Total de visualizações de página

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Racionalismo cartesiano

Durante a Idade Média em algumas regiões da Europa Central, os projetos científicos eram barrados pelos dogmas católicos e a razão era sobreposta por crenças populares ou religiosas. Com o fim do monopólio intelectual da Igreja, predominou o racionalismo na produção de conhecimento, incialmente teorizado por René Descartes como método para praticar a Ciência e pouco mais tarde trabalhado por Francis Bacon. 
Para discussão que vou expor, vale ressaltar apenas algumas das principais características do racionalismo cartesiano, tais como a necessidade da razão, lógica e neutralidade (objetividade) para o desenvolvimento das ideias.  
Embora efetivo para resultados acadêmicos, o racionalismo nem sempre é a melhor opção para se lidar com algumas questões do dia a dia, que exigem subjetividade. Dessa forma, uma linha de produção, por exemplo, pode ser trabalhada pelo prisma do racionalismo cartesiano, mas a prática política para presidir um País não pode, dada a contingência e dinamicidade dos acontecimentos.  
Nessa mesma linha de pensamento, podemos notar algumas estruturas organizacionais em instituições brasileiras que também se tornam limitadas caso tenham como base tal racionalismo, como é o caso da forma como funcionam as escolas e universidades, no que tange à exposição de ensinamentos.  
Nessas instituições supramencionadas, existe uma hierarquia tanto entre as disciplinas lecionadas quanto na relação entre docente e discente. As disciplinas são rigidamente separadas e verticalizadas, enquanto a maneira de se exercer a docência nesse modelo deixa implícita a noção de que o professor é o detentor do conhecimento, enquanto os alunos são os que frequentam as aulas para sanar a ignorância, inexistindo teoricamente o espaço para o debate e a troca de ideias, o que na prática algumas vezes não acontece, quando o docente reconhece as limitações desse modelo e promove tais atividades.  

Texto: Do comportamento condicionado à criticidade do pensamento

Do comportamento condicionado à criticidade do pensamento

À luz das considerações de Descartes e de Bacon, a aquisição de conhecimento é oriunda da experimentação para o segundo, enquanto a razão pode ser alcançada a partir de um exame crítico e apurado da realidade circundante para o primeiro. No que tange à realidade, ela se perfaz a partir de construções que fazemos por intermédio de nossa interpretação quando descrevemos o estilo de vida de um povo; a realidade espelha a sua cultura. Esta “consiste no que seja que alguém tem de saber ou acreditar a fim de agir de uma forma aceita pelos seus membros” (GEERTZ, 2008, p.21). Desse modo, para não ser reprovado ou excluído por um grupo, o indivíduo pode reproduzir um comportamento nem sempre positivo ou ético, pois está condicionado pelo entorno, o qual inibe a sua criticidade. Com efeito, suas ações tornam-se automáticas e retratam um certo senso comum. 
Posto isso, ao se olhar para a sociedade brasileira, percebe-se que esta é resultante de uma amálgama de culturas, como a europeia, a africana e indígena, em que há preponderância da primeira em relação às demais. Dito de outra maneira, a sociedade brasileira herdou o pensar, a tradição europeia em alguns pontos quanto à supervalorização de um povo em detrimento do restante ou a supremacia de um modo de ver e interpretar a realidade do branco em oposição ao restante, subjugando-o.
Um clássico exemplo dessa dominação são os usos linguísticos que fazemos em nosso dia a dia e que, sem perceber, reproduzimos toda uma herança ideológica, imbuída em palavras ou expressões de teor racista, a saber: "denegrir", "judiar", "a situação ficou preta", "hoje é dia de branco", "serviço de nego". Elas expressam, em razão de sua carga cultural, uma visão preconceituosa e excludente. Muitas vezes, estão presentes no palavreado cotidiano da dona de casa, do pai de família, do patrão conservador, ou seja, presentes nos mais diversos setores componentes do tecido social.
É necessária uma análise crítica no sentido de refletir sobre a continuidade de tais hábitos sedimentados na sociedade, objetivando efetivar uma transformação por intermédio do questionamento e da problematização tanto das posturas quanto da realidade em si, a fim de se obter a verdade por um viés racional, ainda que isso implique a proscrição do indivíduo no interior do seu grupo. 
Vale dizer que a reprodução de um conduta discriminatória, no que concerne aos usos das palavras na interações diárias, é um modo significativo de cultivar e perpetuar os Ídolos da Caverna, como aponta Bacon, visto que estes nos impedem de alcançar o conhecimento real, despojando este de uma conotação etnocêntrica supremacista e hierarquizante no tocante àquilo que se refere a atribuir um julgamento de valor às  culturas.

Referências bibliográficas
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1989.

Luciana Molina Longati, Turma XXXIV, Direito - Noturno.

Evolução do saber

Descartes e Bacon foram grandes filósofos que revolucionaram o método do estudo, questionando a maneira  de se conhecer até então empregada, ambos sabiam como os homens admitiam os antigos conhecimentos como verdades, atribuindo a filosofia e as ciências um caráter absoluto e irrefutável.
Porém, tanto descartes e Bacon analisaram como determinados saberes ao serem questionados caem por terra, perceberam como o ser humano limita os seus pensamentos ao determinar certos conhecimentos como únicos e inquestionáveis, dessa maneira as ciências não evoluiriam da forma necessária.
Bacon ainda relata em sua obra como a medicina poderia ir além se não fosse a prepotência humana e a falta de habilidade em usar os utensílios corretos para análise do conhecimento, percebe-se também como semelhança de ambos a divisão do pensamento em partes menores, para que se questione incessantemente estas partes até que não hajam dúvidas, prosseguindo para um próximo nível da divisão feita, seguindo a linha de raciocionio da parte para o todo.
Este tipo de dialética é utilizado hoje nas escolas, como quando no fundamental aprende-se primeiro a somar e subtrair, depois a multiplicação e divisão, subsequentemente a potenciação. Mostrando como os conhecimentos evoluem por si só e são facilmente lecionados a crianças que mal saíram de seus berços.

 A matemática é uma ciência capaz de ilustrar de forma empírica os conhecimentos de forma útil, pois a evolução é clara e incontestável. Portanto, a revolução praticada por Bacon e Descartes é notável e ousada para os tempos e extremamente importante para as análises que são feitas em todas as ciências.




Alexandra de Souza Garcia, 1° ano direito, noturno.
Contesto-te, Professor !
Na última aula de sociologia, o Professor abordou dois pensadores clássicos do século XVII e os enalteceu por serem muito “atuais”.
O primeiro pensador, René Descartes, pelo pouco que lembro, é um racionalista: defende a razão como primado básico da pesquisa científica e para transformação do mundo. Qualquer coisa além disso é balela, sejam as nossas superstições, as nossas crenças religiosas, os nossos preconceitos, a nossa ideologia... Já o segundo pensador, Francis Bacon – de nome bem sugestivo, ainda mais quando você ainda não jantou – é um pensador que defende o uso da experiência para comprovação de teorias e fenômenos de qualquer natureza por meio de métodos indutivos. Também, descreveu com bastante riqueza os tipos “gurus” que fazem a nossa cabeça, aos quais atribuímos a explicação e solução de tudo que acontece mundo, os ídolos.
Contudo, é interessante notar que esses pensadores têm nada de atuais, afinal em nossa sociedade pós-moderna, “dita evoluída”,  o que impera é a imbecilidade do indivíduo, que não analisa  criticamente os diversos fatos do seu cotidiano, prefere terceirizar o pensamento a um “especialista” – nomeação dada aos ídolos do século XXI, de grande bagagem intelectual, os quais ministram suas aulas no YouTube, formados em futilidades ou “achismos” e pós-graduados em ódio e sensacionalismo – e tomá-lo como verdade, pois acha um incômodo raciocinar. Como se uma opinião ou conhecimento sobre algo fosse uma daquelas comidas baratas de fast food, fácil de achar e pronta para ser consumida; ficando saciado com a “verdade” engolida e farto de conhecimento suficiente para ir no Facebook e proclamar os ensaios da revolução cultural. E, diante de qualquer objeção, mesmo que uma criticazinha bem mixuruca, combate à moda jacobina digital os contrarrevolucionários : xingando-os, humilhando-os, plantando mentiras e por aí vai. É o que ocorre com os seguidores e militantes dos principais candidatos à Presidência da República: Jair Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva. Para você ver, caro leitor, como imbecilidade não tem ideologia.
Além disso, já que não querem pensar com a própria cabeça, não têm ao menos a curiosidade em descobrir as coisas tentando experimentá-las, sentido-as e formando juízo de valor com base na realidade vivida, o que engrandece a pessoa e faz abrir um leque de opções, antes preso a diversos preconceitos, dogmas. Mas não, preferem manter-se confinados na caverna vendo somente a imagem das sombras a ver a Luz. Questões como a legalização da maconha, a desmilitarização da polícia, a privatização das estatais são prontamente rechaçadas, sem que haja alguma experiência anterior que prove o sucesso dessas medidas ou não.
Portanto, discordo do meu Professor quando chama esses autores de “atuais”, pois denominá-los assim é equipará-los a toda sandice que governa nossos tempos, no qual o debate acerca das principais questões é raso, pobre e violento; não havendo razão alguma ou experiência vivida que o norteia, tendo apenas como “grandes referências” pessoas de baixa formação intelectual e que opinam com “achismos” ou paixões pessoais, mas como têm coragem – ou loucura – de falar a uma massa alienada, conseguem angariar milhões de seguidores. Como dizia o músico Renato Russo: “falam demais por não terem nada a dizer”.
Descartes, deve revirar-se no túmulo ao ouvir que é “atual”; Bacon provavelmente gostaria de ser fritado e servido para uma tribo de canibais.
O professor não é bobo, ele é “macaco velho” da Sociologia. Para dar essa opinião ele analisou com prudência e tem experiência.  Pensando bem, ele pode até ter razão... é que na verdade, esses pensadores são atuais,  e nós “sociedade evoluída” é que somos pré-históricos, vivendo nas cavernas e achando que a sombra da fogueira é a Luz do Sol, como contava Platão.

John R. Angelim Novais, 1º ano Direito - Noturno, 2017.







Razão e tempos de crise

No ato revolucionário de questionamento aos caminhos tomados para a obtenção do conhecimento científico e filosófico em voga na sua época, Descartes e Bacon propõem, cada um à sua maneira, novos rumos, centrados em métodos pautados pela razão e experiência. Buscava-se desta forma um conhecimento neutro, afastado dos ídolos e das convicções preestabelecidas do homem.

Na atualidade, em tempos de crise tal qual encontra-se o Brasil e diversos países ao redor do mundo, evoca-se de maneira banal os discursos destes pensadores para a defesa de certas ações a serem tomadas para a saída da crise. Em verdade, não são evocados em si os discursos ou seus verdadeiros sentidos buscados quando foram produzidos, ocorre em seu lugar um ato mal intencionado, no qual é apoderado um conjunto de conceitos de forte apelo para a legitimação de um discurso repleto de ideologia e com intenções nefastas.

O que foi dito acima se evidencia e pode ser observado claramente na ofensiva aos direitos do povo tomada pelo governo de Michel Temer, que oculta seus objetivos reais por meio da construção de um discurso que caracteriza seus atos como uma forma de uma ação neutra pautada em uma completa racionalidade, quando em verdade é permeada por uma ideologia neoliberal nefasta que na retirada de direitos dos trabalhadores objetiva tanto privilegiar a burguesia quanto fazer com que o povo pague pela crise, esta mesma crise que ironicamente foi gerada pela classe política e pela burguesia.

Leonardo Grigoleto Rosa - 1° ano Direto Noturno

Entre Gardner, Descartes e Matrix

  Martin Gardner, famoso matemático, escritor norte-americano e adepto ao ceticismo, quando perguntado se o incomodava que ele nunca saberia se realidade é verdadeira, ele responde: “Eu não me preocupo com esses grandes mistérios... Não consigo perceber o que está além de tais perguntas assim como meu gato não consegue entender o que está por trás dos sons que faço enquanto digito esse parágrafo.” Descartes, em contrapartida, na sua obra O Discurso do Método, revela sua busca pela realidade divulgando como fará para encontrá-la.
  Nossas únicas ferramentas para perceber o mundo são os nossos sentidos, no entanto estes são capazes de nos enganar. Em meio a dúvida há coisas que podemos saber através da razão, um conhecimento a priori, um exemplo seria dizer que um triângulo tem três lados. Descartes vai além desse pensamento afirmando que “as coisas que percebemos muito clara e distintamente são verdadeiras.” para ele, a razão é o caminho da verdade.
 A verdadeira régua que alça uma teoria ao status de verdade é a experiência empírica, a teoria Teocêntrica foi aceita por séculos porque foi capaz de explicar os fenômenos experimentados pelas pessoas na Terra. Com o avanço da ciência tal teoria deu lugar ao Heliocentrismo, pois, a teoria antiga passou a ser insuficiente para explicar o mundo.
  A maneira como percebemos esse mundo encontra um paralelo com o filme Matrix, que realiza uma reflexão sobre a realidade ao apresentar Neo o personagem que acredita na real existência do mundo a sua volta até aprender que está em uma realidade virtual, e que as regras do seu mundo são diferentes da que estava acostumado.

  Não podemos provar de forma concreta a existência das coisas a nossa volta, nos cabe indagar sobre a realidade e formular teorias para que possamos, quem sabe, ser reconhecido como a pessoa que pôde melhor explicar as coisas ao nosso redor do ponto de vista do restante da humanidade.

O Conhecimento de Anne 


A história da evolução humana é a trajetória do conhecimento consciente e da busca constante por atingi-lo. A conquista da erudição total foi, é e sempre será almejada socialmente,sendo concretizada em uma luta vã pela busca de humanizar-se sempre mais. Paradoxal, porém pertinente, que a chave do poder e a característica maior de nossa humanidade seja, por muitas vezes, tão aparentemente inatingível e momentaneamente improvável.
Início da década de 40, uma pequena casa holandesa abriga aquela que viria a ser a eterna voz-símbolo do holocausto. Seu universo limita-se a um quarto de 5 x 2 metros e a adversa Europa exterior é composta por medo e sangue. Não poderia existir cenário pior para o conhecimento. Não havia como libertar-se dos ídolos baconianos, o da caverna fazia-se a realidade cotidiana da jovem Anne e, logo, as conclusões advindas puramente da razão tornam-se intangíveis à realidade da judia. Conjuntamente, estabelece-se um panorama tão pouco propício à prática pura da dúvida metódica cartesiana e sua respectiva lógica. A razão pura, fria e calculista, prova-se como a inimiga exterior, o combustível intelectual dos nazistas genocidas. Entretanto, o mundo de Anne abre espaços para dar voz à experiência e ao inatismo. É assim, por meio de sua dura realidade diária e de seu senso de justiça, que  Frank procura o conhecimento de sua situação pessoal e étnica através da escrita e da leitura, proporcionando à humanidade uma das maiores análises sobre o mais importante conflito da era moderna.
O diário da púbere judia apresenta-se como a prova cabal de que o conhecimento real vai além não só do senso comum, mas também da razão. As conclusões de Anne Frank não são imparciais, mas fruto da certeza sobre a relevância do homem como pensador, fazendo com que sua obra vá muito além da mera descrição histórica e torne-se o relato do sentimento social vigente.
Diante de tal descrição, é plausível afirmar que a sistematização da racionalidade já proposta por diversos pensadores, como Bacon e Descartes, é relativa e não completamente essencial para a obtenção real do conhecimento. A teoria crítica dos ídolos de Bacon, por exemplo, ignorada por Anne, levou-a à percepções provavelmente consideradas pelo filósofo como “falsas”, mas indissociáveis ao microcosmo da garota. Entretanto, é possível perceber traços não exatos do método cartesiano nas análises situacionais do relato pessoal em questão, fazendo com que a autora elabore suas dúvidas e exponha seu dualismo psicofísico. Desse modo, por meio de tantos questionamentos, dúvidas e altos e baixos metodológicos, a escritora apresenta uma  certeza que se relaciona estreitamente com os objetivos de Descartes e Bacon e suas buscas pelos dogmas: a convicção de que o conhecimento é necessário e muitas vezes difícil de ser encontrado e demonstrado. “Nunca mais recuarei diante da verdade; pois quanto mais tardamos a dize-la; mais difícil torna-se aos outros ouvi-la” (Anne Frank, 2 de abril de 1943)

Lucas Correa Faim - 1° Ano Direito Noturno

Astrologia e o cientificismo moderno.

Me impressiona, e consequentemente ganhou atenção para debate, o absurdo aumento do interesse por Astrologia. De adolescentes aos novos adultos que iniciam suas carreiras acadêmicas e profissionais, é comum encontrar aqueles que pautam-se baseados nos astros e o significado dos signos do zodíaco. Percebe-se claramente a valorização dada aos signos quando torna-se comum entre certos grupos a apresentação individual ser incrementada com, em meio a dizer quais cursos e empregos se têm ou se deseja, juntamente dizer qual o próprio signo como definidor de personalidade.
            As discussões sobre mapa astral, o quanto o modo de agir de cada indivíduo combina com o próprio signo, significado de Casas, Ascendentes e Planetas sempre foi um assunto levemente cômico e desimportante para todos aqueles que não se interessam, e partilhando pessoalmente de tal desinteresse, o que me levou a discutir foi a dúvida do porquê crescer tanto o apego por esse e outros misticismos dentro de uma sociedade tecnocrata moderna.
            Com o grande avanço do cientificismo e a valoração de tudo que for dito como lógico e comprovado através de seus métodos, seja de forma racional através da linha cartesiana ou empiricamente com fundamentos no inglês Francis Bacon, sendo o cientificismo fundamental na construção de uma existência capitalista ao apoiar os avanços dos métodos produtivos em uma sociedade que passa a deslegitimar atitudes que não forem confirmadas como úteis e produtivas – daí advém-se por exemplo o descaso com as ciências dadas ao “pensar pelo pensar”, como algumas áreas específicas dos estudos ligados a humanidades – esperava-se o mundo culminando em um estado que renegasse tudo que for místico e não comprovado de forma linear clara. Inesperado foi encontrar o aumento do misticismo e de pseudo ciências que agem de formas não tradicionais e muitas vezes contrárias aos métodos científicos aclamados desde Descarte e Bacon, como a astrologia, a homeopatia e as crenças adaptadas e não bem definidas daqueles que não seguem estritamente uma religião e seus dogmas e nem abandonam completamente a crença no divino e sobrenatural com o ateísmo.

            Pensando e discutindo sobre, o que mais perto pude rapidamente concluir como causa para esse avanço foi ele ser uma possível resposta coletiva inconsciente ao cientificismo de nossos pais. Viu-se o mundo perecer pelas mortes causadas aos milhões pelos avanços bélicos da ciência moderna, e desacreditados tanto da fé irracional como do cientificismo imaculado de sentimentos, surgem esses pequenos surtos de misticismo entre os homens. Um meio termo que particularmente me lembra Aldous Huxley e seu universo criado em Admirável mundo novo, onde combina a ciência capitalista e uma religião industrial inventada em um futuro distópico, trazendo a dúvida se esse pode ser, com devidas proporções, o rumo para qual estamos caminhando.

Daniel Chaves Mota - 1º ano de Direito (noturno).

Sobre a neutralidade do pensamento racionalista

Descartes e Bacon foram importantes pensadores que inseriram na mentalidade europeia e posteriormente no mundo todo, importantes conceitos que revolucionariam o método científico, como o empirismo e o pensamento racionalista por meio da razão.
O pensamento mítico foi, dessa forma, progressivamente sendo substituído por toda uma ordem de pensamentos racionalizados a qual Max Weber chamou de “desencantamento do mundo”.Assim, o saber tornou-se muito valioso, conforme a máxima de Bacon “Saber é poder” e passou, contraditoriamente, a ser utilizado como forma de legitimar ideologias e mascarar outras visões de mundo menos prestigiadas.
Isso tornou-se perceptível, por exemplo, quando diversos governos de cunho neo liberal, a partir dos anos de 1980, ascenderam ao poder e implementaram medidas de austeridade com o intuito de combater os problemas financeiros da época. Mesmos apoiados no discurso econômico, baseado num método capaz de “tirar as contas do vermelho” e dinamizar a máquina estatal, estas medidas encontraram resistência por parte de membros da sociedade civil que levavam em conta somente a racionalidade de que eles seriam prejudicados caso acontecesse o corte dos programas sociais existentes até então.
Dessa forma, vê-se que o instrumental cientifico racionalista pode ser utilizado com o fim de mascarcar ideologias dentro da aparente neutralidade para favorecer à um determinado grupo.

Davi Pontes 1º ano Direito - Noturno

Um pouco mais que animais

A humanidade tem moldado e transformando matéria para sobreviver a tempos, e transformar a si mesma é de extrema importância, porquanto os grupos foram crescendo e se complicando a mesma medida, chegando em sociedades imensas como as que temos hoje, e para que haja um convívio razoável, com justiça, verdade nas relações de confiança; venda; troca, é necessário que nos tenhamos aquilo que nos torna mais do que animas o bom senso, a razão, a lógica, um conjunto de experiencias, memórias, reflexões, que nos fazem decidir de forma menos prejudicial. Portanto todos sendo portadores de razão podemos discernir o que é verdade, da mentira, pela visão, tato e os demais sentidos é possível compreender o mundo, mas esses sentidos podem ser enganados, significando que por possuir logica não significa que é verdade. Em muitos discursos e argumentos há presença de uma lógica muitas vezes inconsistente, já que essas lógicas estão equivocadas e sem dados certos. São só frutos de uma reflexão. Para que a humanidade avance, e os conhecimentos avancem precisa-se do bom senso, mas não foi só a razão, para que tudo isso aconteça instrumentos auxiliares se fizeram necessários, a razão por si só pode não chegar ao objeto real, do contrario seria impossível que humanos continuassem em progresso sem métodos e auxílios a logica, afinal a verdade dependia dessa fusão, com uma metodologia, uma estrutura mental, instrumentos mentais a sociedade e os discursos passam a ter muito mais consistência e peso, afinal essa fusão aproxima a verdade. Os debates saem dos erros que se perpetuaram só pela logica, das noções comuns, distantes do real, para uma argumentos reais, e que se pode ter mais confiança, que tendem a serem neutros e fruto de pesquisas, e estudos. Essa fusão cria uma nova linha de pensamento, um pensamento cientifico, em que as afirmações têm bases solidas. Uma nova época em que se descobre o real, e não se cria variações do que já existia como acontecia antes.
Lucas Luiz Cavalcanti 1ºANO DIREITO (diurno).

Dor

Seguindo seu caminho ia Javi. Com uma passada alta admirava em si mesmo o quão belo é ser. O ser em sua existência, em suas várias formas de expressar, mas o ser preso, claro, no seu próprio cogito. No passeio se depara, em uma loja, com uma televisão ligada em um discurso do Grande Irmão Disto Descartes, da linha sucessória do racionalista revolucionário que dera início ao Império da Razão. Desde que René Descartes, junto a Francis Bacon, havia exposto suas ideias, tornaram-se diarcas de um império que viria a ser uma monarquia com o golpe cartesiano por uma discussão em que Bacon falara que haviam eles se tornado a incorporação dos próprios ídolos. Mas voltemos ao nosso jovem Javi fitando o discurso de Disto Descartes. “Cogito ergo sum”, iniciara Disto num discurso que prolongou-se em racionalidades gloriosas acerca do ser, de como a ciência aproximava o homem à Deus e, “como o homem cada vez mais se tornava o próprio Deus.” ressaltava Disto, “digo-vos ainda...”, Javi iria ao êxtase não fosse a repentina interrupção causada pelo encerramento de expediente na loja, que carregou consigo toda a ciência profética idolatrável, possibilitando um furtivo vislumbre do Eu, nas imagens as quais se encarregaram de entreter Javi: seu próprio reflexo iluminado por teimosos fios de luz que fugiam da ordem das lâmpadas no poste. “Eu sou”, pensa, e por pensar nota que realmente é: e chega a máxima racional cartesiana. “Mas sempre fui?”, estava ai então o caos que trouxera aquele inocente reflexo: nunca precisou pensar na sua existência, não era necessário gastar tempo com contemplações uma vez que a urgência da atualidade tornava muito mais confortável trabalhar.

Gasta, então, alguns minutos ali, fitando-se: Como era belo! Cada traço de sua silhueta fora pensado por uma complexa equação cartesiana que o tornara perfeito para o específico e o geral, é o que escutara quando criança. Todavia, começa a notar imperfeições em seu físico que, logo, passam para sua personalidade e, de súbito, a beleza não está mais ali. Parou seu devaneio para limpar as lágrimas e quando reabre os olhos não se vê mais na tela. Readquirindo a razão volve para seu caminho racional, uma ultima tentativa de vislumbre na tela e vê o intragável: um indigente tirando suspiros de um violino. “Como ousa?” indignou-se Javi com ele “como pode, ao menos tocar em uma ferramenta da glorificação?”, ao que responde-o “como não ousar? Se é o que ainda me segura nessa existência.” diz o indigente à Javi, que continuaria a discução não fosse a chegada do ônibus que arranca o andarilho da vida do jovem deixando toda dúvida gerada naquele parto ilustrado.

Seguindo seu caminho vai Javi em questionamentos e contemplações com intermitentes repreensões sobre o quão danosas à Sociedade científica eram as dúvidas. Desvencilha da costumeira retidão para o lar e dá-se onde só o irracional o levaria: a queda d’água que levava o nome e o monumento de René Descartes. Deparando seu reflexo no bronze que esculpia a perfeição cartesiana, comete o crime de, mais uma vez, contemplar-se a si mesmo. “Penso logo existo”, sussurrava para seu “eu refletido”. Sentia pela primeira vez a brutalidade do resultado daquele pensar. Mas a inquietação que o indigente presenteara-o fazia aquela dor ainda mais insuportável: o que estaria o segurando nessa existência? Segue em direção da Catarata de Descartes, essa pequena cachoeira que carrega consigo a ironia do Império: “a cegueira da razão” riu ele da própria desgraça. E pega uma pedra no chão, e debuta a olhar para trás, e não vê nada além do gigante René Descartes de bronze, no qual Javi deposita sua esperança ao jogar a derradeira pedra. Dessa vez Davi não venceria Golias, essa era a realidade. E torna a olhar para a queda da Catarata e, no auge de sua irracionalidade bem pensada, finda seu sofrimento ao juntar seu sangue com a água. Ao que lembra Javi, havia se esquecido de tomar as pílulas anti-realidade.


Vinícius Henrique O. Borges, 1º Ano Direito (Noturno), UNESP FRANCA

Do senso comum e do racional na ciência atual

 O senso comum pode ser descrito como um comportamento que emerge da experiencia coletiva, e está associada as suas crenças, por vezes infundadas sob um ponto de vista da lógica cartesiana.
 Já o senso racional seria o obtido através do pensamento racional, com a análise das experiências individuais, sua organização e possibilidade de repetição. Este ultimo item não encontra contrapartida no senso comum: por exemplo, certo fenomeno poderia ocorrer apenas uma ou um número ínfimo de vezes, nao encontrando correspondência com a realidade e poderia ser considerado verdade no senso comum.
 Durante os dias atuais, a enxurrada de informação a que somos submetidos de forma não-linear (vide feed das redes sociais), a facilidade e a especificidade que é possível se obter em determinado assunto (criando experts sobre algo em cinco minutos) e, paralelamente, a grande quantidade de informações não verídicas observada nos meios de comunicação, com a especialização de alguns escritores na produção de notícias falsas e manipuladoras, tem possibilitado o surgimento de um fenômeno interessante de formação de um senso comum com a aparência de senso racional. Ocorre, nessa formação, o emprego de erros lógicos na formulação das perguntas e respostas obtidas, a desconsideração de ferramentas da análise estatística para validação de determinado fenômeno, chegando até a utilização de crenças como forma de explicaçao dos fenômenos.
 Atualmente, nem mesmo as pessoas que se dedicam a estudar um determinado assunto, ou  cientistas. estão livres desse mal. Em um mundo utópico, todos os temas de pesquisa deveriam ser valorizadas igualmente. Porém, as pesquisas científicas necessitam, via de regra, de fundos. Esses fundos são provenientes de agências de fomento, ligados ao governo. Assim, há maior dificuldade que uma linha de pesquisa que nao corresponda aos ineressses do estado tenha recursos e resultados que uma pesquisa de maior interesse, havendo, então, um direcionamento dos recursos e temas que acaba por causar diferentes padrões de qualidade entre os temas estudados.
 Essse direcionamento é agravado pelo comportamento intrinseco dos pesquisadores, que precisam cumprir metas numéricas sob a forma de artigos, congressos, orientações, (cabe lembrar que salami science se encaixaria nesse ponto, visando a inflar os números de artigos) e o misturam com itens de seu credo, como, por exemplo, a justificativa da organização excessiva de seu trabalho com base em critérios astrológicos.


Aviso: imagem meramente ilustrativa

(Imagem minimamente relacionada com o conteúdo abordado,
criada para suscitar questionamentos sobre a organização científica atual)



GUILHERME MINORU HOTTA
1o ANO DIREITO NOTURNO
O RACIONALISMO EM EXCESSO

René Descartes e Francis Bacon são os precursores da ciência moderna. O primeiro baseia seu novo método científico na dúvida constante, enquanto o segundo utiliza-se da experiência para obter resultados válidos. É fato que suas ideias tiveram muito mais voz séculos depois de suas publicações, e que atualmente vivemos o auge do socialismo moderno.Todavia, esse racionalismo em excesso foi sempre benéfico para a sociedade?
Durante o século XX o mundo assistiu a ascensão dos regimes totalitários(Alemanha Nazista e União Soviética) e de incontáveis regimes despóticos. As ideologias que permeavam o plano de governo de vários partidos, como o antissemitismo e o racismo, serviram de legitimação para inúmeras atrocidades perpetuadas durante esse período. Essas teorias foram desenvolvidas e justificadas com base em um falso racionalismo de seus autores, os quais não se livraram de seus ídolos para confeccioná-las. No caso do antissemitismo a falsa percepção foi resultado, principalmente, do ídolo do teatro, o qual criou representações teatralizadas e impregnadas de equívocos e superstições.
Desse modo, podemos concluir que o racionalismo em excesso não foi totalmente benéfico para a sociedade, resultando em uma das maiores tragédias da humanidade, o Holocausto. Essa já era uma crítica feita por um dos maiores filósofos do século XX,  Karl Popper. Atualmente, é necessário extrema cautela com o racionalismo exacerbado, já quem em tempos de crises é comum o ressurgimento ou aparecimento de teorias fantasiosas, as quais podem prejudicar a sociedade de uma maneira incalculável.

ANTONIO RICARDO CARNEIRO FILHO- 1 ANO DIREITO NOTURNO.

Os Pais Fundadores

Tempos de escuridão se passaram
Período onde as trevas reinaram
Quando um movimento propôs mudança
Provendo ao mundo mais esperança


Duas correntes aparentemente rivais
Estimulam o pensamento de forma sagaz
Racionalismo e Empirismo, como escolher? 
Mesclar os dois para melhor proceder


O futuro sempre incerto, desperta medo
Sem usar a razão, bate o desespero
Mas a experiência merece um apreço
Unindo as duas para um novo começo



Séculos se foram e a ciência avançou
Desde seus pais, imensamente mudou
Muito se diz sobre o quão bem estamos
Seria esse o fim que almejamos?

Manollo Sedano de Oliveira - 1ºAno Direito Noturno

A Traição das Visões


"Isto não é um cachimbo".
Foi o necessário para desafiar a percepção geral e plantar uma dúvida na cabeça de milhares de pessoas, entrando para a História como um marco da arte moderna. Apesar de surrealista, uso-me d'A Traição das Imagens do pintor René Magritte para discutir sobre a razão - ressaltando, assim, o caráter paradoxal da obra. Transitando de um René para outro, Magritte e Descartes passam a mesma mensagem: a de questionar tudo, mesmo aquilo que temos como verdades absolutas.
Descartes em O Discurso do Método defende que, em relação aos costumes, os homens possuem o hábito de aceitar opiniões vagas e pouco palpáveis como verdade absoluta, tendo portando sua visão modificada por seu passado cultural. É como se nossas culturas, convicções, crenças e costumes fossem diferentes óculos escuros, os quais aprendemos a colocar e enxergar apenas através de suas lentes desde muito cedo. Com Descartes, aprendemos que não só as imagens são traidoras, os óculos também o são, e somos ensinados a tirá-los e experimentar ver um mundo livre de qualquer pré-conceito, através do processo de remoção que consiste em não acreditar em tudo o que possa gerar uma dúvida, mesmo que mínima.
Francis Bacon também alerta para os perigos da visão parcial ao expor os diferentes tipos de ídolos e suas influências nos mais diversos aspectos da vida das pessoas, contribuindo assim para fomentar um dos principais pilares da Ciência Moderna: a neutralidade como única lente através da qual de pode enxergar a a verdade absoluta e inquestionável.
Portanto, o que um estudioso francês, um barão inglês e um pintor belga deixam de legado à humanidade? A percepção de que o que você vê nem sempre é verdade, e muito menos um cachimbo.

Lara Estrela Balbo Silva
1º ano - Direito - Noturno

A libertação da humanidade por meio da ciência

Descartes e Bacon são precursores do que hoje conhecemos como as bases da ciência moderna. O método científico criado por eles valoriza a racionalidade e a experiência, procurando a libertação dos dogmas religiosos, das crenças supersticiosas, inserindo o homem à frente das decisões, a racionalidade humana como guia dela mesma.
O contexto histórico no qual Descartes e Bacon criam suas teorias coincide com a ascensão da burguesia. Nesse período ocorrem grandes evoluções científicas, como observa-se na Revolução Industrial, a ciência passa a ter um papel transformador, revolucionando os meios de produção, e assim a estrutura social e econômica mundial. Aqui uma de suas principais críticas aos filósofos da antiguidade, que se limitavam a observar a natureza, se concretiza, pois a ciência se efetiva como agente transformador da civilização humana.
Entretanto, toda essa evolução humana na ciência ainda não conseguiu a libertação total das influências religiosas, mágicas e sobrenaturais. Apesar da hipermodernidade alcançada pelo homem, ainda é recorrente a crença em inverdades científicas, o saber supersticioso é muitas vezes colocado acima do científico. Um caso explícito dessa influência é a dificuldade em se legalizar o aborto em países subdesenvolvidos, como o Brasil, onde instituições religiosas intervêm ativamente nos debates políticos, desviando o Estado de sua laicidade e prejudicando assim a população.
Ainda como exemplo da dificuldade de se afastar das superstições e inverdades científicas há em Bacon, os chamados falsos ídolos. Eles são, para ele, falsas percepções da realidade, sendo quatro categorias que servem para doutrinar a humanidade e interferir em suas paixões, sentidos, educação, comércio, relações pessoas e sociais, magia, astrologia. Destarte, há ainda um longo caminho a ser percorrido pela humanidade até alcançar os ideias científicos estabelecidos por Descartes e Bacon, rumo a libertação do homem.


Bárbara Marques dos Santos 1°ano Direito Noturno

Naturalização da história

Expondo bases epistemológicas da ciência moderna, René Descartes discorre em ''Discurso do Método'' a valorização da racionalidade e da experiência como forma de libertação e superação de opressões, dogmas e superstições que regem a sociedade. Dessa forma, objetivando o método científico a ser orientado pela razão, pela dúvida e pela clareza dos fatos. Francis Bacon, por sua vez, em ''Novo Instrumento'' explicita a importância da observação concreta para a produção de conhecimento racional. Contra a limitação da ciência como observação da natureza e a filosofia tradicional, se opõe ao senso comum e aos ídolos (falsas percepções do mundo). Sendo assim, alto crítico da antiga filosofia grega, que apenas concebia o mundo à volta.
Ao considerar tais estudos, pode-se relacionar com o conceito de Pierre Bourdieu chamado- naturalização da história- fatos sociais bons ou ruins que se tornam verdade para todos. Visto que, na atualidade, convicções como a xenofobia, a homofobia, o racismo e o machismo são enraizados na sociedade e comumente praticados como algo banal. Ideais frutos de culturas inteiras que nascem com os indivíduos e, insuficientemente criticados, distanciam sua desconstrução e perpetuam sua incidência.
Assim, as constatações de Descartes e Bacon se fazem a base para vencer as próprias convicções e chegar a verdade científica. Com as transformações e superações necessárias, a neutralidade e o criticismo se darão realidade, resultando no conhecimento das ciências sociais e da representação do homem, concomitantemente, do mundo.


Maria Helena Gill Kossoski
1ºano de direito- Diurno 

A Razão na Terra-Média


A história d’O Senhos Aneis é narrada sob a perspectiva de Frodo Bolseiro, um hobbit do Condado, entretando Frodo, assim como seu tio Bilbo fora, foi altamente influenciado pelas ideias de Gandalf, sem constestá-las e tomando-as como verdade absoluta.
Contudo, Gandalf, na verdade, era um conservador, que ia contra o desenvolvimento da científico na Terra-Média. Na medida em que a sociedade Uruk-Hai, se desenvolvia, em Isengard, em torno da racionalidade, do pensamento neutro e da ciência como forma de intervenção, liderados por Saruman, que seguia a linha de raciocínio dos magos Descartes e Bacon. Essa nova sociedade já desenvolvia uma indústria própria, aprimorava em todos os aspectos as qualidades de sua população, a um baixo custo de se queimar poucos hectares da floresta de Fangorn.
Contrário a esse desenvolvimento racional e à universalização, Gandalf, além de convocar o conselho dos Ents, o grupo mais conservador da Terra-Média, para destruir Isengard, ainda traz um novo ídolo, Aragorn, cujo objetivo influenciar e subverter o pensamento dos homens.
Outrossim, o reino de Rohan, que, em princípio, estava aliado a Isengard, tendo acordado um tratado de livre circulação de pessoas, não conseguiu escapar das garras de Gandalf, que retirou a razão de Theóden e, com ajuda das cavaleiros de Éomer, destrói o exército Uruk-Hai que fora convocado para salvar o reino aliado.
Dessa forma, enquanto as forças de Sauron e Saruman buscam o Um Anel, que simboliza, a razão, a busca da verdade e da universalização; Gandalf faz de tudo para destruí-lo e ao conseguir, impede o desenvolvimento da Terra-Média. Assim, sob dominio de Aragorn, inicia-se uma era de convicções e sem questionamentos, são tempos sombrios em Endor.

Renan Jorge Neves
1º ano - Direito - Noturno

A História Coloca o Racionalismo em Cheque

A visão cientificista que coloca aspectos como a razão, o método e a experiência como os guias mestres da humanidade e de sua conduta, foi tendo uma consolidação avassaladora desde sua concepção embrionária com pensadores como Descartes e Bacon até a virada do milênio. As revoluções industriais que dinamizaram não só os meios de produção, mas também a vida agora urbana em algo programático e mensurável em diversos aspectos, atrelada com a consolidação do neoliberalismo deram a sensação de uma segurança e estabilidade conquistada e imutável. Não só a religião, mas tudo o que remete ao subjetivo foi deixado em segundo plano, no que parecia a vitória final do realismo e o naturalismo sobre o barroco e o romantismo, ou até mesmo o fim da história como alegava Francis Fukuyama no final do século XX.

Porém, assim como o otimismo da Belle Époque rapidamente deu lugar ao sentimento de pessimismo do Fin de Siècle, nos últimos tempos as idéias que derivam do racionalismo mostram que não estavam tão consolidadas como se pensava. O neoliberalismo que se colocava como a expressão econômica e política perfeita destas idéias, sendo o sistema mundial vigente, sofre duros impactos que podem ser observados com a eleição de Trump nos EUA, o Brexit no Reino Unido, a votação expressiva de Le Pen na França e as crises políticas na periferia do capitalismo. Estes são reflexos políticos que indicam os sentidos e as paixões, como o medo e a insegurança fortemente aflorados com a crise econômica de 2008 e os atentados terroristas cada vez mais constantes enquanto o ISIS ganha território no oriente médio, como atores da história que parece muito longe do seu fim.

Eduardo Augusto de Moura Souza
1° Direito Noturno


Durante o período moderno, uma ideologia que prezava a razão e a experiência foi difundida e causou, consequentemente, uma mudança paradigmática da ciência, baseando essa no discurso do método, o qual foi desenvolvido por Bacon e Descartes.
Partindo dessa racionalidade e da necessidade de experiência que passou a reger a sociedade e a nova função do conhecimento, a ciência passou a criticar a forma e o uso do pensar. O conhecimento, agora, precisava ser neutro, portanto, não deveria ser influenciado por sentimentos, mas sim pela razão e, com isso, a filosofia passou a ser criticada, pois o simples fato de pensar não poderia trazer retorno à sociedade nem proporcionar a melhora na condição humana.
O pensar deve ter, portanto, utilidade. O ato de pensar foi transformado, pela conjuntura econômica e pela influencia da racionalidade, em mercadoria. O discurso do método, então, difundiu a ideia de que a ciência deve ser usada como intervenção e que devia ser voltada para a utilidade pública. A partir disso, o saber passou a ser produzido com fins a serem revertidos à sociedade.
A dinâmica da sociedade atual se desenvolveu, portanto, baseada no racionalismo e na necessidade de produção intelectual e material para manter a ordem econômica vigente.
A sociedade espera um retorno e uma inovação sempre maior, e isso gera um sentimento de competitividade, onde os homens buscam, cada vez mais, destacar-se nos meios em que estão inseridos e atender as expectativas que neles são colocadas, seja pela família, nos locais de ensino ou de trabalho.
 O homem contemporâneo foi induzido pela forma que se alicerçou e desenvolveu a sociedade moderna a empreender e criar, a partir do trabalho da mente. Toda a ação, atitude e pensamento exercido pelo homem deve ter uma função que é revertida para a produção, a qual manter o funcionamento atual do mundo.
A crítica feita ao pensar por pensar baseada no discurso do método, na busca pela universalização e na produção para a utilidade pública, induziu o mundo a criar a dinâmica que hoje possui, ou seja, um cenário onde a produção do saber, feita com base no racionalismo, é revertida ao funcionamento da sociedade e usada para buscar uma elevação nessa e destaque do homem no meio em que se insere.

 Heloisa Borges Nepomuceno- 1º ano Direito Noturno

Metamorfose Ambulante



Em busca da verdade decidiu criar
René Descartes a razão guiou
Um procedimento para a mente clarear
E o senso-comum, seu fim almejou

Iniciando pela negação
E pela dúvida como princípio      
O filosofo entrou em ação
Mandando os ídolos ao precipício

Convertendo várias opiniões
E curando a mente de forma triunfante
Vencendo as próprias convicções
Tornando-se uma metamorfose ambulante

Lembrou ainda a ciência
Qual seu principal elemento
Suprir dos homens a carência
Acabando com seu sofrimento 

Aluisio Ribeiro Ferreira Filho - 1° Ano Direito Diurno