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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ídolos e razão: o embate paradoxal da razão na contemporaneidade

O século XXI vem sendo caracterizado como um século de mudanças profundas e significativas, portador de uma realidade ímpar. Isto é, a humanidade vive um período em que as mudanças ocorrem em velocidade ultrassônica, ontem os computadores ocupavam salas inteiras, hoje cabem no bolso, portanto ao homem contemporâneo cabe adaptar-se ao seu tempo, mudar junto a ele, empreender, ou seja, utilizar a razão para construir e solidificar algo novo e único. Aos indivíduos é cobrado o uso da razão e do senso, a dupla que Descartes considera único fator que distingue os homens dos animais, mas como fazê-lo de maneira válida em meio a tantos ídolos, bloqueadores da razão, como apresenta Francis Bacon, criados pelo próprio capital, um dos principais símbolos regentes da atualidade? Uma questão no mínimo paradoxal que norteia a vivência no século recém inaugurado.
A resposta aparenta estar na própria proposta de Bacon, o “Novo Método”, em que o pensador propõe o empirismo como meio de busca pelo conhecimento, como um uso válido da razão, uma vez que a razão por si só pode levar ao engano, a deduções falsas ou genéricas, justamente a falha que o inglês aponta no pensamento grego clássico. O olhar mais de perto conecta a razão com a realidade, resultando em respostas e análises mais profundas e verdadeiras desta, fazendo com que a ciência passe a ser útil à construção da sociedade, em um ponto de convergência com Descartes. A exemplo disso, tem-se o Direito Moderno pautado em uma ética do ponto de vista do funcionamento social, formatado por seus estudiosos e aplicadores que o transformam guiados pela sociedade a qual se aplica e razão, apresentando uma filosofia restitutiva e objetivando manter a ordem vigente para o bom funcionamento do sistema, finalidade exposta anteriormente.
Entretanto, não basta tais proposições, o uso da razão, o fazer ciência, é ainda refém dos ídolos, o intelecto humano recebe influência das emoções e das vontades, podendo criar a ciência que se deseja, o que constitui uma ameaça ao verdadeiro saber. Depreende-se daí a concepção de Descartes de que a diversidade do conhecimento se origina devido a divergência de pensamentos e diferentes coisas a se considerar, construindo um saber humano plural. Portanto, cabe ao homem, empreendedor, afastar-se de seus ídolos e aproximar razão e realidade para fazer a boa ciência, resolver o paradoxo em que a atualidade o colocou.

Felipe Cardoso Scandiuzzi - 1ª ano - Direito Matutino  

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