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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Utopia hoje, carne e osso amanhã.

O racionalismo predominante na ciência moderna surgiu com as ideias de Descartes, que, seguido de muitos outros filósofos, como Francis Bacon, revolucionaram ao contrariar a antiga ciência, proveniente do pensamento grego, e também os padrões da igreja Católica e assim estabelecer novos moldes de pensamento, esses vigentes atualmente.
Essa forma de pensamento trouxe, certamente, muitos avanços relacionados as ciências exatas, como no ramo tecnológico, haja visto que, a ciência moderna além de ser totalmente sistematizada, busca também simplificar ao máximo o complexo a ser estudado, para facilitar sua determinação. Contudo, essa ciência, quando vinculada as ciências sociais, acaba por deixar muitas lacunas no conhecimento, como Max Weber escreveu, a generalização do objeto de estudo no campo da sociologia ao gerar o "tipo ideal" ignora que não existem tipos ideais e a realidade é muito complexa e profunda para ser sintetizada tão drasticamente, portanto qualquer conclusão gerada a partir dessa é superficial.
Temos como exemplo do tipo ideal de Weber a própria democracia, que é o sistema político que predomina de diversas formas no mundo e não passa de um tipo ideal, muito dos seus valores, como os de liberdade e igualdade, previstos pelo sistema democrático, de fato não existem, e o próprio sistema não funciona como foi suposto fato esse facilmente exemplificado pela situação política brasileira com a crise do sistema judiciário e o vigente presidencialismo de coalizão. Tal exemplo se insere na atual crise do paradigma da modernidade, onde o pensamento científico e filosófico contemporâneo se mostra vago e ilimitado ao sistema racional, quando tipos ideais se mostram desvendados por conflitos reais que o perpassam.
Fica evidente que, assim como na época em que Descartes viveu a ciência vigente não contemplava mais as necessidades da sociedade, na contemporaneidade, a ciência moderna vem deixando, cada vez mais, de contemplar, principalmente nos ramos das ciências sociais, a realidade e suas novas demandas. Portanto, há a necessidade de se forjar uma nova ciência, essa necessariamente, com maior amplitude, admitindo e analisando a vasta gama de variações existentes dos atuais "tipos ideais'' para assim desenvolvermos maiores avanços nas ciências sociais, tanto quanto a tecnologia e as ciências exatas puderam avançar com a ciência moderna. Assim como foi para Descartes e como escreveu o romancista Vitor Hugo, utopia hoje, carne e osso amanhã.

Catherine R. Loricchio - 1° Ano- Diurno

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