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sexta-feira, 3 de abril de 2026

A permanência do positivismo na sociedade contemporânea

O positivismo é uma corrente filosófica criada por Auguste Comte, no século XIX, que defende a ideia do empirismo para a construção do conhecimento científico, sendo que para ocorrer o progresso é necessária a ordem social. Tal filosofia permanece contemporâneo, pois nota-se a sua existência em discursos misóginos, racistas, xenofóbicos, que normalmente são levantados no sentido de tentar manter os valores sociais já estabelecidos, manter a “ordem”.

Ademais, no mês de março de 2026, a deputada Erika Hilton foi eleita como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, sendo ela a primeira mulher trans a ocupar essa cadeira. Em relação a essa situação, a pesquisa PoderData revelou que 74% dos participantes dessa pesquisa reprovam a presidência de Erika Hilton na Comissão da Mulher. Esse resultado demonstra a posição positivista da população brasileira, que seria a tentativa de manter a ordem, os costumes anteriormente estabelecidos

Além disso, a situação pode ser relacionada com a obra “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano” de Grada Kilomba, que coloca em questão qual seria o grupo que constrói o conhecimento científico, que tanto defende o positivismo, dessa maneira, chegando-se à conclusão de que aqueles que estão nessa posição são homens brancos, ou seja, aqueles que fogem dessas características irão ser questionados, como ocorreu com a Deputada.

Desse modo, o positivismo permanece presente na sociedade, fortalecendo discursos de ódio e invalidando discursos de pessoas consideradas não pertencentes ao campo científico, como acontece a todo momento com a Deputada Erika Hilton e demonstrado pela Kilomba, como justificativa da tentativa de manter a ordem, muitas vezes sendo levantada a própria bandeira do Brasil, que carrega o lema “ordem e progresso”, que condiz com esse movimento filosófico.


Estefani Mitsue Mashiba - Direito matutino

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