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domingo, 5 de abril de 2026

Ordem acima de tudo? Reflexões sobre positivismo e bolsonarismo

O positivismo — corrente filosófica desenvolvida por Auguste Comte, que propõe o estudo da sociedade por meio de métodos científicos e defende a ordem e sua manutenção como meio essencial para a obtenção do progresso — é uma doutrina que exerce influência na sociedade brasileira em diversas esferas, desde nossa bandeira, com o lema positivista “ordem e progresso”, até a atualidade com os diversos fenômenos políticos que comprovam a permanência de uma visão conservadora.

Nesse sentido, é possível perceber que a ideia de “ordem” continua sendo constantemente valorizada no cenário político brasileiro, muitas vezes colocada acima de qualquer debate mais profundo sobre justiça social ou desigualdade. O bolsonarismo aparece como um exemplo claro disso, ao reforçar discursos que priorizam a segurança, a autoridade e a estabilidade, mesmo que isso signifique ignorar conflitos sociais importantes.

A discussão sobre o bolsonarismo é pertinente porque permite observar, na prática, os efeitos de uma visão que privilegia a ordem como elemento central da organização social. Ao enfatizar a necessidade de controle, disciplina e estabilidade, esse fenômeno evidencia como a busca por “organização” pode acabar reduzindo o espaço para o conflito, que, longe de ser um problema, é parte fundamental das transformações sociais. Assim, mais do que uma simples comparação, o bolsonarismo funciona como um exemplo contemporâneo que ajuda a revelar os limites de uma lógica que entende o progresso a partir da contenção, e não da mudança.

O problema é que, quando a ordem passa a ser tratada como prioridade absoluta, o conflito social deixa de ser visto como parte da realidade e passa a ser encarado como algo que precisa ser eliminado. Com isso, em vez de promover mudanças, o que se tem é a manutenção de uma estrutura já desigual. O progresso, que para Comte depende da ordem, perde seu sentido quando essa ordem serve apenas para manter o que já está consolidado, acabando por legitimar desigualdades e limitar as possibilidades reais de transformação social.


Neutralidade ou Viés?

A ideia de pensar a sociedade como uma “física social”, proposta por Auguste Comte, aparece hoje em práticas que tratam os fenômenos sociais como dados objetivos, passíveis de medição e controle. Um exemplo disso é o uso de mapas de criminalidade e algoritmos para orientar o policiamento em grandes cidades. A partir de registros estatísticos, definem-se áreas consideradas mais perigosas, concentrando ali maior presença policial. À primeira vista, trata-se de uma aplicação direta do ideal positivista: identificar padrões e agir racionalmente para garantir ordem social.

No entanto, essa aparente neutralidade revela problemas quando observamos quem é mais afetado por essas políticas. Bairros periféricos e populações negras costumam ser mais vigiados, o que gera mais registros e reforça o ciclo que justifica ainda mais policiamento nesses locais. Os dados, portanto, não são neutros: refletem uma história de desigualdades e de controle seletivo. É nesse ponto que a reflexão de Grada Kilomba se torna fundamental. Ao questionar quem pode falar, ela mostra que essas populações aparecem como objeto de análise, mas raramente como sujeitos que produzem conhecimento sobre sua própria realidade.

Assim, enquanto gestores defendem decisões baseadas em “evidências”, moradores dessas regiões relatam experiências de violência e estigmatização que não são plenamente consideradas. O caso evidencia que a aplicação de uma lógica de “física social” pode ocultar relações de poder e silenciar vozes, transformando a promessa de neutralidade científica em um mecanismo que, na prática, contribui para a manutenção de desigualdades sociais.

 A educacção positivista

O sinal toca, tudo para 

Movimentação veloz 

Rapidamente, não se escuta nenhuma voz 

Alinhados de maneira perfeita e pensada 

 

Todos vestidos igualmente 

Como um coro homogêneo  

O estranhamento aparece diante do heterogêneo 

Os trajes, arrumados perfeitamente 

 

Inicia-se o hino nacional  

Há um semblante sério na multidão  

Com tom forte, cantam a canção  

Todos decoraram do início ao final  

 

Assim se materializa o pensamento positivista  

Idealizado por Comte durante o século XIX 

Para ele, a ciência é a única que desenvolve  

Ainda que esse modelo não seja inclusivista 

 

 

À primeira vista, pensa-se que é um batalhão espartano  

Porém, não se refere a um período antes de Cristo 

Avançamos dois mil anos a esse momento vivido 

Na verdade, trata-se de uma escola militar no tempo contemporâneo  


Phelipe Tarosso Maravilha - Direito 1o ano (noturno)

Entre a Física Social e o Lugar Obscuro: Uma análise de 'Corra!' através de Comte e Kilomba.

 

 O longa-metragem “Corra!” (2017), dirigido e produzido por Jordan Peele, é um filme de terror protagonizado por um jovem negro que, ao conhecer a família de sua namorada branca, se sente deslocado e com um pé atrás de que a família seja racista. Ao decorrer do filme, é descoberto que a família Armitage realiza procedimentos para transplante de cérebro de um comprador para o corpo da vítima e, antes do procedimento, é realizado uma preparação com a vítima em questão, a hipnose, como um meio para a dominá-las.

            A partir da obra, é possível observar e comparar não só as características do pensamento positivista, apresentados por Comte, como elementos presentes no livro “Memórias da Plantação: episódios de racismo cotidiano”, escrito por Grada Kilomba:

    • Comte define que na sociologia, onde fenômenos sociais são estudados e submetidos a “leis naturais invariáveis”, os fatos devem ser tratados como objetos de observação – sem críticas ou fascinação -, tal como no filme, onde a família Armitage percebe a população afro-americana somente como objetos biológicos, com fim de alcançar a imortalidade. Ademais, os Armitage creem estar promovendo um progresso científico através desses procedimentos, subestimando impasses éticos/metafísicos e superestimando uma eficiência tecnológica.
    • Kilomba descreve que a ideia de um sujeito negro como alguém inferior e desprovido de voz é construído pelo racismo e, na obra, é evidenciado pelo “Lugar Obscuro”, onde o protagonista está fisicamente presente, no entanto, possui sua consciência limitada ao conseguir apenas ver e ouvir, mas não falar ou agir, perdendo seu lugar de sujeito e transformando-se em uma espécie de objeto da branquitude, tal como é evidenciado na cena em que o protagonista é leiloado. O deslocamento social do protagonista deve-se à constante análise e julgamento de seu corpo, como se fosse um defeito presente em um espaço pertencente aos brancos; esse é um elemento também expressado por Kilomba, afirmando que enquanto os brancos sentem-se em casa, os negros são tidos como impróprios e fora do lugar, marcando situações de estranhamento.


    • Por fim, vale destacar que Comte defende que as observações frias e fatos sociais devem basear a ciência, enquanto Kilomba argumenta que essa “objetividade” se trata de um disfarce utilizado pelos brancos para validar seu próprio conhecimento e desqualificar a experiência do oprimido, julgando-a subjetiva e emocional. No longa-metragem, as cenas em que a doutora Missy Armitage (a mãe) utiliza das práticas de hipnose no protagonista, utilizando uma colher e uma xícara de chá, representam essa neutralidade opressiva, utilizando o conhecimento para dominá-lo, além de desqualificar sua experiência.

            Desse modo, “Corra!” possibilita a análise e o debate entre as variadas maneiras de enxergar a realidade, através da representação extrema da física social pela família Armitage, da conexão entre o filme e a crítica decolonial acerca da escassez de expressão da população negra e da associação da objetividade, defendida por Comte, com uma prática opressiva, criticada por Kilomba. Portanto, o filme acaba por revelar questões públicas envolvendo as estruturas de poder – o positivismo e o colonialismo – que continuam tentando objetificar pessoas.

- Catarina de Oliveira Fernandes – 1°ano Direito - matutino

A invasão Positivista no Modernismo Brasileiro

     Plínio Salgado fundou o manifesto modernista denominado Movimento Verde-Amarelo, nome positivista por si mesmo, ao remeter à bandeira do Brasil, cujo lema é Ordem e Progresso - O Amor por princípio, a Ordem por base, e o Progresso por fim, COMTE, Auguste (século XIX). Entretanto as semelhanças e alusões à teoria comteana vão muito além disso.

    Ao pensar que a principal característica da Primeira Geração Modernista estava relacionada com rupturas e inovações, tanto artísticas quanto no modo de pensar, é contraditório conceber a ideia de uma vertente interligada com o Positivismo de Comte, que prega a permanência e a não revolução, inclusive dos ditos "bons costumes".

    Plínio Salgado, tanto quanto esse movimento, é considerado o maior fascista fora da Europa da época, e o manifesto é o grande precursor do que viria a ser a Ação Integralista Brasileira. A AIB também possuía um lema que se relacionava com Comte: Deus, Pátria e Família. Mas como compreender a relação paradoxal entre a ruptura modernista com a prevalência positivista à luz do facismo? 

    O Manifesto Verde-Amarelismo se configura como uma mudança ao passo que São Paulo se encontrava em um cenário turbulento, com a industrialização ocorrendo de maneira avançada e desorganizada, diversos movimentos políticos buscando ascensão e lutando entre si pelo poder (como o Tenentismo). Dessa forma, embora ao pensar na Filosofia Positiva, faça surgir na mente uma repulsa por revolução, nesse caso ela se caracteriza pela permanência da originalidade nacional (SALGADO, Plínio).

     Ela se encontra justamente com a imposição fascista como forma de "concertar" o cenário político paulista confuso e "desorganizado". Um regime totalitário seria, aos moldes da AIB, a única solução para essas revoltas populares, colocando o Brasil de volta à Ordem e ao Progresso e permitindo assim, a criação de uma cultura nacionalista.

    Portanto, embora pareça contraditório e uma invasão ao Modernismo, esse manifesto é capaz de se enquadrar no movimento e dialogar com o Positivismo e ao mesmo tempo, ainda que com inspiração europeia por meio do fascismo, se enquadrar como nacionalista (ideal modernista da década de 1920).


Ana Clara Cestari Diniz

Direito 1° ano (2026) - matutino

Quando o avanço científico exclui a sociedade

“Ordem e Progresso”, lema escrito na bandeira brasileira, caracteriza o caráter político e ideológico nacional após a Proclamação da República. Sob essa perspectiva, essa máxima, oriunda da sociologia positivista de Auguste Comte, define como prioridade o racionalismo e o cientificismo acima de tudo - até mesmo em detrimento do coletivo. Nesse sentido, essa ótica, descrita como neutra e objetiva, na maioria das vezes acaba subjugando grupos minoritários, afetados pelas condições desiguais da sociedade brasileira. 

A respeito do supracitado, cabe citar a Revolta da Vacina como exemplo do autoritarismo positivista, em que a tecnocracia estabelece uma postura violenta perante aqueles considerados “ignorantes” por estarem alheios aos avanços científicos. Durante o período, os cidadãos - com medo do desconhecido - foram tratados de forma invasiva, sem diálogo, por serem considerados incapazes de compreender a importância da vacina. Desse modo, evidencia-se que o positivismo tem como marca a valorização da ciência em detrimento da população, tratada por essa ideologia como uma massa de ignorantes.

À luz do exposto, torna-se nítido que a lógica positivista, ao priorizar a ordem e a racionalidade técnica como fundamentos absolutos da organização social, mostra-se limitada e, na maioria das vezes, excludente. Ao desconsiderar as desigualdades estruturais e a multiplicidade de experiências individuais que compõem a sociedade brasileira. Dessa forma, essa perspectiva contribui para a marginalização de grupos já vulnerabilizados, reforçando relações de poder desiguais sob a justificativa do progresso. Assim, urge uma ciência mais plural e acolhedora, na qual o progresso não seja valorizado acima de tudo, de forma a excluir partes da população.


João Enrico Bottini

Direito - 1° ano (Noturno)


O positivismo e a manutenção de uma ordem desumanizadora


        O positivismo, corrente filosófica fundada pelo teórico Auguste Comte, surge imerso no contexto histórico denominado como “Era das revoluções”, período em que a Revolução Francesa e a Revolução Industrial ocorreram na Europa. Além disso, dentro do âmbito das ciências naturais, houve um progresso nos modos de pensar e de se fazer ciência. Assim, a lógica positivista surge como uma mistura de ambos os contextos apresentados, se tornando uma forma de interpretação científica da realidade social, ainda que com discordâncias acerca do caráter revolucionário pulsante no período. Mas será que entender relações sociais complexas por meio de uma base científica é uma lógica aceitável?

Na obra “Sociologia”, Comte discorre acerca da ideia da sociologia como a “ciência da crise”, explicitando que existem dois tipos de movimentos presentes nas sociedades. São eles: a desorganização, caracterizada por uma anarquia moral e política, e a reorganização, movimento entendido como o “estado social definitivo da espécie humana”, em que ocorre o desenvolvimento máximo dos âmbitos que regem a vida do homem. Além disso, a lógica positivista, uma vez construída a partir da base empírica que circunda as ciências naturais, valoriza o trabalho prático e concreto. Isso implica na aceitação dos lugares sociais pré-estabelecidos para os indivíduos dentro da sociedade, já que preza pela manutenção de uma ordem social focada em seguir deveres, e não em debater direitos.

Ao tomar como base essa perspectiva para a análise da sociedade atual, pode-se observar a discussão acerca da aprovação do projeto de lei 896/2023 pelo Senado, que tipificou a misoginia (o ódio e aversão à mulheres) como um crime de preconceito e discriminação. Enquanto a deputada Erika Hilton, por meio de suas redes sociais, comemorou a aprovação da medida como uma “vitória”, o deputado Nikolas Ferreira afirmou que o projeto de lei era uma “aberração”. Sob a ótica positivista, a atitude de Erika Hilton seria entendida como um movimento de desorganização, uma vez que é uma tentativa de ruptura com uma ordem social já estabelecida e que busca a garantia de direitos para a população feminina. Já a atitude de Nikolas Ferreira seria compreendida como um movimento de reorganização, uma vez que busca a manutenção de uma ordem social já incrustada na sociedade, que se sente ameaçada por movimentos “revolucionários” e emancipatórios.

Tendo em vista os pontos citados, pode-se inferir que o entendimento de relações sociais complexas por meio do positivismo não pode ser considerada uma lógica aceitável, pois tem fundamentos que buscam manter uma ordem social que inferioriza comunidades já desumanizadas.


Maria Clara Basile Fardin - Direito noturno (1º ano)


Positivismo e operações policiais

  O positivismo é uma corrente sociológica, a qual defende que seria possível estabelecer leis universais para as ciências humanas, ao introduzir critérios das ciências naturais, como a observação, experimentação e comparação, nos estudos sociais. Tais leis positivistas dizem que a sociedade precisa estar em ordem, isto é, estar estável e de acordo com a ética e costumes vigentes, para que o progresso ocorra - o qual seria o avanço técnico, científico, industrial e moral.

  Atualmente, uma grande operação policial ocorreu no Rio de Janeiro, com o objetivo de combater o crime organizado e prender integrantes dessa organização criminosa. Apesar da intervenção possuir a ideia de combater ações criminosas, inúmeros civis foram afetados, porque o lugar onde moram foi tomado por confrontos armados e muitos foram feridos. Esses indivíduos feridos foram atingidos até mesmo dentro de suas casas ou em escolas, em razão da intensa troca de tiros realizada. Isso levanta o questionamento de se o Estado está protegendo a população ou colocando-a em risco. Essa dúvida ocorre, pois muitos moradores dos lugares onde ocorreram essas operações - periferias e favelas - foram tratados como suspeitos automaticamente, e também, parte dos civis, saíram machucados desse episódio.

  Nesse sentido, se um positivista analisasse essa situação, ele diria que o Estado está correto em combater a desordem e agir em prol da estabilidade social. Ou seja, o positivismo traz uma visão prática e imediata da situação, de forma a focar, nesse caso , no combate do crime. Porém essa lógica não prioriza a causa, a qual necessita de uma investigação mais profunda e demorada, dessa ocorrência criminosa, que seria, em grande parte, a desigualdade e a falta de oportunidades.


  Portanto, as operações policiais no Rio de Janeiro podem ser consideradas uma tentativa de solução positivista ao crime organizado, tendo em vista a manutenção da ordem social. No entanto, esse acontecimento levanta debates sobre sua eficiência concreta, já que , apesar de essas operações ocorrerem, tais facções permanecem existindo , porque o que gera a existência delas não são combatidas. Além de que a vida de inúmeros civis são afetadas.


Gabriela Escavassini Palhares

1° ano de Direito Matutino


Progresso para quem?

    A sociedade atual é marcada por avanços científicos e tecnológicos e mudanças que ampliaram o acesso à informação, de forma que esses avanços são associados ao contexto de “população em progresso”. Em contrapartida, é necessário questionar como, no cenário atual de desenvolvimento, há inúmeros casos de desigualdade social. Em meio a essa realidade, surge a questão: o progresso, parte do lema da bandeira nacional e ponto crucial da teoria positiva defendida por muitos, realmente alcança todos ou ainda há parte da população brasileira sem acesso a direitos básicos? Diante da problemática, o que permanece é a dúvida de quem se beneficia com tais avanços, já que o mesmo é definido como um fenômeno coletivo.
    Segundo Comte, a sociedade deve ser organizada com base na ciência, na ordem e no progresso, assim, melhorando as condições de vida da população. No entanto, ao analisar a conjuntura atual, percebe-se um afastamento da realidade à teoria positivista, principalmente quando o desenvolvimento não ocorre de forma homogênea. Tal fato pode ser observado nas diferenças de acesso à educação, saúde e oportunidades de trabalho. Dessa forma, o progresso não se concretiza plenamente como previsto pelo positivismo.
    Assim, fica evidente que o positivismo é defendido, principalmente, por aqueles que usufruem dos benefícios da ordem e do progresso. Por outro lado, infelizmente, vê-se que a sociedade marcada por tantos desenvolvimentos é a mesma marcada por situações de vulnerabilidade e, mais do que avançar, é necessário garantir que esse avanço alcance toda a sociedade.

Ana Julia Generosa Gabriel Dionizio 
1º ano de Direito Matutino

A nova visão de mundo dissipada pelo positivismo

 O positivismo é uma linha de pensamento que foi desenvolvida pelo sociológico August Comte no pós-Revolução Francesa. Esse período na história foi marcado por grande instabilidade política e incertezas, o que foi propício para o autor elaborar uma nova linha de raciocínio, a qual pudesse, eventualmente, amenizar os problemas para o desenvolvimento do corpo social.

Em relação aos principais ideais positivistas é possível citar a cientificidade e o empirismo. O primeiro diz respeito ao uso de métodos e análises científicas para lidar com as problemáticas sociais. Isto é, a aplicação de meios racionais, que pudessem ser comprovados com base na razão seria algo necessário para se estabelecer um estudo concreto das questões que ocorrem em meio à sociedade. Já o segundo ponto principal do positivismo está pautado na interpretação da realidade social a partir das experiências. Dessa forma, sem se apoiar em convicções metafísicas ou irreais, o positivistas usaria de seus sentidos para tentar compreender e traçar um raciocínio acerca das eventualidades que acontecem no dia a dia dos sujeitos. 

Portanto, essa nova linha de pensamento, na época, veio para mudar certas idealizações que eram cultuadas. Comte colocou que para se alcançar o progresso, era necessário usar como base os dois pontos principais supracitados, tirando o foco para as questões metafísicas e teológicas. Logo, o positivismo trouxe para a humanidade uma nova forma de enxergar o mundo, a qual tem como princípio a razão e a comprovação, algo de extrema importância para se avaliar determinadas situações. No entanto, esse pensamento pode pecar no excesso de formalidade, deixando de lado realidades que devem ser analisadas de uma maneira mais subjetiva.

BEATRIZ ALEXANDRE ANDRADE

1 ANO DIREITO NOTURNO

Positivismo - Criação de leis que contrapõem a ordem social tradicional

    Nas últimas semanas, principalmente no ambiente digital, a criação de um projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo levantou um debate acalorado sobre as consequências desse PL para os homens. Os principais pontos da oposição a essa lei seriam a limitação da liberdade de expressão e prisões indevidas, apontando que as mulheres usariam de forma abusiva o projeto de lei para prejudicar a população masculina.  

    Observamos nos últimos anos o crescimento do discurso misógino e conservador, com o reacionarismo político para a manutenção da ordem social, utilizando a idealização de um passado contido e pacífico, a fim de frear as conquistas mínimas das minorias nesses anos. O conservadorismo atribui todos os problemas sociais e políticos a uma ordem política e defende que a volta “dos bons tempos” resolveria o cenário nacional.  

    O positivismo tem como pilar a ordenação social, podendo reprimir a população para preservá-la. Diante desse posicionamento, é possível associar essa oposição à nova norma citada anteriormente, pois esse projeto proibiria uma forma de repressão à população feminina, no caso, o discurso machista que impede a liberdade plena das mulheres na sociedade. Apesar da nocividade que a exposição de opiniões violentas às mulheres traz e do aumento de casos de crimes de ódio, esse positivismo estrutural no corpo social brasileiro ainda perpetua a falsa ideia de um estado de neutralidade e monotonia, o qual seria possível, por meio desse ordenamento idealizado anteriormente, no qual “ordem e progresso” são construídos em cima da morte de mulheres que sustentam o país ou suportam violências para um modelo social de família tradicional persistir. 

    Portanto, o positivismo ainda permanece na realidade brasileira, desconsiderando os cenários sociais, marginalizando minorias e realizando a manutenção de desigualdades para manter um progressismo que nunca foi direcionado à população vulnerável, mas sim à elite brasileira, deixando à margem aqueles que mais precisam de ajuda e apoio. 

Thamiris Custódio Fernandes - 1º ano/ Direito - Noturno