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domingo, 6 de agosto de 2017

Religião e ciência: breve esboço de sua miscibilidade na ciência moderna e na contemporânea

            Nas salas de aula, sejam elas de ensino fundamental, médio ou superior, é latente o incômodo provocado nos estudantes quando é apresentado a eles determinado pensador, cientista ou pesquisador que introduz algum elemento metafísico àquilo que produz na vida acadêmica. Existe uma ideia momentânea e inconsciente nas pessoas em geral, ou seja, um senso comum, de que a erudição e o conhecimento exclui a crença em certa divindade, restringindo-a apenas ao âmbito pessoal ou nem isso, considerando ciência e religião imiscíveis.
            Francis Bacon e René Descartes são pensadores que formaram a base epistemológica da ciência moderna e que inseriram Deus em suas teorias. O primeiro teorizava que as reais intensões divinas eram expostas pela verdadeira ciência, sendo ela a marca do Criador sobre os indivíduos; enquanto o pensamento cartesiano considera Deus seu referencial último, como um “ser perfeito” que se aproxima do homem quando o mesmo faz ciência. Era importante para Descartes e Bacon a presença de Deus em seu pensamento: eles foram os primeiros a reflexionar uma ciência baseada estritamente na razão e diferente de tudo o que já havia sido proposto anteriormente, pois procuravam um saber prático. Era difícil para eles desvencilharem-se do elemento do divino criador, ainda mais em uma sociedade tão marcada pela religião cristã como a do século XVII. É notável em seus pensamentos que os mesmos não queriam abandonar as suas crenças e negar aquilo que devotavam e, seguindo um caminho racional, inseriram o elemento divino em seu raciocínio.
            A humanidade, em todas as suas fases, utiliza a crença em algo superior e transcendental para explicar aquilo que não lhe é cabível de entendimento. Isso ocorreu, bem como ainda ocorre, devido à ausência de determinado conhecimento e de instrumentos necessários para aprender a física, a química, a biologia e a matemática do objeto intrigante ao indivíduo. O homem, a fim de conhecer o mundo que o cercava e os fenômenos que o mesmo presenciava, começou um intenso questionamento que o levou ao atual estágio científico e de conhecimento. A dúvida, considerada por Descartes como o princípio fundamental do novo método científico proposto por ele, foi o motor da lucidez e as explicações dogmáticas da religião foram sendo desconsideradas cada vez mais.
            Faz-se necessário ressaltar que não é porque determinada percepção foi construída com base em um preceito religioso que a mesma não é racional, pois, assim como o método científico, houve uma linha de pensamento para atingir uma conclusão.

O que explica o afastamento do homem atual dos elementos religiosos? Seria isso resultado da crescente ausência de cientistas devotos a determinada religião desde os precursores Bacon e Descartes, um caminho natural que o ser humano percorreria quando passasse a conhecer mais a natureza e o universo que o cerca ou um afastamento de seus costumes e tradições por achar que o academicismo e a ciência não combinam com os mesmos e etc.? São questões que geram uma extensa discussão com dúvidas crescentes e sem um veredito final, mas que são de suma importância para compreendermos quem é o ser humano. 

Yasmin Fernandes Soares da Silva - 1º ano Direito [matutino]

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