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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Entre esfacelamento da razão científica e regulação da mente por mecanismos de experiência




Com a obra “Les demoiselles d'Avignon”, o artista espanhol Pablo Picasso encetou o movimento cubista, tornando-se o precursor de um estilo o qual rompia paradigmas e ideologias tipicamente renascentistas. Desse modo, através  da fragmentação e recomposição da realidade - por meio de estruturas geométricas – Picasso questionava padrões pré- concebidos, reiterando a renúncia à perspectiva e explicitando a liberdade artística. Analogamente, em um contexto de uma nova organização social embasada na persuasão burguesa e na busca incessante pela racionalidade atrelada à experiência, a racionalidade cientifica cartesiana (tal qual as obras cubistas) mostra-se fragmentada. Assim, entre esfacelamento da razão científica e regulação da mente por mecanismos de experiência, a modernidade ambiciona o surgimento de novos sustentáculos para analisar-se o mundo.

René Descartes, em “Discurso do Método”, explicita sua descrença com uma filosofia sustentada - quase sempre -  na tradição clássica, bem como com a superstição na construção do conhecimento. Além disso pretende diferenciar o falso do verdadeiro, sem crer demasiadamente em algo inoculado apenas pelo hábito. Tal acepção é contrastada - na sociedade brasileira - através de extremismos políticos, nos quais a “esquerda” ou a “direita” são meros pretextos, não raro, para a reafirmação de um discurso de ódio já arraigado em solo tupiniquim.  Partidos são enaltecidos e a política, personificada. A razão científica presente no método cartesiano é posta em cheque quando a dúvida secundariza-se em prol de radicalismos políticos.

Francis Bacon, na obra “Novo Organum”, pondera uma crítica de suma importância para a ciência ao criticar os gregos e sua filosofia, uma vez que afirma que a especulação é inócua e responsável pela exaltação da fragilidade humana. Desse modo, discorre que a fronteira da ciência deve ser a própria ciência, mostrando-se contrário à sacralização da ciência e dos ídolos (falsas percepções do mundo). Destarte, em um mundo cada vez mais globalizado, constata-se a crítica de Bacon - cotidianamente – com a aclamação conferida à figuras super estimadas. Estas, por sua vez, delegam padrões de vida e doutrinas, criando utopias generalizadas as quais culminam em frustrações. A regulação da mente por mecanismos empíricos é fragilizada com idealizações proferidas por figuras de destaque.  

Portanto, em um contexto no qual a razão e a experiência são objetivadas em busca da neutralidade, a realidade passa a ser desvendada pela própria ação antrópica e não mais por figuras divinas. Constata-se, dessa maneira, o triunfo da ideologia burguesa, a qual almeja o esclarecimento de métodos para obtenção da clareza, por meio da adoção da razão e da experiência. Estas, eternizadas nos pensamentos de, respectivamente, René Descartes e Francis Bacon, contribuíram – apesar dos obstáculos- para a existência de um ímpeto transformador presente na sociedade moderna, sendo este responsável por consagradas conquistas nos campos social, econômico e político. Afere-se, finalmente, que a ciência, quando pautada na clareza e na cautela, contribui para evoluções consagradas na história da humanidade.  


Isadora Mussi Raviolo - 1º ano Direito Noturno

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