Total de visualizações de página

domingo, 13 de agosto de 2017

Aquela obrigação agradecida

      O pensamento positivista nasce de um contexto em que há a emergência de uma nova sociedade Industrial. E aquele surge como reflexo da angústia dos indivíduos até então trabalhadores das grandes indústrias. Com sua força sendo incansavelmente vendida por miséria, o proletariado se encontrava em uma situação precária quando surgiram hipóteses positivistas que pela primeira vez criam um método de programa social, que interessa aos da classe mais oprimida, o que traria uma evolução na força produtiva, pois assim os trabalhadores teriam estímulo e também uma melhor condição de vida para atuar em suas obrigações.

      Analisando o contexto atual com lentes da antiga perspectiva, ainda se perduram ideias de resgate social, como cotas, auxílios monetários para as famílias mais pobres e bolsas de estudo cedidas pelo Governo Federal. Assunto polêmico em que muitos se expressam criticando a ideia, dizendo que a meritocracia é o método mais justo de se avaliar as posições sociais. E que deve-se, somente disso, tirar toda a análise social. Em poucas palavras: Você passa fome porque você buscou isso.
Partindo-se inicialmente da ideia de que o governo “ajuda” a classe mais baixa: ajuda mesmo? Nada menos que a obrigação de um Estado buscar o bem social dos cidadãos que nele habitam. Ainda mais em um país com tanto rendimento monetário lucrativo, e que nunca se sabe, nunca se entende onde se concentra. Em um país onde juristas, políticos, senhores de grande referência recebem tanto, e uma família de quatro pessoas recebem míseros cem reais para sua alimentação de um programa chamado “Bolsa Família”.

    Cotas. Método lento de tentativa de reparação social. Sociedade tal ferida por séculos de escravidão, segregação racial e de classes. Algo extremamente necessário na comunidade brasileira, onde se têm a deixa de o Brasil ter sido o último país do mundo a se libertar do ato de escravização de afrodescendentes. Músicas atuais declaram a revolta de tal legado histórico que deixa suas cicatrizes expostas ainda hoje. Alguns trechos do compositor Emicida retratam minuciosamente, através de metáforas, a crise social ainda perdurada nas periferias, onde grande parte dos indivíduos são negros. “Arranca meu dente no alicate, mas não vou ser mascote de quem azeda marmita. Sou fogo no seu chicote, enquanto a opção for morte pra manter a ideia viva. ” “Ai dar mó treta quando disser que vi Deus, Ele era uma mulher preta. ” “Luta diária, fio da navalha. Marcas? Várias. Senzalas, cesáreas, cicatrizes, estrias, varizes, crises. ”


      Conclui-se logo que a tão defendida solidariedade não passa de mera obrigação do Estado de desenvolver perspectivas que melhorem a vida social e pessoal de todos os seus cidadãos e aos indivíduos de classe oprimida, é necessária a busca da revolta com a perspectiva atual brasileira, entendendo que as migalhas espalhadas pelos governantes é uma mera tentativa de alienar a comunidade, distribuindo o pão e circo, através de um projeto de ideal maravilhoso com o procedimento precário.

Izadora Barboza Maia - 1º ano Direito - Noturno 

Nenhum comentário:

Postar um comentário