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sexta-feira, 13 de maio de 2016

Da vida das marionetes

Você pode acreditar na sua autonomia. Pode achar que tem pensamentos e opiniões próprias. Pode, até mesmo, morrer pelo que chamam de liberdade. Mas no fundo, é tão alienado quanto  quem você critica. É tão parte do sistema quanto uma engrenagem é do relógio. É tão parte da sociedade como a sociedade é parte de você. Por mais racional que possa parecer as tomadas de suas decisões, na real, não passam de impulsos tendenciosos produzidos por extinto animalesco e modelados pelas relaçoes sociais. Dessas algemas nem Harry Houdini escapa. Dessa vida, as marionetes já estão fadadas à eternidade. Afinal, o que é o homem senão marionete de "suas" vontades ? Digo "suas", porque não tem como o ser em sociedade separar o individual do coletivo, o material do imaterial, a razão do extinto. Não se pode fugir dessa sentença. É natural, é cruel e é tão real que não se pode mais ver. As ilusões são necessárias para trazer um mito, uma construção, um sentido por mais miserável que seja. Você precisa de algo para continuar respirando e a sociedade dá-lhe isso. Aprenda a conjugar os verbos! Entre numa universidade! Forme-se! Case-se! O imperativo é seu motor. Você pode negar, mas não mudar os fatos. Você pode ser o rebelde e sucumbir à contracultura, mas, mesmo o caos está controlado. Mesmo a estrela mais instável possui uma equação para descrevê-la. Não fuja. Aceite. Pois você já está dentro de uma f(x).