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segunda-feira, 28 de março de 2016

Ponto de revolução

A preponderância do individualismo em nossa sociedade serve à ordem de exploração do homem sobre o homem. Para se assegurar as estruturas desse sistema baseada na opressão entre os membros da família humana, é fundamental que se fragmente as relações entre os mesmos e as substitua pelas relações materiais - solidariedade, afetividade e compaixão, portanto, são conceitos revolucionários, uma vez que atacam diretamente essa ordem.

O filme "O Ponto de Mutação", do diretor austríaco Bernt Capra, questiona a mentalidade individualista da nossa sociedade enquanto faz uma aberta crítica ao modelo de pensamento newtoniano-cartesiano, que sobrepõe a razão a todas as formas de interpretação da realidade social. Tal método, revolucionário em seu tempo, falha ao tentar enquadrar as relações humanas em regras exatas e matemática.

A compreensão dos mecanismos de funcionamento da nossa sociedade é complexa por excelência e não pode ser enxergada sobre qualquer norma exata. Os interesses dos homens são volúveis e incertos - não há regra para o comportamento humano ou de suas civilizações. O mais longe que podemos chegar é apontar, como Marx, que, desde o surgimento da propriedade privada, os processos sociais tiveram como norte os interesses materiais.

A desconstrução da mentalidade individualista, bem como a interpretação sensível da realidade, nos conduz a uma caminho apenas: a revolução da nossa estrutura social.

Guilherme da Costa Aguiar Cortez - 1º semestre de Direito (matutino)

Ponto de mutação: lugar fixo ou início da transformação em série?

Ponto de mutação, apesar de se apresentar como um filme denso por ter 1:50 de pura discussão entre três pessoas, trata-se de um excelente convite à reflexão de alguns temas políticos bem como ao aprofundamento das visões de Descartes e Francis Bacon.
Em seu início, o filme ilustra a visão mecanicista de Descartes, que enxergava a natureza como uma grande máquina, um grande relógio que para ser compreendido necessitava que suas "engrenagens" fossem vistas e estudadas separadamente, visão esta muito semelhante à do personagem Jack, um político estadunidense com visão muito realista e que almeja a presidência.
Já a personagem Sonia reconhece as limitações de Descartes e tem uma preocupação semelhante à de Einstein: a utilização das descobertas científicas para fins bélicos. Além disso,  prega a necessidade de um desenvolvimento sustentável.
Analisando o terceiro personagem,Tomas, um poeta, nota-se uma perspectiva mais observadora e introspectiva sendo que o qual, apesar disso, não deixa de tecer uma crítica à toda diacussão dos três.
Para mim, um dos pensamentos mais significativos do filme foi o de que "as pessoas deixam as responsabilidades nas mãos de quem detém o poder", algo que infelizmente acontece até hoje e que tanto atrasa as melhorias sociais.
Terminei o filme com duas interpretações do título:
1) a ideia de que o ponto de mutação é, por ser um ponto, algo fixo onde as mudanças começam e terminam no mesmo lugar, não abarcando outras áreas e pessoas;
2) a ideia de que o ponto de mutação é onde cada mudança começa, se estendendo depois às demais regiões e pessoas.
E por via do diferenciado destino sugestivo das personagens, considerarei as duas válidas, já que cada ser humano absorve e aplica o que aprende de maneira distinta, de modo a terminar assim a minha análise do filme.

(H)Ora


"'Ora (direis) ouvir estrelas! Certo, perdeste o senso!"'
E eu vos direi que ouço a mim mesmo.
Vos pedirei que olhe em vosso relógio
Confiais no tempo?
Acreditas nele?

Tic

Tac

Tic

Tac

Decerto já olhaste para estrelas
Decerto já vos encantastes com elas
Decerto já fostes criança e desejastes apanhá-las
visitá-las
pular de uma a outra
um caminho de escadas pelo céu
Decerto já chamaste uma de tua (mesmo que secretamente)

Decerto já te encantaste por elas

Tic
Tac
Tic
Tac

Acorda
Bate ponto
Horário de almoço
Pausa para o café
Trânsito
Jantar
8 horas de sono (será?)

Temos Cronos como nosso ditador

Questionas teu ditador? Pergunta-lhe por que 24 horas e não 37?
Pede-lhe mais tempo para família ou pro lazer ou pra ti mesmo?

Férias
Uma brecha no tempo
Vamos parar e olhar as estrelas

É tarde,
      é tarde,
           é tarde até que arde

(Pegue a imagem de um carro andando na estrada. Acelere-a infinitamente. O carro desaparece)

Tic tac
Tic tac

Confia nele?
Te encanta por ele?
Era uma vez um grande Bang
(Confia na Ciência?)
E, com ele, vieram tempo e estrelas.

Infinitas possibilidades nas estrelas, não?
E finito vemos o tempo
Finitas vemos as pessoas
Finito vemos nosso planeta

MAS
Se acreditamos na Ciência, acreditamos que o Universo surgiu de estrelas em colapso
Sabemos que podemos (nós e as estrelas) ser descritos nos elementos N, C, H, Ca, Fe
Como não vemos nosso próprio infinito?

Somos pó de estrelas ("de certo perdeste o senso!")!

Pó de estrelas. Infinitos. Somos um. Com o tempo como nossa única unidade (existimos de determinada forma no mesmo presente).
Pó de estrelas. Que coexistem. Que se rearranjam. Que se descobrem. 

Somos o Universo explorando a si mesmo.

"E eu vos direi: 'Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas'"

Mariana Luvizutti - 1º ano Direito Noturno

A Ciência e a Moral

Quando Newton publica a sua maior obra o Principia e o divide em três volumes, sendo estes 1-De motu corporum - Sobre o movimento dos corpos; 2-De motu corporum - Sobre o movimento dos corpos (cont.); 3-De mundi systemate - Sobre o sistema do Mundo. Ele explica os movimentos de todos os corpos conhecidos, prova matematicamente as leis de Kepler (obtidas através do método empírico) e lança as bases do que viria a ser o Cálculo. Este momento é, para muitos, o início da Modernidade Cientifica. Isaac Newton Revolucionou o conhecimento utilizando o método cientifico, lançado 50 anos antes. O racionalismo de Descartes, assim como Kepler utilizou as observações que se tornariam, posteriormente, o método Empírico de Bacon.
Estes Métodos foram propostos por grandes pensadores e consagrados por grandes cientistas e lançaram a base de todo o conhecimento válido dentro da academia. Os saberes gerados pela ciência moderna forjaram inventos dignos de uma ficção cientifica tanto utópica quanto distópica. Por exemplo, a engenharia genética busca a curar de maus como o Alzheimer e Parkinson e serve também para produzir plantas estéreis; o conhecimento sobre a fissão nuclear forneceu uma fonte de energia limpa e perpétua e também a bomba de Hiroshima e Nagasaki; há dezenas de exemplos reais e fictícios, como o caso do Laser desenvolvido pela Física do filme “ponto de mutação”.
Sendo inegável que os métodos racionalista e empírico embasaram estes avanços, resta creditar a estes seus valores, mas, assim como o filme fez, avançar na discussão sobre a ciência. O conhecimento é desenvolvido de maneira facetada e, em partes, o responsável por isso é o próprio método Cartesiano pois ele propõe como segunda etapa de seu método o “de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las”. Ou seja, essa repartição das dificuldades provou-se eficaz para o desenvolver do conhecimento, mas esse recorte afastou o saber do seu contexto no mundo.
Essa repartição da ciência em pequenas partes é visível quando vê-se na academia e na educação a grande repartição do conhecimento entre biológicas, naturais e humanas. E em um segundo momento se divide estas em categorias ainda mais estreitas e assim sucessivamente até o momento em que um físico nuclear, por exemplo, saiba pouco de outras áreas da física e nada de história ou ética. Este cientista irá ser um técnico que possibilita uma nova e mais potente bomba atômica, mas como está alienado da sua aplicação política e social delega esta responsabilidade à políticos que não fazem compreendem o potencial biológico do uso da bomba. Notando o potencial devastador deste conhecimento deve-se buscar uma atualização deste método cientifico tão eficaz e inócuo ao mesmo tempo.
Portanto e a validade do método cientifico vigente é indiscutível, mas a necessidade de um método é tão indiscutível quanto, contudo mais emergencial. No filme supracitado a física Sonia expõe a teoria dos sistemas. Na qual analisa-se o conjunto de interações e, mediante a uma visão prática da ciência, estuda-se a aplicabilidade empírica do conhecimento desenvolvido, não de modo multifacetado, mas aplicado em seu contexto metafisico. Assim o conhecimento possuiria um valor social com a aplicabilidade já discutida enquanto esta é desenvolvida.
Lucas Boscolo 1º Direito noturno 
Nem tudo segue o princípio de uma máquina 
O filme Ponto de Mutação do escritor Fritjof Capra, nos leva a uma reflexão sobre a percepção que temos atualmente sobre o mundo. Com o enorme avanço da ciência nos últimos anos, começamos a enxergar o mundo como uma grande máquina e nós humanos como uma grande máquina, que como tudo que é mecânico, às vezes está em funcionamento normal e às vezes está com defeito, ou foi construído com o mesmo, e quando se tem um defeito, muitas vezes essa máquina é descartada, que é o que ocorre com as pessoas que se diferenciam de algum modo do padrão imposto pela sociedade e que são por ela excluídos. 
 Se qualquer aparelho mecânico tem seu funcionamento interrompido é só trocar alguma peça que ele volta a funcionar, e essa mesma visão foi adotada para as coisas não mecânicas também, como a natureza e os problemas sociais, parou-se de enxergar os problemas de uma forma ampla, e começou-se a enxergar somente parcelas.
 Por exemplo, ajudar uma criança que passa necessidade é uma ação muito boa, porém essa criança é só uma pequena parcela do real problema em que ela está envolvida. E para resolver esse problema é necessário olhar pra ele em conjunto. 
O filme desconstrói e critica o pensamento mecanista de Descartes, na intenção de ter um mundo mais humano. 
Camila Vita Nardino- 1º ano direito noturno 

Bem comum natural e social


Analisando o filme “Ponto de Mutação” trata-se, em suma, das variadas formas de compreensão do mundo, tendo como base diversos conceitos e ideologias, tais quais foram citadas na obra: Descartes, Bacon e Newton. Há três personagens principais, uma cientista, um poeta e um político, permitindo diversas perspectivas sobre um determinado assunto e ação e, também, semelhanças entre suas elocuções. Dessa forma, como foi dito na obra, a “percepção” é primordial nas ações e nas mudanças em cada indivíduo.
Os diversos problemas sociais, políticos, ambientais, econômicos e étnicos ocorrem devido à crise de percepção, em que há a predominância do individualismo na sociedade. Tal crise é ainda mais agravada pela cultura, educação e ideologias pré-estabelecidas que impedem oportunidades igualitárias para todos os indivíduos.
O modelo newtoniano-cartesiano explicita que o mundo é uma grande máquina mecânica. Já a ciência é fundamentada na mentalidade analítica e fragmentada. No filme, esses dois sistemas são criticados devido à mecanicidade e fragmentação de um cenário que é totalmente interligado e diverso, visto que vivemos em sociedade. A sobrevivência humana é ameaçada, muitas vezes, pela própria raça humana e só poderá ser mudado esse cenário quando houver a alteração de métodos e de valores que estão intrínsecos à nossa cultura individualista e materialista, o que está prejudicando ferrenhamente a fauna e a flora da Terra. Para ocorrer mudanças, devemos repensar em nossas atitudes e aplicar ações sustentáveis, holísticas e fraternas, para predominar a harmonia entre o ser humano e a natureza e, também, empregar ações que objetivem o bem comum da sociedade.

Douglas Torres Betete - 1º ano Direito (noturno)





O projeto político e sua aplicabilidade

O filme ‘ponto de mutação’, baseado no livro de Fritjof Capra, se passa em um dia de três personagens bastante distintas entre si: o político Jack Edwards, seu amigo poeta Thomas Harrimann e a cientista Sônia Hoffmann, com quem os amigos se encontram durante uma visita à um castelo medieval na França. Durante a visita, o trio discorre sobre suas visões de mundo acerca de suas visões de mundo, cada qual se baseando em sua experiência de vida e em especial, nos recentes acontecimentos na vida de cada um.
A discussão se inicia na sala do relógio do castelo, onde Sonia se introduz na conversa ao fazer uma analogia entre o relógio e o pensamento de muitos políticos. Ela argumenta que pensar o mundo como se fosse uma máquina, no exemplo um relógio, foi um pensamento inovador na época de Descartes, mas que agora se torna antiquado e obsoleto. A evolução do mundo faz com que não seja mais possível resolver cada problema do mundo de maneira isolada, como se concerta um relógio antigo, afinal os acontecimentos não são isolados de influências externas e qualquer “solução” que ignore isso funcionará a curto prazo.
Por sua vez, Jack contra argumenta que, por mais que as conclusões da cientista estejam corretas, a aplicabilidade das possíveis soluções que envolvessem todas as conexões é pouca. As decisões transformadoras são difíceis de serem tomadas pois envolvem o interesse de grandes empresários e da população, que nem sempre consegue ver o benefício a longo prazo para o conjunto.

Este pequeno embate esclarece a maior dificuldade que se tem atualmente: projetos para um mundo melhor já se tem, o difícil são os longos e instáveis caminhos que se tem para chegar nele.

Tereza Gomes Leal - Direito Noturno - 1º ano
O saber não deve ser poder, mas sim um dever de zelar pelo bem estar

A ciência possibilitou extraordinários avanços para a humanidade. Em todos os campos da sociedade, substancias transformações foram obtidas por consequência de pesquisas cientificas que se preocuparam em desmembrar os campos do conhecimento para melhor entende-los separadamente e dar uma finalidade prática a estes saberes, dentro do contexto mercadológico e capitalista. Essa visão “descartiana”, no entanto, não é eficaz para interconectar todas as frentes do conhecimento e não fomenta um desenvolvimento sustentável, uma vez que a ciência esta a mercê do capital.

Uma vez que a pesquisa tem um alto custo, é notável que os investimentos a pesquisa surjam no sentido de garantir retorno, alinhando-se a ideia de expansão mercadológica. Deste modo há uma enorme seletividade no conteúdo de tais pesquisas e uma perda de variedade nos temas abordados. Os principais estudos têm como financiadores grandes indústrias ou o setor militar.

Além da pouca variabilidade o avanço científico proveniente do modelo de pesquisa vigente, trás sérios impactos ambientais, uma vez que os recursos são extraídos do meio ambiente exaustivamente para atender as demandas industriais.

Esta ciência a serviço do poder também causa impactos sociais. Não há preocupação com os fins que serão dados a uma descoberta. O exemplo mais enfático é a física nuclear, que projetou o forno micro-ondas, que facilitou a vida cotidiana, mas também construiu as bombas atômicas que arrasaram o Japão.

O conhecimento tem que ser fomentado no sentido de convergir com a sustentabilidade. É necessário mudar a percepção humana de como se compreende a ciência. Não é mais viável um saber fragmentado e isolado. Todos os campos científicos são na verdade parte de um todo e devem ser enxergados como complementares e interdependentes. A ciência não pode ser enxergada como fonte de poder, mas sim como um meio de zelar pelo bem estar da humanidade. 

Lucas Tadeu R Efigênio - 1º Ano Direito - Noturno
Interdependência da Desconstrução
 
     Mindwalk (Ponto de Mutação), longa dirigido por Bernt Capra e baseado no romance de seu irmão, aborda as diferentes maneiras de entender o universo e as relações interdependentes existentes nele. Os assuntos são discutidos e os personagens desconstruídos à medida que percorrem uma instalação medieval, a qual os faz refletir sobre a existência, a mecânica do mundo, as relações entre os seres vivos e como estas afetam a realidade daqueles.
     Participam da discussão três personagens: uma cientista que teve sua pesquisa pervertida para fins bélicos, um político ex candidato à presidência dos EUA e um poeta. A cientista e o político divergem visões em quase todos os assuntos: a primeira vê o mundo de uma maneira mais orgânica, na qual torna-se impossível analisar e achar solução para um só fato, visto que ele é fruto e/ou causa de um outro fato, essa é a teoria dos sistemas vivos; o segundo entende o mundo de uma maneira mais mecanicista, cartesiana e racionalista, vê o universo e as relações nele como parte de uma máquina, exemplificada em um relógio, podendo, somente, uma peça ser consertada para o funcionamento do todo. O debate travado entre eles praticamente deixa de lado o poeta que, a meu ver, representa a subjetividade. Por mais que tentamos afastar o aspecto subjetivo da construção mental, ele norteia todas as nossas concepções e ideologias.
     Os dois "protagonistas" do debate, evidentemente, modificam a visão um do outro, principalmente o político, que por meio das ideias da cientista, aceita que tudo está ligado e que a política pode fazer mudanças estruturais na sociedade, não só pequenas medidas imediatistas. Por fim, até convida-a para fazer parte de seu programa político e para "modificar" sua agenda e, consequentemente, o Estado que governaria. Entretanto ela, muito bem certa e formada de suas ideias, recusa a proposta para continuar em paz, refletindo acerca de tudo na ilha.

Maria Clara Silva Laurenti, 1º ano Direito matutino

Dicotomia Perceptiva

Descartes: foi o filósofo que mudou a visão do homem sobre o mundo ao ter uma abordagem puramente científica, é a busca por um método concreto e absoluto que permita chegar-se a verdades incontestáveis e, a partir delas, construir o saber científico. O filme "O ponto de mutação" explora justamente a dicotomia perceptiva do mundo. A questão é: existem aqueles que entendem-no pelo viés cartesiano, ou seja, como um "relógio onde todas as engrenagens são importantes para seu funcionamento, sendo que podem ser trocadas quando necessário", e também os que acreditam que o mundo é um grande organismo vivo. Tal dicotomia é aplicada diretamente na crise existente no mundo atual, como bem colocado pela personagem Sonia: enquanto os que possuem a visão cartesiana procuram a peça defeituosa do sistema a ser trocada, quem crê que o mundo é um organismo vivo entende todos os problemas existentes como fragmentos de uma única crise, a crise geral de um sistema. Há então a seguinte questão: como tirar a humanidade da crise presente? Seria necessário o consenso entre as duas partes, e, a partir disso, ter-se como ponto de partida qual a medida certa a ser tomada: trocar aquilo que está errado no sistema ou trocar o sistema? Ou aceitar a teoria holística de que o todo, no caso o mundo, é maior e mais importante do que a soma de suas partes? 
  
Heloísa Guerra Rodrigues da Silva - 1° ano - Direito Matutino

Novas Percepções

Os filósofos, Descartes e Bacon, foram tidos como revolucionários por defenderem o rompimento entre ciência e religião. Esse desprendimento, realmente, foi importante para a evolução do saber, mas é necessário considerar o quanto essas ideias ainda são inovadoras.
Segundo Sonia, personagem do filme Ponto de Mutação, os grandes pensadores, como os filósofos citados, foram importantes e deram sua contribuição para a sociedade, porém assim como um relógio foi tido como útil e inovador , atualmente, pode ser considerado ultrapassado comparado às tecnologias dos smartphones que possuem esta ferramenta como mais um aplicativo.
Ter o discernimento de que algumas concepções não são mais adequadas e devem ser superadas para que o todo evolua compreende um “ponto de mutação”. A partir daí há o questionamento das certezas e verdades inabaláveis e irrompe a possibilidade de novas percepções, de novos conceitos e inovações.


Juliana Furlan de Carvalho – 1º Ano Direito Noturno 

Por um mundo melhor

      As inovações que o pensamento científico trouxe ao mundo são inúmeras, como por exemplo: máquinas que reduzem as distâncias entre as pessoas, informática para armazenarmos bilhões de dados, insumos agrícolas que aumentam a produtividade no campo para alimentarmos as populações, entre tantos outros, porém, isso tudo analisado de modo isolado, “cartesiano”, vai de encontro a percepção do todo, cria uma visão reducionista do mundo, desconsiderando o ser humano como um todo.

      Nesse raciocínio, do mesmo modo que melhorias foram trazidas pelo pensamento científico, problemas também vieram: Desigualdades sociais, armas de destruição em massa, problemas ambientas, entre tantos outros. Então, uma nova percepção deve ser dada para a vida humana, uma nova visão, como citada no parágrafo anterior, em que devemos considerar o conjunto de interações do ser humano com o mundo, buscando um equilíbrio, pensando em sustentabilidade.

      O planeta deve ser sustentável para a geração atual e para geração futura, não podemos desconsiderar as ciências, o que devemos é buscar um “ponto de equilíbrio”, para usufruirmos dos recursos finitos da melhor maneira possível, garantindo o futuro dos nossos filhos.


Lucas Tadeu de Oliveira- Direito Noturno

O Método e a crise de percepção

O Ponto de Mutação, filme dirigido por Bernt Capra, aponta diferentes perspectivas de mundo através do diálogo entre a cientista Sonia Hoffmann, o político Jack Edwards – democrata conservador que fora candidato à presidência dos Estados Unidos – e Thomas Harriman, poeta que auxiliava Edwards em seus discursos.
Ao percorrer uma construção medieval, os personagens questionam e relativizam ideias e ações a respeito de determinados assuntos, principalmente quanto à noção mecanicista do método cartesiano. Essa perspectiva apresenta o universo como um relógio ou como uma máquina qualquer, cujas peças são análogas às “áreas” do conhecimento científico, as quais são estudadas separadamente. Contudo, a máquina só funcionará corretamente com a atuação das peças em conjunto. Evidencia-se, portanto, a crise de percepção e o pensamento de que tudo está conectado.
A exemplo de “conexão”, pode-se destacar o desmatamento da floresta amazônica devido ao avanço da fronteira agrícola, com a finalidade de quitar a dívida externa; ou ainda, a elitização da Medicina, resultado da aplicação de tecnologia de ponta, tornando o serviço mais eficaz, porém menos acessível.
Desse modo, a obra demonstra certa limitação em relação ao método de Descartes e a cientista Hoffmann acaba por sugerir o pensamento ecológico, que consiste em uma compreensão mais firme da realidade, considerando os sistemas vivos como um todo a partir de um conjunto de relações.

Bianca Carolina Soares de Melo - 1º ano de Direito - Noturno

Percepção humana contemporânea abalada

O filme "Ponto de Mutação" aborda, principalmente no tocante ao modo de visão sobre o mundo, a temática de conflito humano presente no contexto contemporâneo de desequilíbrio e de intenso desenvolvimento dos métodos e das estruturas técnicas. A abordagem do assunto dá-se num castelo medieval francês, onde se localizam três personagens, seguindo uma lógica dialética: o poeta Thomas, que pode ser personificado na figura do telespectador e na síntese, a ex-física Sonia, personificada na anti-tese e o político Jack, personificado na tese.

O estopim do desenvolvimento da reflexão do filme é a discussão acerca da maquinaria de um relógio antigo, presente numa sala ocupada pelas personagens. Nesse sentido, Sonia expõe sua crítica ao mecanicismo contemporâneo e à visão cartesiana aplicada à contemporaneidade. Seguindo esse raciocínio, a cientista expõe o aspecto fragmentado e reducionista que compõe a forma de conhecimento humano e a abordagem do mundo pelos homens.


Ao longo do enredo, Sonia, frustrada pelo destino malévolo que sua pesquisa sobre raios x assumiu, elucida seu pensamento a partir da exposição da crise de percepção pela qual os homens sofrem. Sob uma ótica quixotesca, a mulher ressalta a visão newtoniana e baconiana, além da cartesiana, como denegridora do homem contemporâneo, que possui não uma visão sistêmica e humana sobre o mundo, mas uma visão egoísta e compartimentalizada. Para tanto, evocam-se assuntos, como sustentabilidade, futuras gerações, problemas sociais (como a superpopulação) e conflitos bélicos, ressaltando a deficiência humana, muitas vezes personificada no político Jack, em desvincular-se da ideia reducionista.


Por fim, a ex-física propõe, agora sob uma ótica idealista de Sancho Pança, a Jack a teoria dos sistemas vivos, pautada em um raciocínio ecológico, que expõe uma percepção sistêmica sobre tudo que compõe o universo, levando-se em consideração que as construções do mundo calcam-se na relação entre as pessoas e entre os átomos.

Luiz Henrique Garbellini Filho - 1 ano Direito - diurno

Reflexões acerca do filme ‘O Ponto de Mutação’.



A instrumentalidade uma vez acrescida às funções da ciência por alguns pensadores, bem como sua expansão e perpetuação no pensamento humano, delineia uma trajetória dentro da história do pensamento; entretanto, vemos mais evidentemente que há uma relação de dentro do pensamento para as instituições, sejam estatais ou empresariais. Proporções várias de responsabilização do pensamento humano podem ser atribuídas pela potencialização dessas, embora não seja fatal dizer que ‘o pensamento instrumental influenciou as instituições’ ou que ‘a instrumentalidade é um aspecto natural das instituições em sua indispensável administração econômica e também em sua competitividade, de modo que fariam uso de todos os meios possíveis, com ou sem o respaldo discursivo, enquanto o amparo legal ou estatal é indispensável’. Independentemente de como se recorte ou se dimensione (interprete), alguma relação há, e portanto, no mínimo uma relação de amparo e de fomento.
Somada a essa instrumentalidade (sendo a ciência de ação um aspecto não-epistêmico), temos o principal ponto criticado pelo filme, de caráter epistêmico: a perda do holismo e da integralidade sistêmica na ótica do homem moderno, principalmente por causa de, entre vários, Descartes. O holismo na Grécia Antiga foi sintetizado por Aristóteles ao dizer ‘o todo é mais do que a simples soma das partes’, mas foi perdido, escapado das vistas. Para Bunge um embrião desta visão (o sistemismo, que basicamente considera a dinâmica sistêmica como um fator entre as parcelas do Todo e faz com que o Todo deva ser sempre considerado, em razão da integração dinâmica e da sinergia) que atualmente é estendida, de maneira irresponsável, à âmbitos místicos, pseudocientíficos e de subculturas, está na obra do rigoroso cético Barão d’Holbach. Este termo deve, antes de tudo, influenciar a economia, a ecologia e todos os âmbitos utilitários: na verdade, a simples noção de esgotabilidade e equilíbrio ecológico da biosfera já basta para pensar em ecologia.
Quanto às implicações epistemológico-científicas do sistemismo à intrinsecidade da ciência, fora da questão do uso instrumental (mercadológico, estatal, tecnológico-industrial, etc) da ciência, temos a ingênua visão de profunda e necessária quebra paradigmática. No entanto, há intelectuais de grande porte para defender ideias antagônicas, o que torna o caminho um pouco lento sob o regimento rigoroso e aperfeiçoador da dialética (um tanto como a do poeta com o político com a cientista, presentes em todo o filme). O que Fritjof Capra defende, autor do livro homônimo ao filme que o embasou, não poderia ser reduzido à alguns ajustes tanto na ciência como na economia?  Além desta temos por fim as questões, ‘o que será do pensamento?’, ‘será mesmo o fim absoluto do reducionismo-mecanicista e a ascensão fatal da Teoria dos Sistemas?’ e ‘o que será da natureza?’...
(Fabio César Barbosa, 1º ano - Direito noturno)

A fragmentação do conhecimento e o conhecimento fragmentado

  Por meio de discussões entre as personagens, o filme Ponto de Mutação apresenta, entre outras questões, uma crítica à visão de mundo fragmentada que predomina na atualidade. Tal visão ´´mecanicista``, derivada do pensamento de Descartes, seria a causa de uma ´´crise de percepção`` existente na sociedade.
 
  Segundo o filósofo, a medida que o ser humano divide o mundo em parcelas cada vez menores, sua análise sobre o mesmo se torna mais fácil. Contudo, como defende uma das personagens do filme, tal fragmentação dificulta um olhar mais amplo e completo sobre a realidade, isto é, uma análise que considere as relações e as conexões existentes entre as mais diversas áreas que a compõem. 
 
  Pode-se verificar tal dificuldade se considerarmos, por exemplo, o problema da segurança pública no Brasil. Nota-se a defesa, por grande parte da população, de medidas punitivas tais como a redução da maioridade penal, a pena de morte e a pena perpétua, que visam retirar o criminoso da sociedade sem, entretanto considerar o contexto histórico e social responsável pela degradação do individuo.
 
  É evidente que soluções como estas, fundamentadas em uma análise superficial do problema, dificilmente terão êxito. Por isso, faz-se cada vez mais necessária uma mudança na forma de enxergar o mundo, de modo a superar a fragmentação do conhecimento e, assim, evitar o conhecimento fragmentado.

Gabriel Henrique Bina da Silva - 1ºano, matutino

Mudança na percepção

    O filme "Ponto de Mutação" retrata algumas problemáticas do mundo atual. Há uma forte crítica ao modelo cartesiano de Descartes, em que se analisam as partes de algo, e não sua totalidade, para solucionar algum problema, como em um relógio antigo, um exemplo dado no filme e que passa a ser o ponto de partida da discussão. O mundo está muito diferente desde a época em que foi lançada a teoria de Descartes. O avanço da tecnologia é assustadora. E para acompanhar essas mudanças é necessário analisar o mundo como um todo, em que tudo se encontra conectado. E para isso ocorrer é preciso uma mudança na percepção que temos dele. Essa é a chave que inicia o processo de mudança.
    Há muitos obstáculos que se impõem durante a discussão dos personagens. O mais emblemático é sobre o interesse x sustentabilidade. O exemplo dado no filme é o caso brasileiro de desmatamento da Amazônia para criação de pastos. Mas voltando na história do Brasil podemos perceber que há muitos anos atras já havia esse conflito. Podemos citar o exemplo do desmatamento da Mata Atlântica para o plantio da cana de açúcar, no século XVI. E trazendo para a nossa atualidade é possível colocar o exemplo da expansão da fronteira agrícola, que abre espaço para as plantações de soja. Um problema que ao mesmo tempo é tão antigo e tão atual.
   Boa parte desse problema é gerado devido a ganância do homem que prefere sacrificar o desenvolvimento sustentável para obter lucro. É mais "fácil" continuar degradando a natureza do que incentivar a mudança de hábitos da população.
   Outra discussão traçada no filme é sobre prevenção x intervenção. Atualmente o homem não procura solucionar os problemas procurando na raiz dele e buscando evitá-lo. Ao invés disso ele gasta dinheiro na procura de soluções para amenizar o problema depois que ele foi instalado. O exemplo citado no filme é o da medicina. Mas podemos lembrar de pesquisas para recuperar solos esgotados, ao invés de buscar uma forma de como não fazê-los chegar a esse ponto.
    Existem alternativas mais viáveis e com menores custos para evitar as problemáticas apresentadas no filme. Porém, para que isso ocorra é necessária uma mudança de percepção que as pessoas tem do mundo.

    Bruna Flora Brosque
    1º ano Direito - Diurno

As faces de um mesmo ser

O filme “O ponto de mutação”, baseado no livro com o mesmo nome, apresenta como linha principal a exposição do pensamento sistêmico baseado na análise cientifica constituída pela integração das diversas áreas do conhecimento encadeadas. Os diálogos propostos entre o político, o poeta e a física, durante toda a obra, acima de uma apresentação de uma teoria, se colocam como facetas internas de Fritjof Capra, que curiosamente, como físico teórico, analisa no viés cientifico e filosófico o modelo cartesiano em relação à teoria holística.
O autor aparenta transparecer na obra o esforço progressivo pela materialização de um exame das adversidades da sociedade atual por uma perspectiva universalista, à medida que considera, dessa forma, as infinitas relações que se constroem ao redor desse problema e não o focando como parte distintiva e exclusiva. Entretanto, a constatação de uma política engessada e construída por meio de autômatos financiados, que mantem determinados interesses, atestam à dificuldade conjuntural da colocação em pratica de tal concepção.
          A menção e consideração às gerações futuras, em contraste ao cenário medieval em que se constrói o diálogo do filme, desse modo, apresenta o pensamento da “mudança continua que mantem o padrão” que da mesma maneira que anteriormente colocado por Descartes, não desconsidera as produções científicas do passado, mas apresenta uma nova linha de reflexão que encontrou ampla pertinência, a partir da dificuldade de compreensão cientifica acerca da física das partículas e da física quântica através do método que considera as partes independentes. Deve-se considerar ainda a indicação da teoria sistêmica em relação à interdependência entre os seres e as partículas, que mantém uma constante conexão e, acima de tudo, se fazem igualmente necessárias à conservação das partes, como no meio ambiente, por exemplo, demonstrando assim a necessidade de construção de uma sociedade sustentável em seu mais amplo sentido.
 Rafael Varollo Perlati       1o ano Direito Noturno

Fragmentos e Correlações.

O filme “O Ponto de Mutação”, baseado no livro escrito por Fritjot Capra, reflete sobre temáticas diversas e como elas se inter-relacionam e refletem umas a outras com a natureza e sociedade. A película se passa em uma ilha francesa onde três personagens, um político, um poeta e uma física, com mentalidades e valores diferentes, indagam-se sobre questões ecológicas, políticas, tecnológicas e, sobretudo como elas se correlacionam no mundo atual. Contrapõe a todo instante um pensamento baseado em senso comum, fragmentado, cartesiano e utilitário com um pensamento mais reflexivo, que maximiza todas as relações existentes entre os seres vivos, seres humanos e objetos. A física, dona do pensamento multifacetado sobre o mundo, rechaça o pensamento de Descartes e Bacon ao apontar os vícios que a ideia mecânica e individualizada das coisas pode causar, como a super valorização de uma “parte” sobre outra. Sendo assim, é questionado pelo político como o pensamento da cientista seria colocada em prática, tendo em vista as diversas contraposições que poderiam ser apresentadas pela sociedade, e a resposta é: uma mudança de valores e ideologias sociais para que assim possamos resolver os problemas de forma integral e não pontual. Atualmente temos visto a sociedade aplicar o método mecanicista na resolução de questões como a redução da maioridade penal no Brasil, em que certa parcela da sociedade considera benéfica o encarceramento de adolescentes de dezesseis a dezoito anos em prisões comuns. O grande problema desse embate são os malefícios a longo prazo. Como se daria a tutela do Estado sobre a ressocialização dos adolescentes aprisionados? O Estado teria suporte para abrigar os incapazes em suas instituições? Qual seria a forma de reduzir a criminalidade entre os adolescentes? E inúmeras outras indagações. O que fica claro sobre a redução da maioridade penal é a idéia fragmentada: encarcerar para reduzir a criminalidade. Porém, certamente, essa não é a resposta a qual a sociedade se orgulhará em alguns anos.

Ana Laura Joaquim Mendonça - 1° ano Direito - Diurno.

Questão de Perspectiva


Em determinado momento do filme “Ponto de Mutação”, os três protagonistas debatem uma série de distúrbios que afligem a sociedade contemporânea, como a fome no mundo, a questão da saúde pública e o desmatamento.  A personagem Sonia Hoffman, uma cientista norueguesa, argumenta, então, que todas estas mazelas estão relacionadas, e provêm de uma mesma crise: a de percepção. Essa ideia será desenvolvida através de diversos ângulos ao longo da trama, proporcionando uma reflexão acerca do funcionamento dos mecanismos e relações sociais.
Sonia alega que os cientistas teriam acreditado tão firmemente no pensamento cartesiano que passaram a tratar todos os seres vivos como máquinas, e esta filosofia logo seria aplicada em outros campos, como na arte e na política. A cientista defende que, embora tal teoria tenha sido de fundamental importância e utilidade no século XVII, não corresponde à complexidade da situação corrente. A fragmentação e mecanização propostas por Descartes seriam, na verdade, nocivas para a compreensão da realidade, uma vez que a natureza não funcionaria como um aparelho. Esses conceitos explicam, por exemplo, as divisões das camadas sociais, que se encontram tão hierarquizadas e díspares, que torna-se extremamente difícil a ruptura com a ordem vigente.
Em outro ponto, Hoffman explica que o que chocou os cientistas foi a descoberta de que o átomo era feito, basicamente, de um espaço vazio. O político Jack questiona tal afirmação, fazendo com que a cientista declare que a dúvida origina-se na dificuldade em visualizar algo diferente daquilo visto normalmente. Esse princípio pode ser extrapolado para justificar a exorbitante intolerância demonstrada na sociedade atual. O complexo caminho para refletir e agir com empatia gera o discurso de ódio e as reações violentas.
Sonia sugere, assim, que a humanidade adote a “Teoria dos sistemas vivos”, que trata todos os organismos como entidades interdependentes e conectadas, como paradigma. Não define, contudo, o que deve ser feito para promover a mudança tão necessária rumo a uma sociedade mais justa e igual. Ela apresenta uma atitude que beira a hipocrisia, uma vez que afirma preferir sua “torre de marfim”, expressão utilizada para descrever uma postura distanciada das preocupações do cotidiano.
O sentimento de impotência ante o futuro, uma das maiores angústias humanas, permanece tanto nas personagens quanto no espectador. Talvez, o personagem que mais permita uma identificação por parte do observador seja Thomas, o poeta, que diz sentir-se tão sufocado ao ser tratado como um sistema quanto ao ser tratado como máquina. Em suas palavras, “a vida é infinitamente mais do que as obtusas teorias a respeito dela”.

Lisa Garcia - 1º Ano Direito Noturno


Ponto de permutação.


Quando Fritjof Capra lançou em 1983 o livro “O Ponto de Mutação”, provavelmente não imaginou (mesmo que tivesse esperanças de que isso ocorresse) que cerca de 20 anos depois, temas como interdisciplinaridade do conhecimento, transversalidade da educação estariam tão em voga.
A obra de Capra, adaptada para o cinema, gira em torno de três personagens-tipo, uma cientista, um poeta e um politico, representações de linhas de pensamento, que debatem sobre soluções dos problemas que cercam o planeta e a humanidade. Através da personagem da Física, o autor defende que o problema está na percepção reducionista-mecanicista, que deveria ser transformada em uma visão sistêmica, identificando as relações de fatos particulares de um sistema levando em consideração o todo.
Pensar nas partes e não no sistema trouxe desdobramentos negativos, mas não é possível desprezar as contribuições que o pensamento mecanicista trouxe ao conhecimento. Apesar disso hoje é muito comum um pensamento que busca uma nova abordagem das ciências de maneira interdisciplinar, com uma percepção da conectividade das relações entre a humanidade e a natureza, um exemplo disso é a observação realizada por Neil deGrasse Tyson, astrofísico norte-americano de grande relevância e evidência: “... quando eu olho para o céu à noite, eu sei que, sim somos partes deste Universo, estamos neste Universo. Mas, talvez mais importante [...] é que o Universo está em nós. [...] meus átomos vieram dessas estrelas. Há um nível de conectividade ”.



Fritjof Capra defendeu uma solução em sua obra, e hoje conseguimos ver que essa percepção é compartilha por pensadores de diversas áreas, no entanto o mérito do filme não está na apresentação de uma perspectiva que soluciona os problemas apresentados durante o longa metragem, e sim em mostrar como se faz necessário, em conjunto com a evolução das ciências, a mudança da perspectiva pela qual esse conhecimento é abordado e consequente como será utilizado em suas relações com a humanidade e o planeta. 
O interessante do embate de ideias entre os personagens é que na busca em alterar as ideias do próximo, as partes envolvidas, viram seu pensamento ser mudado, os personagens contribuíram com seus colegas como se trocassem pedaços entre si, não se tratando apenas de um ponto de mutação ou da mutação de um ponto de vista e sim de uma permutação, que tem mostrado ser o caminho mais eficiente para a evolução.
Augusto César de Oliveira - 1º ano - Direito - Noturno.

Entre relógios e sistemas: O navio que representa o mundo

     Imagine um navio zarpando de um porto, e que ele em si represente o próprio mundo, que evolui e através do conhecimento e da ciência busca manter-se funcionando. Entre seus elementos: estão pessoas de diferentes classes sociais alocadas em uma complexa rede de cabines, compartimentos para o estoque do alimento necessário à viagem, sua estrutura de sustentação e engenharia que permitem a flutuação e integridade da embarcação , o motor, o combustível utilizado para a navegação, a cadeia de comando e os funcionários.
     No barco, impera o mesmo sistema empregado em nosso mundo pós-moderno, a ciência é guiada pelo interesse político e econômico e restrita à primeira classe. A desigualdade é presente na sociedade do navio e as decisões tomadas favorecem apenas alguns dos viajantes. Entretanto, em certo momento da viagem a embarcação apresenta uma rachadura no casco, e segundo os modelos de pensamento atuais, estes ainda baseados nos métodos cartesianos e baconianos, o modo correto de proceder é sendo específico na resolução do problema, ou seja, substituindo como em um relógio a parte defeituosa. E assim, de forma prática segue-se a viagem, entre os desequilíbrios do navio. Isso mostra a crise de percepção vivida atualmente, já que imagine, se em um pensamento mais amplo e preocupado com a complexidade dos sistemas que nos rodeia, fosse possível visualizar que o problema na estrutura do navio é cronico e devido o peso presente na popa, onde localizam-se a maioria das cabines lotadas de pessoas das classes economicamente pobres, existe assim, uma conexão entre a piramide econômica, a distribuição das classes e a estrutura do navio. Deste modo, a rachadura e seu concerto só ocorrem devido à percepção das conexões que envolvem os sistemas. Surge assim, um novo modo de fazer ciência e perceber o mundo em nossa volta. Modo que substituí a visão mecanicista iniciada por Descartes.
     Porém não é apenas na ciência que reside a crise de percepção. E a mudança na forma de entender e questionar o mundo é o instrumento para tomar o leme de nossa sociedade. É necessário entender que é a verdade imposta pelo capitão (nossos governantes, grandes grupos econômicos) que dita os rumos, sendo determinados por ele um caminho e não outro. Um exemplo: A ciência atual que nos encaminha ao corporativismo e ao mecanicismo, nos levaria a um outro destino completamente diferente se o foco de estudo permitisse uma abordagem diferente da ciência e focasse na conscientização e as consequências de nossas descobertas. assim, cabe a nós determinar nossos próprios caminhos e o de nossa sociedade. utilizando a ampla percepção da sociedade e do mundo para nos auxiliar.
     Assim, na oposição de relógios e sistemas, é necessário tomar o controle de nossos destinos, entender que as formas de pensar serão sempre superadas, permitindo assim a evolução.

Um olhar para o outro

O filme Ponto de Mutação, dirigido por Bernt Capra e lançado em 1990, traz a tona o questionamento em relação ao método cartesiano (aquele que analisa os fatos separadamente, resolvendo de maneira isolada os diversos problemas existentes em nossas próprias vidas ou até mesmo na sociedade em geral). Esse embate é representado através da figura de uma cientista, que ao discutir e refletir com um candidato a presidência dos Estados Unidos e um poeta, expõe seu pensamento baseado em um modelo sistêmico, onde todas as formas de vida presentes na Terra são interdependentes e  devem ser analisadas em conjunto, de maneira sustentável a fim de que as próximas gerações se mantenham saudáveis.

A crise de percepção do ser humano, denunciada sabiamente pela personagem, continua presente nos dias  atuais e parece intensificada ainda mais a medida em que a população se torna escrava do crescimento, tornando-se a cada década mais imediatista. A dificuldade em enxergar todos os sistemas da vida como um todo é exemplificada de maneira inteligente durante a discussão quando a todo momento o político questiona a cientista: "Como introduzir seu pensamento dentro da política?" não percebendo que dentro de uma sociedade aonde os cidadãos pensem nas conexões, naturalmente essas ideias chegarão até as esferas públicas que serão "auto-organizadas" de maneira saudável.


Pode-se notar o caráter atual da obra pois nos dias de hoje o egoísmo se faz muito presente. Diante dos acontecimentos políticos do Brasil, a falta do olhar para o outro, o modo mecânico  de não sentir além de suas necessidades os anseios do próximo, acirra os ânimos e distancia a conquista da harmonia e do bem comum dentro de um diálogo construtivo.


Felipe Pereira Polesel - 1° ano Direito Matutino

Metonímia da Realidade Contemporânea

Criticando pensamentos como os de Newton e Descartes, o filme "Ponto de Mutação" analisa a realidade contemporânea com uma conversa entre um político, uma cientista e um poeta em um castelo medieval Francês, com intuito de propor uma mudança na perspectiva vigente e reavaliação de princípios nos diferentes âmbitos da vida.
A maneira alternativa apresentada pelo filme é de observarmos o mundo como algo vivo e na humanidade como um todo, abordando temas problematizados da atualidade, como o feminismo e a educaçao ambiental, e soluciona-los efetivamente, deixando para tras o metodo cartesiano de estudo fragmentado.
Apesar de não propor soluções específicas, o filme abre um debate sobre a melhor maneira de agir em prol do bem de todos, com contestações que podem ser aplicadas em diversos âmbitos da atualidade, como a atual situaçao política do Brasil e a constante degradação da natureza pela própria ciência.

Juliana Sant'Anna - 1º Ano Direito Noturno

A incondensabilidade da vida


No filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro de Fritjot Capra, são comparadas diversas visões de mundo. Partindo de uma conversa entre um político, uma ex-física e um poeta, discutem-se temas tais como religiosidade, política, superpopulação, teorias físicas, filosofia, sistemas sociais e ambientalismo, assim como o sentido da própria existência.
Sonia, a ex-física, vê a falta de perspectiva no mundo e questiona Descartes (apesar de reconhecer sua importância na época em que viveu) por ter lançado a ideia de que a natureza – e inclusive o corpo humano - poderia ser vista como uma máquina, concepção que se estendeu para diversos aspectos da vida e do mundo tomados como possíveis de explicação na esfera da racionalidade humana. Por isso, critica a política e a maneira como ela é hoje: considera como necessário apenas o que implicará em resultados concretos e favoráveis aos interesses que dominam o sistema, ultrapassando a ética (e cita ainda o Brasil, lugar onde a floresta amazônica é desmatada como não deveria para dar espaço ao agronegócio e pagar a dívida nacional).
 Essa visão mecanicista foi ainda mais exaltada com Francis Bacon e sua proposta de ciência pragmatista, defendendo a escravização e tortura da natureza para que ela pudesse melhor nos servir.  Isso estabeleceu uma errônea visão de que conhecimento é poder, quando na verdade ele pode não ser tão benéfico quanto deveria. Do mesmo jeito, as discussões durante o filme nos faz perceber que a busca obsessiva pelo crescimento acabou nos trazendo prejuízos imensuráveis, como a crise ambiental e a desigualdade social, num mundo em que todos os infortúnios recaem sobre os menos favorecidos.
Ao cartesianismo e à ideia de que tudo pode ser comparado a uma máquina opõe-se a teoria dos sistemas, explicada por Sonia e vista como uma “nova ciência”, que vê as coisas em seu coletivo, integrante de um todo tomado por relações de interdependência. Ela ainda enfatiza que é preciso pensar ecologicamente para que a crise de percepção, que segundo ela assola o mundo, melhore e para que possamos ofertar  um mundo melhor às futuras gerações.

 Tudo isso se interrelaciona e forma uma profunda rede que constitui o nosso contexto, apresentando uma complexidade  que, em sua totalidade e com todos os seus detalhes, vai além da compreensão humana.  O discurso do poeta que conclui as discussões do filme é, talvez, o que mais nos causa reflexão. “Me sinto tão reduzido sendo chamado de sistema quanto me sinto sendo chamado de relógio.” Ou seja, nós não podemos e nem deveríamos ser tentativa de definição. Por que, durante tanto tempo, o homem tentou definir a sua natureza, explicar os fenômenos mundiais em seus mais insignificantes aspectos, colocar seu conhecimento científico acima de todos os outros, desafiar a vida como se ela fosse tão simples a ponto de poder ser explicada segundo nós, seres pensantes, com todas as nossas limitações e com toda a nossa efemeridade? A vida não é condensável e nem fechada à uma única visão de mundo, muito pelo contrário: ela vai além do que se fala sobre ela, inclusive além de nós mesmos e de nossas ideias.

Ampliar horizontes pode ser revolucionário


O filme "O ponto de mutação" trata de uma conversa entre um poeta, uma cientista e um senador, ex candidato à presidência dos Estados Unidos.
Com a crise política no Brasil e o caos em que se apresenta o mundo, através dos pensamentos alternativos da cientista podemos refletir bastante sobre a atual situação do mundo e a forma de governo como está sendo conduzido já que o momento é apto.
A cientista faz uma crítica aos políticos que têm uma visão como Descartes, o qual afirma que como um relógio, que é possível reduzir ao monte de peças, onde analisando cada parte é possível entender o todo.
Com isso, ela contradiz essa tese, falando que deve-se ver o mundo como um todo. E, a partir disso, entender as relações nele existentes, compreender como estão interligadas, e só então resolver os problemas de modo geral, que surtiriam efeitos mais eficazes e em amplo âmbito, ao invés de tratar essas questões separadamente, com soluções pontuais, que podem ainda refletir negativamente em outro setor.
Portanto, pode-se notar que o filme nos leva a uma reflexão e nos empurra a um modo de pensamento não muito usual na atualidade... Nos abre a mente e nos mostra um olhar muito mais amplo, relacionando problemas sociais, ambientais e culturais em uma só forma de pensar, onde, através de uma mudança no modo como vemos o mundo seria o ponto de partida para uma sociedade melhor estruturada, com soluções simples e abrangentes. Fica aí então, mais um modo de entender as coisas e ponto de partida para novas conclusões.

Isabella Martins Montoia - Direito/noturo - 1 ano


Mudança de pensamento

     O filme “Ponto de Mutação” faz uma análise crítica da realidade contemporânea e da percepção das pessoas sobre o mundo em que vivem. O filme contém críticas aos pensamentos de Descartes, Bacon e Newton, que possuem grande influência na atualidade e são frequentemente utilizados para se estudar e entender o mundo. No filme observa-se uma contestação à visão cartesiana da realidade, uma visão mecanicista, que considera todos os objetos de estudo, até mesmo a natureza e a vida humana, como máquinas. O pensamento cartesiano fragmenta as coisas para estudá-las separadamente, como se fossem peças de um relógio. Essa visão defende que para solucionar um problema, basta consertar a “peça” defeituosa que as engrenagens voltarão a funcionar corretamente. O filme apresenta uma visão completamente diferente, em que as coisas devem ser estudadas como um todo, interligadas a toda a realidade que as cercam. Essa forma de pensamento acredita que o método cartesiano de resolver problemas é ineficaz, pois a interligação entre as coisas torna os problemas muito mais amplos e complexos. Francis Bacon defendia que o homem tinha de estudar e entender a natureza para usá-la em benefício próprio. Uma das ideias mais conhecidas dele é a de que “saber é poder”. O filme também apresenta uma grande contestação ao pensamento de Bacon, uma vez que o conhecimento científico, a cada dia mais amplo, tem contribuído com grande frequência para a degradação do planeta em que vivemos, colocando em risco o futuro de nossa própria espécie

     O filme “Ponto de Mutação” não se predispõe a propor soluções para os diversos problemas da atualidade, mas apresenta ideias e contestações muito importantes para aprimorar nossa percepção da realidade e fomentar o debate sobre como devemos agir se quisermos melhorar o mundo em que vivemos. 

Rafael Carpi Baggio- 1°ano de Direito- Diurno  

Posição equivocada

Com a filosofia moderna difundiu-se a necessidade de um saber pragmático, que gere frutos e utilidades para o homem. E para alcançar esses frutos, segundo Bacon, o homem tem o direito de explorar a natureza ao máximo, colhendo todo o que ela pode dar, pois este tem supremacia sobre o mundo por deter o saber.
Essa visão, contestada pela personagem do filme “Ponto de Mutação”,gerou ao longo dos séculos o uso desregrado dos recursos do planeta, o que causou danos irreparáveis para vida deste e de seus habitantes. Países mais desenvolvidos e industrializados são os maiores culpados por essa catástrofe, deixando pegadas ecológicas gigantescas, se o mundo consumisse como os EUA seriam necessários 4,5 planetas.
Seguindo a mesma linha de pensamento, faz-se uso das descobertas científicas sem contestar seus efeitos físicos e sociais. Perdeu-se a chamada ética na ciência, o único objetivo  é o desenvolvimento econômico e tecnológico. Como nas espécies de grãos transgênicos que são usadas indiscriminadamente sem saber seus efeitos a longo prazo no corpo humano e no equilíbrio do ecossistema.

Nas ultimas décadas os danos ecológicos ganharam maior destaque por atingir grandes proporções, porém não é o suficiente. As causas ambientais sempre são deixadas de lado quando vão de encontro a outros interesses. Enquanto o homem não perceber que é apenas mais um morador do planeta, não detendo qualquer direito a cima dos demais seres vivos, não será possível alcançar resultados para frear a destruição da natureza.
   Leticia Garozi Fiuzo- 1°ano direito noturno 

Imediatismo frontal

O filme " Ponto de Mutação" aborda a temática filosófica do método cartesiano a partir de um ponto inicial simples: um relógio antigo. Os três personagens principais - o politico, o poeta e a cientista- começam uma discussão abrangente quando se encontram em um castelo medieval na França, e ao se depararem com o relógio, começam a refletir sobre os métodos utilizados por cada um para entender diferentes âmbitos da vida. A cientista, em especial, critica o método cartesiano duramente e o relaciona com a maneira de agir dos políticos. Para ela, analisar de forma independente os problemas globais e descrever a natureza tal qual um relógio com suas peças separadas é maneira ultrapassada e não mais adequada. Segundo a cientista, no filme, é preciso abrir os horizontes para modelos sistêmicos e sair da zona de conforto dos processos, os quais temos controle mas não compreendemos. A natureza, assim como os problemas globais, precisa ser encarada como sistema interligado e dependente entre si. Em analogia ao corpo humano, quando algo não vai bem é preciso olhar todas as partes, analisar as influencias mútuas para otimizar a solução. O politico, ao encarar a crítica, chega a aceitar as ideias apresentadas, no entanto não sabe como concretiza-las.

 A maneira prática para mudar a visão de mundo das pessoas é notar e debater a transversalidade da educação ambiental e a importância de se discutir nas escolas - principal agente formador dos futuros cidadãos-, de maneira interdisciplinar, diferentes assuntos a fim de analisar um fenômeno. Dessa maneira é possível estimular o hábito da critica aprofundada, pois passamos a analisar todos os lados de um mesmo problema. Atualmente podemos transpor a ideia passado pelo filme "Ponto de Mutação" ao debater questões politicas que envolvem paliativos. Essas aparecem como solução imediata  porém ignoram as diversas faces problematicas que motivam uma mesma situação. 

Isabela Rocha, 1º ano de Direito-Noturno.

A parte pelo todo e a interconectividade


‘’Ponto de Mutação’’ é um filme que retrata a questão das múltiplas visões de se conhecer o mundo. No filme, uma cientista, um poeta e um político se encontram em um castelo medieval e discutem vários assuntos contemporâneos (como problemas ecológicos, superpopulação, métodos científicos, entre outros). A cientista propõe uma nova maneira de se ver nossa realidade, não através do método cartesiano utilizado pelas ciências ao longo dos séculos que se baseia na fragmentação excessiva dos objetos estudados, mas por meio do estudo das coisas como um ‘’todo’’, entendidas como interconectadas entre si.

Esse pensamento é interessante nos dias de hoje pois o próprio planeta caminha para a aprimoração da interconectividade humana, na forma da famosa internet. De fato, o seu uso nos fez perceber o quanto estamos conectados uns aos outros atualmente. Esse novo coletivo gerado pela proliferação dos meios de comunicação exige um estudo amplo e não fragmentado de nossas novas relações sociais visto o enorme alcance das tecnologias digitais.

Vale ressaltar também que a mentalidade da cientista no filme foi de certa forma utilizada por diversos cientistas sociais no passado, mais notadamente por Émile Durkheim. Ele entendia o comportamento individual em sociedade como produto do ‘’todo’’, do pensamento majoritário vigente em dada comunidade. Em outras palavras, para o sociólogo, a sociedade (o todo) moldava o indivíduo (a parte).

Dessa forma, o filme e as ideias contidas nele se mostram atemporais. A tese defendida pela cientista pode até não invalidar por completo a necessidade do método cientifico cartesiano, mas nos ensina que há outras formas de conhecermos o mundo em que vivemos e demonstra a importância de possuirmos abordagens diferentes acerca de cada tema.



André Luís de Souza Júnior
1º Ano Direito Noturno UNESP

Desconstruir para multiplicar

 No filme "ponto de mutação",durante o diálogo de três personagens,a cientista Sônia, um político, e um poeta, há o conflito de duas diferentes visões de mundo.A mecanicista, baseada nos pensamentos de filósofos como Descartes e Bacon, que vê os seres humanos, os animais e a natureza como uma máquina individual, e a uma visão sistêmica, que busca enxergar o mundo como algo interligado,dando como exemplo as ações humanas e suas consequencias, e voltando-se para a essência de cada questão.
       Durante o desenrolar do debate, que tangencia desde questões como  desmatamento, até a composição de um átomo, a personagem Sônia Hoffman, cuja visão é sistêmica , nos mostra que uma visão mecanizada do mundo,embora tenha sido útil para o homem em seu tempo, leva a sociedade a ter comportamentos consumistas, individualistas e a buscar soluções imediatas para os problemas,ao invés de olhar para suas raízes, já que, segundo ela, houve uma perda na percepção das coisas pelo homem, fazendo com que ele as enxergue individualmente, enquanto elas estão todas interligadas.
        No fim, a cientista descontrói pensamentos das outras personagens, principalmente do político, que resolve adotar tal linha de raciocínio para sí, e aplica - lá em sua carreira política, propondo ao telespectador uma revisão de suas idéias e mostrando uma maneira mais coletiva e ecológica de ver o mundo em que vivemos.

José Eugênio - Direito diurno

A Interdependência

As críticas estabelecidas durante o filme sobre o sistema cartesiano de racionalizar remete á uma pergunta fundamental: qual seria o ponto de mutação? Logo no inicio do filme se obtém a resposta, a perspectiva. A visão de Descartes, mecanicista, é comumente compartilhada por muitos da sociedade, enxerga a realidade fragmentada que na trama é exemplificada através da comparação com um relógio, onde é possível desmontar o todo para se analisar pedaço por pedaço, independentemente, e a partir dessas análises se entende o todo. Está ai o problema da perspectiva cartesiana, pois ao se ter uma visão fragmentada não se compreende as relações entre as coisas. O mundo é criado pelas relações, ambiente, pessoas, objetos, eventos, etc.

Ao observar isoladamente as questões do mundo, nada se resolve. Tudo está interligado. É necessário entender a interdependência dos fatos. Uma crítica contemporânea á essa visão mecanicista fragmentada proposta por Descartes está no âmbito da educação. O ensino no Brasil é fragmentado e pouco se interligam até mesmo se são da mesma área. Se ensinadas em conjunto os alunos entenderiam suas relações e veriam melhor suas funções e aplicações, facilitando o aprendizado.

Os três personagens principais do filme, uma cientista, um poeta e um político, representam diferentes perspectivas, e são também exemplos de interdependência, afinal, o politico, o econômico e o social coexistem dependentemente, um sem o outro não existiria. A verdade é que a sociedade capitalista possui uma visão individualista e baseada na separatividadade dos fatos. Analisando de forma fragmentada as decisões são cada vez mais individuais e materialistas, por isso a necessidade da mudança de perspectiva, analisar pelo viés da coletividade, da interdependência. Assim, problemas como o da educação, do meio ambiente, sexistas e racistas serão mais bem entendidos e quem sabe até resolvidos. 

Lara Dozono - 1° Ano Direito (Noturno)

Crise de perspectiva

   O filme "Mindwalk" - ou Ponto de mutação - traz uma interessante perspectiva para análise geral do mundo e das relações entre os seres que nele habitam. E assim é, de tal forma, que procura trazer em debate uma nova maneira de se pensar sobre as coisas, os acontecimentos e as consequências deles, que diverge da abordagem cartesiana e mecanicista inserida intelectualmente por Descartes.
   Longe de anular sua relevância, o intuíto da crítica é questionar o discurso quanto ao seu impacto e falta de coerência com a atualidade, ou seja, tendo em vista a atual situação conflituosa em que se vive a população humana com a natureza, faz-se um comentário pertinente a respeito dos efeitos do pensamento cartesiano para solucionar problemas globais (que tem sido falho), da sua utilidade já tida para o desenvolvimento da ciência, e da necessidade se criar uma nova perspectiva racional que considere e estude a natureza como um objeto complexo,  formado por inúmeros membros que estabelecem relações vitais emtre si.
   O debate desenvolvido nos diálogos do longa, vai para além da física quântica, extende o mecanismo essencial de relações sociais e biológicas para todas as áreas do conhecimento, enfim, estabelece uma "teoria de relações" que explica a vida. Contudo, essas reflexões esclarecedoras e ao mesmo tempo, questionadoras, como um todo, não são de inteirissíma necessidade para que se perceba a urgência da mudança de método de raciocínio (daquele que divide e estuda ao que estuda e relaciona as divisões), para uma mudança nas próprias relações que os homens estabelecem com seus comuns, e com o ambiente externo. De tal forma, que modifique o quadro caótico e tendenciado à desarmonia que está formado a um pensadamente mais harmônico e que caminhe para a evolução. E é nesse ponto que o filme contribue para o diálogo e o aprendizado.

Luana Marachini - aluna do curso de direito da UNESP (noturno).