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segunda-feira, 6 de abril de 2026

O lema incompleto: por que o Brasil deixou o amor de fora

 Quando a gente olha para a bandeira do Brasil e vê escrito “Ordem e Progresso”, parece algo totalmente neutro, quase óbvio. Mas pouca gente sabe que essa frase veio de uma ideia muito maior.

O lema é inspirado no pensamento do filósofo francês Auguste Comte, criador do positivismo. A frase original dele era: “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim.” Ou seja, na visão de Comte, o amor (entendido como solidariedade, empatia e preocupação com o coletivo) era o ponto de partida de tudo. A ordem organizaria a sociedade, e o progresso seria o resultado.

Mas quando o Brasil proclamou a República, em Proclamação da República no Brasil, os militares e intelectuais influenciados pelo positivismo escolheram adaptar o lema e decidiram deixar o “amor” de fora. Isso não foi por acaso... O novo regime queria passar uma imagem de racionalidade, controle e estabilidade. “Ordem” e “progresso” soavam mais objetivos, mais políticos, mais “científicos”. Já o “amor” era visto como algo subjetivo, emocional e pouco compatível com a ideia de um Estado forte e organizado.

No fundo, essa escolha diz muito sobre o projeto de país que estava sendo construído naquele momento: um Brasil que priorizava disciplina e desenvolvimento, mas que não necessariamente colocava o bem-estar social e a solidariedade no centro.

E aí surge uma reflexão: será que essa escolha ainda se reflete no Brasil de hoje?
Olhando para vários problemas atuais parece que a gente tem muita “ordem” no papel e uma busca constante por “progresso”, mas ainda falta justamente aquilo que ficou de fora: o “amor” como princípio.

Maria Luísa José Lucas - Direito noturno 1º ano. 

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