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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Ação e reação

     O individualismo metodológico, também chamado de compreensivismo, é o método usado por Max Weber, aonde o enfoque principal é a análise das ações individuais num contexto coletivo. Para Weber, o agir social depende diretamente dos valores que estão presentes na consciência de cada indivíduo. Os valores podem ser espirituais, tradicionais, baseados na razão. Assim, o sociólogo separa a ação social em quatro tipos. Como primeiro, temos a ação racional com relação a um objetivo. Isto é, uma ação que tem como base uma finalidade, não importando os meios para se chegar a esse fim. O segundo tipo é a ação racional com relação a um valor. Seria uma atitude guiada por valores, por ideias, independentemente das circunstâncias ou do fim que ela geraria. A terceira ação é a afetiva; aquela guiada por emoções. Por último, temos a ação tradicional, baseada em costumes e crenças. Assim, cada atitude individual seria guiada por um valor, que cabe ao indivíduo selecionar, de acordo com a situação em que se encontra. Na sociedade, teríamos uma interconexão entre essas ações. Ou seja, esse agir do indivíduo gera um relação social e esse conjunto de ações resulta, por exemplo, no Estado, na família, na própria sociedade.
     Com relação a Marx, este colocava como causa das ações a economia, tratada como infraestrutura do social. Apesar de seguir uma linha similar, Weber não descarta outras causas possíveis das ações. Para se chegar à verdade científica, é necessária uma comparação entre o fato e o tipo ideal. Este último é um método de análise: é a impressão que determinado contexto nos passa e que na realidade não existe. Seria algo possível de ser real de acordo com as circunstâncias, mas a partir da desconstrução, vemos que não passa de uma utopia. 
     Através das ideias de Weber, podemos buscar entender com mais clareza o que teria levado, por exemplo, à sociedade alemã aderir ao nazismo, ou às potências europeias do século XIX adotarem uma postura imperialista às demais nações. Esses acontecimentos completamente questionáveis no quesito ético seriam vistos para Weber como muito mais do que influenciados pela economia; mas sim como resultado de causas variadas que provém, primeiramente, da consciência de cada ser humano que concordou, mesmo que involuntariamente, com essas práticas. Fica aqui a questão de repensar quais valores vêm sendo tidos como base para nossas atitudes cotidianas, visto que as mesmas nunca são fatos isolados, mas há todo um contexto e uma responsabilidade social que se relaciona diretamente a elas.

Anna Beatriz V. Scachetti- 1º ano direito, diurno

A sociologia compreensiva de Max Weber.

Max Weber, notável sociólogo alemão, desenvolveu várias análises direcionadas à dinamicidade dos fenômenos sociais. Nesse sentido, Weber empregou objeto e método próprios, o que possibilita sua divergência a seus antecessores, como Comte, Durkheim e Marx e Engels, por exemplo.

Vale lembrar que Weber parte de uma sociologia compreensiva. Ou seja, o importante para ele é encontrar as causas das chamadas “ações sociais”, o que vai de encontro com o pensamento de Durkheim, por exemplo, que compreendia a sociologia como uma ciência descritiva dos fatos sociais.

 Ainda nessa antítese Weber x Durkheim, é possível observar que com Weber a sociologia se ocupa a analisar mais os indivíduos e o papel que esses expressam no seio social do que com a ideia de uma sociedade exterior e autoritária ao mesmo. Esse choque entre esses pensadores também vai se encontrar nos métodos que eles utilizam. Enquanto Durkheim acredita na completa objetividade da ciência, ao mesmo tempo em que considera seu próprio objeto de estudo (fatos sociais) como coisas, Weber compreende ser impossível esse distanciamento completo e essa objetividade cega entre o objeto e o pesquisador.

Nesse sentido, Weber tem como método o que ele denominou “tipo ideal”. Trata-se de uma estratégia para analisar as causas das ações sociais, isto é, para compreender as interações que os indivíduos mantêm entre si formando um “emaranhado social”, ou seja, um corpo social. Dessa forma, esse tipo ideal, carregado por juízo de valor do próprio pesquisador, sem, no entanto, comprometer a objetividade do conhecimento, entrará, por sua vez, em conflito com os fatos reais. E é justamente nessa comparação que se obtém a verdade científica.


Observa-se, então, que Weber não parte da ideia de que o corpo social é regido por leis gerais e universais, pois seu próprio método, ao analisar os aspectos mais profundos do fenômeno social, torna insustentáveis essas generalizações e tecnicidades da razão. Isso vai de encontro ao pensamento de Marx também, uma vez que, compreendendo a história através de um método cego e impositivo, ele deixa de observar as verdadeiras causas que levam os indivíduos a constituir o aparato social.

Murilo Ribeiro da Silva        1°ano de Direito, matutino.

Metamorfose Ambulante à luz da ação social

Max Weber, ao construir seu pensamento na obra Economia e Sociedade, postula uma visão um tanto quanto diferente da construída por Durkheim e Marx: Weber propõe, na análise do objeto sociológico, um distanciamento de uma perspectiva geral da sociedade e focalização no indivíduo como integrante da sociedade; isto é, Max estabelece um olhar sociológico focado no indivíduos e nas suas ações, não na sociedade em geral, que nas perspectivas filosóficas de Marx e Durkheim sobressaía sobre os seus integrantes.
Nessa ótica de valorização do indivíduo (individualismo sociológico) na análise sociológica, o sociólogo alemão expõe o contexto de ação social, que se consiste numa ação do indivíduo que exprime algum aspecto da sociedade –valores, hábitos, culturas, sentimentalidade, paixões, etc. Em primeiro plano, nota-se que, para Weber, a função primordial da Sociologia é compreender o sentido dessa ação. Dessa forma, o autor busca a compreensão de todo o cenário envolvido na ação social.
À luz dessa tese, o pensador compreende que a perspectiva individual e as suas peculiaridades devem ser levadas em conta mesmo quando se analisa fenômenos coletivos e/ou públicos, como o Estado e família, por exemplo. Nesse sentido, pode-se elucidar a supremacia da esfera individual à esfera da sociedade quando Weber atribui tais entes como representações de perspectivas individuais, que se encontram no interior de cada indivíduo e que orientam tais fenômenos.
No panorama da ação social, Weber afirma certa autonomia do indivíduo em relação às ações sociais. Tal relatividade pauta-se no principio de que, não obstante exista uma influência do meio social para a construção da ação individual, percebe-se que o indivíduo utiliza de um juízo de valor para a decisão da ação; isto é, o indivíduo pondera e seleciona, entre os possíveis valores existentes (influência do meio externo), os que se relacionam com sua visão pessoal: fusão da perspectiva individual com a coletiva.
Max Weber ainda postula uma negação ao materialismo histórico e à ideia determinista da ciência, uma vez que não é ofício da Sociologia impor normas e leis obrigatórias que regem a sociedade. Weber expressa que as leis constituem-se em meios, não em fins na análise sociológica. Assim, tal crítica ao dogmatismo sociológico relaciona-se com o “pluricausalismo” proposto pelo sociológico: os fenômenos sociais são construídos, juntamente com a perspectiva individual, por várias causas, não somente econômicas, como previa Marx.
Correlacionando-se o ideal de ação social de Weber, pode-se estabelecer que o eu-lírico presente na canção Metamorfose Ambulante assume uma perspectiva de revolução interior. Nessa toada, o indivíduo, ao partir do pressuposto de prefere “ser essa metamorfose ambulante/Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, conota uma ação social: ponderando e escolhendo valores já existentes, ele busca uma mudança interna das suas concepções e visões. Dessa forma, a modificação interna do eu-lírico corresponde tanto a fusão de fenômenos individuais quanto públicos, além de expressar um aspecto da sociedade, que é a mudança dos valores.


Autor: Luiz Henrique Garbellini Filho (1º ano - Diurno)

"Tipo Ideal" de Max Weber

Jurista, economista e sociólogo, o alemão Max Weber é considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia, sendo que um de seus principais objetivos criar uma metodologia própria para a Sociologia, traçando novos mecanismos de estudos de ações sociais.

Assim, Weber define a Sociologia como uma ciência empírica de crítica ao mundo, ja que está sempre em contato com a realidade. Apesar de a sociologia nao ser dotada de leis imutáveis, nao significa que nao possua uma metodologia de compreensão de ações sociais, que são resultantes de valores, principios e culturas diferentes que cada indivíduo carrega.

Dessa forma, toda e qualquer ação terá um sentido que a sociologia buscará entender.
A sociologia weberiana é empírica, e trabalha com uma metodologia universal capaz de compreender qualquer ação social, e não com ideias fixas. O meio para analisar essa determinada ação social, tendo como referencia algo objetivamente possível de observar na realidade empírica, é o que Weber denominava de "tipo ideal".

Seguindo a concepção Weberiana, é possível fazer uma analogia com o direito, que assim como a sociologia, também esta em contato com a realidade social.
Por outro lado, mesmo com o grande numero de regras e ordenamento jurídico do Brasil, nem todos os casos da realidade são capazes de serem solucionados pelas legislações.

Logo, não existe uma formula padrão para resolver os casos da ciência jurídica, mas isso nao significa que o juiz nao seja capaz de, pelo menos, resolver efetivamente os problemas apresentados pelas lacunas da lei. Ele possui capacidade para recorrer a fatos passados que possuem semelhanças a sua atual dificuldade para solucionar determinado caso. É uma analogia, um recurso, que assim como o “tipo ideal” de Weber, tem por finalidade observar situações parecidas e elaborar a resposta mais plausível de ser esperada.

Momento Reflexivo: Sob o olhar de Weber

Em momentos que o olhar coletivo da massa popular já não resume toda a imensa engrenagem organizacional dessa sociedade, afinal o indivíduo é muito mais que um coletivo, que uma classe ou que uma relação entre opressores e oprimidos. A sociedade agora é uma construção íntima, interligada e repleta de peculiaridades, que outros não foram capazes de notar.
Ações que refletem pessoas, em suas peculiaridades, capazes de transformarem e modelarem seu entorno através de uma intrínseca ao ser humano que é, que pensa ser ou que determinaram. Dessa forma, é coerente falar de crime ou de mais uma mera formalidade jurídica? Dado que os atos apresentam históricos, construções sociais e toda uma conjuntura, cabe não só penalizar atos, mas acima disso, estabelecer o pano de fundo para que tais ações fossem concebidas, sendo sopesadas de acordo com todo arsenal que a formulou.
Não é tempo de só olhar o agora, não é tempo de se basear em um passado histórico superficial. É tempo de escavar as bases em que se estabelece a sociedade, encontrar os valores individuais que transgridem o âmbito do pessoal e se tornam modelos para organizar a conjuntura total da humanidade.
Contudo, não é possível esquecer as relações sociais como determinantes diretos da constituição do aparato social, pois são estas que permitem a mutação dos sentidos e motivações dos atos, ao ponto que sempre constituem o novo e arrastam a história para novos caminhos. Mesmo sob o pensar racional, agora não só com a preocupação de lutar pelos meios de produção, mas pelo contrário, entendê-lo e positiva-lo, a fim de se alcançar a possibilidade de se realizar o dever ser.

Nathália Galvão
1º Ano - Direito Noturno

Setembro Amarelo

O suicídio é a 10ª causa de morte no mundo. Todo ano mais de um milhão de pessoas atentam contra sua própria vida. Isto representa uma morte a cada 40 segundos. Assim fica evidente que este representa um fenômeno social e que, consequentemente, deve ser estudado pela sociologia. Tem-se por objetivo a busca de respostas que até hoje não foram encontradas: “por que eles ocorrem?” e “quais são suas consequências para a sociedade?”.
Para Durkheim, o suicídio se enquadraria no estudo dos fatos sociais. Os fatos sociais para ele eram ações presentes na sociedade que possuíam um caráter coercivo. Sendo estas ações anteriores à própria existência do indivíduo elas não levavam em conta as particularidades de cada pessoa, mas sim a compreendiam como mais uma em meio a um mar de gente. Desta forma, Durkheim compreende a pessoa como estando imersa em um oceano de fatos sociais aos quais ela acabará se submetendo por uma relação coerciva.
Pois bem, mas aonde entra a questão do suicídio? O suicídio para Durkheim deve ser estudado não na individualidade do suicida, mas sim na relação de seu ato face ao processo social. Para Durkheim existem três tipos de suicídio: egoísta, altruísta e anômico. Os três dizem respeito à relação do indivíduo com a sociedade. O primeiro se refere à sobreposição do ego individual ao ego social; a pessoa não consegue mais manter relações sociais com aqueles que o cercam perdendo a sensação de comunidade. O segundo diz respeito à mistura do ego individual do indivíduo com algo que se situa fora de si; seria o caso de homens bomba: abdicam de sua vida face a um bem maior que seria aquele visado por sua comunidade. Por fim, o terceiro diz respeito à uma anomia social, ou seja, a sociedade se encontra em um estado tão anormal que o indivíduo não vê outra alternativa para sair desta situação que não a retirada de sua própria vida.
Em contrapartida à concepção dos fatos sociais de Émile Durkheim temos o conceito de ação social de Max Weber. Weber busca em sua ciência a análise política da sociedade e entende, acima de tudo, a sociologia como uma ciência da realidade (crítica de mundo). Ele compreende os indivíduos como detentores de ações sociais, ou seja, ações que expressem sua perspectiva social. Weber critica fortemente o funcionalismo que compreende o indivíduo como mero reprodutor de ações que são determinadas pela sociedade. Para ele o indivíduo possui autonomia, mesmo que esta seja relativa: em determinados contextos de realidades sociais diferentes o mesmo indivíduo pode realizar ações distintas.


O suicídio entra justamente neste conceito de ação social, para Weber, onde este seria mais uma ação de autonomia individual do que propriamente reprodução de alguma inclinação social. Por mais que a sociedade possa representar um ambiente propício à realização de tal ação o indivíduo poderá optar por tomá-la ou não. Esta ação social, portanto, expressaria sua respectiva perspectiva social acerca do contexto que cerca o suicídio. Por exemplo, em um ambiente de extrema crise financeira, existem pessoas que por conta de dívidas podem optar por se suicidar, vendo esta como a única alternativa para se livrar das obrigações que devem cumprir na sociedade enquanto outras podem buscar alternativas à essa atitude por entender que para sua religião este seria um ato imperdoável, como é o caso dos judeus, por exemplo. Assim sendo, enquanto para Durkheim a sociedade exerce papel coercivo no que se refere ao suicídio, para Weber mesmo que a sociedade coloque o indivíduo frente a situações onde o suicídio é a alternativa, este mesmo indivíduo é dotado de autonomia no que se refere à sua ação social de cometer ou não o suicídio.
Na sociedade atual, percebe-se que suicídios não são noticiados e que o assunto continua um tabu de forma que se torna extremamente difícil prevenir a ocorrência de suicídios. A campanha “Setembro Amarelo” busca justamente que o assunto seja comentado para que se possa prevenir um problema que continua recorrente na sociedade, seja a esta guiada na prática pelo pensamento de Durkheim ou de Weber.

Heloísa Guerra Rodrigues da Silva - 1º ano - Direito - Diurno

A atualidade Weberiana

    Max Weber foi um importante intelectual alemão, conhecido por suas contribuições para a estruturação e formação da sociologia, foi também jurista e economista.
    Na concepção weberiana da análise social,  pode-se compreender as relações sociais quando o objeto de estudo – o indivíduo parte dessa sociedade – é estudado isoladamente. Ou seja, para Weber, o entendimento de uma dada sociedade se dá a partir das ações individuais de cada pessoa, motivadas pelas ações de outros indivíduos do grupo.
    Weber acreditava que o indivíduo era munido de certa liberdade e autonomia para modificar a realidade a sua volta, e tais mudanças eram motivadas pelas crenças, valores e e ideias que circulavam entre as pessoas. Dai surgiu então um de seus conceitos mais importantes: o de ação social, entendido como toda e qualquer ação com sentido e finalidade determinados pelo agente, ou seja, toda ação que conta com um fim específico.  
    A teoria weberiana tem grande abrangência e aceitação pela fácil visualização da aplicação de suas ideias, não é preciso buscar muito para encontrar exemplos dos diferentes tipos de ação social categorizados pelo autor, que as dividiu em quatro tipos distintos, sendo a ação tradicional entendida como aquela que provém de um hábito arraigado, uma tradição transmitida entre gerações; a ação afetiva, motivada pelas paixões e sentimentos do indivíduo; a ação racional com relação a valores como aquelas onde o indivíduo é pautado por uma crença, ou uma filosofia que acredita fielmente, não sendo necessariamente este uma crença comum aos outros indivíduos da sociedade e por fim, a ação racional com relação a fins onde o indivíduo, no objetivo de alcançar um fim predeterminado, se utiliza do meio que for necessário para alcançá-lo.
   
Tawana Alexandre do Prado - 1º ano direito noturno   

Valores que movem os indivíduos e sua imparcialidade

Max Weber, ilustre cientista social alemão, possui como principal legado seus estudos sociológicos – também denominados como um “individualismo metódico – críticos a dialética materialista, na busca da compreensão da origem da ação social. Desta forma, Weber é notório justamente por privilegiar o indivíduo em si, e como suas ações relacionam-se com outras ações neste mesmo âmbito social.
Tal interconexão de ações – independente de seu sentido comum, de caráter harmonioso ou conflituoso – é resultado da caracterização da sociedade em si, e como ela se move diante da ação social dos indivíduos nela inseridos.
Assim, Weber classifica a ação social em quatro tipos possíveis: racional com relação a um objetivo, caracterizada pela delineação de seu objetivo e as formas de atingi-lo; racional com relação a um valor, cujo ator mantém-se devoto a suas ideias e entende os riscos referentes a tal ação; ação efetiva, estimulada pelo emocional do indivíduo movido por paixões e a ação tradicional, cuja característica se dá por hábitos, costumes e crenças do ator.
O filósofo ainda propôs a utilização do método do “tipo ideal”, onde, a fim de se realizar um recorte conceitual da sociedade, utiliza-se da extrapolação da realidade observada, retirando desta tais conceitos.
Além disso, Weber também foi afamado por sua crítica e embate em certos pontos do pensamento marxista, principalmente ao afirmar que a sociedade não é movida somente pelas forças de produção capitalista – havendo outros institutos como a religião – e que, portanto, o indivíduo não se move como resultado do meio em que se insere.
Tomando como base estes argumentos embasados na sociologia weberiana, podemos ter como exemplo o sexismo, e como ele se sustenta na sociedade atual, especificamente através da “imparcialidade” apresentada por diversos homens que talvez não reproduzam explicitamente o machismo, mas não o combatem dentro de seus próprios círculos sociais. Este fenômeno reflete o individualismo exposto por Weber, onde tal neutralidade é falsa, corroborando os verdadeiros valores pertencentes a tais indivíduos que, consequentemente, somente fermenta a misoginia. 

Weber: a presença de seu pensamento na atualidade e na história

Max Weber foi um sociólogo que se preocupou com a ação que os indivíduos realizam, e o que os motiva a isso. No que se refere a essa ação social, Weber nos trouxe 4 tipos fundamentais: tradicional, afetiva, racional com relação a um valor e racional com relação a um fim. Essa última pode ser explicada através de um exemplo que ocorre na realidade atual de nosso país: o processo de impeachment da Presidente Dilma.

Na ação racional relacionado a um objetivo, o indivíduo busca, através da razão e dos meios a sua disposição, uma maneira de se alcançar um determinado fim. Ora, ao falarmos do processo de impeachment que foi concretizado recentemente no Brasil, e tomando os políticos de oposição como indivíduos, é fácil perceber que eles acabaram por se utilizar desse tipo de ação racional. O objetivo deles seria aumentar, ou até alcançar o poder através do afastamento da Presidente Dilma e para isso utilizaram-se de um meio que se encontrava à sua disposição: o Direito em si, expressado na forma do processo de impeachment previsto na Constituição Federal de 1988. A concretização do referido processo permitiria assim que seus interesses fossem realizados de forma mais fácil, configurando uma ação racional no que se refere aos fins.

Além disso, podemos estabelecer uma analogia do pensamento de Weber com o dos pensadores da Escola de Frankfurt. Max Weber critica a ‘’imprecisão dos princípios universalmente válidos’’, que seria uma manifestação do dogmatismo. O dogma não seria necessariamente ciência, mas sim religião. A escola de Frankfurt compartilha esse pensamento, e por isso ela acaba por desvalorizar a ‘’fé dogmática científica’’, pois afinal o que essa tal romantização da ciência trouxe no século XX? Duas guerras mundiais, nazismo, fascismo e milhões de mortos. Tudo em nome da tal ‘’’civilização’’.

Dessa forma, podemos ver que o pensamento de Weber e seus conceitos ainda podem ser aplicados em várias etapas da história humana. Seja na atualidade, ou no passado, Max Weber e sua mentalidade estão presentes de forma indireta ou direta, demonstrando o quanto à frente de seu tempo ele realmente estava.


André Luís de Souza Júnior - 1º Ano Direito Noturno UNESP

Aplicações e comparações do pensamento weberiano

             Max Weber, importante pensador alemão do séculos XIX e XX, via na Sociologia a possibilidade de compreender a dinâmica entre os indivíduos dentro de uma sociedade civil, acreditando e focando nas concepções de agente e ação social.
            Para ele, a Sociologia é feita de ações sociais praticadas pelos indivíduos. Nesse ponto, Weber se distancia de Durkheim, na medida que o último partilhava da noção de fato social como uma "coisa" intrinsecamente relacionada à coletividade. De fato, o pensador alemão apresenta como foco de seus estudos o indivíduo isolado o qual, a partir de interações com os outros, gera relações sociais dentro da comunidade em que está inserido. Em resumo, o agir, para Weber, é praticar ações sociais, sendo esta centrada no agente.
          Além disso, o alemão se dedicou à compreensão de qual forma a economia tem influência dentro da sociedade, pesquisando suas relações com outras áreas do conhecimento, como artes e ciência. Em verdade, o filósofo criticou o marxismo nesse aspecto, dissertando que a corrente de pensamento desenvolvida por Karl Marx ficava deveras presa na economia como centro de todas as atividades dentro de um corpo social. Para Weber, a economia tinha papel categórico dentro da mesma, mas não deveria ser considerada como o centro de tudo.
          Uma fábrica em funcionamento na atualidade, por exemplo, seria vista por Marx como um símbolo da exploração capitalista sobre um proletariado marginalizado, constituindo-se esta a razão para as desigualdades então existentes. Em contrapartida, Weber encararia a mesma fábrica como uma manifestação da racionalização típica do funcionamento interno do capitalismo.
             Na busca por um entendimento mais profundo do capitalismo de mercado, Weber se dedicou a estudar os embates entre a burocracia e a política. Para ele, a burocracia seria responsável por criar uma certa rotina dentro da sociedade, uma vez que ditaria um determinado sistema de funcionamento o qual posteriormente se tornaria rotineiro no corpo social. É exatamente neste ponto que Weber temia que a sociedade pudesse chegar, prevendo uma estagnação das relações presentes na mesma.  A política, no entanto, seria a saída para esse ciclo implementado pelos burocratas, uma vez que está é dinâmica, sempre em constante mudança para encontrar melhores formas de funcionamento da civilização. Em verdade, é por esta razão que o pensador alemão preferia o triunfo de um político sobre um burocrata.
              Ademais, Weber ressaltou o papel fundamental da educação para os indivíduos. Em primeiro lugar, ele via na educação a possibilidade de cada pessoa se tornar autônoma, podendo desenvolver suas próprias opiniões sem influências externas. Segundo, esta seria uma forma do indivíduo estar politicamente ligado à realidade de sua nação.
Se Weber pudesse se deparar com o contexto atual como um todo do Brasil contemporâneo, por exemplo, é fato que ele atribuiria parte considerável da responsabilidade que culminou nesta situação ao precário sistema educacional hoje existente.

           Por fim, uma sociedade ideal para Max Weber seria aquela em que todas as pessoas pudessem expor suas opiniões, por mais variadas que fossem, sem ser de forma alguma perseguidas ou intimidadas pelos outros. Em suma, Weber defendia uma sociedade cuja principal característica fosse a liberdade de expressão aliada à uma educação de qualidade.

O embate de Weber para com a análise na óptica do coletivo



           As ideias de Max Weber e Émile Durkheim são, em parte, convergentes – os dois autores alegam que a sociologia deve ser fundamentada em termos neutros, ou seja, isenta, na medida do possível, de juízos de valor por parte do sociólogo. Desta forma, o alemão tem no alicerce de seu método de análise sociológica o empirismo. Segundo Weber (1994, p. 112), quanto maior o significado cultural de um dado problema, e quanto menos for possível extrair respostas do material obtido de forma empírica, será proporcionalmente maior o papel dos axiomas da fé e das ideias éticas. Ou seja, o empírico deve ser base da obtenção da análise para que esta não seja distorcida ou alterada pelo juízo de valor de quem analisa.
            Ademais, mostra-se que, ao criticar a imprecisão dos princípios universalmente válidos e ao “denominador comum” característico do marxismo, Weber é essencialmente um crítico das verdades absolutas não comprovadas, do uso de princípios para se deduzir implicações: afirma ser ingênuo acreditar na necessidade, para a ciência social prática, o estabelecimento deste princípio e seu uso para inferir normas de solucionar problemas práticos singulares.
            Conquanto haja congruência entre parte das ideias de Weber e de Durkheim, é necessário também ressaltar diferença substancial entre elas: Durkheim corroborava a análise das ações sociais com foco no coletivo, na medida que Weber busca esta análise por meio do enfoque no indivíduo, ou seja, a óptica individual é fato significativo no momento da ação social, em detrimento do panorama e influência do coletivo que caracteriza o fato social de Durkheim. Destoa aqui também, portanto, de Marx, que, malgrado de forma distinta, também considera o coletivo como superposto ao individual no tangente à ação social.
            Aqui reside, então, grande contribuição de Max Weber. Ao romper com a visão do coletivo de Durkheim e Marx e trazer a individualidade ao centro da análise sociológica, consegue mudar o panorama vivido pela sociologia e reformular suas bases. Passa-se, com Weber, a considerar-se a importância do indivíduo de forma significativa, e a analisar-se cada atitude por perspectivas que não são – ao menos não completamente – geradas apenas pela coerção social.

Gabriel Cândido Vendrasco - 1º ano diurno

Análises de Weber

    É evidente a contribuição de Weber para a forma como as ciências humanas passaram a pensar. Trouxe, em suas obras, novos paradigmas para a sociologia, os quais ficam expostos em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo". Nesta obra, Weber formula uma convergência entre a formação e o desenvolvimento do capitalismo (desde a acumulação primitiva de capitais até as modificações nas forças e meios de produção) com a ética protestante nascida em 1500 com a Reforma. Assim, através da correlação entre o nascimento e desenvolvimento da religião protestante com a evolução do capitalismo, Weber defende que isso deve-se às diversas similaridades das ideologias defendidas por cada um e que isso é, simplesmente, uma coincidência. Diferentemente da forma de pensar dos marxistas, que dizem que isso ocorre devido a uma necessidade da classe burguesa em acumular capital e manter-se como dominadora.
     Outro ponto a ser analisado sobre Weber é que, segundo ele, a tomada de decisões de uma ação é uma característica das pessoas que é direcionada através de valores. Sempre que formos decidir algo, avaliamos por meio de duas esferas: fim e meio. Questionamo-nos se certos meios a serem seguidos são os ideais para se alcançar desejado fim. Dessa forma, as decisões em função dessas ponderações são próprias dos seres humanos, e não da ciência. Assim, ele chega a concluir que todas as ações humanas se baseiam em valores por nós adquiridos. Dessa forma, juízo de valor é o ponto de partida na ação. Segundo Weber, a ação social é classificada em 4 tipos: ação racional com relação a um objetivo, ação racional com relação a um valor, ação efetiva ou emocional e ação tradicional.
    Com base no citado acima, essa ideia é importante ao se pensar em relação aos julgamentos que foram/são/serão realizados nos tribunais, pois se não fossem as diferenças de cultura e de valor de cada juiz, simplesmente todas decisões seriam as mesmas e, consequentemente, haveriam apenas leitores de textos normativos.
   Além disso, Weber, em seus estudos, alegava que introduzir valores pessoais dava à sociologia uma forma não confiável. Assim, ele propôs um método de análise para escapar do determinismo tanto dos outros métodos quanto dos preconceitos originados pelo senso comum. Dessa forma, como base de seus estudos, Weber deseja transformar a sociologia mais precisa na análise de cada situação, retira-la do campo político e não permitir que se transforme numa fórmula que se repete e se aplica a todo e qualquer caso da mesma forma. 

Gabriel Ferreira dos Santos - 1º  Direito (noturno)