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sábado, 16 de abril de 2016

Positivismo e o Brasil

Augusto Comte, filósofo francês, foi o precursor da corrente filosófica positivismo. Essa visão da realidade se estabeleceu pós-revolução francesa e durante a revolução industrial, período de efervescência política e econômica, em que se opunham as correntes iluminista e positivista, além do contraste entre campo e cidade, e o ritmo do homem da máquina.
O positivismo tenta traduzir e entender a sociedade como de fato ela é, se baseando no preceito da universalidade, isto é estabelecendo leis sociais, quanto as organizações sociais, em analogia a lei de gravitação newtoniana, que se aplica a todos os corpos submetidos ao mesmo meio sem exceção. Esta corrente filosófica também determina que a sociedade, como um todo, está em constante desenvolvimento progressista, visando atingir o que é chamado de estado positivo. Contudo antes de atingi-lo deve amadurecer e para isso passa por estágios anteriores, sendo o primeiro deles o estágio teológico, em que há a submissão aos preconceitos externos ao ser, vindos da sociedade; o segundo estágio é o metafísico, exemplificado pelos filósofos gregos, em que havia a idealização da sociedade; já o terceiro e último é o positivo, em que se compreende a sociedade como de fato é.

O Brasil é um país em que o positivismo é aplicado fortemente, por exemplo o lema nacional: “ordem e progresso”, que traz a lógica positivista, de que se deve partir do estado estático, em que há a imposição de certas condições, para o dinâmico, que é a “marcha efetiva da desenvolvimento humano”. Assim como o lema brasileiro, algumas ações governamentais durante a história se empenharam para manter a ordem, para conseguir “garantir” o progresso como: a “tecnificação” do ensino, onde se estabeleceu por meio do reduzido número de vagas universitárias, que estas deveriam ser ocupadas pela elite pensante, responsável por governar e manter a ordem, enquanto a massa populacional deveria ser educada em escolas técnicas, para serem “a mão-de-obra” da sociedade, garantindo o progresso.

Júlia Maria Dias Barbosa- 1°ano Direito Matutino

Educação, o caminho mais curto

Augusto Comte, no capítulo de sua obra intitulado "Curso de Filosofia Positiva" divide o conhecimento em três estágios:Teológico, Metafísico e Positivo, os quais correspondem aos períodos pelos quais o desenvolvimento do intelecto humano percorre. Assim, o autor considera os dois primeiros apenas como insuficientes, defendendo o terceiro como fundamental para a interpretação dos elementos do universo.
No Positivismo, então, Comte baseia seu discurso, centrando suas ideias no principio de "Ordem e Progresso", o qual seria a finalidade da ciência. Porém, como ele mesmo reconhece, aplicar essa linha de estudo não é possível, de maneira plena. Os fenômenos sociais, por serem inúmeros e tendentes a mudanças não podem ser compilados em um paradigma.
Sua defesa de uma nova classe de cientistas, "preparados por uma educação conveniente" que procure analisar as ciências no que tange aos seus aspectos comuns e nas relações que estabelecem entre si soa falha, uma vez que, embora seja útil o conhecimento dos padrões a que estão submetidas, parece desconsiderar as particularidades de cada uma, o que pode comprometer sua correta e integral compreensão.
Um aspecto válido apontado por Comte é a reformulação da educação, descartando ou, ao menos, colocando-as em segundo plano, a Teologia e a Metafísica e concentrando os esforços no real, no concreto, no Positivo. Se o objetivo de uma sociedade é, de fato, estabelecer a Ordem e o Progresso, é na educação que encontrará o caminho mais curto.

Ari D'antraccoli Neto - 1º Direito - Diurno

A serviço das forças dominantes

De acordo com Auguste Comte todas as sociedades caminham fatalmente de um ponto negativo, atrasado (fase teológica) para a civilização (fase positiva), isto é, para algo semelhante à sociedade industrial europeia. Essa teoria eurocêntrica e evolucionista foi usada para mascarar o caráter exploratório do Neocolonialismo. As potências europeias tentaram disfarçar seus reais interesses alegando  levar a ''civilização'' aos povos ‘’atrasados’’ da África e da Ásia. O positivismo abriu, desse modo, mais espaço para a ideia equivocada de culturas superiores e deu alicerce a dominação ocidental sob regiões que até hoje estão na periferia do sistema capitalista muito por conta das heranças da exploração colonial. 
Todavia, não é preciso sair do século XXI para se deparar com vários exemplos do uso explícito e implícito dos ideais positivistas. 
Para a perspectiva comteana não interessa o estudo da essência dos valores morais que regem a sociedade. Sua preocupação é evitar que os valores universais (no caso, a moral burguesa) sejam perturbados, visto que a perturbação causa desordem e inviabiliza o progresso. Dessa forma, atitudes contrárias a ordem vigente são vistas como uma patologia que deve ser curada, reprimida o quanto antes a fim de não comprometer o caminho rumo a uma sociedade regida pela ciência. Foi alicerçado nessas ideias, na promessa de trazer a ‘’ordem’’ e evitar, assim, a subversão e a ‘’ameaça vermelha’’ que o golpe civil militar de 64 ganhou o apoio de parte significativa dos brasileiros e da grande mídia.  
O comportamento subversivo e patológico, no entanto, pode ser contido quando a educação metafísica- a qual inclui as artes, filosofia, literatura- é evitada. Tal educação, para Comte, é ainda mais perigosa à ordem quando é estendida aos proletários, pois ela desperta neles expectativas, ambições e questionamentos que os levam a recusar sua ‘’função social’’. Ademais, a participação das classes populares na política também dificulta o progresso. Na ótica positivista, apenas quem domina o saber científico- que por consequência é aquele que detém o poder econômico- deve governar.
Fica claro que a sociologia comteana serve as forças dominantes. Não é casual, portanto, que o positivismo seja o fundamento das falas e dos textos de famosos nomes reacionários da atualidade, como Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo e que ele permeie as instituições militares. A ideia de ‘’sociedade superior’’, o afastamento popular do poder e o posicionamento contrário a posturas revolucionárias e questionadoras alicerçam e alicerçaram o discurso daquele subjuga, contribuindo, assim, para a manutenção do status quo. 

Juliana Inácio- 1 ano direito (noturno)

Positivismo e sua moral e honra

Augusto Comte, filósofo francês, fundador do Positivismo e grande desenvolvedor da filosofia positivista (que obteve como precursores Bacon e Descartes), possuía seu núcleo de pensamento baseado na reorganização da sociedade através da reforma intelectual do homem, chegando neste fim por meio de novos hábitos de pensar que estavam de acordo com a respectiva ciência de seu tempo.
Por esta razão, Comte estruturou seu sistema em torno de três temas básicos. O primeiro denomina-se filosofia da história, sendo sintetizada na lei dos três estados que analisa o desenvolvimento das ciências e do espírito humano por meio de três estágios: teológico (explicação divina), metafísico (dissolução do teológico e explicação através da argumentação) e positivo.
No estado positivo, a observação é dada como ponto central, porém, sem que o empirismo seja puro e sua filosofia marca o amadurecimento do espírito humano e possibilita a vida prática em comum entre os homens.Como propriedades fundamentais da proposta positivista, incorporada na sociedade brasileira através do movimento republicano e do lema presente na bandeira nacional, tem-se a ordem (estática) e o progresso (dinâmica), Comte afirma que só há progresso da sociedade se houver ordem, sendo este último conceito possuidor de um caráter hierárquico.
Outro aspecto comtiano é a relação de comportamento do homem com o meio em que está inserido, sendo a sociedade um "corpo vivo em que cada parte deve exercer sua função", podendo, através dessa analogia, realizar a afirmação de que um elemento desagregador é altamente nocivo para o bom funcionamento. Neste aspecto, Comte diz que o trabalho é o elemento que insere o indivíduo na sociedade e é a grande engrenagem do sistema, sendo digna qualquer espécie deste, estabelecendo a linha temporal de moral-trabalho-dignidade-distinção-honra.
Augusto Comte, afirma que uma política popular só é possível por meio da adequação desta ao Positivismo, que substitui o eu pelo conjunto, possuindo seu aspecto social e humano.

Aline Bárbara de Paula Coleto - 1º Direito - Diurno

Ordem e progresso pra quem?

Logo em seus primórdios, o pensamento positivista de Augusto Comte encontrou terra fértil no círculo de intelectuais brasileiros. Seja na literatura, no exército ou na política, até hoje o país sofre as influências da “ordem e progresso”. Tanto no âmbito público como privado, o povo brasileiro é extremamente conservador e radical – por mais que tente usar sua máscara de “gente amistosa e receptiva”, não age assim para com seus conterrâneos.
A ideia de trabalho como meio de inserção social, demonstração pública de dignidade e honestidade cultivada por séculos levanta uma discussão acerca de políticas sociais como o “Bolsa Família”, no qual discute-se que o referido serve apenas para sustentar preguiçosos quando na verdade é um instrumento de acesso aos direitos sociais, muitas vezes negado pela inexistência de oportunidades trabalhistas em função de preconceitos – como acontece com mães solteiras, ex-detentos, entre outros.
Relacionando as ideias de Comte com os acontecimentos hodiernos em torno das Olimpíadas no Rio de Janeiro, tantos trabalhadores aposentados, os quais dedicaram anos de suas vidas em torno da prestação de serviços ao Estado, estão tendo seus direitos negados. Ao passo que as obras estão a todo vapor, o salário dos servidores públicos está caótico, com os pagamentos em atraso. Que ordem e progresso é esse que o Brasil quer mostrar? Para os gringos? 
Algumas medidas devem ser sopesadas e revistas, principalmente quando o morador sede sua cama ao hóspede e, quando este vai embora, sua cama está toda aos pedaços. 


Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2016/04/1761597-rio-nao-tem-como-te-defender.shtml > . Acesso em 16 de abril de 2016

Letícia Felix Rafael, 1º ano – Direito (noturno) 










Os três estados
Auguste Comte foi o fundador da Sociologia e do Positivismo, e ele divide a história humana em três estados, o teológico (onde Deus está presente me tudo e tudo acontece devido à sua vontade), o metafísico (as pessoas param de crer num Deus e passam a crer em relações misteriosas, o pensamento abstrato é substituído pela vontade pessoal) e por fim o positivo (as pessoas buscam repostas científicas para tudo).
Ao usar esse critério de classificação da história da humanidade de Comte, podemos perceber que o mundo todo não se encontra no estado positivo; se classificarmos a rigor, no mundo ocidental encontra-se no estado positivo, já alguns países da África e da Ásia podem ser classificados como o primeiro estado.

Atualmente na região do Oriente Médio, existem vários problemas como crise política, fome e principalmente guerras; sendo que muitas guerras ocorreram e ocorrem devido à religião como a Questão Palestina, onde muitos judeus e muçulmanos entram em conflitos, sendo que no começo a guerra tinha muita força devido à diferença de religião, outro exemplo é o conflito sunita e xiita entre os muçulmanos e atualmente o conflito em maior destaque na mídia e o surgimento do Estado Islâmico que mata e ocupa regiões em nome da Alá, para instalar um califado e segundo a classificação de Comte, eles ainda estariam no primeiro estado onde a população luta pela vontade de Deus.
Hélio José dos Santos Júnior - Direito Noturno - 1º Ano

A vida positiva de um neguinho

corre preto, corre preto
não para de correr
que os home já tão vindo
e tão pensando em te prender

corre preto ativista,
dessa laia positivista
que se eles te pegar
sabe lá o que vão fazer

outro dia no campão
em noite de São João
um neguinho que não correu
nunca mais apareceu

será que ele morreu?
ou só desapareceu?
tudo isso porque não correu
veja só o que aconteceu

mas será que era bandido?
traficante, assassino?
era apenas um neguinho
a quem nunca deram ouvidos

tudo culpa do Augustinho
cientista, inovador
que com uma ciência rasa
só fez gerar mais dor

a polícia o adora
sente por ele muita paixão
fica feliz quando pra um neguinho
da a bendita voz de prisão

ao invés de buscar no íntimo
a resposta da questão
preferiu botar o neguinho
lá dentro do camburão

mas cada um tem seu lugar
e o deve aceitar
para a ordem preservar
e o progresso alcançar!?

todos sabem que o progresso
tem seu preço estipulado
seja a alma do neguinho
seja o preconceito descarado

e assim vamos caminhando
sem muita reflexão
seguindo a escrita sagrada
da bandeira da nação

o ciclo, assim, continua
o extermínio, a tortura
rezo a Deus, que nos ajude
que para o neguinho essa sociedade mude.


Gabriel Henrique Bina da Silva - 1º ano de direito, matutino








Comte: a república, a reengenharia e os planos infalíveis.


O positivismo foi/é uma corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX. Seu principal idealizador foi Augusto Comte, nascido em Montpellier em 1798 e faleceu em Paris, em 1857. O pensador bebeu da mesma fonte de preceitos do cientificismo, já teorizados por Descartes e Bacon, formulando o positivismo, a forma de conhecimento calcado no saber cientifico e técnico, acreditava tanto nisso que chegou a propor que ela seria a religião da humanidade, em que todos viveríamos livres de dogmas, sendo guiados, portando, pelo esclarecimento da ciência. Comte acreditava que todas as ciências deveriam ser modeladas de acordo com os ideais da física, e que uma nova ciência, chamada “física social”, abarcaria todos esses conhecimentos, sendo assim, o nosso pensador criou a sociologia com a intenção prática de interferir no rumo da civilização, alterando o funcionamento da sociedade, dando ares de uma “reengenharia social”.
Nos dia atuais é possível notar o quão dissonante é essa reengenharia proposta por Comte, o lema que estampa nosso lábaro já demonstra que algo não saiu bem, a “ordem e progresso” que fez brilhar os olhos dos proclamadores da republica (a exemplo do coronel Benjamim Constant) e de outros como Euclides da Cunha, Luís Pereira Barreto, o marechal Cândido Rondon, até hoje, ao meu ver, não deu o ar da graça em terras tupiniquins. O positivismo diz que a linguagem científica é a insígnia que nos levará a modernidade, e que para efetuar o progresso é preciso haver uma classe especial, especialmente tecnocrática, que sejam capazes de estabelecer a ordem e promover esse progresso, assim foi feito, os militares abraçaram a ideia, em 1889 veio o golpe da república e positivismo perdura até hoje.
 Para exemplificar, as ideias de Comte mostraram-se de forma vicejante na política econômica brasileira, cheia de intervencionismos e de planos infalíveis no decorrer da história. A ideia do planejamento central para se atingir a modernidade transformou o nosso país em um ambiente fértil para os ideais positivistas, sendo que cada novo governo sempre promete o grande salto para frente. Desde que somos uma nação republicana, diversos governos intitularam-se ser os engenheiros sociais, criando um novo plano, novos pacotes, um novo ‘roteiro’ ou uma nova moeda com o propósito de levar ao desenvolvimento. Seguindo a agenda positivista, criar planos de natureza aparentemente científica e utilizar a força do estado para aplicá-los seria o suficiente, aliás, sendo advogado do Brasil, o mesmo ocorreu na União Soviética, na China de Mao-Tsé e demais países com economia planificada e, supostamente, planejada, que seriam governados por um ser especial, o tecnocrata.
E agora, na segunda metade do século XXI, temos que ser duas vezes melhores e fazer-se reconhecer no mundo globalizado, dar conta do interno e do externo. À lá Mano Brown: Mas como sê-lo se estamos 126 anos atrasados?
Serei ‘positivo’.
No momento em que o Brasil enfrenta uma de suas maiores crises, é possível, com certa caridade, tentar acreditar nos ideais positivos, digo no cerne palavra, testar nosso otimismo e pôr-se ao trabalho para mudar os rumos da história, seja de qual bandeira for, independentemente de cor, sigla, credo ou etnia, talvez Comte não vislumbrava o que seus ideais poderiam causar tantos anos depois ou mesmo que imaginasse, não contaria com a astúcia e os planos ardis dos políticos brasileiros, é preciso balizar minhas críticas supracitadas e, mais uma vez, utilizar de ponderação. Tentar acreditar que essas páginas serão viradas, ficarão nos livros de história, para alguns, com alento, para outros, com desalento. Todos nós queremos saídas, mudanças e tal qual como o nosso pensador da semana: o progresso. Sendo fruto do positivismo ou não, o brasileiro entende bem em como dar a volta por cima.


Victor Hugo Xavier, 1° ano Direito – Noturno. 

A frieza do Positivismo

Direita, esquerda, "contra o golpe" ou ao favor do impeachment: tamanha polarização política retorna ao nosso contexto nacional de forma histórica. O aumento do desemprego, inflação, os déficits gerados pela má administração dos recursos públicos e os consequentes  abandonos da educação, saúde, segurança e mobilidade, fazem o descontentamento da população brasileira aumentar. É com tal desânimo e ressentimento que se alimenta uma visão unilateral e individualista da suposta solução.
Como já conhecido o lema da bandeira nacional, "Ordem  e progresso" é visto a influência do positivismo já nas raízes da república nacional brasileira, trazida por intelectuais e implantada como doutrina em academias militares, de medicina, escolas politécnicas, etc, demonstra hoje seus reflexos quando a sociedade prega a "manutenção da ordem" (uma visão um tanto quanto conservadora) e crítica a "falta de progresso" (ignorando o avanço, mesmo que pequeno, como a inclusão das minorias, a erradicação da fome, por exemplo.)
Foi o francês Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (Auguste Comte) o precursor do positivismo, sob influência de Descartes e Bacon. Sua visão cientificista rompia com o longo poderio intelectual da igreja e das crenças, por tal propunha o Estágio positivo como último, sendo antecedido pelo Estágio Teológico e metafísico. Em sua visão, buscava a verdade através daquilo que pudesse ser comprovado, buscando padrões únicos até mesmo no estudo das  sociedades (física social), o que hoje podemos enxergar como claramente impossível.
É justamente essa visão sobre o quanto é errônea a física social, baseada apenas na razão, que precisamos buscar. Cada homem é único, possui sua personalidade, história e cultura, assim nunca se comportará da mesma forma, como uma reação química por exemplo. Tendo isso em vista, não podemos ser estudados e nem tratados como tal. Como seres humanos possuímos tanto nosso lado racional como o passional, e por mais que muitas vezes esqueçamos disso, deve haver um equilíbrio entre ambas partes, principalmente quando tomamos decisões que afetarão a vida de outras pessoas.

Ana Carolina Gracio - Direito Diurno - 1º ano. 

Educação, família e ordem na manutenção social




Auguste Comte afirmava que o homem passa por amadurecimento no processo de entender e explicar o mundo. Iniciando no estágio teológico, passando pelo metafísico e chegando finalmente ao positivo com uma sociedade científica e industrial  representada como ela de fato é, e não de forma especulativa.
Ao fazer uma analogia com Newton e as ciências empíricas, o filósofo francês estabelece que, assim como a física, a sociedade possui leis invariáveis que a regem. A forma para buscar as leis efetivas, abrindo mão de buscar as causas das coisas visto que não há noções absolutas, seria através do raciocínio e da observação.
A ordem, importante aspecto na filosofia de Comte, é a condição para o progresso. A ideologia positivista foi muito absorvida, estando presente na bandeira nacional a ordem (Estática) e o progresso (Dinâmica). Toda sociedade possui uma moral. A família, célula mater da sociedade, além de passar a cultura e os valores, sendo elemento do processo civilizatório, é responsável por incutir a moral e contribuir para a harmonia da sociedade.
O trabalho é exaltado como fonte de reconhecimento e inclusão social, de honra e dignidade, reforçando os lugares sociais. O positivismo é muito utilizado para a manutenção da estrutura coletiva, visto que, nessa visão, para que haja progresso é necessária a manutenção da sociedade como ela está, com sua hierarquia e ordem e a vigilância da moral.
A sociedade é vista como um corpo social, em que cada parte deve cumprir sua função para que não haja nenhuma patologia, entendida como uma subversão da ordem. O trabalho seria uma forma de remédio. Uma questão importantíssima para Comte é a coesão da sociedade e a visão de conjunto desta, sendo a moral, social e humana, incompatível com a moral religiosa que tem característica individual.
Exemplos de influencia positivista na sociedade são as estruturas de diferenciação por papel social, como as entradas diferenciadas em prédios (de serviço e social), assim como o próprio tablado que eleva o professor em relação aos alunos, sendo a educação forte transmissora de valores de hierarquia, e ordem na forma de disciplina.
Vívian Gutierrez Tamaki - 1ºano Direito- Diurno

Ordem é Progresso?

Em sua teoria positivista, Auguste Comte analisa a sociedade do jeito que ela é, de fato. Segundo o filósofo, como não há noções absolutas, não há necessidade de saber a origem das coisas. O correto seria se buscar as leis que regem fenômenos, através do raciocínio e observação.
                De acordo com Comte, a sociedade passa pelos estágios teológico, metafísico e, por fim, positivo. Nesse sentido, ordem seria uma condição para o progresso. Isto é, só será possível um amadurecimento da sociedade, se esta estiver, a princípio, estática. Assim, de acordo com a ordem, há uma hierarquia regida pela moral. Cada um teria o seu lugar na sociedade, como em uma engrenagem. O trabalho seria, portanto, um meio de dignificar o homem, de incluí- lo no contexto social de acordo com a ordem vigente.
                Podemos relacionar a visão de Comte com os movimentos sociais existentes. Tomemos, por exemplo, o caso do feminismo. A mulher, há algumas décadas, era tida como papel secundário nas relações sociais e haveria tarefas específicas para homens e mulheres. Essa era considerada a ordem: a mulher fazendo tarefas “de mulher”. Com o aumento da aparição do sexo feminino no mercado de trabalho, ela foi saindo do seu papel “de origem” e foi ocupando espaços considerados masculinos.

                Essa “quebra de ordem” proporciona certo desconforto para muitas pessoas hoje em dia, nota- se a grande quantidade de falas machistas frente ao movimento. Pode- se dizer que há um grande número de pessoas que possuem influência do pensamento positivista. Essa é considerada a harmonia do positivismo: cumprir o papel prescrito pela moral. Resta analisar qual seria essa moral.

Anna Beatriz Vasconcellos Scachetti
1ª ano- direito diurno

Amor, Ordem e Progresso

Para melhor exemplificar o pensamento de Augusto Comte tomei a liberdade de fazer um paralelo entre as principais ideias do pensador francês e a brilhante coluna escrita por Gregório Duvivier (um dos criadores do Porta dos Fundos e colunista da Folha de S.Paulo) datada de 17 de agosto de 2015, onde ele expõe a tríade positivista como guia da sociedade brasileira.
Pois bem, para Comte a ideia de se ter uma sociedade científica e industrial é atingir o Estágio Positivo, nesse estágio as pessoas seriam guiadas pela razão e pela moral Estática. Portanto, aquele que seguisse as ordens e normas estabelecidas pela cultura daquele grupo estaria inserido no âmbito social. 
Nesse primeiro vislumbre de sua Física Social pode-se evidenciar a importância da moral para manutenção da ordem. O que Gregório, em seu texto, diz ser "a manutenção do nosso ódio pela diferença, pois nossa fraternidade é seletiva: só temos fraternité com quem é cliente personnalité". E isso expõe outro caráter de exclusão social defendido pelo positivismo, que prega que o único modo de se atingir essa moral é o trabalho e a aceitação dos "lugares sociais", portanto a famosa frase: "o trabalho dignifica o homem", que está no cotidiano dos brasileiros é claramente positivista.
Dessa forma fica evidente a repulsa, por parte de Augusto, em relação as revoluções. Essas, quebram a ordem, portanto quebram o caminho que levaria ao progresso positivista. Essa aversão ao diferente e às revoluções foi exposta ao colunista da Folha por um amigo francês, que lhe indagou: "onde está, na história do Brasil, o amor pelos negros, pelos gays, pelos índios, pelas crianças de rua?".
Por fim, destacarei o verso do filósofo em que se encontra o trinômio que dá título a esta postagem: "o amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim". Já foi demonstrado que a sociedade brasileira possui uma cultura positivista, por meio de exemplos que denotam a importância da ordem para o progresso. Mas o amor ainda não foi exaltado nessa publicação, vamos ao porquê. Primeiro porque Comte defendia o amor como prova de solidariedade, no que diz respeito ao repúdio ao pensamento individualista em favor da sociedade. Uma outra explicação, mais equiparada ao pensamento positivo é o fato de deixar as aspirações pessoais, e as ideias revolucionárias e contrárias à ordem de lado, logo, não ir contra a sociedade que ele faz parte. 
Outra parte do porquê está na falta de amor na população brasileira, não essa estrutural e conservadora de Comte, mas sim o amor fraternal, o amor igual. Para Gregório a falta da palavra Amor na bandeira nacional representa a falta dessa na cultura do povo brasileiro: "houvesse mais amor, não estariam protestando contra o fato do DOI Codi não ter enforcado Dilma quando teve oportunidade. Não teria gente dizendo que ""tinham que ter matado todos os comunistas em 64"".
Em suma, o positivismo pode representar uma sociedade excludente, conservadora, preconceituosa, patriarcal, cientifica e reacionária, mas principalmente carente de amor. Termino minha análise com mais uma referência à caluna de Duvivier; " Nossa cultura é muito erótica - e muito pouco amorosa. O amor líquido aqui já tá gasoso. Ou como diria o poeta: não era amor, era cilada. Cilada. Cilada."

Estevan Carlos Magno - Direito Diurno, 1 ano

O que seria a organização social?

Em vários das falas apresentadas por congressistas durante o debate acerca do relatório do impeachment nos últimos dias, a sensação que se tem é a de caos total no país. Dependentes químicos lotam as ruas, milícias tomam conta de cidades, números surpreendentes de desempregados... Algo nunca antes visto. Sensação parecida se tem também quando, por exemplo, ligamos a TV e nos deparamos com os chamados programas policialescos, empenhados em tratar a realidade diária como um grande antro de violência sob o manto de um Estado ineficaz e incompetente em todos os aspectos, deixando o país quase em estado anárquico. Cabe a nós então procurar algo que resolva tal situação e ordene a sociedade de modo a colocá-la de volta no eixo do “progresso” e não do “retrocesso”.

Que é fato que os problemas sociais não são poucos, isto é, mas é inevitável acreditar que há sempre um exagero por tal tipo de expressão, a qual normalmente tem um profundo viés conservador, uma vez que procura manter a sociedade de forma coesa e organizada a tal ponto que beira o estamento. E as reivindicações por melhorias em determinadas categorias? As lutas por direitos por minorias? Tudo deve ficar em segundo plano para que a sociedade possa se manter em ordem.

Essa visão positivista tão utilizada atualmente não é, de forma alguma, recente. Inicia-se no longínquo século XIX, com o filósofo Auguste Comte, o qual, advindo de uma época que ainda se espelhava no cientificismo proposto por Descartes e Bacon, acreditava que a melhor forma de organização social advinha do surgimento da filosofia positiva, a qual, sob a égide da ciência, seria capaz de sintetizar todos os nossos princípios (inclusive sociais, pois Comte propõe a física social) particulares em princípios gerais, superando assim todo o prévio conhecimento teológico e metafísico.

Hoje, pouco mais de dois séculos depois, percebe-se que nem mesmo os maiores avanços científicos (e a própria consolidação da ciência como forma de obtenção de conhecimento acadêmico) foram capazes de “organizar” a sociedade a tal ponto que impedisse qualquer desestruturação social. Até porque o que seria “organizar” a sociedade? Sendo o ser humano um organismo complexo e os mecanismos sociais ferramentas ainda mais complexas, é impossível exigir estaticidade da sociedade, uma vez que ela vive de questionamentos e lutas, devendo estar em constante renovação e não em constante progresso, uma vez que a própria teologia e metafísica se encontram como formas de e entender o mundo e não de conhecimento a ser superado.

A violência das ruas, a questão das drogas e o desemprego certamente são problemas a serem discutidos e combatidos, mas é inegável que paralelamente a eles estão ocorrendo também reinvindicações por direitos, movimentos de trabalhadores e lutas secundaristas, por exemplo; ações que manterão a sociedade sempre em movimento. Movimento esse que nunca cessará, pois é o motor de uma estrutura intricada a ponto de ser impossível de ser reduzida a uma simples ótica cientificista, incapaz de compreender os pequenos detalhes de toda a nossa dialética social.

Luiz Antonio Martins Cambuhy Júnior
1° Ano Direito Matutino