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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

FILOSOFIA POSITIVA E A CONFORMAÇÃO POLÍTICO-SOCIAL BRASILEIRA

   Propõe-se à reflexão: até que ponto a influência da filosofia positiva perfaz as diretrizes sócio-políticas do Brasil. Sabe-se que a filosofia positiva engendra uma apreciação da realidade em que se vislumbra uma evolução social na qual o ápice estaria na constância de uma ordem técnica e racionalista desvencilhada de superstições e quaisquer noções metafísicas da realidade. Lamentavelmente, apesar da justificação ideológica em prol do progresso e das benesses de sua “utopia racionalista”, é difícil crer que o positivismo tenha tido apenas influência profícua na construção do Brasil.
    Essa que é chamada uma teoria da física social identifica-se em diversos pontos da história republicana brasileira. Primeiramente, no governo Vargas que tinha por fundamental o desenvolvimento nacional a partir de uma visão técnica em que se lapidaria o homem brasileiro. Igualmente, os governos militares foram abertamente tecnocráticos tornando a política em si mesma um agente secundário da administração pública. Por fim, as reiteradas rupturas institucionais que apareceram com o viso de criar uma sociedade ideal identificada com o progresso almejado pelos positivistas, visto que o Brasil, em períodos que variam de 20 a 30 anos em média, geralmente passa por épocas de grande passionalidade dos sentimentos nacionais e faz-se um movimento de ruptura institucional ansiando a criação de uma sociedade e de um Estado ideais.
    Atualmente, o país atravessa um período de desprestígio da classe política em geral, no qual o próprio respeito às autoridades constituídas parece perder o sentido. Novamente o sonho positivista do progresso renasce em diversas proposituras, alguns creem na capacidade reformadora da Operação Lava-Jato e os mais céticos chegam a propor a convocação de uma Assembleia Constituinte Exclusiva. Em épocas como esta na qual o texto constitucional deveria ecoar como fonte de resistência aos percalços que se apresentam ao país, mais uma vez algumas vozes fazem o Brasil reviver seu ciclo de buscas constantes por uma solução utópica mantenedora absoluta da ordem.
     É conclusivo afirmar, portanto, que o que se evidencia é objetivamente a presença de uma obscura mentalidade positivista no país. A ideia da máxima perfeição técnica da realidade tem trazido ao Brasil o exato oposto daquilo que a referida teoria se propõe: ao invés de basear a realidade na concretude das ações humanas e das situações diversas, o país tende a idealizar, sempre buscando uma abstração que nunca se materializa, a ordem e o progresso, legado positivista para reflexão dos dias atuais.

Gustavo de Oliveira- 1º ano noturno

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