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sábado, 5 de maio de 2012

Objeto eu


Émile Durkheim declara que o observador da sociedade deve procurar manter o máximo distanciamento de seu objeto de estudo no que tange á valores e pré-noções. Dessa maneira seu estudo estaria “puro” e livre de influências pessoais, assim como é possível ser feito com as ciências naturais.
  Porém, não se pode apartar o estudioso da sociedade por completo, de modo a satisfazer os objetivos de Durkheim. Afinal de contas, se isso fosse possível, como garantir que o observador apreenderia da sociedade toda a sua natureza e complexidade uma vez que ele não mais faz parte da mesma? Se não são todos os indivíduos capazes de entender a própria sociedade – não generalizando, é claro -, como haveria entendimento se o indivíduo não vivenciasse a realidade social, suas relações, suas mudanças, suas particularidades...
  Os antropólogos procuraram – e procuram - inserir-se nas comunidades durante as pesquisas de campo, de forma a melhor absorver e compreender sociedades aquém das suas. Estar dentro das sociedades observando-as é melhor para observá-las. É necessária uma aproximação e não um distanciamento para que aja compreensão de algo. O sociólogo está inserido na sociedade e é válido que assim esteja no seu estudo, pois, de que outra maneira diagnostica-se ou avalia-se algo? Somente conhecendo é possível abordar algo com propriedade sem que haja artificialidade.
  Dessa forma, a influência do sociólogo conta, é válida para o entendimento da sociedade, e tal influência não é negativa ou caracteriza um erro, uma vez que não é natural e nem tanto possível o afastamento do sociólogo de seu objeto de estudo.

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