Auguste Comte desenvolveu a ideia de que as ciências sociais
devem buscar o mesmo tratamento que as ciências naturais, ou seja, submeter-se
a métodos científicos racionais, que têm como finalidade entender a sociologia
de modo a prever os acontecimentos e controlá-los de forma pragmática. No
entanto, essa visão limita consideravelmente o estudo da esfera social, uma vez
que reduz a sociedade a modelos fixos, não permitindo entendê-la para além deles,
o que impede a compreensão efetiva de sua complexidade.
Para ilustrar a limitação da ideia de Comte, usaremos a
crise climática atual, pois, além de um problema ambiental, é um problema que
afeta a sociedade, logo, uma questão social:
Sob a perspectiva de Comte, a crise deveria ser gerida por
meio do entendimento de suas causas - como a degradação ambiental- e, a partir
disso, da criação de um planejamento pragmático para solucioná-la, como a
criação de uma gestão ambiental que monitore as atividades que afetam o meio
ambiente. Entretanto, é uma perspectiva até otimista da situação, pois
pressupõe que um simples planejamento para restaurar o equilíbrio resolveria
essa problemática tão complexa, que, na realidade, só se agravou ao longo dos
anos.
Em uma visão mais realista, há forças estruturais que
impedem a simples correlação entre problema e solução. Nesse sentido, a sociedade é regida por
relações econômicas, e aqueles com recursos para de fato criarem um
planejamento e colocá-lo em prática são, muitas vezes, aqueles que mais
contribuem para a crise. Um exemplo disso são os Estados Unidos (EUA), a maior
economia do mundo, com um PIB (Produto Interno Bruto) superior a 29 trilhões de
dólares, ou seja, possuem recursos financeiros para implantar soluções lógicas para
a crise climática. Todavia, o então presidente do país, Donald Trump, no início
de 2025, assinou a retirada dos EUA do Acordo de Paris - tratado que visa controlar
a crise – demonstrando que seus interesses políticos e econômicos são maiores
do que a questão ambiental.
Assim, ao propor que as ciências sociais sejam estudadas da
mesma forma que as ciências naturais, Comte desconsidera fatores subjetivos,
políticos e econômicos que estruturam a sociedade. Por isso, sua visão se
mostra insuficiente para analisar a complexidade das ciências sociais.
Letícia Zanardo Morandi - Direito diurno
Sim, Letícia. Talvez os postulados de Comte sejam insuficientes para a compreensão de todo o complexo tecido social, mas adequado para a compreensão da busca pelo progresso econômico por aqueles que detém, exatamente, o progresso econômico. E precisamos enxergar isso para melhor elaborar nossos caminhos e decisões, inclusive no manejar do Direito. Com respeito, Alexandre.
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