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domingo, 6 de agosto de 2017

As bases da ciência moderna e a educação brasileira contemporânea

“Repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las”. (DM, p. 11). Desse trecho retirado da obra Discurso do Método (DESCARTES, René) podemos “pinçar” uma das principais ideias do autor sobre o conhecimento: o fracionamento. Aplicando esse conceito para a educação contemporânea podemos perceber que toda a base curricular é fragmentada em matérias e não há em si uma integração, o que dificulta o entendimento do aluno noção de um conhecimento como um todo.
É comum se atribuir a Francis Bacon a frase “O conhecimento é em si um poder” apesar de não existir nenhuma prova de que foi ele mesmo que a proferiu. Porém, a citação resume bem um dos conceitos do autor. Conhece-se a revolução da Ciência Moderna, que tem por Bacon seu pioneiro, o ápice do mecanicismo. O saber, para Francis, devia ser instrumental, favorecer ao homem, ou seja, devia prover e exercer poder sobre a natureza. Essa ideia é transferida com facilidade para o estudo que nossos jovens recebem nos dias de hoje, o conhecimento tornou-se muito voltado ao prático e pouco se valoriza matérias como sociologia e filosofia, que ficariam no campo abstrato. O conhecimento que, de certa forma, não forma mão de obra ou não é cientifico pouco importa.
No governo brasileiro atual, o presidente da república e o Ministério da Educação propuseram uma reforma no Ensino Médio, reforma essa que influenciará a educação como um todo no país. O principal ponto dessa reforma trata de uma nova divisão da base curricular, o conhecimento antes fracionado em matérias passará a se dividir em áreas do conhecimento: Humanidades, Ciências, Linguagem, Matemática e Curso Técnico.  
Então, percebe-se que o mecanicismo de Bacon e o Fracionamento de Descartes ainda se encontram presentes na nossa educação. Cada vez mais se preocupa em racionalizar e dividir o conhecimento, não há preocupação em formar um jovem em um universo único e completo, e sim, em formar uma mão de obra especializada em áreas.

Há muitas dúvidas em relação a esse tema, mas a principal delas é: a construção de uma geração nesses moldes educacionais favorece a quem? Com certeza não aos jovens do nosso país.

Luísa De Luca - 1 ano direito noturno

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