar do fácil ao mais difícil e, por fim, retomar os elementos. Dessa maneira, consoante Descartes, poderíamos alcançar a razão corretamente.

Já para Bacon, o melhor caminho para seguir é o da indução e experimentação. Francis também nos alerta sobre os ídolos, que segundo ele são empecilhos que nos impedem de chegar à verdade através do método empírico indutivo, Bacon lista quatro tipos de ídolos:  ídolos da tribo (confusões dos nossos pensamentos), ídolos da caverna (falsas noções), ídolos do foro (falsas informações vindos da comunicação ) e ídolos do teatro (falsas ideologias)

Em suma, apesar dos dois pensadores apresentarem  visões divergentes, nos apresentam maneiras de nos livrarmos da mentira, maneiras essas que em sua máxima são atemporais e nos ajudam a não sermos enganados por falsos discursos e falsas notícias.

Júlia Lemes Araújo- 1°ano noturno

Racionalizando um zumbi


Na minha frente, havia um zumbi. O que era humanamente impossível, mas ali estava. Uma criatura aparentemente morta, a pele parecida com couro, não fossem as feridas abertas e com sangue pútrido coagulado, a pele pálida e manchada, os olhos cegos, os grunhidos, os movimentos erráticos, e o fedor de carne se decompondo, cheiro de podridão (eca).

Mas veja bem, é um zumbi, não pode ser real. Sim, posso vê-lo logo adiante, embora isso não signifique que ele seja de verdade. Me lembro bem de filósofos que estudei no ensino médio (alguns mais do que outros) e cujas teorias diziam o quanto nossos sentidos são falhos e limitados. Talvez fosse mero fruto da minha imaginação, um sonho (não, seria mais um pesadelo), ou até mesmo uma ilusão implantada por um gênio maligno. Não importa, o ponto é: tal monstro não existe. Certeza. Puro paralogismo. É mais provável que eu esteja alucinando do que esse (não) zumbi esteja vindo em minha direção.

Entretanto, apesar de não ser racionalmente possível a visão que estava tendo, não parecia ser uma mentira. Até porque, as reações do meu corpo pareciam muito fidedignas e sinceras para um mero devaneio. Quando vi aquilo, senti minha boca secar, meus membros ficarem paralisados, meus olhos se arregalarem e se fixarem na ameaça à frente. Meus batimentos cardíacos aceleraram, meu corpo se curvou e tensionou, minhas mãos tremiam e suavam excessivamente, tinha certeza que havia empalidecido, minha garganta estava trancada, nem se quisesse eu poderia gritar e, se tentasse, minhas cordas vocais se rasgariam. Era o mais absoluto terror. Foi aí que minha mente se desprendeu do meu corpo e eu pude bater um papo contigo, caro leitor.

 Sinceramente, se for uma pegadinha, passou dos limites. Mesmo que eu vivencie todas essas sensações, não é nem um pouco viável que um cadáver consiga andar, quanto mais matar alguém ou comer um pedaço de cérebro como se fosse um picolé. Sim, é preferível imaginar que o vermelho ao redor da boca da besta seja groselha, não sangue. Mas então eu estaria permitindo que preconceitos, fantasias e coisas que aceitei como veracidade inquestionável me impedissem de enxergar a verdade, não é mesmo? Apenas porque nunca vi um morto-vivo, não posso afirmar sua inexistência. Além disso, minha própria experiência (neste exato momento) garante o contrário.  O resultado final desse raciocínio é que o zumbi é real e que, portanto, morrerei em breve. Não gostei.

A criatura andava até mim e me encarava como quem estava prestes a se deliciar num churrasco. Não que a ideia de virar uma refeição me agradasse, mas eu não conseguia fugir. A paralisia penetrava meus membros. Só era capaz de listar as perguntas que queria fazer. Você é real? Você existe mesmo? Não é só uma coisa que eu vejo numa paralisia do sono? Eram questionamentos cujas respostas eu realmente necessitava.  Está com fome? Zumbis comem apenas cérebros? Meu cérebro te interessa? Você tem tanto mal gosto assim? Eu nem consigo conciliar minha mente e meu corpo, esse órgão em particular deve ser bem insosso.  Não obtive as respostas que queria, só recebi gritos, mordidas e dor. 

Seria uma honra continuar a debater contigo a possibilidade de um zumbi existir, sobre como e quanto a razão e a experiência colaboraram para alcançar a verdade, ou sobre como o fato de minha consciência não estar em conjunto ao meu corpo influenciou o resultado de toda essa história, mas, infelizmente, não poderei. Os filósofos não me ajudaram: pensei demais, agi de menos e, portanto, morri.


Micaela M. Herreira – Direito noturno 1o ano

Como os "ídolos da tribo" seguem vivos

 

Bacon, inaugurando a modernidade, tinha certeza de que o conhecimento passaria a ser útil à humanidade e, pensando de maneira lógica e racional, os homens dominariam a natureza. Assim seria o futuro previsto pelo pensador e descrito por ele em sua “Nova Atlântida”: um mundo em que o conhecimento seria verdadeiro e serviria aos homens.

Não é preciso fazer uma profunda análise dos dias atuais, mais de meio milênio depois do que escreveu o filósofo sobre os ídolos, para dizer que suas previsões não se concretizaram. Pelo menos não por enquanto. Mais ainda, o encontro das verdades está longe de acontecer em um mundo em que outra teoria de Bacon - dessa vez que dizia respeito a sua época e cujo assunto ele acreditava que seu novo método seria capaz de extirpar: a teoria dos ídolos - vem se provando ainda atual e forte.

Se nos séculos XVI e XVII o primeiro dos modernos dizia que a ciência era atrapalhada pelos ídolos - falsos conhecimentos ou noções erradas da realidade - o que pensaria ele ao ver atualmente a força que as fake news vêm ganhando? A cada dia uma nova mentira é transmitida como se fosse verdade e algumas pessoas tomam essa informação falsa como incontestavelmente real. Para explicar porque isso acontece, os "ídolos da tribo", de Bacon, se mostram assustadoramente atuais.

Para ele, graças a esses ídolos, o ser humano possui a enorme tendência de moldar a realidade ao que já é tido por ele como verdade. Assim, tudo aquilo que condiz com o que a pessoa crê torna-se, para ela, uma verdade absoluta e incontestável - independentemente de ser ou não verdadeiro -; ao passo que toda e qualquer informação que contrarie os conceitos pré-concebidos é automaticamente colocada na categoria de mentiras, de pontos de vista a serem combatidos e, se houver poder para isso, censurados – mesmo que, racionalmente falando, essa informação se trate de uma verdade.

Essa é a mais pura demonstração de como a humanidade age, ainda hoje, sob a influência dos ídolos da tribo, aqueles que são inerentes à natureza humana e que Bacon tinha convicção de que seriam combatidos pela nova forma de se pensar que ele estava inaugurando, a qual tornaria, finalmente as teorias e filosofias úteis à humanidade ao mesmo tempo em que possibilitaria a ela uma liberdade quanto aos ídolos e suas falsas ideias para a construção de um conhecimento que realmente significasse poder, atingindo, assim, sua máxima “knowledge is power”.

Maria Júlia Magalhães Leonel, 1º ano Direito Matutino

 dadá SUPERMERCADOS ou Caminhada Mental ou A Natureza Aterrorizante da Arte

 

DO PORQUÊ

 

A música (não quero um pano) de fundo deste poema

(sim, caro leitor, você está lendo um poema (viva à metalinguagem))

é futurista.

Mas se o Senhor realmente existir no Paraíso,

Marinetti não pisará em terra tupiniquim!

 

A escrita mecânica é REAL!

Um brinde ao surrealismo!

- Desculpe, madame, mas o Sr. Freud não está disponível para jantar esta noite.

 

“Não estou falando de Berlim. Nos arredores, imaginem! 3ª série, ouçam este problema. Lembro-me dele porque me chocou. Um aloprado custa ao Estado 4 marcos por dia. Um aleijado, 4 marcos e meio. Um epiléptico, 3 marcos e meio. Considerando que a média é de 4 marcos por dia e que há 300.000 doentes, quanto pouparia o Estado se esses indivíduos fossem eliminados? Não posso acreditar! Foi exatamente a minha reação! Não posso acreditar que uma criança de 7 anos tenha de resolver este tipo de equação. É um cálculo difícil. Proporções, percentagens... Precisam de alguma álgebra para resolver estas equações. Para nós é matéria de colegial. Não. Basta apenas a multiplicação! Disse que havia 300.000 aleijados? 300.000 vezes 4. Se os matássemos todos, poupávamos 1.200.000 marcos por dia. É fácil! Exatamente! Bravo! Mas você é adulto. Eles têm 7 anos. São, de fato, de outra raça!” [i]

 

Tudo isso é culpa da lógica absoluta grega.

Se querem a minha opinião,

(como me leem, creio que querem (como sou egocêntrico))

ela é em maior medida de Aristóteles.

 

DO CORPO (MAS EU GOSTO É MESMO DE FILME QUE TEM CENA DE GENTE PELADA)

 

Que tempos são esses! Na minha época, quando alguém tinha um problema difícil, desembainhava-se a espada para subjugar toda a Ásia Menor.

Hoje, bem... as pessoas preferem ir à França (porque Paris vale realmente uma missa).

Tic, toc, tic, toc, tic, toc, tic, toc

Hoje 4 mulheres morreram de morte matada;

que conste dos autos que seus nomes eram Miquelina, Maria de Lourdes, Aida e Francischella.

 

Desde a modernidade há hora para tudo

hora para nascer

hora para morrer

hora para ter filhos

hora para expulsar o filho de casa quando ele fala que é gay

hora para fuder

hora para comer o macarrão talharim nº 3 Renata do domingo

hora para enterrar tio em dia de semana

 

agora pra’quelas (alguém pegou a referência de Drummond?) boas em

filosofia existencialista: qual o sentido da vida?

a estudante de ciências biológicas responde categoricamente:

5’-3’!

é por isso que o governo não financia mais pesquisa nesse país

só uma idiota para tentar entender tais questões metafísicas com base na genética

mas não sejamos tão críticos, afinal estes questionamentos são sempre

um assunto delicado (que deveria ser banido das relações sociais).

 

Será que está realmente lendo esses

versos vagabundos, Vossa Malvadeza?

Naturalmente que se não estivesse,

não poderia se indagar sobre isso

nesse mundão sem porteira.

 

O insano entende o insano;

a extrema direita, a extrema esquerda;

o capitalismo, o comunismo;

São Paulo, Tupã;

Descartes, Bacon;

Anita Malfatti, Monteiro Lobato...

“Entre o xerife e o bispo, não sei qual a maior maldição para o honesto povo inglês!”[ii]

 

DO FIM (DAS PRIORIDADES)

 

o grande erro

a miséria mora ao lado

The End.




Aluno: Thiago Ozan Cuglieri

Curso: Direito

Semestre/Período: 1º/Noturno

 

 

 

 

 

 



[i] Adaptado de “A Vida É Bela”, 1997, Itália, Direção: Roberto Benigni

 

[ii] Extraído de “Robin Hood”, 2010, Grã-Bretanha/EUA, Direção: Ridley Scott

Uma Gota de Filósofos num Oceano de Sociedade

    Desde o princípio, a essência humana se alicerça nos mais diversos embates de ideias e propósitos. Tal fato, continua a se reverberar na atual sociedade. Contudo, deve-se perceber que a maioria dos debates acabam por ser supérfluos e inúteis para a realidade. Francis Bacon já criticava esta pratica 400 anos atras. O tempo, como Descartes muito bem analisa em sua obra, é um bem único e que não deve ser perdido; desta forma, para uma sociedade melhor é preciso que se foque a luz da razão em pontos verdadeiramente necessários para o desenvolvimento social.

    Este foco tem que ser levado muito mais a sério no momento atual do país. Num momento prévio à eleições o pragmático é, no mínimo, essencial para ser avaliado nos discursos dos candidatos. Não pode haver espaço para pura ideologia num ambiente sério de decisões que afetam a vida de todos. Os ideais de Bacon têm que valer, não se pode deixar cegar pelos ídolos que se criam a partir do próprio indivíduo e que justificam o floreio de coisas absurdas como a discussão da existência de um poder secreto comunista no Brasil.

    Para uma evolução e melhora da sociedade tem de haver o espírito inquieto e humilde de Descartes. O confronto com o pré estabelecido tem de ocorrer para que se possa analisar o que de fato é pertinente e o que já não traduz a vontade popular. Abandonar o que julga-se ser correto para uma análise completa a partir de bases solidas faz se necessário para uma reestruturação e revolução no modo de agir do todo.

    Em última instância, é interessante analisar como as ideias de pensadores formuladas há quase meio milênio permanecem extremamente contemporâneas. Mesmo com tantos eventos ocorridos através do tempo, é perfeitamente possível encaixa-los na vivência atual de um país distante e bem diferente do que eles escreveram suas obras. Seriam gênios visionários ou apenas a humanidade tem o habito de permanecer a mesma? 


Enzo Gonçalves Peres

1° Semestre Direito Matutino

quinta-feira, 31 de março de 2022

Revolução

como engrenagens de uma máquina 

o cérebro não para de funcionar 

maravilhando-se com o mundo

não cessa seu questionar 


shh! não questione, apenas aceite 

tentam nos calar

tentam nos limitar 

tentam nos tornar apenas enfeite 


cada conhecimento surge de uma ignorância 

duvidar é preciso 

não sejamos reféns apenas do que vemos e ouvimos 

shh! não questione, chega de implicância 


a mente deve ser tal como uma moradia 

com seu alicerce firme e luz para enxergar 

mas deve-se lembrar que sempre se pode pintar as paredes 

mudar os móveis de lugar e recomeçar 

há sempre mais a ser descoberto e estudado 

há sempre espaço para mudar e recriar 

shh! não questione, deixe de ousadia 


desafie o senso comum

que paralisa e escurece a vista 

a busca e a experiência tiram a mente do jejum

e findam a visão de mundo minimalista 


shh! não questio- Duvidar é preciso! 


Mariana Medeiros Polizelli

1° semestre de Direito Matutino 

Um embate clássico (ou moderno?)

Com a Idade Moderna, chega também a ânsia por conhecimento. Diferente de outras épocas, onde a busca pelo entendimento das coisas se dava única e absolutamente pelas indagações da natureza e pela observação, a crença no abstrato e nos poderes divinos. A modernidade traz o desejo de se deixar a rusticidade do pensamento e adentrar no mecanicismo dos métodos. Superar a subjetividade e alcançar o mais alto nível da racionalidade. As ciências nasciam e, junto delas, a dúvida.

Dois embates racionais foram traçados, Francis Bacon e René Descartes abrem a discussão que permeia toda uma época, e que vestígios são observados até o momento atual. Bacon, o pai da ciência moderna, empirista, desenrola sua teoria em meio a constatação de que tudo que havia de certo até ali, não passava de mera sorte e acaso. Portanto, fazia-se necessário superar os frutos do intelecto humano de sua contemporaneidade. Para ele, nem mesmo o ser podia ser considerado uma constatação de valor, aí vemos a sua primeira discrepância com Descartes, que acreditava que o ser era a única certeza que se podia ter. 

Bacon fundamenta sua teoria na indução, e aproxima-se de Platão ao dizer que o homem possui amarras que o distanciam da verdade. O homem e a sociedade também podem ser amarras em si. Seu método, portanto, carrega a necessidade de não apenas interpretar, mas de se mecanizar a interpretação, fazendo uso de instrumentos que auxiliem a indução. Acredita que, sem esses instrumentos, o intelecto nada pode alcançar com certeza. Propõe então, dois caminhos: a antecipação e a interpretação da natureza; a antecipação, dotada dos preceitos, o mais comum e passível de influência dos ídolos, formulados por Bacon, como obstáculos da mente; e a interpretação, o método que sugere uma observação, organização e hipóteses oriundas da natureza. O intelecto humano é como um dado viciado, só apresenta os resultados que lhe são mais apropriados, e para Bacon, é necessário a análise de dados bons e ruins, sem influência externa, sendo os dados perniciosos ainda mais úteis. 

Para Descartes, sobretudo, a mente é soberana. A razão é dotada do mais alto nível de conhecimento possível a ser alcançado. Começa então a busca pela verdade, num método seguido por ele, por meio da desconfiança das certezas absolutas e da realidade. Admite que, um dos primeiros passos, foi declarar-se ignorante, mesmo em meio a todos os ofícios e artes. Isso nos lembra alguém, não? Para fácil entendimento, Descartes lança o famoso “só sei que nada sei” de seu antepassado Sócrates, indiretamente. 

Descartes aprendeu e estudou os mais diversos estudos eruditos, em busca do mais alto nível de entendimento de seu espírito, no entanto, deparou-se com a noção de que mesmo estando no século da iluminação, os letrados não muito se diferenciam daqueles que quase nada sabem. Conheceu tudo que podia, a fim de poder diferenciar o que pudesse ser fantasioso. 

Empreende então um caminho a procura do verdadeiro conhecimento que pudesse sustentar o seu método, dedicava-se aos passos:

  1.  Não aceitar nada como verdade, duvidar de tudo aquilo que fosse conhecido anteriormente e não apresentasse princípios minimamente reais;

  2.  Dividir as descobertas em partes, a fim de examiná-las minuciosamente uma por uma;

  3.  Começar a análise dos mais simples aos mais complexos;

  4.  Por fim, finalizar a metodologia e registrá-las, para que tudo estivesse muito bem passível de entendimento.

A primeira verdade de sua filosofia racional passa a ser “penso, logo existo” , a existência de seu ser e sua consciência eram incontestáveis, e que sua função era a racionalidade. Para ele, a razão não sugere veracidade de tudo que se conhece, mas configura um fundamento inicial de que aquilo exista. Assim, Descartes também admite a existência de um Deus. 

Esse embate se estende também a uma área curiosa, a Psicologia; uma de suas abordagens pretendia unir o melhor dos dois mundo: o método e a experiência. O behaviorismo de Watson, Skinner e, mais antigamente, Pavlov, buscava ser uma ciência experimental, mas que não se prendia aos mecanicismos. Estabelecendo métodos de previsão e controle de comportamentos, também não deixava seu lado empírico, muito conhecido através de experimentos, como o do cão com a sineta de Pavlov e os ratinhos de Skinner. A busca pelo cientificismo na Psicologia, para evitar a eterna prisão de ser uma ciência introspectiva e pouco palpável, gerou a Análise do Comportamento, muito utilizada por psicólogos do mundo todo.

Graças aos nossos antepassados filósofos, Descartes e Bacon, que se empreenderam em trilhar seus caminhos na dualidade entre método e experiência, acabaram por criar alicerces para todas as ciências, desde as exatas às naturais.



Ana Beatriz Cordeiro Santos - 1º ano de Direito (noturno).


A construção de uma nova Ciência


 É preciso construir e reinventar a ciência, ter como incerto tudo aquilo que os sentimentos nos trazem, buscar por meio da experiencia a clareza do conhecimento, nos libertarmos daquilo que antes, nos traziam uma falsa sensação de conforto, de sabedoria, a sabedoria advinda da ilusão, dos ídolos. 


É preciso não se contentar apenas com belas palavras, que apesar de belas e encantadoras, não trazem consigo benefício algum para a humanidade, é preciso romper com tal ideia, é preciso trazer algo novo, conhecimentos baseados em experiencia. 


É preciso superar tudo aquilo que antes nos serviam de base para conhecermos o mundo; histórias místicas, deuses, magia, religião. É preciso se sentir encorajado a quebrar esses dogmas, ir em busca de uma ciência palpável, ir em busca de um método claro e eficaz de se construir uma ciência. 


É preciso que haja um rompimento com o clássico, o não proveitoso, o especulativo. 


É preciso que haja construção de questionamento e duvida em tudo aquilo que não houver completa certeza, trabalhar com os pequenos, médios e grandes questionamentos. É preciso que cada vez mais, nos desprendamos de nossas próprias cavernas, saiamos de nossas tribos, ignoremos as superstições. 


É preciso que, em uma nova era da ciência, a certeza, a experiencia em conjunto com o racional, possa trazer bons frutos para a humanidade, para que um caminho claro e seguro possa ser trilhado, uma ciência bem menos especulativa e certa de seus feitos. 


Maria Rita Gomes

1º Ano Direito/noturno

Vivenciar ou Pensar?

  

    Vivenciar ou pensar? O célebre filósofo René Descartes não hesitaria, nem por um segundo, responder a segunda opção. Para ele, a mente deveria seguir o famoso "Método Cartesiano": a dúvida como processo fundamental, começar da situação menos complexa, estabelecer um processo lento, não afirmar como verdadeiro aquilo que não o conhecesse claramente. Enquanto isso, o grandioso pensador Francis Bacon responderia, prontamente, a primeira opção. Segundo Bacon, a experiência deve comandar a nossa vida e a mente deve guiar-se por si mesma. E vocês? O que escolheriam?
    O filme "O ponto de Mutação" traz ponderações extremamente válidas em nossa sociedade atual. Se, em algum período, o Método Cartesiano foi deveras celebrado, atualmente, ele traz prejuízos em diversos aspectos: em relação ao meio ambiente, à mecanização do homem, à busca pelo racional, ao descaso com a experiência, etc. O contexto da sociedade capitalista contribui para tais prejuízos uma vez que, por exemplo, um empresário desmata florestas para expandir seu negócio, mesmo sabendo que, comprovado empiricamente, o ato trará danos futuros para toda a população.
    No exemplo anterior, na concepção de Bacon, o empresário não estaria servindo ao bem-estar do homem, por isso, também, que seria um ato desastroso e falho. Enquanto, para Descartes, o indivíduo teria racionalizado um crescimento econômico, colocando-o em prática. 
    Dessa maneira, fica evidente que a ciência deve ter dois lados a serem considerados: aquele que prioriza a experiência e o bem-estar do homem e aquele que prioriza a racionalidade e o ato de pensar. Assim, é necessário encontrar um meio termo entre esses a fim de almejar uma ciência próspera. 
     
Laura Picazio - 1º semestre - matutino
    
    

Um novo método científico para uma sociedade de novos valores - Mirella B Vechiato

 Mirella Bernardi Vechiato, Direito 1º ano Matutino 

Um novo método científico para uma sociedade de novos valores

  Historicamente pensando, a filosofia clássica nasce na Grécia Antiga e desenvolve-se ao longo de décadas. Essa filosofia caracteriza-se por se bastar, isto é, vale por si só e não assume compromissos de intervir no mundo. Na modernidade, com a burguesia ascendendo, surgiu a necessidade de uma ciência que fosse mais do que especulações, buscava-se uma ciência que tivesse funções práticas, que fosse racional e experimental. É nesse contexto que se destaca o pensamento de Descartes e Francis Bacon, filósofos que propuseram a criação de um novo método científico para essa nova sociedade que emergia.

  De início, ressalta-se as proposições de Descartes para a importância do caráter racional que a ciência moderna deve adotar. Primeiro, valoriza-se a racionalidade do homem e a capacidade por ela dada para ele julgar de forma correta e discernir o que é verdadeiro e o que é falso. Ademais, é por meio desse exercício que o homem passa a questionar aquilo que lhe entregam por verdadeiro e, por meio dessa desconfiança, ele traça novos caminhos para alcançar tais máximas. Portanto, para René Descartes, o homem deve ter como ponto de partida desse novo método científica as dúvidas, a fim de sustentar as verdades na razão e não nos sentidos.

  Junto disso, tem-se as proposições de Francis Bacon. Ao contrário de Descartes que supervalorizou a razão, para Bacon a observação devia ser uma das bases da ciência moderna. Em outras palavras, a ciência não pode ser um mero exercício da mente, e esta não pode guiar-se por si, é importante que a ciência moderna, para alcançar seu objetivo de uso prático, tenha mais contato com o mundo material. É nesse sentido que se entende a importância da experiência como interpretação da natureza para fuga do senso comum. Assim, o pensador entende que essa nova ciência é a cura e libertação da mente humana de seus ídolos, visto que ela trabalharia na observação dos fenômenos que até então só eram aceitos como verdade pelo senso comum, em vista de se familiarizarem com a mente humana.

   Dessa forma, entende-se as proposições que formularam a nova metodologia científica moderna: a racionalidade somada a observação. Então, entende-se que nessa ciência tudo aquilo que não tem explicação racional também não possui legitimidade no conhecimento, como maneira de, então, superar superstições. Além disso, ressalta-se que as percepções de mundo do homem são facilmente guiadas por idolatrias que devem ser postas em experimentações e observações, no intuito de criar uma ciência útil, a qual além de explicar a natureza também passe a domina-la. Por fim, conclui-se que essa nova metodologia proposta visava concretizar a ideia de ciência como um elemento voltado para o bem estar do homem e, por isso, deve ter sua função prática e concreta, não somente verbal.

 


Mudança no pensamento científico

 O modo de produzir conhecimentos científicos foi profundamente debatido durante grande parte da história da humanidade, principalmente no mundo moderno. A partir disso, métodos científicos foram criados e um dos primeiros e mais ilustres foi o de René Descartes no século XII, que também teve forte influência do filósofo Francis Bacon. 


Os feitos de Descartes revelam uma grande mudança na ciência e no pensamento humano, estabelecendo a visão mecanizada da realidade e a divisão das áreas do saber. Ele também defendia que para um conhecimento ser considerado verdadeiro, este deveria ser assegurado por bases racionais e infalíveis, não empíricas - que se fundem geralmente em experimentações, sentimentos e sensações. Já Bacon, com seu olhar empirista, acreditava que apenas a união entre a racionalidade e a experimentação seria capaz de originar o verdadeiro conhecimento.


A longa metragem de 1990 “Ponto de Mutação” mostra uma perspectiva interessante sobre esses métodos que continuam sendo muito utilizados atualmente, onde as problemáticas da divisão do saber e da mecanização da ciência sao largamente explicitados. Entretanto, não se pode esquecer de mencionar que sem os métodos científicos racionalistas, provavelmente, alguns avanços nas ciências poderiam ter sido dificultados ou impedidos, devido à contemplação que era utilizada de forma exclusiva para a construção de um conhecimento. 


Portanto, é necessário evidenciar que ambos filósofos realizaram grandes trabalhos revolucionários, que ainda são utilizadas frequentemente no mundo contemporâneo. Estes foram essenciais para que ocorresse uma mudança significativa na sociedade.


Giovanna Cayres Ramos - Direito noturno