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domingo, 1 de maio de 2016

Os desafios da felicidade

A felicidade, apesar de ser uma palavra abstrata e de diferentes significados para os mais variados tipos de pessoas, é algo buscado por grande parte dos seres humanos. Mas a pergunta que fica é como atingir essa tal felicidade, que para alguns é um sentimento de bem estar, enfrentando desafios exteriores ao indivíduo ?
Muitas pessoas deixam de ser o que gostariam de ser ou seguir, por conta das pressões exteriores impostas por um grupo ou até mesmo pela sociedade. As pessoas são analisadas desde o modo como se vestem até como se relacionam. Se um individuo se relaciona com outro do mesmo sexo, é alvo de criticas por parte de alguns por supostamente ir contra a família. Por outro lado se a pessoa não se relaciona com alguém, ela também é alvo de críticas.
Muitos, desse modo, por medo de não ser aceito em um determinado grupo deixam de lado as suas convicções e passam a viver uma vida que muitas vezes diferem do ideal daquela pessoa. Percebe-se, dessa forma, como o fato social, mencionado na obra de Durkhein ainda é muito presente na atualidade. Assim, vemos que a felicidade é algo que não é tão simples de se alcançar e que por conta de algumas pressões sociais, deve ser conquistada e lutada.

Renan Batista de Carvalho  
Direito - 1º ano noturno.



A influência social

      Para Durkheim, a sociedade exerce coerção sobre nossos comportamentos individuais. Isso seria o fato social: a influência do meio sobre nossas atitudes. Partindo desse pressuposto, as ideias que nós temos a respeito de todas as coisas são regidas pelo coletivo no qual estamos inseridos. Assim, as sociedades possuem contextos e culturas diferentes e possuem mecanismos particulares para funcionar. Durkheim rompe com a ideia de Comte que os povos caminham para o progresso e diz que eles são organismos vivos, que se adaptam de suas maneiras próprias a transformações.
      Porém, podemos notar que esses mesmos povos vêm se misturando em um contexto atual. Devido à globalização, os países que exercem uma maior carga influenciadora usam esse poder e passam a ditar a moda, a música, a literatura.
      Tomemos como exemplo o Brasil. Não é difícil notar a forte influência americana sobre o que é ouvido no rádio, as marcas de roupas usadas e até mesmo os livros famosos. Esses exemplos ilustram como o pensamento de Durkheim é contemporâneo, porque seria impossível ser livre de influências. Por isso, quando há a quebra de um padrão da sociedade, a mesma combate essa quebra, buscando restabelecer a norma.
      Por fim, o filósofo diz que a única coisa que pode ser observada de fato são sociedades que estão independentes umas das outras. Cabe a questionar se no futuro haverá alguma sociedade independente das demais.

Anna Beatriz Vasconcellos Scachetti
1º ano- Direito diurno

A aceitação (ou não) das imposições sociais

          Durkheim considera que a sociologia é a ciência que retrata a realidade e, por isso, cada sociedade se explica por si mesma, pois os fenômenos sociais exercem funções diferentes em sociedades diferentes. Isso é denominado de “causalidade eficiente”. Essas funções distintas ocorrem devido a mistura de diferentes culturas e costumes.

          O pensador também estudava os “fatos sociais”, que, segundo ele, deveriam ser analisados como coisa, já que são independentes do indivíduo, mas analisam as ações humanas em sociedade, associando-as às regras vigentes no local. Nota-se, então, que o filósofo considera o coletivo como mais importante que o individual. Durkheim também observava as normas de determinado grupo. Ele afirma que a resistência às regras não torna o indivíduo livre, pelo contrário, o sociólogo acredita que não há forma de se fugir das normas, já que elas são coercitivas e impostas pela sociedade. Prova disso é o próprio “estar na moda”. O que são as tendências senão meras imposições da sociedade (ou “reproduções de um modelo coletivo”) para que um indivíduo seja aceito em um determinado grupo?  Para o pensador, até mesmo as pessoas que querem romper com esse padrão estabelecido pela sociedade procuram grupos que as aceitem e as apoiem. O indivíduo, portanto, não sobrevive sem o coletivo.

          Os “fatos sociais”, então, estão presentes no nosso cotidiano, sendo que é praticamente impossível o rompimento total com eles. Isso leva a formação de uma sociedade que age conforme a opinião do coletivo, e não da do indivíduo. Portanto, todos precisam dos outros e todos são influenciados pelos outros, seja seguindo os padrões ou indo de encontro a eles.

Mariana Smargiassi - Primeiro ano de Direito (diurno)


A teoria durkheimiana e o fato social

"Cada sociedade se explica por si mesma". "Ninguém nunca está sozinho". "O homem encontra-se, desde seu nascimento, em situação de dependência com o mundo à sua volta". Essas frases elucidam, de maneira sintética, o pensamento deflagrado por Émile Durkheim na segunda metade do século XIX. O fato social, quando analisado por ele, ganha um papel generalizado, passivo de imposição e, acima de tudo, exterior ao próprio homem.

Inicialmente, Durkheim propõe uma observação dos fatos sociais como "coisas" propriamente ditas. Em seguida, deve-se reconhecê-los em razão da coerção que exercem sobre o indivíduo, pressupondo que, segundo esse raciocínio, há uma prevalência da sociedade em relação ao ser, bem como afirma Augusto Comte. Dessa forma, pode-se depreender que o homem é reflexo de um conjunto de fatores externos, históricos e, em sua maioria, fortemente consolidados.

Nesse sentido, o sociólogo critica, veementemente, a análise ideológica que vai das ideias às coisas: para ele, a observação empírica do mundo deve preceder a consolidação do pensamento. Por isso, entitula a Sociologia como "ciência da realidade", fazendo certa alusão à supremacia desta em relação aos ideais filosóficos, por exemplo.

Além disso, Durkheim versa a respeito dos substratos passionais e das pré-noções estabelecidas. Similarmente, ambos influênciam em nossas ações. Em oposição, enquanto o primeiro pode ser, com bastante frequência, bom, o segundo, por sua vez, é encarado como um obstáculo à busca da verdade científica. Francis Bacon, por exemplo, já enfatizava a necessidade de combater este fator quando falava dos "ídolos da mente".

Trazendo a reflexão sociológica para os dias atuais, podemos concluir o texto com o caso do homem que fez uma juíza de refém, exigindo, sobre forte ameaça física e verbal, que ela dissesse que ele era inocente. A análise, todavia, tange o discurso dele, que representava "todos", de modo a responsabilizar o sistema pela "injustiça da justiça". Há, nessa situação, uma reação anormal, primitiva- de raiva- que rompe com um fato social, criando, instantaneamente, outro. Todavia, como de praxe, esbarra-se no costume, na tradição e no statos quo da sociedade em questão.

Bruno Medinilla de Castilho - 1º ano - Direito matutino


Juízo de valor da história
           
        Durkheim utiliza em sua teoria do método sociológico o conceito de fato social, o qual ele define como “as maneiras de agir, de pensar e de sentir que apresentam essa notável propriedade de existirem fora das consciências individuais”. Os fatos sociais são exteriores ao indivíduo, dotados de umas força coercitiva e de uma certa generalidade e possuem interesse social.
           Para observar e analisar os fatos sociais, Durkheim propõe que se use do recurso metodológico de enxergá-los como coisa. Distanciar-se dos fatos para fazer-se cumprir a proposta de cientificar a sociologia. Esse uso do fato social como coisa remete a Comte. No entanto, eles diferem quanto ao juízo de valor da história.
       Para Durkheim, Comte utiliza-se de uma noção metafísica ao usar o sentido de progresso aplicado à história da humanidade. Contrario a essa ideia de evolução histórica, Durkheim afirmava que cada sociedade têm sua rede de fatos sociais, e, portanto, deveriam ser analisadas tais como elas são.
         Uma aplicação para os dias atuais corresponde ao preconceito para com os refugiados islâmicos na Europa (não apenas sírios e iraquianos, mas a comunidade islâmica em geral; e amplamente na sociedade ocidental). As vestimentas, como o véu, e os costumes, como não beijar antes do casamento, têm originado pensamentos comteanos. No sentido de que essa sociedade é primitiva e vive em uma barbárie, com a utilização da sharia e punições como apedrejamento.
        O fato desses imigrantes não incorporarem os valores e a “ordem” ocidental torna-os suscetíveis ao preconceito. Durkheim rebateria esse pensamento preconceituoso dizendo que a ideia de evolução histórica é eurocêntrica – de pessoas que acreditam que esse é o único e melhor modelo a ser seguido. Ignoram a diversidade e as diferenças humanas.

Flávia Oliveira Ribeiro

1o ano - Direito matutino

Durkheim: para além do indivíduo

Durkheim, no início da obra “As regras do método sociológico”, busca definir o que é um fato social. Segundo ele, é fato social “toda maneira de agir fixa ou não suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção física exterior”. Além disso, propõe um método para a sociologia: estudar os fatos sociais como “coisas”, ou seja, como objetos orgânicos, naturais e físico-químicos.
Em sua análise, assim como na de Augusto Comte, prevalece o estudo da coletividade em relação a individualidade. Isso se da pelo fato de não admitir que exista indivíduo alheio ao fato social, ou seja, quando o ser humano nasce ele se adapta às normas da sociedade – o que chama de “socialização” - e, se não as cumpre, sofre uma coerção externa. Para isso, é necessária uma organização social definida capaz de exercer uma coerção, mas ela não é necessariamente uma organização jurídica. Apresenta, por exemplo, as “correntes sociais” como uma coletividade com capacidade de coerção.
Pode-se comparar a negação da individualidade de Durkheim com a análise feita posteriormente por Marx sobre materialismo histórico. Ambos afirmam que muitas as ações do homem, consideradas a primeira vista como individuais, sofrem influência de algo superior: para Durkheim, o fato social e, para Marx, o modo de produção da sociedade, que é responsável pela ideologia dos homens inseridos na mesma.

Ana Luísa Ruggeri - Direito matutino - 1º ano

O palco social

Em um dos episódios mais trágicos da História, 918 pessoas participaram de um suicídio coletivo na comuna de Jonestown em 1979, incitados por um líder religioso que pregava uma utopia em plena Floresta Amazônica. Mas será que, racionalmente falando, 918 indivíduos se suicidariam apenas fazendo uso de sua consciência individual? Claramente existe, neste fato e em muitos outros, um forte caráter social, em que a atitude de cada indivíduo teria sido impulsionada por um sentimento geral, que as impediu, por ora, de fazer uso de sua individualidade.

É justamente esse caráter social que o sociólogo Émile Durkheim, em sua obra “As Regras do Método Sociológico”, busca explicar. Partindo do pressuposto que fato social é todo aquele que é coercitivo, exterior a nós e dotado de generalidade, Durkheim explana sobre a forma como somos diretamente – e cotidianamente – influenciados pelos modos e costumes, impostos a nós ao longo de nossa educação, e também por movimentos de cunho coletivista, como o exemplo que dei anteriormente do massacre em Jonestown.

Para além do exemplo trágico do massacre de 1979, estes fatos sociais são mais próximos de nós do que podemos imaginar a princípio. Simone de Beauvoir, pioneira do feminismo, já pregava na metade do século XX que o gênero nada mais é do que uma construção social. Pode-se dizer ainda mais: que não só o gênero, mas grande parte das atitudes que temos são fruto de construções sociais, enraizadas em nossa sociedade ainda muito conservadora e que possui dificuldade de agir de forma libertária em relação a essas construções justamente pelo caráter coercitivo das mesmas.

Pode-se questionar esse caráter coercitivo, já que, não estando os modos e costumes previstos por lei (mas sendo a lei influenciada por eles, é importante constar), seríamos tecnicamente livres em relação a nossas escolhas, pois não poderíamos ser objetivamente punidos por elas. Porém não se é ingênuo o suficiente para ignorar o quão forte é o preconceito e a capacidade deste sentimento de poder influenciar de forma definitiva a vida das pessoas, somente pela opção de resistir a todo o movimento social ao qual somos submetidos desde que nascemos e sobre o qual não temos controle algum.

Sendo assim, de certa forma, seríamos todos os atores de um grande espetáculo social, tendo que seguir rigorosamente o roteiro, estando sujeitos – caso não o fizéssemos – a sermos expulsos deste espetáculo e termos que criar, a muito custo, o nosso próprio, submetidos a todas as dificuldades que são naturais àqueles que optam por não serem meros representantes das amarras sociais. O Show de Truman do cinema talvez seja mais real do que imaginamos.


Luiz Antonio Martins Cambuhy Júnior
1º Ano - Direito Matutino 

Somos donos de nossos pensamentos?

Hoje acordei,
quis agir diferente.
Mas logo pensei,
devo ser coerente.

Mesmo assim,
olhares voltaram-se para mim.

Então descobri,
fui coercida socialmente.
Portanto, tudo que conheci,
foi influência do meio social em minha mente.

Carolina Pelho Junqueira de Barros - 1º ano Direito Diurno

Profissional Imparcial

 A imparcialidade é um aspecto de extrema importância para que se possa optar por decisões mais justas. Ser imparcial, ou seja, se manter neutro torna os profissionais mais íntegros e capazes de lidar com as mais diversas situações. O exercício de alguns ofícios exige esse distanciamento do perito de seu objeto de trabalho, para que sua avaliação não seja prejudicada.
Em sua obra “As regras do método sociológico”, de 1895, o sociólogopsicólogo social e filósofo francês David Émile Durkheim ao tratar do estudo do fato social discursa que seria necessário à aplicação de uma técnica para tornar sua assimilação mais sensata. “A primeira regra e a mais fundamental é considerar os fatos sociais como coisas”. Para ele, o fato social deveria ser visto como “coisa”, pois assim, com o distanciamento deste, a sua análise seria a menos afetada possível. Durkheim justifica a necessidade dessa “coisificação” do fato social falando sobre a dificuldade de analisar um objeto de mesma natureza que o cientista.Acontece que, como essas noções estão mais próximas de nós e mais ao nosso alcance do que as realidades a que correspondem, tendemos naturalmente a substituir estas últimas por elas e a fazer delas a matéria mesma de nossas especulações”.
Essa indispensabilidade do afastamento entre profissional e objeto de estudo se aplica a várias áreas de trabalho. Um jornalista deve escrever da forma mais imparcial possível de modo que suas notícias sejam verdadeiras e pertinentes ao passar informações ao leitor. Um médico deve se manter imparcial quanto aos seus pacientes de tal modo que seja capaz de tomar as decisões mais coerentes possíveis. Um juiz de futebol deve se manter imparcial a fim de não beneficiar nenhum time durante uma partida. Um psicólogo não deve atender amigos ou parentes, pois, algumas perguntas poderiam deixar o paciente desconfortável e seu diagnóstico ficaria prejudicado devido à relação entre psicólogo-paciente.
Há uma ampla lista de trabalhos em que ser o mais imparcial possível é essencial, já que ser totalmente imparcial é algo praticamente improvável. Entre esta lista, um dos profissionais que devem tentar se manter os mais equânime praticável são os profissionais da área do Direito. Em um julgamento justo é primordial que o juiz se mantenha neutro a fim de analisar ambas as partes com equidade. Portanto a imparcialidade é como pontuou Durkheim, algo imperativo para um parecer equitativo e coeso.

(Isabela Rafael Soares - 1º Ano - Direito Noturno)