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domingo, 6 de agosto de 2017

            Almoço filosófico 
Em uma conversa familiar sobre a necessidade do movimento feminista, dessas que costumam ocorrer nos almoços de família aos domingos e são logo seguidas por alguma discussão de política ou um comentário sobre futebol, uma das minhas tias diz “Eu não sou feminista, não pedi pra queimar sutiã nenhum, agora que elas queimaram sou obrigada a trabalhar fora e dentro de casa, e outra, Deus fez a mulher pra cuidar do lar.” Tal pontuação, me pesou de uma maneira, que fiquei sem palavras para responde-la. Se ela soubesse que é graças a essas mulheres que “queimaram o sutiã” e muitas outras que teve a oportunidade de ingressar em uma universidade, de escolher quando e quantos filhos quer ter, do direito de voto e milhares de outras conquistas adquiridas com o decorrer do tempo pelo movimento feminista e outros movimentos sociais que foram surgindo com o tempo em prol da luta por direito igualitários, como o movimento negro e LGBT.  
  Assim como René Descartes e Francis Bacon, pensadores que iniciaram o processo de pesquisa e conhecimento cientifico através da razão, no decorrer século XVII, período este, marcado por mudanças sociais, históricas e econômicas, e ascensão de uma nova classe, a burguesia. O feminismo busca construir um conhecimento de forma a mudar o mundo e não apenas discuti-lo e por esse motivo muitos atos que deixam alguns desentendidos, como retratado no filme “As sufragistas” são importantes para a conquista dos direitos.
Ademais, esses autores pontuam sobre a presença de Deus na sociedade e a mesma pode ser aplicada na fala da minha tia. Uma entidade divina não é desconsiderada, porém tal ideologia não deve ser a base de argumento algum, quanto mais estar à frente da razão. Além de que, ídolos causam uma falsa percepção do mundo, uma vez que a paixão pode tornar-nos cego, e os dogmas privam as dúvidas, sem questionamentos não há como desenvolver com clareza uma verdade, gerando o senso comum.

Todavia, como poderia explicar um assunto denso como este, para alguém que adquiriu seu conhecimento em uma época com ideologias, crenças e historias totalmente diferentes, sem criar uma discussão homérica e ver toda a família contra mim. Logo, com todo o meu respeito disse “Bom, tia, a senhora só é formada, graças a mulheres que lutaram para que um dia, tivéssemos direitos iguais aos homens. O movimento feminista continua, pois ainda há diversas desigualdades entre os sexos, mas isso é uma longa história. Ficou muito boa essa torta.” E o almoço seguiu em “paz”.  

Marina Domingues Bovo 1ºano direito matutino

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