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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Fato social, segundo Durkheim, consiste em maneiras de ser, agir ou pensar exteriores ao indivíduo, apresentando certo poder coercitivo. Ou seja, cada ser é influenciado pela coletividade, sendo pressionado a seguir certos padrões de convivência e pensamento. Para ele, os conflitos sociais existem basicamente pela anomia, isto é, pela ausência ou insuficiência da normatização das relações sociais, ou pela falta de instituições que regulamentem essas relações. 
 Segundo o autor, a mentalidade individual, ao formar grupos, faz surgir um novo ser, que constitui uma individualidade psíquica de um novo tipo. Portanto a mentalidade de um indivíduo sempre está submissa à mentalidade do grupo, trazendo naturalmente uma coesão social. A influência midiática é fundamental na análise destes fatos, pois distribui igualmente as informações, padronizando a opinião pública e fortalecendo sua coerção. 
 Linchamentos são um exemplo da coercitividade de um fato social: Os participantes, individualmente, não seriam capazes de realizar tal ato, mas o grupo exerce coerção, levando a população a agir, no geral, de uma mesma maneira. Percebe-se que este conflito não foge à regra durkheimiana, sendo causado por uma anomia, ou seja, a falta do Estado na regulamentação de relações sociais. Por vê-lo como uma ferramenta ineficaz para a punição de infratores, parte da população se vê no direito de fazer “justiça com as próprias mãos”. Esta ilusão de que a violência é a melhor alternativa no combate à criminalidade é recorrente desde as primeiras civilizações, provando a força coercitiva de um fato social e a sua capacidade de se perpetuar pela história.

Ari D'antraccoli Neto - 1°ano diurno
Durkheim, sociólogo do século XVII e XVIII, propôs a análise científica dos fatos sociais, “toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada, e ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independentemente de suas manifestações individuais”. Para Durkheim, a sociologia deve ser tratada como ciência, observando os fatos sociais de maneira distante e metodológica, sendo que pré-noções obstaculizam a busca pela verdade científica sendo que o pós-positivismo proposto pelo sociólogo pode ser encarado como uma evolução da sociologia comtiana através da observação e análise dos fatos sociais como “coisas” que exercem uma coerção social frente ao indivíduo, ou seja, forças que acometem o sujeito, mesmo que contra sua vontade, a agir de determinada maneira.

A sociedade, por meio da educação, do direito, dogmas religiosos, sistema financeiro, etc. exercem sobre nós a referida coerção, mesmo que de forma indireta, e nos punem quando tentamos resistir aos conceitos impostos em uma tentativa de restabelecer a norma. Dessa maneira, para Durkheim, a maioria de nossas idéias e tendências não são elaboradas por nós, mas chegam e nos penetram de forma impositiva e ainda que possamos nos libertar dessas regras, isso só ocorrerá se houver uma luta para resisti-las, demonstrando assim a força de coerção, em razão da resistência que opõem, intrínseca aos fatos sociais. A sociologia durkheimiana pode ser observada ainda nas bases educacionais do século XXI, visto que o papel que as escolas tentam exercer sobre o indivíduo se assemelha a uma doutrinação, incutindo regras que aos poucos, de forma resignada, são interiorizadas, forjando o ser social e introduzindo valores sociais que não são aprendidos sozinhos. Em outro diapasão, podemos colocar a pedagogia crítica de Paulo Freire como resistência a típica educação da contemporaneidade, buscando a consciência política e dialética entre professores e alunos, a horizontalidade entre essa relação. O educando cria sua própria educação, deixando de seguir as imposições dos educadores.
O sociólogo Durkheim também se aprofunda na questão da causa eficiente, geradora do fato social. Prega que as intituições e as práticas sociais não surgem do nada, mas de necessidades que se vinculam ao ordenamento geral do organismo social. A causa eficiente pode ser facilmente observada entre o crime e a punição, em razão da última estar vinculada não ao delito, mas sim a resposta oferecida ao coletivo, visto a necessidade geral do organismo social em obter uma resposta a transgressão.


Ana Laura Joaquim Mendonça - 1º ano, Direito Diurno.

Mosquito da Inquietação

Hoje eu fui vítima da violência,
Amanhã pode ser você, seu irmão, 
Pode ser até um desconhecido 
Roubada por um ninguém? 
Alguém que tem família, que tem sonhos, desejos e amigos...
Mas que talvez não tenha um carro ou uma casa
Ainda assim, por alguns instantes, fui tomada pelo primitivismo... 


Vítima de um fato social, de algo pré-estabelecido,
“Não menina, não tenha dó, é apenas um bandido”


VAGABUNDO?
Alguém simplesmente vivendo num desmundo
Onde "só rouba quem quer" ou onde o "sol nasce para todo mundo"
Onde "Direitos Humanos é pra defender ladrão, bandido"
Onde o corruptor maior não é punido! 

Retiro-me agora desse mal estado de que fui mordido 
Pelo mosquito da inquietação que ainda insiste em zunir no meu ouvido. 


Sthéfane Souza Tavares, Direito Diurno

Durkheim e o fato social

Émile Durkheim, sociólogo do séc. XIX, ficou conhecido por criar o conceito de “fato social”. Focando-se nas sociedades (que, para ele, eram independentes umas das outras)  e na realidade como ponto de partida para elaborar suas ideias (método que nos remonta a criticar Augusto Comte, que, segundo Durkheim, se pautava em ideias para chegar à realidade), define o fato social como uma coisa geral, coercitiva, externa ao indivíduo e fora das esferas orgânicas e psíquicas: “é fato social toda maneira de agir fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior”. Para ele, as regras sociais nos eram passadas através da educação, que formaria nosso comportamento nunca inato e sempre social, mesmo que individual, já que sempre seguindo um modelo coletivo específico de cada sociedade e cultura. Por exemplo, em uma sociedade burguesa, o individualismo é forjado no social e mostra-se indispensável ao funcionamento e à moral burguesa.
Além disso, Durkheim nos atenta que cada fato social tem uma causa eficiente, ou seja, uma função dentro da sociedade em que se manifesta que, em partes, explica tal fenômeno. A causa não se encontra na expressão final do fato, mas sim é interna a ele e condiciona sua existência independentemente da vontade dos indivíduos. A admissão da diversidade, por exemplo, em uma sociedade tão complexa como a nossa, se mostra necessária e pode ser vista como causa eficiente para que se estabeleça uma coesão e harmonia geral, mesmo que esta não seja natural. Ao contrário do que pensa Comte, o autor tratado neste texto afirma que as práticas e instituições não são estáveis e podem mudar suas causas eficientes ao longo do tempo: a sociedade se modifica para continuar sobrevivendo (o próprio direito tem sido usado como instrumento de mudança).
Ademais, para Durkheim, a sociabilidade é influenciada pela densidade dinâmica e material. A primeira é definida pelos vínculos morais comuns aos indivíduos e a segunda pelos habitantes no mesmo lugar e pelas possibilidades de interconexão entre eles, mesmo que longe.  Desse modo, pode haver uma vida e moral comuns a indivíduos separados no espaço.

Através de suas ideias, Durkheim comprovou sua importância na história e tornou-se grande figura na Sociologia da Filosofia Social e um dos pais da sociologia moderna.


Beatriz Canotilho Logarezzi, direito matutino
Não basta funcionalidade, é preciso representatividade.

“É fato social toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter.” (Emile Durkheim: AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO - p 11). A partir da ideia de fato social como o agente condutor de todos os indivíduos componentes de uma sociedade, Durkheim, assim como no positivismo de Augusto Comte, propõe uma analisa da sociedade através de sua conjuntura estrutural e na funcionalidade das instituições sob a ótica da estabilidade do organismo social.

O pensamento funcionalista então surge, no entanto, para além da ideia de progresso como como fim da sociedade, como sugere o positivismo. Seu foco de análise engendra-se sob as condições materiais sob as quais uma determinada sociedade se pauta e na maneira como os “fatos sociais” exercem, sob os indivíduos deste coletivo, uma força impulsora e ordenadora.

Os fatos sociais se apresentam então como uma condição coletiva, que não necessariamente representam os anseios da maioria da população, mas como condições latentes que possibilitam a funcionalidade do organismo social, que estão atreladas à condição humana de sociabilidade.

Deste modo, para Durkheim, cabe à sociologia, analisar as transformações da sociedade como fruto das próprias condições já existentes, partindo da concepção de que a própria funcionalidade deve alimentar as transformações que impliquem na manutenção da mesma, de forma que um fato social, sempre impulsionará outro.

Cria-se então uma separação entre o que são as “vontades individuais” dos que compõem um grupo e o que advém da coercitividade existente na própria organização do mesmo. Todavia, as instituições que em tese são consideradas como frutos da manutenção da funcionalidade, não necessariamente estão a serviço desta. Sendo assim, o que é tido como um ¨fato social” pode não estar cumprindo um papel propositivo dentro da organização social. Nesse caso um linha tênue separa o funcionalismo da conservação de uma ordem que atende aos interesses de quem controla as instituições.

Analiticamente, Durkheim contribui para uma compreensão sistêmica das civilizações, contudo a fisiologia perfeita de uma comunidade vai muito além da ideia de organismos social saudável. Dentro de qualquer forma de organização coletiva, há demandas ainda não exploradas, e a funcionalidade aparente dentro do ambiente macro, não necessariamente se dá da mesma forma para as minorias a margem das estruturas de poder que retroalimentam o fato social, de modo que apenas uma sistematização das relações humanas não é o suficiente. A ciência da sociologia não tem como único papel esquematizar a realidade, mas também propor, a partir de sua analise concreta, um panorama social mais justo e representativo.

Lucas Tadeu Ribeiro Efigênio
1º Ano Direito-Noturno

Durkheim: Aulas 5 e 6

Durkheim desconstrói a ideia que temos de sermos seres únicos e individualizados. Em sua obra, As Regras do Método Sociológico, discorre sobre o que chamamos de personalidade, a qual para ele só existe para determinar por qual grupo social o indivíduo será coagido. E o autor explica que essa falta de particularidade se deve ao conceito de “fato social”, mais precisamente nas palavras de Durkheim, é “toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior” e, muitas vezes, essa força externa não é de escolha do indivíduo, é imperceptível e da qual o indivíduo não consegue se libertar.
Ainda nessa obra, Durkheim trata da superioridade da sociedade em relação ao indivíduo. Para ele, os fenômenos sociológicos não podem ser explicados pela psicologia, como defendem alguns autores, pois esses fenômenos exercem uma pressão exterior a cada indivíduo, e, portanto, não poderiam derivar de suas consciências particulares.
O todo não é igual a soma das partes, assim sendo a soma de indivíduos não constitui a sociedade, pois esta uma vez formada constitui um “ser psíquico” que exerce coerção no modo de agir das pessoas. Um ser fora dessa coletividade pensará e agirá de modo diferente. Portanto, para estudar os fenômenos sociais devemos partir desse “ser psíquico” formado, não dos indivíduos.
O sociólogo ainda versa sobre o conceito de “causa eficiente”, o qual explica os fatos sociais através da função que exercem socialmente. Essa função está ligada aos objetivos desses fatos, sendo que um deles é manter a coesão e a disciplina social.
A partir do exposto e do estudo sobre Durkheim, chegamos a conclusão de que aos seus olhos a individualidade é muito insignificante diante à coerção que o “fato social” exerce sobre cada indivíduo da sociedade. E, portanto, não devemos concentrar no indivíduo o estudo dos fenômenos sociais, como é proposto pelo método psicológico, pois a sociedade está acima do indivíduo. 

Aluna: Juliana Furlan de Carvalho - 1º Ano Noturno 

A Corrente Social e o Linchamento Moral

   É fácil, hoje em dia, ligar a televisão e, trocando os canais, ver a seguinte cena: uma viatura, chegando a delegacia, e dezenas de pessoas ao redor gritando palavras de ordem e repúdio. Principalmente em casos famosos de assassinato, sim, aqueles em que a mídia tanto martela e que depois de uns dias caiu no esquecimento. Mas a questão é: quem são essas pessoas que largaram seus empregos, seus lares e foram ali na frente da delegacia demonstrar a sua indignação para com o caso?
Talvez, possamos analisar a situação melhor, partindo da constatação de alguma entrevista dada em um cenário como esse. Imagine só, um cidadão de bem, comum, que paga seus impostos e trabalha de segunda a sábado, acabou de sair do trabalho e está lá, protestando contra a barbárie. Por quê? Poderia perguntar o repórter. "É um caso deplorável, matar o próprio marido e o cortar em pedaços? É desesperador pensar que um ser assim logo estará nas ruas de novo." 
Além de Durkheim, que explica tal coisa pelo fato de que somos levados a realizar ações em massa, através da corrente social, e no caso houve uma comoção pública que o justifica, o psicanalista italiano radicado no Brasil Contardo Calligaris, colunista da folha, nos dá uma visão interessante do fenômeno, a turma do linchamento moral na porta da delegacia, além de movida pela corrente social e instituída assim pelo fato social, demonstra uma necessidade psíquica de se provar melhor que o outro, no caso aquele que é acusado pelo crime. Necessita-se apontar os erros do outro para que se escondam os seus. E o bonde, então, depois de alguns minutos e muitos gritos putos, voltam para casa e entusiasmados contam à família "Liga a televisão, vou aparecer no jornal".

Gustavo Soares Pieroni
Direito Matutino 1ano

Não podemos tanto assim


Quando Durkheim diz que o fato social independe da vontade do indivíduo, pois este o sofre de forma coercitiva e externa à sua consciência individual, ele evidência a falsa liberdade na qual pensamos viver, pois grande parte do que fazemos, somos e queremos não nos é inteiramente próprio e sim fruto de uma alma coletiva.
 Durkheim também nos mostra que por ser o fato social uma força externa ao indivíduo, a criação ou mudança do mesmo foge à capacidade individual de cada um, a criação de um novo fato social carece além de um fato social anterior, de condições físicas e gerais para se estabelecer, ou seja, não há possibilidade de criar-se um fato social “do nada” pois o mesmo tem natureza autônoma.
 Essa autonomia dos fatos sociais não torna o indivíduo completamente alheio à evolução e ao desenvolvimento desses fatos, pois as vontades do indivíduo, quando amplamente difundidas e obtido certo consenso, podem ajudar no desenvolvimento e evolução de fatos sociais preexistentes. Um exemplo disso são as leis que, apesar de serem baseadas em tradições e morais impostas historicamente, podem ser sempre revistas e adaptadas conforme a vontade geral.
 Todavia, a vontade do indivíduo é apenas parte do processo de mudança do fato social, pois o mesmo depende também de condições físicas favoráreis para mudança dessas tendências.


Marco Aurélio Barroso de Melo - 1º ano Direito/Noturno


A analise durkheiminiana como exemplo simplicidade consistente



A plataforma de analise durkheiminiana, como uma lente singular dentre marxismos e seus dialogantes, bem como dentro outros meios analistas da sociedade, não elimina nem as condições histórico-materiais e nem a legitimidade das idéias que procedem estas condições por detectá-las. Portanto, sendo sui generis e desviante desta fixação na indutividade do econômico para o social, Durkheim, ainda materialista se distancia do historicismo e, uma vez embasando sua sociologia na 'natureza da vida social' abre caminho para uma modalidade crítica muito mais aberta que, em sua simplicidade e perfeição lógica de que a natureza de algo regula e permite os próprios fenômenos como o Universo com suas Leis intrínsecas, por seu aparente acerto basal pode se superar e se inovar, mantendo-se consistente, continuamente.
Pela simplicidade da pedra angular, as explicações pautam-se em referenciais derivados desta também simples e consistentes: relações, relatividade, funcionalidade, fato social como coisa (empírico), ordem e desordem (das instituições), analise neutra (passível de por sucessivas discussões tornar-se mais objetiva e imparcial, e portanto, pura) instituições formais ou informais e materiais ou imaterais E imersão de 'si' e emersão do 'nós'.

(Fabio César Barbosa, 1º DN)

É tudo construção social!

     As ideias de Durkheim estabeleceram a base para o estudo sociológico na França e no mundo. De modo geral e sucinto, a sociologia seria o estudo das reais instituições (crenças e tradições) de uma sociedade, partilhadas pela maioria de seus membros. Para melhor entender essa realidade coletiva o estudioso criou o conceito de fato social, o qual teria três características básicas: generalidade, coercitividade e externalidade. Dessa maneira, para uma ação ser considerada fato social em determinada sociedade é preciso que esta afete a todos os indivíduos de maneira quase uniforme, coercitiva (independente de vontades individuais) e externa (é anterior ao indivíduo e orienta-se da coletividade para o mesmo, não deste sobre àquela). É considerado positivista mas se afasta do pensamento comtiano ao afirmar que as ações humanas, em sua maioria, possuem motivação social e não psíquica, como antes afirmava o pai do positivismo. Além disso, enfatiza que um fato social só é criado pela sua necessidade e a partir de condições sociais internas e funcionalmente adequadas que o condicionem, ou seja, de nada vale a vontade individual na origem de um fato, a necessidade da coletividade é seu gênese; e para a explicação do mesmo é preciso invocar as necessidades, causas eficientes, que o ocasionaram e deixar claro que estas independem da causa final do fato, ou seja, o "porque" do surgimento de um fato não tem a ver com o fim a que ele serve, tanto é que existem fatos sem finalidade alguma.
      Além de explicar o fato social, expôs como estudá-lo. Primeiramente, é preciso tratar como coisa o fato observado, para ver a ação social como algo concreto, passível de estudo científico e evitar subjetivismos. O olhar do sociólogo observador deve ser impessoal, objetivo e analisar os fatos em comparação a outros fatos daquela sociedade, visto que cada uma possui sua "lógica". Ele adota uma visão relativista em comparação com o universalismo comtiano (que analisou as diferentes sociedades em um só patamar, classificando-as como inferiores ou superiores). 
      Em suma, para o francês, a coletividade tem predominância sobre a vontade individual e a primeira é responsável por orientar a segunda. Ou seja, tudo que somos e construímos é derivado de um sistema de tradições anteriores à nós, este, por sua vez, é fruto de uma consciência social/coletiva mais forte e que age sobre a consciência individual. No nosso sistema, cada indivíduo cumpre uma "função" e se associa a outros pelo papel desempenhado por cada um na sociedade, formando uma solidariedade; essa associação de indivíduos orientados por fatos sociais é o que caracteriza a sociedade. 
Maria Clara Laurenti, diurno
            O hoje, o ontem e o amanhã

O sociólogo francês Émile Durkheim conduz sua obra “As regras do método sociológico” explicitando a necessidade de prudência na análise dos fenômenos interiores à sociedade, tendo em vista a elaboração de estudiosos anteriores ser considerada vaga e flutuante a respeito do tema, por priorizarem o fim dos fatos considerando-os por um viés excessivamente psicológico.
A compreensão do fato social, segundo o autor, encontra-se exterior ao domínio individual, e dessa forma, há a dissociação da produção do agir, pensar da concepção particular e consciente. Ao incutir tal afastamento Durkheim considera, por exemplo, valores e crenças ainda hoje difundidos, como por exemplo a moral religiosa, proveniente de uma determinada educação, fruto de uma imposição, podendo ser na infância forçada por uma coerção direta (o que pode ou não ser aceito) e na fase adulta por uma coerção indireta (aceitação de determinados princípios como habituais).
O “estado de alma coletiva” Durkheiminiano molda, dessa forma, uma pressão geral imperiosa que se constata no direito, na moral, nas crenças e nos princípios comuns difundidos capazes de compelir os indivíduos aos “movimentos de vivo entusiasmo”, que marcam as correntes sociais presentes diariamente em âmbitos como por exemplo o legislativo brasileiro, que possui como protagonistas defensores de morais milenares, valendo-se sobretudo de princípios ensinados e validados por uma grande massa popular em prol de determinadas autoridades.

Ao analisar a causa eficiente dos fatos sociais, o autor propõe a finalidade da força de natureza própria que implica, em suma, mudanças pela manutenção da funcionalidade coletiva e dessa forma a ocorrência da reação social motivada pelo corte do elemento nocivo. Tal harmonia social transposto na atualidade, entretanto, esbarra com os princípios valorados pelos diversos grupos sociais que compõem o todo brasileiro, tomado como exemplo, o que se discute, todavia, é a preponderância de quais valores para a manutenção da organização social, o qual apenas a natureza própria da sociedade é capaz de responder.

Rafael Varollo Perlati       Direito Noturno 1ºano

Torcer para as olímpiadas, um fato social ?


Émile Durkein em sua obra “ A Regra do Método Sociológico” critica outros estudiosos por não elaborarem um método para análise dos fatos sociais, assim como define o que para ele são fatos sociais, são coisas, que atuam diretamente no nosso modo de agir, pensar e sentir, e que são dotadas de 3 características básicas, exterioridade, coerção e generalidade.

Exterioridade porque eles não dependem de um único indivíduo, são externas a ele, inerentes a ele, coerção porque os fatos sociais levam os indivíduos a agirem de acordo com a expectativa do seu grupo, e generalidade pois nenhum individuo do grupo sofre exclusivamente aos fatos sociais ou é excluído dos seus efeitos, é geral a todos.

Logo para Durkein o indivíduo autônomo não existe, ele é levado pelas forças morais de sua sociedade a agir de uma determinada forma, e para ele também, o próprio individualismo se forma pela coletividade. Durkein também afirma que os fatos sociais são permanentes, já que exercem uma função importante no organismo social, para o mesmo a sociedade é um organismo, dotado de diferentes partes com diferentes funções. Então para se entender um fenômeno social é preciso estudar separadamente a causa eficiente que ele produz e a função que este cumpre. Sendo que a causa eficiente deve ser procurada em fatos sociais anteriores ao que está sendo estudado e a função social deve ser procurada na relação dos fatos sociais com seus objetivos sociais.

Deste modo, fazendo uma ponte com a atualidade, é possível observar a animação geral com as olímpiadas e com a exibição jogos como um fato social, todos estão torcendo e falando disso o tempo todo, logo você se vê obrigado e contagiado com a energia de colegas e moradores da sua casa a assistir, vibrar e se divertir com os jogos também, coisa que eu particularmente não faria se estivesse só em casa. Logo essa emoção e dedicação com os jogos das olímpiadas exerce uma coerção sobre os indivíduos, é exterior a eles e é geral a todos os indivíduos, as pessoas, portanto, são levadas a agir de uma determinada maneira pelas forças morais da sua sociedade, ou grupo. E para se entender esse fenômeno social, de torcer para os atletas e para o Brasil nas olímpiadas, sendo que a maioria das pessoas eram contra a realização dessa olímpiada, é preciso entender a causa eficiente produzida por ele e também  a função que este cumpre. A causa eficiente seria os motivos que desencadearam esse fenômeno social, e que para mim se deve a transmissão massiva dos jogos olímpicos assim como excessiva propaganda dos mesmos nos meios de comunicação, e a sua função social, também na minha opinião, seria reforçar o nacionalismo do país, assim como mascarrar, mesmo que momentaneamente os problemas enfrentados no Brasil.


Isabela Gisela Heuberger - 1° Ano Noturno

O pós-positivismo Durkheimiano

O francês Émile Durkheim foi um grande sociólogo pós-positivista do século XIX. É considerado um dos fundadores da sociologia moderna, uma vez que foi ele quem buscou definir o objeto e o método de estudo da Sociologia.

De acordo com Durkheim, o objeto principal da Sociologia é o fato social. Ou seja, um maneira de pensar ou agir tem como principais características a exterioridade e a coercividade.

Em sua principal obra, “Da Divisão Social do Trabalho”, é feita uma análise a respeito da sociedade e das estruturas que a constituem.
Segundo ele, as sociedades primitivas são aquelas nas quais prevalece a consciência coletiva – um único pensamento compartilhado por todos os habitantes dessa sociedade; e as sociedades modernas são aquelas pautadas no direito restitutivo e racionalidade, ou seja, onde cada indivíduo tem sua consciência e age de acordo com suas própria convicções.

A atualidade da teoria durkheimiana é evidente, como, por exemplo, na questão do homossexualismo, tratado como uma “mutação”; uma “anormalidade”. Essa consciência abordada por Durkheim é própria das sociedades primitivas, porém, ate hoje recorrente em nossa modernidade.

Como Durkheim pretendia fazer da Sociologia uma ciência racional e objetiva, seu princípio fundamental do método sociológico que o fato social deve ser observado como uma coisa, assim como outras ciências, criando um distanciamento entre o investigador e o objeto que está sendo estudado.

A perspectiva de Durkheim acerca do fato social como “coisa” e da criação de métodos de estudo da Sociologia como ciência das realidades remonta a Comte: ambos defendem a ideia de uma prevalência da sociedade perante o indivíduo; apesar daquele achar este muito metafisico ao conceber o progresso como o sentido de toda a História, distanciando-se da verdade sociológica cientifica.

Juliana Sant'Anna - 1º Ano Direito (Noturno)

A contemporaneidade de Emile Durkheim


É impressionante como as ideias de Emile Durkheim, sociólogo do século XIX, conseguem ser atuais nos dias de hoje. Talvez se encaixem até mais na atualidade do que naquela época; visto a proliferação dos meios de comunicação em massa como a Internet (que reflete a sociedade global e seus anseios). De fato, Durkheim versava sobre a predominância do social, do todo em si, em relação ao individual. O individualismo verdadeiro não existe; toda ação teria seu motivo e origem no plano social.

Para demonstrar isso, tomemos o exemplo do jogo do momento: Pokémon go, um produto que já está sendo jogado por milhões de pessoas. Mesmo assim, há indivíduos que são ‘’contra’’ o jogo, pois eles se consideram ‘’diferentes’’ e ‘’imunes’’ à toda pressão social ;em outras palavras, são contra as ‘’modinhas’’. Mas isso não seria necessariamente verdade. Durkheim, se estivesse vivo hoje, provavelmente diria que esses indivíduos ditos ‘’diferentes’’ e ‘’imunes’’ aos demais são apenas reflexo de outro grupo social, e tomam essa atitude pois esperam uma certa reciprocidade desse outro grupo. A sociedade de massa de que eles tanto são contra é prevalente de qualquer forma; e suas ações são forjadas pelo coletivo de onde eles possuem contato.

Podemos ir além com o mesmo exemplo do Pokémon Go e mostrar novamente como ele exemplifica as ideias de Durkheim. Quando um jogador é banido do jogo por ‘’trapacear’’, a desenvolvedora não está fazendo isso para educar o infrator; e sim para atingir a consciência coletiva e usá-lo como exemplo de que jogadores desonestos não serão tolerados. Fazendo isso, ela evita essa patologia (trapaça) de se espalhar no universo social de seu produto e causar uma ‘’anomia’’; onde as leis criadas pela desenvolvedora não valem mais nada e o caos se instaura levando ao desmoronamento/falência do jogo. Essa ideia de anomia pode ser aplicada à diversas outras situações, e claro, até para o Estado de Direito. Dito isso, podemos considerar Emile Durkheim como um sociólogo certamente à frente de seu tempo.


André Luís de Souza Júnior

1º Ano Direito Noturno UNESP 2016

Utilidade Pública

Normal?
Ser roubado por um marginal
Para Durkheim é normal, necessário e útil
Só pode ser brincadeira
Assaltado por um marginal agora é necessário

Utilidade pública: precisamos ser assaltados.

Calma meu caro, o ódio do crime também é normal
É por isso que é tudo banal

O fato social é o Direito
É banal?
Não meu chapa, ele é “algo coercitivo”

A conservação do marginal
E a revolução natural
Andam distantes mas conjuntas
Pois a desconstrução é todo dia

A cada fato social, uma quebra de definição.

Thalita Monteiro - 1º ano Direito Noturno. 

A Atualidade da Concepção Durkheimiana de Educação



  Segundo Durkheim, o papel da educação é forjar o ser social, incutindo-lhe regras, que, gradativa e resignadamente, são interiorizadas. Portanto, este processo de socialização é responsável pela imposição de visões e comportamentos que os indivíduos não alcançariam espontaneamente.
  Embora tal pensador tenha atuado na segunda metade do século XIX e nas décadas iniciais do século XX, continua atual a sua concepção acerca da educação, sobretudo, se considerarmos o contexto educacional brasileiro.
  No Brasil, independentemente do nível de ensino, não predomina a educação plural, multilateral, emancipatória. Mesmo em universidades, onde seria natural a abordagem de múltiplas perspectivas em sala de aula, prevalecem vieses de interpretação da realidade. Não é incomum, na condução das disciplinas universitárias, que docentes restrinjam a perspectiva de análise dos fenômenos, especialmente os sociais, adequando-a a suas convicções ideológicas. Como exemplo recente de tal ponderação, apresenta-se a problematização do processo de impedimento presidencial de Dilma Rousseff, que costuma desenvolver-se de maneira radical, alinhando-se à ideologia de “direita” ou à de “esquerda”, conforme o professor mediador.
  Até as tentativas de questionamento do contexto supracitado, como o movimento “Escola sem Partido”, travestem-se de uma pretensa neutralidade com o discurso defensor de práticas educativas politicamente imparciais, contudo, trazem consigo propostas retrógradas, de ranço conservador, com o intuito de cercear a discussão acerca da diversidade sexual/afetiva, por exemplo.
  Em suma, pode-se afirmar que a educação brasileira, apesar de já avançarmos na segunda metade do século XXI, continua sendo conduzida de maneira unilateral, a serviço dos grupos ideológicos mais expressivos. Logo, revela-se premente que educadores, comprometidos, de fato, com o desenvolvimento de seus alunos, encorajem-se a defender, formular e implementar práticas educacionais multilaterais que permitam ao discente construir/reconstruir o conhecimento como sujeito ativo do processo de ensino e aprendizagem.

Marcos Paulo Freire - Direito Noturno

A lógica de Durkheim nos atuais fatos sociais

        Durkheim, em sua dissertação sobre as “regras relativas à explicação dos fatos sociais”, determina, explica, exemplifica e justifica por argumentos empíricos como a sociologia deve abordar os fatos sociais, fazendo análises e críticas a diversos outros sociólogos. Ele diz que a maioria dos cientistas sociais se contentam em explicar os fenômenos pela sua finalidade e papel, porém mostrar se um fato é útil não é explicar como ele surgiu, nem como ele realmente é, pois os usos a que servem supõem as propriedades específicas que os caracterizam, mas não supõem as criadoras, as quais realmente sustentam a análise sociológica científica. Quando se estuda um fenômeno social, é preciso pesquisar separadamente a causa eficiente que o produz e a função que ele cumpre, assim determina-se se há correspondência entre o fato considerado e as necessidades gerais do organismo social.

            É na natureza da própria sociedade que se deve buscar a explicação da vida social, pois ela supera o indivíduo tanto no tempo como no espaço, sendo capaz de impor-lhes as maneiras de agir e de pensar que consagrou por sua autoridade, pressão que todos exercem sobre cada um, a coerção social. Desta forma, Durkheim não utiliza da psicologia para explicar fatos sociais, para ele a sociologia não pode ser explicada simplesmente porque os homens são as partes do todo (sociedade) e deles que emanam os fenômenos, uma vez que a sociedade não é simplesmente a soma de indivíduos, um todo não é idêntico a suas partes somadas; mas sim um sistema formado pela pela associação deles, representando uma realidade específica que tem seus caracteres próprios. Ao se agregarem, as almas individuais dão origem a um ser, que constitui uma individualidade de um gênero novo. Portanto, é da natureza dessa individualidade, não das unidades componentes, que se devem buscar as causas próximas de fenômenos sociais. Um grupo pensa, sente e age de forma diferente do que fariam se isolados, pois as emoções, tendências e atitudes coletivas não são geradas pela consciência dos indivíduos, mas sim as condições do grupo social em conjunto. 
           Fazemos da coerção, uma característica de todo fato social, só que essa não resulta de uma maquinaria destinada a mascarar aos homens as armadilhas nas quais eles mesmos se pegaram. Há uma força natural que domina o homem proveniente das entranhas da realidade. Basta o indivíduo tomar consciência de seu estado de dependência e inferioridade para se submeter de boa vontade. A superioridade da sociedade não é só física, mas também moral e intelectual.
            É através desse embasamento sociológico de Durkheim que podemos entender as estruturas vigentes dentro dos vários âmbitos da sociedade, desde a economia, a história e a política, até o entretenimento e a  família, utilizadas para dominação de corações e mentes ao longo de toda história humana. Aludindo ao conceito de indústria cultural de massa de Horkheimer, nota-se hodiernamente que a mídia tornou-se um instrumento voltado para a padronização dos gostos das pessoas e para a imposição de uma ideologia política hegemônica, visando a menor diversidade de pensamentos e maior fabricação em grande escala de produtos idênticos, para que tais massas consumam estes mesmos produtos e o capital concentre-se ainda mais e sua ideologia vinculada a tal indústria se mantenha influente e dominante. No entretenimento, por exemplo, há uma hegemonia na música e no cinema de certa nacionalidade, com algumas satélites, que tomou conta de boa parte do que é consumido em tais veículos, impedindo o desenvolvimento da diversidade cultural ao redor do mundo, além de comercializá-las ao ponto de perderem seu valor artístico. Entretanto, pode fazer com que a negativa de Durkheim sobre os indivíduos somados não são equivalentes ao todo tornar-se real com a padronização das pessoas e a equivalência de seus valores, sendo consideradas consumidores numéricos.
            A globalização do final do século XX foi um fenômeno que catalizou tal fato, uma vez que o mundo se conectou e as culturas dominantes invadiram todos os espaços possíveis, deteriorando práticas e costumes locais, ao pregar uma moda universal com padrões estéticos, econômicos e sociais inalcançáveis pela maioria da população mundial e valores próprios. Porém, antes desta, a dominação cultural e ideológica já existia, como no caso nazista, em que, através de uma ideologia baseada no discurso de ódio, impulsionada pela crise econômica e descrença da população, o fascismo tomou conta da Alemanha, ganhando adeptos "cegos politicamente" em relação ao desrespeito que proferiam e praticavam. E é a partir de tais fatos sociais que a coerção social surge, através de uma revolta que ergue-se no meio do povo e dissemina-se pela nação ou a moda que toma conta dos ambientes sociais e a exclusão faz as pessoas se submeterem às novas convenções. Portanto, ambos os casos demonstram que a coerção social age inconscientemente nos indivíduos e não partem da subjetividade de cada um e sim de fatos antecessores, como uma crise econômico-social e uma dominação político-cultural.

Henrique Mazzon - Direito Noturno

Emancipação

É dessa causa eficiente, de organicidade aparente
Que se vem a resposta, a resposta ao fato
Ao fato social e sua função
Que de nada vale se não for pra coesão

Mas coesão de que ? Do mundo
Do sistema, do que for
Sociedade lancinante, que se remói de horror
O fato mesmo antecede

Desse nascituro o indivíduo já se estabelece
Faça isso, faça aquilo
Ó não, dessa dinâmica social eu já me cansei
Mas digo uma coisa, tentei

Tentei fugir, tentei me esconder, tentei correr
Acorrentado pelas bases, castigado pela união

Já não suporto, quero emancipação 

Caio Henrique Turco
Direito - Matutino 

A decisão não nos pertence

          Durkheim desenvolve o conceito de fato social, que trata sobre o agir do homem em sociedade pela visão sociológica. Dessa maneira, ele difere seu campo de estudo, já que o comportamento humano pode também ser analisado biológica e psicologicamente. Tal distinção consiste em que o fato social tem origem coletiva, é algo que existe exterior e anteriormente ao indivíduo, independendo deste; e faz-se sentir ao tentar fugir dele, em razão da coerção que exerce sobre cada um.

          Sentimentos e pensamentos comuns a várias pessoas não são frutos da soma de percepções gerais, que acabou por gerar uma mesma conclusão, mas de uma dinâmica social que os orienta e os predispõem a realização do fato social, sem que seja necessária a reflexão e a elaboração de tal. A acomodação às regras e a existência de uma utilidade no fato social nos fazem acreditar que algumas ações e sentimentos são concebidos por nós próprios.

          Sobre o fato social possuir uma utilidade, não é esta que o define. Não basta que se tenha consciência de sua necessidade, que se queira sua existência para que ele surja. Entretanto, possuir uma utilidade é o que o mantém, servindo à causa efetiva.

          Por exemplo, a punição para crimes não existe, a princípio, para servir de exemplo e evitar novos crimes iguais ou para recuperar o criminoso de volta às normas, mas sim para acalmar a indignação coletiva diante do delito. Entretanto, a punição realmente possui a função “educativa”, que apesar de não criar o fato social, o sustenta como algo necessário, garantindo a harmonia em sua execução.

          Isso pode ser melhor observado quando há uma falha no fato social, quando a punição não ocorre. Nesse momento, não há controle sobre os sentimentos despertados na sociedade, ocorrendo casos de "justiça pelas próprias mãos".



Gabriela Fontão de Almeida Prado (diurno).
Do crime aos justiceiros: de Rachel Sheherazade a Bolsonaro

Émile Durkheim foi um expoente sociólogo do século XIX, sendo que durante sua produção de conhecimento sociólogo, seu objeto de estudo foi o fato social que é o conjunto de ações de como os indivíduos agem em sociedade, de como eles sentem e se expressam diante do mundo a sua volta.
Para o sociólogo, o crime é um fato social, quando em baixas taxas, pois ele pode se tornar patológico, mas ele é considerado um fato social, pois sempre existiu em todas as civilizações da história da humanidade, inclusive em pequenos agrupamentos em locais isolados, é algo que todo mundo sabe da existência, mas o principal é que ele é sujeito à coerção, que quando aplicativa, sirva de exemplo para os outros membros da sociedade não cometerem, sabendo que haverá coerção, então se mostra a função social do crime.
Mas, à medida que o crime se torna algo em grandes proporções, e que a coerção não está sendo suficiente para diminuí-lo, ele se torna um fato patológico, e no Brasil em 2014 a população de algumas cidades resolveu tentar diminuir o crime na sua cidade, prendendo suspeitos em postes, batendo neles, torturando e muitas vezes executando, eles começaram a ser chamados pela população local e pela imprensa de “justiceiros”, mas o fato deles existirem, segundo a perspectiva de Durkheim, torna a cidade ainda mais patológica do que ela estava antes, pois agora a população está indo contra as normas do Estado, para eliminar pessoas que vão contra as normas do Estado.
E diante do surgimento desses “justiceiros” a jornalista Rachel Sheherazade, fez um comentário no jornal, apoiando esse grupo, inclusive elogiando-o, mas fazendo uma analogia, Rachel Sheherazade seria como o crime, algo que sempre existe, no caso, ela representa, pessoas que ferem os direitos humanos, achando que apenas algumas pessoas podem tê-los assegurados, mas é impossível acabar com todas as pessoas que pensam igual ela, então ela serve para ser punida, para que as outras vejam haverá consequências, que foi o que aconteceu, pois ela levou uma bronca do dono da emissora (Silvio Santos, dono da SBT) e ficou proibida de opinar em sua emissora.
Mas se o “problema” Rachel Sheherazade se tornar fora de controle, vira patológico, que é o caso de uma pessoa como Jair Bolsonaro, que atualmente é deputado federal e pré-candidato a presidência da república das eleições de 2018, e isso se torna uma patologia, pois Bolsonaro possui uma quantidade muito grande de pessoas que o seguem, apoiam suas ideias e a disseminam, ideias que têm os mesmos princípios que os da Rachel Sheherazade, o “problema” Sheherazade que devia existir apenas com a finalidade de servir de exemplo, para as pessoas não o seguirem, se torna grande, quando outra pessoa, que desta vez, detém um poder muito maior e uma influência que podem levá-lo à presidência dependendo das circunstâncias, mesmo que ele não consiga a presidência, talvez outros grupos busquem seu apoio devido ao grande público que ele possui e para apoiá-los, Bolsonaro terá algumas reivindicações garantidas.
Hélio José dos Santos Júnior - 1º Ano - Direito Noturno

Considerações sobre o conforto das algemas

Ao aperfeiçoar a teoria positivista iniciada por Auguste Comte, Durkheim introduziu as bases para a utilização do estudo sistemático no ramo sociológico, tratando a sociologia como uma ciência própria e distinta. Desta maneira, através de seus estudos sobre indivíduos e sociedade, Durkheim tornou-se um inovador no campo, sendo considerado um dos principais pilares para o pensamento da sociologia moderna.

Numa crítica aos estudos sociológicos de sua época, Durkheim se esforça para elevar a sociologia ao patamar de ciência legítima, dirigindo seu enfoque para o estudo da sociedade como um todo, e não para indivíduos como particulares. Sua filosofia mais conhecida rodeia a questão do fato social que, em suas palavras, “é toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada, e ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais”.

Portando, a sociedade vai além de um simples ajuntamento de pessoas reunidas no mesmo local. A sociedade é uma máquina, um ser vivo. É o conjunto das mais diversas crenças e pensamentos dos indivíduos que a ela integram. E valendo-se desse funcionamento nasce a “consciência coletiva” através da fusão das “consciências individuais”. Em outras palavras, a coerção dos fatos sociais forma certa padronização de costumes, que existem fora da consciência dos indivíduos, sendo um fenômeno autônimo que refleteum estado do grupo, que se repete nos indivíduos porque se impõe a eles. Ele está em cada parte porque está no todo, o que é diferente de estar no todo por estar nas partes”. O fato social então forma – através da coerção – as instituições necessárias para o funcionamento da sociedade, como moral, religião, política etc. Assim, como as manifestações sociológicas sempre retornam a natureza da vida social, os fatos sociais explicam-se através de outros.

Desta maneira, é interessante reforçar a influência que os fatos sociais possuem em nosso cotidiano e principalmente, suas consequências. Se por um lado os indivíduos que buscam “romper” com o normativo sofrem duramente com a repressão da própria sociedade, olhando por outro ponto de vista, o indivíduo que se submete a coerção desta carrega consigo o sentimento de unidade, de pertencer a um grupo, confortando-se na proteção das “algemas” que a comunidade oferece. 

Bárbara Jácome Vila Real; 1º Ano do Direito Matutino

"Pense, fale, compre"

Após apresentar o conceito de fato social no início de sua obra, em um segundo momento, Durkheim busca analisar sua função, ou seja, a parte que cabe a ele no estabelecimento da harmonia geral. A origem do fato social, para ele, encontra-se em outro fato social, nunca em disposições individuais ou psicológicas.

De acordo com o pensamento do filósofo o qual é baseado na sobreposição da sociedade em relação ao indivíduo, é possível comparar, atualmente, a padronização de hábitos alimentares, vestimentas, formas de lazer atingida pelo sistema capitalista com a sua crítica. As vontades dos seres humanos, apesar de aparentarem provenientes da individualidade, são na verdade necessidades gerais e intrínsecas de todo organismo social.

Daí o conceito de densidade mecânica e material, a primeira definindo-se pelos vínculos morais comuns que marcam a essência da vida coletiva e a outra, que mesmo definida pelo volume de habitantes no mesmo espaço físico, também possibilita a existência de uma vida padrão entre grupos distantes geograficamente.

Diante de uma sociedade acelerada, ansiosa e até “doente”, todos nós reproduzimos ações involuntárias as quais passam despercebidas, tornam-se naturais e deixam de ser questionadas. A canção “Admirável chip novo” da cantora brasileira Pitty, apesar de baseada na obra "Admirável mundo novo" de Aldous Huxley, aproxima-se também ao pensamento durkheimniano no que se refere à falta de individualidade devido a coerção social, explicitada na música como advinda do governo e mídia.

Felipe Pereira Polesel
Direito Matutino


O pensamento Durkheiniano na sociedade contemporâna

Émile Durkheim define fato social como uma coercitividade que atinge as pessoas em uma sociedade. Essa coerção é exterior ao individuo. Desse modo, o fato social influencia os cidadãos. Por exemplo, desde o modo de se vestirem para uma certa ocasião até pensamentos políticos e ideológicos em um ambiente universitário, que teoricamente deveria ser um espaço aberto para várias opiniões diferentes a fim de enriquecer o debate e a heterogeneidade de ideias. Contudo, na prática, é bem diferente. Nota-se um ambiente muito mais hostil, que refuta qualquer tipo de pensamento que vá contrário à corrente ideológica dominante. Assim, o fato social está presente no cotidiano das pessoas.
Outro ponto importante a ser discutido no pensamento Durkheniano é o conceito do funcionalismo. Segundo o filósofo, a sociedade é como um organismo. Os indivíduos seriam as suas “células” e, na sociedade moderna, há uma interdependência entre as “células”, algo que Durkhein denomina como “solidariedade orgânica”. É interessante notar que, quanto mais desenvolvida for uma sociedade, mais dependente as pessoas estarão umas das outras.

O problema é quando o individualismo começa a ofuscar a solidariedade. Essa Deficiência pode ser chamada de anomia. Analogamente, no Brasil e no mundo, nota-se cada vez mais esse egoísmo das pessoas, discurso de ódio mascarado de liberdade de expressão, preconceito, racismo, ataque às minorias, repressão aos refugiados, tudo o que segrega a sociedade pode ser considerada uma tentativa de quebrar com a coletividade, ou seja, pode ser considera uma anomia. O combate a essa “doença” se dá justamente com o estudo e combate a qualquer tipo de segregação, por meio do ensino e do respeito à diferença de ideias, opiniões. Desse modo, pode-se atenuar o tumor da anomia e se construir uma sociedade mais justa, mais bonita, mais coletiva.


Felipe Vital- direito noturno

Uma compreensão sobre o pensamento de Durkheim

A compreensão do pensamento de Durkheim, pode ser considerado a busca por causas do debate mais contemporâneo de teoria do conhecimento , metaciencias que também buscam uma reflexão mais concisa sobre a sociologia. Durkheim estipula o fato social como objeto de seu estudo o que lhe garante uma certa autonomia em relação a outras ciências e também a filosofia . 
Durkheim caracteriza o fato social como “independente de suas manifestações individuais” ou seja nós os individualizamos, o que lhes permitem se transformar e adaptar em relação ao próprio individuo .O sociólogo também  propõe regras para explicar o fato social como que sua causa determinante deve ser atingida através de fatos anteriores e não entre estados de consciência individual e ainda sua função deve ser buscada através da relação que mantem com algum fim social. Para Durkheim, há predominância da sociedade sobre o indivíduo, e o fato social não é apenas a soma dos comportamentos individuais, pois ele é dotado de natureza própria. O indivíduo, ao agir, pensar e sentir, segundo o autor, expressa fatos sociais anteriores e suas condutas estão relacionadas também a fins e a fatos sociais posteriores. Assim, agir em sociedade, mesmo em benefício próprio, significa adotar comportamentos coletivos e não meramente individuais. As maneiras de ser, pensar e sentir, expressando-se através da moral, da religião, da educação, da produção e do consumo, da política, dos costumes, dos gostos, da moda etc., são socialmente determinadas e configuram os exemplos dessa relação.

Alison Oliveira Martins 1° Noturno

"Escola Sem Partido": Análise do projeto utilizando-se de conceitos alumiados por Émile Durkheim

   O projeto político pedagógico em curso, "Escola Sem Partido", cujo avanço em aprovação na esfera pública é estrondoso, preocupa àqueles que nutrem interesse e paixão em educar de maneira plural e progressista.
   A partir do conhecimento extraído da leitura da obra de Durkheim, "As Regras do Método Sociológico", capítulo I e V, admite-se que a educação tem por objetivo formar o ser social, da página 5: "(...) Toda educação consiste num esforço contínuo para impor às crianças maneiras de ver, de sentir e de agir às quais elas não chegariam espontaneamente, (...)", sendo a pressão social que sofre a criança, a mesma que está sujeita seus pais e mestres, estes não são mais do que representantes e intermediários deste fenômeno social. Tendo em vista também que, utilizando a mesma fonte citada pelo autor citado, não há conhecimento de sociedade com pedagogia que permita a criança agir em plena liberdade, todos os exemplos de ensino existentes possuem práticas coercitivas com intuito de moldar o indivíduo à imagem da sociedade. Contudo, e por isso, pode-se afirmar que o estilo de educação pública aplicado em determinado país, reflete a sociedade (ou uma parte dela) que nele está contida. 
   Assim, contrariando o suposto intuito estampado pelo projeto, este ao invés de "livrar o aluno inocente de doutrinações praticadas por professores mal intencionados e tendenciosos" possui uma ideologia conservadora e restritiva em sua essência - delimitando o que é válido como conhecimento científico e o que não é, por ser de origem ideológica; o que na prática significa decidir através de um instrumento institucional (com autoridade para agir sobre os indivíduos) o que o aluno deve aprender e até quem irá se tornar, como irá pensar, etc. Privando-o de decidir por si (apesar de sujeito a opinião coletiva) qual posição política e ideológica pretende seguir, ao invés de "impedir que seja influenciado" - esse impedimento, de acordo com Durkheim, seria então impossível, o indivíduo está submetido a ação coercitiva que regula os fatos sociais, e é influenciado seja na escola, ou em qualquer ambiente, pelos outros indivíduos.
   Então, conclui-se que este projeto, decomposto seu argumento central, visa sob interesse daqueles que formularam seu conteúdo, somados aos apoiadores da esfera pública - que compreendem seu intuito dissimulado, não os que o defendem por estarem iludidos, por vezes sob efeito das "correntes sociais" como afirma o sociólogo -, formar uma "consciência coletiva" alienada à estrutura de dominação imposta, e aos abusos cometidos por autoridades de poder, que mantenha uma opinião rasa alinhada à cultura dominante, no propósito de manterem-se as desigualdades, e o status quo.

Aluna: Luana Ambiel Marachini   Turma XXXIII      Período: noturno
  

Segundo a Gramática, segundo Durkheim

fato social
substantivo composto masculino
  "maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, e que são dotadas de um poder de coerção em virtude do qual esses fatos se impõem a ele". Nem toda ação é um fato social - para ser considerado como tal, deve dotar de coercitividade, exterioridade e generalidade.
   
coercitividade
  1. substantivo feminino
    1. característica daquilo que é coercitivo.

  2.    2. Positividade, imperativismo. 
    Força constitucional que uma norma tem de se impor sobre as demais.
  3. DURKHEIM: Forma como os padrões culturais de uma sociedade se impõe aos indivíduos que a integram, obrigando-os (coagindo-os) a cumpri-las. 

exterioridade
  1. substantivo feminino
  2. 1. qualidade do que é exterior.

  3.    2. Lado exterior, parte de fora.
  4.    DURKHEIM: A sociedade já está organizada no nascimento dos indivíduos. Cabe a eles, por meio da educação, aprender suas leis, padrões e normas. 


generalidade
       substantivo feminino
       1. qualidade do que é geral, do que abrange uma totalidade de coisas, ou do que é    considerado em toda a sua extensão
   2. a maior parte, a maioria
DURKHEIM: Os fatos sociais não existem para um único indivíduo, são coletivos; existindo para todo um grupo ou sociedade.
solidariedade
substantivo feminino
  1. 1. caráter, condição ou estado de solidário.

  2. 2.
    jur compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas.

  3. DURKHEIM:
  4. - SOCIAL:
     derivada do termo “obligatio in solidum”, que no direito romano expressava, primitivamente, a obrigação comunitária; as responsabilidades que o indivíduo tinha em relação a uma coletividade à qual pertencia. Dividida em:
  5. 1. MECÂNICA: primitivamente, a sociedade se organizava a partir das semelhanças psíquicas e sociais entre os membros individuais. Sua semelhança de valores garantia a coesão social. 
  6. 2. ORGÂNICA: cada indivíduo tem uma função e depende dos outros para sobreviver. É fruto das diferenças sociais, já que são essas diferenças que unem os indivíduos pela necessidade de troca de serviços e pela sua interdependência.


indivíduo
      adjetivo
  1. 1. não dividual; indiviso.


  2. 2. substantivo masculino 
  3. qualquer ser concreto, conhecido por meio da experiência, que possui uma unidade de caracteres e forma um todo reconhecível.




  1. DURKHEIM: parte de um todo. 
  2. Menor que a sociedade.
  3.  Parte integrante desta. É socializado porque, embora tenha sua individualidade, depende dos demais e, por isso, se sente parte de um todo.








Mariana Luvizutti Coiado Martinez - 1º ano Direito Noturno