Total de visualizações de página

domingo, 13 de março de 2016

A obra "O discurso do método" e suas contribuições

       O discurso do método, obra de conhecida autoria do filósofo Descartes, abre perspectivas para a análise do conhecimento produzido pela mente humana e da transmissão deste aos seus pares. Para isso, ultiza-se da crítica excessiva, com artifício da duvida, ao desmistificar conceitos tidos como verdades imútaves porém construídas sob o olhar passional, e que foram pela simples transmissão dessas de geração a geração transformando-se em presunções incontestáveis.
       É sabido então que Descartes utilizava-se de um metódo próprio para descobrir racionalmente verdades, tentando afastar-se das tendenciosas sensações e impressões que criam paralogismos, e também as organizava em critérios e categorias de conhecimento para facilitar o estudo. Entretando, sua busca pela verdade dá-se ao rejeitar os conceitos adiquiridos desde à infancia a cerca da realidade e dos costumes que a sociedade vivencia, e que cria em virtude disso, sobre todos os aspectos, uma análise repassada de perspectiva básica e moldada no senso comum. 
       Assim, o trabalho filosófico para que se descontrua todos os conceitos infundados na razão torna-se abragente e demorado. Contudo, o simples questionamento crítico a cerca da realidade básica explicada e replicada aos seres sociais, que parta de todos os homens e mulheres, faz-se necessário para a evolução do conhecimento científico e para o favorecimento da soberania da consciência individual. 
       E assim o é pois, a partir da perspectiva de que a realidade pode ser criada e, com o benefício da crença irracional, articulada para o convencimento dos demais e para a possível manipulação intencional em massa, a sociedade se vê ameaçada de ser direcionada através da ignorância a um rumo que privilegie um grupo social culto específico, e que desconhece a alta contribuição científica e humana que uma aglomeração de pensantes é capaz de oferecer.
       Desta forma, a obra de Descartes, que contém valorosos pensamentos a cerca do conhecimento e de sua formação, contribue não apenas para a formulação de metódos científicos, mas também para estimular novos leitores à crítica analítica - ao questionamento a cerca de tudo que conhecem e absorvem.
 
Aluna Luana A. Marachini (1o ano - Direito período noturno)

       A atemporalidade do discurso

O distanciamento entre a analise acerca do racional e do bom senso, ensaiado por René Descartes, no século XVII, às concepções que envolvem o discernimento entre o verdadeiro e falso produzidas pelo brasileiro do século XXI ultrapassam o simples intervalo de 4 séculos.
A tentativa de elevação do conhecimento, ainda que condicionada às diversas evoluções em áreas como tecnologia ou acesso à informação, que marcam o período atual, se inverte à uma regressão relacionada aos métodos contemporâneos simplistas verificados na busca pela sabedoria para utilização da razão e do bom senso.
A nova era da informação dinâmica e sem filtros aparenta, nessa atitude, abandonar o esforço de Descartes para condução da razão à medida que não se interessa por ações comprovadamente eficazes para qualificação do embasamento opinativo, como a “instrução pelas letras”, por exemplo, a qual se verifica por meio da leitura de livros relacionados ao que se deseja informar, ação que Descartes qualifica como uma “conversação com as pessoas mais qualificadas dos séculos passados”, procedimento frequentemente renunciado por inúmeros reprodutores de falácias nas redes sociais, por exemplo.
Não apenas no âmbito da erudição o método clássico é negligenciado pela atualidade. A máxima exprimida pelo francês que propõe a preferência por opiniões moderadas sobre os diversos assuntos é sumariamente esquecida por uma parcela da sociedade atual que se apropria dos excessos, muitas vezes ferindo direitos fundamentais assegurados no período presente.
          Ainda que se verifique a recente necessidade de retomada de determinadas ações na pretensão de aumentar o conhecimento e melhorar a utilização do bom senso, a passagem dos séculos apresenta progresso com firmeza neste âmbito, o que verifica o não abandono completo das máximas sugeridas por René Descartes. Cabe à modernidade, dessa forma, resgatar esses preceitos produtivos recomendados há séculos, que justificam a produção de Descartes ser considerada clássica.

   
     Rafael Varollo Perlati      1º ano Direito Noturno




O caminho para a razão

Já dizia Descartes
Deus é a perfeição
e a verdade é obtida através da razão
O questionamento trilha o caminho
para o método cartesiano
O método empírico de nada serve
e não se pode confiar nos sentidos
ou em hábitos que levam ao engano  
como preconceitos
Racismo, homofobia, xenofobia
seriam  evitados
se o método cartesiano
fosse utilizado
Como dizia Descartes
“ Penso, logo existo”



Lígia Andrade - 1º Ano Direito Noturno

Discurso do método: a busca da verdade através da ciência

O discurso do método de Descartes tem por objetivo a elaboração de um mecanismo científico que permita chegar-se a uma verdade irrefutável que, por fim, fará parte de uma moral igualmente “absoluta”. Para tanto, o indivíduo deve contestar todas as premissas ora adquiridas por si mesmo ora impostas a ele através dos costumes. É, somente depois de libertar-se de tudo aquilo que não possui fundamento devidamente alicerçado sobre bases concretas e suficientemente verdadeiras, que se torna possível a estruturação de uma moral efetiva e veraz. Partindo do princípio de que a atividade pensante de um indivíduo implica na sua existência, Descartes inicia a construção da nova moral a partir dessa verdade absoluta. Além disso, a crença na aproximação entre o homem e Deus através da busca do conhecimento é o que faz Descartes estar certo de que o homem não possui em si todas as certezas do mundo e muito menos a perfeição na elaboração delas. Portanto, se o indivíduo chega a uma verdade falaciosa, isso não se deve à imperfeição das ideias divinas, mas sim à imperfeição dele próprio. E, da mesma forma, se o homem atinge alguma perfeição naquilo que alega como sendo correto, isso se deve à perfeição da ideia divina alcançada através da busca pelo conhecimento.

Heloísa Guerra Rodrigues da Silva - 1ºano Direito - Diurno 

Discurso do método à margem

      Mais do que o desenvolvimento de uma metodologia essencial ao avanço científico, o ‘’Discurso do método’’ é inovador e atual por criticar um modelo autoritário e dogmático de transmissão do conhecimento: a Escolástica. Ao opor-se a ela, Descartes nega a diferenciação quantitativa da inteligência; afirma que o saber deve ser um instrumento de transformação da realidade e coloca o questionamento metódico como indispensável à busca pela verdade. Passados os séculos, essa dicotomia entre aprendizagem autoritária e ‘’democrática’’ se mantém viva. Em uma observação atenta do Brasil, por exemplo, fica evidente que dialogamos muito mais com a Escolástica do que com Descartes e é nessa falta de diálogo com filósofo francês que reside as principais falhas do modelo educacional brasileiro.
   Para Descartes, todo ser humano tem igual capacidade de pensar racionalmente e, sendo assim, a pluralidade de conclusões provêm do fato de consideramos diferentes coisas e caminhos. No entanto- tal qual na Escolástica- na maioria esmagadora das escolas brasileiras o professor se apresenta como detentor dos saberes, cabendo ao aluno a assimilação passiva das informações. Existe, portanto, uma hierarquia entre professor e aluno, onde o educador é colocado como ‘’o mais racional’’.  Ademais, os alunos também são hierarquizados entre ‘’bons’’ e ‘’ruins’’ através de critérios de avaliação pautados na memorização de conteúdo. Isso fica claro nas reuniões de pais e nas entregas de avaliações, quando os alunos que obtêm as maiores notas são tratados como ‘’exemplares’’.
   Nesse cenário antipedagógico, não há estimulo aos diversos tipos de inteligência, como a musical ou artística e nem as ''diversas razões''. Devido à perda de dúvidas preciosas- dado o escasso espaço para o debate- formamos indivíduos com uma visão unilateral de mundo, acríticos- por exemplo- ao teor eurocêntrico do currículo escolar. Além de ofuscar o princípio cartesiano da dúvida, as escolas costumam ocultar a aplicação prática do conhecimento: ‘’para que serve essa matéria? Como posso aplica-lo no meu dia a dia?’’. As respostas para essas perguntas desanimam o estudante, pois as fórmulas de física, as equações matemáticas, as unidades de relevo e os fatos históricos servem aparentemente apenas para passar na prova e não como bases para a inovação do saber.
   Do colégio à universidade, o cenário não se altera tanto. Na faculdade também nos deparamos com os alunos ‘’geniais’’ que, em diversos casos, apenas reproduzem discursos de senso comum. Com relação ao princípio da dúvida, o meio acadêmico se polariza: marxistas de um lado e neoliberais de outro, sem que haja um diálogo entre eles, posto que ambos os lados possuem a convicção de que detêm a verdade absoluta. Já a aplicação prática do conhecimento fica, muitas vezes, em segundo plano pois o saber é colocado a serviço da vaidade de alguns. Trata-se, claramente, do conhecimento especulativo semelhante à Escolástica e tão criticado no ‘’Discurso do método’’. 
  Diante das linhas gerais do panorama brasileiro de ensino, percebe-se que a consequência de dialogarmos mais com um modelo autoritário e padronizador de construção do conhecimento não é apenas a formação de uma menor quantidade de cientistas do que temos potencial, mas também a formação de sujeitos avessos a realidade social. Isto é, nos traz prejuízos em termos de transformações técnico- científicas e, principalmente, político- sociais.   

Juliana Inácio- 1 ano direito (noturno) 
O método Cartesiano e a Presunção de inocência
No dia 17 de fevereiro o Supremo Tribunal Federal estabeleceu a legalidade de prisões a partir da segunda instância o que, segundo juristas como o ministro Marco Aurélio, fere a presunção de inocência, direito este garantido na Constituição Federal (Art. 5º, LVII), e estabelece um precedente que provavelmente acarretará um (ainda) maior inchaço no sistema prisional.

Na práxis jurídica isso significa um tempo menor de tramitação no judiciário antes do cumprimento efetivo da pena e maiores chances de incoerências judiciárias, uma vez que passa-se por menos instâncias e, por conseguinte, menos crivos de diferentes juristas antes da pena.

A Presunção da não culpabilidade surge na declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (Art. 9º) e torna-se um dos direitos garantido na declaração universal dos Direitos Humanos de 1948 (Item 1, Art. 11). Este princípio se assemelha ao método que Descartes propõe no Discurso do Método, no qual, através da dúvida, alcança-se a verdade.

Na obra supracitada o Autor sintetiza os princípios básicos para racionalismo científico em 4 etapas: clareza e distinção, análise, ordem e enumeração. Na primeira etapa ele propõe evitar a pressa enquanto na segunda propõe repartir o objeto de estudo em tantas partes quanto possível. Partindo do princípio que o objetivo do método é alcançar um fato, uma Verdade, nota-se que a decisão do STF de apressar a punição claramente afasta-se do método uma vez que diminui o número de etapas antes da decisão e, por conseguinte, se distancia da busca pela verdade no processo penal.

Os objetos tratados pelo Direito e por Descartes são diferentes por definição, mas buscam o mesmo fim; serem imparciais e racionalistas sendo assim livres de preceitos que não aqueles da norma estabelecida na sociedade vigente em questão. Deve-se então considerar o que é mais importante para a prática do Direito: um processo que prime pela verdade ou a rápida aplicação da pena mediante o risco de injustiças?

Lucas Barbosa Boscolo 1º ano-Direito Noturno

O Discurso do Método no mundo contemporâneo


     René Descartes, autor do texto conhecido como Discurso do Método, faleceu há mais de 3 séculos. Desta forma, é possível pensar que tal texto não tenha mais validade nos tempos atuais, devido às mudanças pelas quais a sociedade como um todo sofreu. Contudo, o Discurso do Método apresenta ideias que ainda podem ser aplicadas em alguns âmbitos trazendo benefícios, o que mostra que o pensamento cartesiano deve ser estudado, mesmo que mais de 350 anos tenham se passado desde a morte de Descartes.
      Como exemplo de ideia cartesiana que ainda pode ser utilizada na atualidade, pode-se citar a defesa de que a razão deveria prevalecer sobre qualquer espécie de dogma. Hoje, é visível que dogmas e doutrinas irracionais são muitas vezes levadas em consideração antes do uso da razão, fato que pode acarretar no surgimento de erros, injustiças e desigualdades, uma vez que a base para a tomada de uma decisão correta deve ser o uso da razão, antes da emoção ou do subjetivo. 
       Na sua obra, Descartes defende um ponto de vista racionalista, em detrimento do empirismo, uma vez que apoia que todo conhecimento deve ter como fundamento o uso da razão, e não da experiência e de percepções. Esta fator é, também, algo que deveria ser estudado hoje. O conhecimento empírico pode ser falho, e apresentar como verdade absoluta algo que não o é, uma vez que os sentimentos e a percepção são variáveis, dependendo de cada indivíduo. 
      Assim pode-se ver que, embora o Discurso do Método possa ser discutido hoje sob luzes de novos conhecimentos, apresenta diversas concepções que devem ainda ser analisadas, e talvez desenvolvidas, mostrando que Descartes trouxe à tona um tema que, após séculos, segue atual e de elevada importância para o desenvolvimento social.

Gabriel Cândido Vendrasco - 1º Ano Direito (diurno)

A grande mídia e a desconstrução

Descartes em seu "Discurso do método" escreve a respeito da "desconstrução" do pensamento a fim de atingir um pensamento próprio do indivíduo ou aproximar-se de tal por meio de uma "reforma".
As vantagens dessa descontrução é a formação de um pensamento crítico e mais racional, porém essa descontrução fica prejudicada e até mesmo impedida pela grande mídia que insere nos indivíduos fatos imparciais e manipulados.
Levando em conta sempre que a fonte de informação de grande parte da população é a TV caberia a cada indivíduo uma descontrução do pensamento a respeito dessa mídia e suas intenções para ai então começar a descontrução do seu pensamento a partir de fontes imparciais e sérias.
Aline Oliveira da Silva, primeiro ano Direito matutino

Coração pensa?


Em algumas tribos indígenas, ainda são recorrentes rituais onde prisioneiros de batalhas viram o alimento da tribo vencedora. De acordo com grande parte da sociedade, tal evento é considerado desumano, já que ocorre o canibalismo. A priori, ao pensar-se sobre ele passionalmente, é válido esse olhar negativo, pois já que vivemos em uma sociedade como iguais, nunca consideraríamos comer outro ser humano e o fato de isto ocorrer nos causa repulsa e indignação. No entanto, ao ver sociológico, esses rituais são na verdade, antropofágicos. Nestes, os índios comem seus adversários a fim de ingerirem, juntamente com seu corpo, as melhores características e dons do inimigo. Dessa forma, nota-se que ao pensar racionalmente, o ritual não passa de um costume cultural indígena, que tem sido realizado desde muito antes de algum contato com a civilização ocidental e, ao desaprovarmos sem analisarmos de maneira racional e com valores já pré-determinados, acabamos sendo etnocêntricos.  Para que isso não ocorra, deve-se apagar tudo o que já foi pensado a respeito de um assunto, com o intuito de compreender sem preconceitos o valor que determinada ação pode ter para um grupo social.
Em suma, por vezes, o fato de “pensarmos” primeiro com o coração, faz com que nos tornemos injustos ao julgar algo que deveria, primeiramente, ser analisado de maneira racional. 

Carolina Pelho Junqueira de Barros 

Corolário

Não serei cartesiano no meu manisfesto. Confesso já ter tido a razão como progresso. Mas começo a questionar tudo o que conheço e reconheço que todo extremismo tem seu preço. E qual é preço a ser pago pela crença em um racionalismo cego? Ascensão do Fascismo e do Nazismo. E Qual é o preço a ser pago pela produção de uma metodologia cientifica que não seja absolutamente critica? Vidas perdidas no incidente de 1937 em Guernica. E onde foi parar toda a produção cientifica desenvolvida racionalmente na era da descoberta? Materializada em Fat Man e Little Boy em Nagazaki e Hiroshima. Essa noite sonhei ser uma rosa radioativa, uma anti-rosa atômica sem cor e sem perfume. Agora não sei se sou um homem que sonhou ser uma rosa, ou se sou uma rosa que sonha ser um homem. As luzes das cidades de tanto brilharem se apagaram e só acenderão quando a moderação for usada na produção de conhecimento. Não é a razão o único jeito de pensamento.  E esse é só mais um lamento entre tantos já feitos. A metodologia cartesiana não deve ser levada ao extremo com foi um dia. Penso, logo faço Poesia.

Kléber Sato Rodrigues de Castro
Direito Noturno  Ano

O discurso do método e a atual juventude

     O discurso do método é uma das mais importantes obras de Descartes, e notoriamente tem grande importância no desenvolvimento do racionalismo. Na obra, o autor afirma que todos os homens apresentam-se em igualdade em relação a razão, por isso os diferentes caminhos percorridos pelo nosso pensamento seriam determinantes para a formação de nossas opiniões, deste modo descartes nos apresenta uma via, que segundo o mesmo, tem como destino um conhecimento seguro e escolhas pessoais racionais. Para isso, instrumentos como o criticismo, o autoconhecimento, a experiência de vida, e o foco são fundamentais para a razão humana.

     Entretanto hoje, quase quatrocentos anos depois da publicação do Discurso do método, a metodologia de descartes, fundamental ao pensamento racional humano, encontra-se distante da maioria da população. É fácil perceber isto principalmente nos jovens, fase da vida em que iniciam as tomadas de decisões próprias, e especialmente na escolha das carreiras a serem seguidas no vestibular. Atualmente, bombardeados por informações e opiniões sobre as diversas áreas de conhecimento, nem sempre corretas e geralmente superficiais, muitas vezes falta a crítica (dúvida) em relação ao que se absorve como verdade, tendo como resultado final, constantemente, a frustração de uma expectativa não correspondida. A falta de conhecimento acerca de si mesmo e a falta de experiencias vividas também são grandes responsáveis pela dificuldade na hora de se escolher seus caminhos futuros, afinal, é fundamental que se conheça as suas preferências, encontradas geralmente nas experiências para se fazer escolhas. por fim, o foco, que é fundamental para o cumprimento de metas, que hoje em dia dão lugar à zona de conforto e a evasão escolar.
     Assim, a pouca racionalidade da atual juventude na hora de se fazer escolhas, trazem consequências para toda a sociedade. os índices de evasão do ensino superior ultrapassam os 20%. evidenciando assim, que a o foco no pensamento racional, o ensino da filosofia e da sociologia e a leitura de descartes seja fundamental para a formação escolar.



Guilherme Soares Chinelatto - 1º ano direito (noturno)


Em defesa de uma perspectiva cartesiana na Ciência Jurídica

Embora desenvolvido no século XVII, o Discurso do Método, de René Descartes, ainda oferece contribuições para a sociedade atual, em especial, no que tange à valorização da razão para nortear a construção do conhecimento, de maneira a superar a superstição, o mítico, o senso comum. Outra contribuição relevante do pensamento cartesiano refere-se ao incentivo à aplicabilidade do conhecimento, isto é, o processo de construção deste deve objetivar um fim prático permanente.
Apesar de a humanidade já ter ultrapassado mais de uma década no século XXI, não se pode afirmar, categoricamente, que o conhecimento jurídico alicerça-se nos dois paradigmas de Descartes, ressaltados no parágrafo anterior, visto que não é incomum juristas posicionarem-se de maneira conservadora, afastada da razão e ancorada em preconceitos do senso comum, com relação à união homoafetiva, ao financiamento público para cirurgias de transgenitalização, à retificação de registro civil de pessoas transexuais, à legalização do aborto, entre outros temas que causam controvérsia. Ademais se proliferam faculdades de Direito, ou melhor, “bolsões de ensino”, que relegam a pesquisa e a extensão ao esquecimento.
Como resistência a este cenário de atraso, subsistem as universidades públicas, que, apesar do gradativo sucateamento, permanecem engajadas na construção/reconstrução do conhecimento jurídico, bem como na extensão dele à comunidade. A esse respeito, torna-se pertinente recomendar o acompanhamento do projeto acerca do papel desempenhado pelo Direito na construção de mecanismos de emancipação social e ampliação de direitos básicos a grupos sociais específicos (mulheres, homossexuais, negros, trabalhadores, etc.), coordenado pelo Professor da UNESP - Universidade Estadual Paulista, Agnaldo de Sousa Barbosa, assim como a leitura da dissertação de Lima (2015), aluna da USP - Universidade de São Paulo, que procedeu à análise de decisões judiciais sobre retificação de registro civil de pessoas transexuais em Tribunais brasileiros (disponível em http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-22122015-094918/en.php).
Não menos importante como instrumento de enfrentamento da realidade de conservadorismo do Direito no Brasil, fortalece-se o movimento do ativismo judicial, que foi definido por Barroso (2012) como “uma participação mais ampla e intensa do Judiciário na concretização dos valores e fins constitucionais, com maior interferência no espaço de atuação dos outros dois Poderes” (disponível em: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/synthesis/article/view/7433). Como exemplos de tal movimento, apresentam-se as decisões judiciais determinando ao Poder Público a distribuição de medicamentos ou o oferecimento de terapias e cirurgias; bem como os acórdãos do STF - Supremo Tribunal Federal sobre as cotas raciais e união homoafetiva.
Em suma, defende-se a adoção de uma perspectiva cartesiana no desenvolvimento do conhecimento jurídico no Brasil, o qual deve amparar-se na razão, no bom senso e sempre estar vinculado a um fim prático, como instrumento de emancipação social. Para tal, urge o investimento na pesquisa e extensão universitárias, mas também no ensino jurídico, o qual deve ser reestruturado, a fim de oferecer aos futuros operadores do Direito formação omnilateral.

Marcos Paulo Freire
Direito - 1º ano/noturno

Descartes e a conjuntura política brasileira atual

 Vive-se um momento político, no contexto brasileiro, em que há intensa proliferação e divulgação de ideias a todo momento, partindo de pessoas, grupos e partidos políticos. Todas essas opiniões e ideais seriam considerados racionais por Descartes, pois este afirmou, em "Discurso do Método", que o bom senso ou a razão, isto é, a capacidade de discernir o que é verdadeiro e o que é falso, são "(...) coisa mais bem distribuída [no mundo](...)". No entanto, apesar de essas ideias não poderem ser consideradas irracionais, devem ser passíveis da "dúvida metódica" ou "hiperbólica", já que o Método procura aumentar o conhecimento através do questionamento de tudo que lhe for apresentado como bom e verdadeiro. Assim, é necessário, antes de "comprar uma ideia" e tomar uma posição política, duvidar de todas essas ideias. Aquelas que passarem pelo "funil da duvida" deverão ser divididas, analisadas e, por fim, passarem por uma revisão, até que não reste nenhum questionamento acerca delas para que possam ser tomadas como verdadeiras e boas para a sociedade. 
 Todavia me parece que, apesar de estarmos inseridos num mundo de informações vastas, estamos deixando de ser questionadores da realidade e das informações que nos são divulgadas e  aceitando-as de forma passiva. Descartes foi para "o fundo do poço".

O demolir da velha casa na era digital

As reflexões de Descartes expostas em sua obra “O Discurso do Método”, revolucionárias em sua época, ainda mostram-se extremamente relevante no caótico fluxo de informações característico do século XXI. Influenciado pelo ceticismo, Descartes eleva ainda mais a questão, duvidando da própria dúvida em si e, desta maneira, encontra a verdade indubitável da própria existência humana.
Ao realizar a destruição de todos os preceitos e costumes que lhe foram impostas pela sua sociedade, Descartes adquire experiência e discernimento que lhe direcionaram na criação de conclusões mais complexas e corretas, que foram postas sobre um crítico olhar racional.
E com o uso dos meios de comunicação, nunca se esteve tão fácil buscar e adquirir conhecimento. Esta facilidade, contudo, rapidamente se transforma em uma faca de dois gumes; onde se torna complicado distinguir a verdade no meio de tanta informação incorreta e descartável; onde a menor insípida mensagem pode tornar proporções gigantescas e atingir um enorme contingente de pessoas.
Desta maneira, torna-se necessário saber utilizar o método da dúvida do filósofo – na jornada da construção do seu próprio pensamento crítico, evitando sucumbir a conclusões rasas baseadas no senso comum – não somente em relações interpessoais, mas também neste novo meio virtual que se mostra cada vez mais presente em nosso cotidiano.

Bárbara Jácome Vila Real; 1º ano de Direito - Matutino

Descartes: a dúvida,o racional,e sua relação com o direito

O direito, em toda sua totalidade, reúne um conjunto de normas e regulamentos que regulam o funcionamento social. Está fortemente vinculado à justiça, e essa por sua vez possui sua base profundamente firmada no pensamento racionalista de Descartes. De fato, a dúvida metódica é o que dá a chance de um réu, aparentemente culpado, ser absolvido pelos tribunais. A dúvida contribui para a descoberta da verdade e para aplicação do que é ‘’certo’’ e ‘’imparcial’’ segundo as leis, dando chances iguais a todos de se defenderem. 

A exemplo disso temos o julgamento do ex-presidente Lula, onde muitos tomam como verdadeiro o seu envolvimento em esquemas de corrupção e falsidade ideológica, pois o senso comum que permeia nas redes sociais é o de que ‘’independente de provas, Lula é corrupto e deve ser preso’’. Esse pensamento, mais ligado à paixão do que à razão, é falacioso e não parte do princípio racional que Descartes desenvolveu. Para se ter certeza de algo, é necessário questionar e produzir uma análise profunda e minuciosa sobre determinado tema, de forma a construir a verdade. Quais as provas do envolvimento de Lula? Elas são verídicas? Ligam claramente o réu ao crime? Há inconsistências nas falas das testemunhas? Tudo isso e muito mais deve ser levado em consideração antes de decidir se um sujeito é culpado ou inocente. Afinal, o réu é inocente até que se prove o contrário.

Duvidar de tudo, principalmente daquilo que se dá como certeza ou que parte do senso comum, é o princípio que não circula apenas nos livros de Descartes, mas também nos livros de Direito. É o que leva advogados a vasculharem tudo que está a seu alcance e organizarem suas ideias, levando-os a um entendimento maior de seus clientes para posteriormente conseguirem vencer um caso. Como diria o filósofo: “Os que têm o raciocínio mais forte e melhor digerem seus pensamentos, a fim de torná-los claros e Inteligíveis, são os que melhor podem persuadir do que propõem. ”

A racionalidade cria a lei e a dúvida a interpreta. Juristas, ao decidir sobre o destino de um cidadão, devem partir do racional e do imparcial, e nunca basear sua decisão a partir do pensamento coletivo cotidiano. Afinal, segundo Descartes: “Aprendi a não crer com muita firmeza em nada do que só me fora persuadido pelo exemplo e pelo costume. ’’



André Luís de Souza Júnior
1º Ano Direito Noturno UNESP

Divergências entre a escolástica e o racionalismo

A obra de René Descartes "Discurso do Método", apesar de ser escrita no século XVII, apresenta muitos preceitos comumente utilizados na contemporaneidade, visto que foi o primeiro a expor a utilização de um método científico universal baseado na racionalidade humana. Uma de suas diretrizes é a de ter a firmeza das próprias ações, ou seja, baseado na razão saber diferenciar as diversas opiniões, a fim de que sigamos as mais lógicas ou as mais prováveis. Relacionando sucintamente a um acontecimento do século XV, apesar de ter ocorrido antes da obra de Descartes, sintetiza o seu preceito acerca da firmeza das ações pautada na razão, o ocorrido foi o descobrimento da América comandado pelo navegante genovês Cristóvão Colombo que baseado em prováveis suposições de uma diferente rota para chegar às Índias, seguiu uma hipótese lógica e a fez com determinação, conquistando não o objetivo primeiro, mas descobriu um novo continente.
O teólogo e filósofo escolástico São Tomás de Aquino explicita a unidade entre teologia e filosofia, a primeira seria uma ciência suprema, baseada nas revelações divinas e a segunda tem a função de demonstrar a existência divina com base na razão. No entanto, pode haver um conflito entre filosofia e teologia, caso a primeira, utilizando-se erroneamente da razão, proponha-se a explicar os enigmas do dogma religioso sem auxílio da fé. Descartes critica a escolástica, pois é fundada em ideais duvidosos e não sólidos, no entanto utiliza-se de Deus para alicerçar sua obra, pois, segundo ele, foi Deus o responsável da atribuição da característica racional ao ser humano, dando-lhe o livre arbítrio e a possibilidade de um raciocínio próprio, por conseguinte, o homem iria ser capaz de escolher suas próprias ações.

A busca pelo conhecimento deve ser uma interação com o mundo, visto que ao conhecer novos lugares e novas pessoas, proporciona ao homem uma troca de experiências e, consequentemente, o desenvolvimento de um pensamento próprio e crítico, baseado na moderação e na racionalidade. Hodiernamente, a sociedade mundial está parcialmente alienada, visto que, muitas vezes, deixa ser persuadida pelo modo de vida acumulativo, diversificado e capitalista, já que não possuem um critério metodológico.  Dessa forma, Descartes ficaria consternado, pois apresentou uma obra rica em conceitos e métodos racionais, a fim de incentivar a criação de um pensamento crítico, o que muitas vezes, leva à produção de conhecimento, no entanto não é o que vemos na realidade.

Douglas Torres Betete - 1º ano Direito (noturno)

Entre Apolos e Dionísios

   O homem moderno transita entre as esferas racionais e emocionais da vida, buscando conforto e soluções para os males que o afligem. No século XVII, René Descartes defende em sua obra "O Discurso do Método" a importância da razão para a obtenção do conhecimento científico e como esse recurso deve ser priorizado para o progresso das sociedades. Contrariando a visão cartesiana, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que permite a produção e comercialização da substância fosfoetanolamina, conhecida como "pílula do câncer", que mesmo sem ter tido sua eficácia comprovada ou ter sido testada em humanos ainda assim foi objeto de uma clara ação emocional de descaso com a comunidade científica nesse país. Esse acontecimento somente expõe o quão atrasados nós brasileiros estamos quando se trata de ciência, uma vez que nem mesmo aqueles responsáveis por tomar as decisões capazes de promover uma real mudança na sociedade são capazes de respeitar o método já preconizado por Descartes.
    Ainda nessa obra, o pensador discorre sobre a necessidade de conhecer até mesmo as "más doutrinas" para não correr o risco de ser enganado, nem pelas promessas da alquimia, nem pelas predições da astrologia. Atualmente, essas doutrinas persistem na sociedade, o que realça a importância do conhecimento para driblar a alienação de "alckimistas" como os presentes no governo estadual, ou a de astrólogos como aquele que possui coluna na revista de maior circulação nacional.
   Assim, o homem persiste nos erros já evidenciados desde o século XVII, alternando suas referências entre Apolos e Dionísios. Contudo, no que diz respeito à decisões de ordem coletiva e social, deve-se buscar ao máximo a aceitação das ideias cartesianas, para que um dia, talvez, a constante disputa entre essas  figuras da mitologia grega deixe de assombrar a sociedade brasileira.

Vítor Hugo Cordeiro- aluno 1º ano direito diurno

Discurso do método: razão e metafísica

René Descartes foi um filósofo, físico, matemático francês (1596-1650), uma de suas principais obras foi o "Discurso do Método". Em sua obra, Descartes busca nos conduzir a um pensamento racional dentro da ciência, além disso, há uma crítica à tradição escolástica da época, que tornava os conteúdos pouco claros e sem fundamentos.
Sua obra é dividida em partes. Na primeira, Descartes afirma que a razão está presente em todos os homens, e que é devido a ela que nos diferenciamos dos animais. A razão muitas vezes é considerada como o próprio bom senso. Porém, Descartes também discorda da ideia de que existe uma razão mais coerente do que a outra entre as pessoas, ao contrário, ele afirma que todas são coerentes e que o que as difere são as considerações distintas, e do foco dado a cada uma delas. Analisado isso, o autor dedica-se a encontrar um método através do qual ampliará seu conhecimento de forma gradativa através das máximas, e o princípio disso seria colocar em duvida tudo aquilo tido como verdade absoluta. Juntamente a isso, Descartes afirma que julgar aquilo que consideramos diferente como sem razão é uma atitude equivocada, pois é necessário que se obtenha conhecimento prévio daquilo antes de julga-lo como rídiculo. E saber mais sobre aquilo que soa como estranho a nós, pode ajudar com quem julguemos aquilo que não nos é estranho de forma mais justa também.
Descartes também afirma a importância de se conhecer suficientemente aquilo que nos é apresentado para que não se deixar ser enganado facilmente por aquilo que nos é posto, junto a isso o autor afirma: "Aqueles cujo raciocínio é mais ativo e que melhor ordenam seus pensamentos [...] sempre podem convencer melhor os outros daquilo que propõem",  o que nos mostra a importância da organização do conhecimento, que pode tanto nos levar a convencer o outro como nos deixar ser convencidos por aquilo que muitas vezes não é real, como o senso comum, por exêmplo.
Na terceira parte de seu discurso, Descartes apresente a ideia de moral provisória, que é consolidada através de 3 máximas propostas pelo autor como forma de definir aquilo que é racional daquilo que não é. Entre as ideias dessas máximas ele apresenta a ideia de não se ater aos extremos mas sim a ideias moderadas, pois se ater àquilo que é extremo pode levar ao maior erro que seria o outro extremo ser a verdade. Além disso, o autor afirma que Deus concedeu aos seres humanos uma luz para diferenciar o verdadeiro do falso, o que no caso, seria nosso bom senso. A partir disso, o autor começa a por em cheque tudo aquilo que lhe parecesse duvidoso para que pudesse criar algo real: "ao destruir todas as minhas opiniões que julgava mal alicerçadas, fazia diversas observações e adquiria muitas experiencias, que me serviram mais tarde para estabelecer outras mais corretas."
Em sua quarta parte, o autor coloca em evidencia nossos sentidos, dizendo que não podemos confiar neles, pois tudo o que vemos, ou sentimos não nos garante que seja real, pois os sentidos não estão intimamente ligados com a razão. Assim, a unica certeza de que realmente existimos é fato de que pensamos, por isso a premissa  "penso, logo existo" faz sentido, pois para o autor: "[...] para pensar, é preciso existir". Além disso, há uma reflexão sobre a origem de nossos pensamentos, sobre o que nos leva ao bom senso, e o autor chega a ideia de Deus, tido como um ser perfeito e infinito, que havia colocado em nós toda a ideia de razão que possuímos. Isso é facilmente comprovado nas considerações finais dessa quarta parte: "a razão não nos sugere que tudo quanto vemos ou imaginamos seja verdadeiro, mas nos sugere realmente que todas as nossas ideias ou noções devem conter algum fundamento de verdade; pois não seria possível que Deus, que é todo perfeito e verídico, as tivesse colocado em nós sem isso."
Por fim, é claro perceber as críticas do autor em relação ao pensamento da tradição escolástica ao eliminar a ideia de razão, mas o autor faz essa ideia sem desconsiderar a ideia de um ser divino, mostrando uma ideia filosófica sem, necessariamente, mostrar-se ateu.

Fernanda da Silva Miguel - 1o ano de direito noturno

O eterno desconfiar

A obra o “Discurso do Método” de René Descartes apresenta conteúdo extratemporal, na medida em que possibilita inferências acerca do comportamento do homem hodierno. Partindo-se do pressuposto sumário defendido por Descartes, que pode ser sintetizado pela ideia de que o mundo somente é passível de explicação pelo homem, e considerando um cenário, no qual o homem diariamente é submetido a um turbilhão de informações, denota-se a dificuldade encontrada para a realização de uma leitura isenta de mundo. Dessa forma, parafraseando Descartes, deixamos de achar falso, o que por ora, seja possivelmente apenas provável.
Os noticiários e redes sociais são capazes de nos incutirem inúmeras realidades e opiniões, no entanto, em muitas das vezes o que ocorre é a tomada de um conhecimento incipiente e que não passa por um crivo profundo do indivíduo. Além disso, essa propagação indiscriminada de informações é capaz de desencadear uma espécie de “catarse coletiva”, em que os sentimentos se afloram, em detrimento da razão. Um exemplo prático disso, pode ser percebido no debate que envolve a redução da maioridade penal. Muitos do que se apegam a tal possibilidade, baseiam-se em casos específicos envolvendo menores, mas ignoram estatísticas e as implicações futuras que essa ação poderá ter no desenvolvimento social de um jovem.
Em consonância a isso, deve-se reiterar ainda a importância da segurança e da retidão ao se exprimir determinada opinião. Não se deve ficar alheio às mais variadas vertentes do conhecimento, pois somente com uma radiografia profunda do conhecimento, que se atingirá um patamar de compreensão rigoroso do mundo, configurando um processo de “reconstrução científica”.
Dessa forma, o norte dos procedimentos do homem deve ser pautado pela razão metodológica, seja no esfera acadêmica, política ou social, com vistas a otimizar a produção de um conhecimento sistêmico e integral, com embasamento e alicerces sólidos. Duvidar e desconfiar de verdades são prerrogativas que condicionam a certeza da existência ao homem, e somente valendo-se disso é que ele conseguirá discernir o que é claro do obscuro.
Paulo Henrique Soares de Lacerda – 1° Ano – Diurno.

A lógica cartesiana


Pode-se caracterizar o pensamento de René Descartes com base em três dimensões que se relacionam e se completam. A primeira, dimensão ontológica, adota uma ética antropocêntrica que admite o ser humano como o mais significativo de todos os seres. A segunda, dimensão epistemológica, admite o uso da razão como diferencial humano absoluto e único meio de conhecer e transformar o mundo, estabelecendo o domínio através de uma ciência pragmatista. Por fim, a última dimensão é a metodológica, dentro da qual foi desenvolvido, por Descartes, um método para que o instrumento racional fosse conduzido da melhor maneira, considerando seu potencial absoluto de conhecimento da realidade.
É muito interessante observar aspectos do pensamento cartesiano como a constante desconfiança em relação a afirmações tomadas como verdadeiras (sendo elas nem sempre fundamentadas). Descartes questionava tudo: observou a ­grande distinção das opiniões dos eruditos e preferiu tomar como falso tudo o que seria provável, mas não fazendo uma ruptura absoluta com todos os estudos anteriores, e sim adotando moderação e humildade diante do conhecimento. Condenava o senso comum, antagonista da razão, acreditando ser ideal a busca pela compreensão do mundo em si mesmo e a partir da própria razão e experiências, e não através das palavras de outros.
Apesar disso, é preciso ter cuidado com o radicalismo antropocêntrico de Descartes, que, mesmo não sendo merecedor de culpabilização, foi um pensamento conivente com a premissa que incentivou um desenvolvimento o qual levou à exploração ambiental excessiva e a um individualismo exacerbado que prejudica não só a natureza co­­­­mo a própria sociedade. Além disso, é necessário reconhecer que existem outros tipos de conhecimento que não só o cartesiano, ou seja, não só o pautado pela razão. Por isso, não devemos esquecer que o mundo não gira apenas em torno de nós e que não temos, dentro de nossa subjetividade, apenas o pensamento racional: somos feitos de muito mais e, inclusive, esse é um dos outros diferenciais que nos fazem os seres sociais que, para compreender uma realidade tão complexa, demandam articulação de variadas formas de conhecimento.

Beatriz Canotilho Logarezzi, 1º ano de direito diurno.











Reflexões de uma qualquer: O caos do Ser


   Submersa em um mar de relações sociais, camadas e camadas de pessoas me sobrepõem. Um turbilhão de conceitos, definições e ideais, faces de seres que não se demonstram em sua totalidade, mas sim em pequenas camadas, descamadas, descontínuas. E eu continuo estática questionando meu próprio ser, afinal quem sou eu?   Qual a minha descrição? Será que tenho uma biografia sólida? Será que vivo sobre óticas diversas? Será que me defino ou definem a mim? 
   Caio em questões difusas, confusas. Caio em abismos profundos, em poços sem fundo e por fim me encontro em questões diminutas, mas simples e completas em sua essência. Em um instante o caos, a dúvida e todos os questionamentos cessam e percebo que por um segundo estou vivendo, pois a certeza do EU humano é saber que está vivo, não só biologicamente, mas acima de tudo conceitualmente, psicologicamente, seja ambíguo ou integralmente.
   Finalmente penso, finalmente existo, finalmente sou, finalmente, fatalmente, somente, só mente, minha mente que mente... Então mais uma vez é dia, para onde foi a certeza do Eu? Porque os questionamentos retornam? Porque a sociedade me oprime? Porquê?
E assim a dúvida ressurge e meu caos renasce.  



Nathália Galvão - Noturno 

Descartes e a busca pela razão

Descartes dedicou-se à busca do bom uso da razão e do bom senso, que assegurasse a veracidade e que tornasse possível julgar corretamente entre o verdadeiro e o falso.

A filosofia é incerta e duvidosa, o que a torna passível de diversos entendimentos de acordo com quem a analisa. Essa divergência de ideias é o que move tal ciência, assim como todas as demais em seu sentindo geral, a busca pelo saber e por chegar o mais próximo de uma verdade por meio de pensamentos que fujam a ideias passionais e que o façam por meio da racionalidade.

Como disse em certo ponto “A diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes e não consideramos as mesmas coisas”, assim, discorre a ideia de que a razão é igual em todos os indivíduos, mas estes diferem pela forma que a empregam.

A produção do conhecimento transforma e modifica, não apenas contemplando o ser em seu deleite pela escrita, mas empregando uma forma de compreender o mundo. O pensar surge da necessidade de inovações, do rompimento com o passado e do lucro, que vai de encontro aos interesses burgueses, que ao longo da história patrocinou a ciência como forma de modernizar, mantendo tais atitudes até os dias atuais ao incentivar novas descobertas. 

Camilla Bento Lopes
Primeiro Ano de Direito - Noturno

O pensamento cartesiano na atualidade

   Na obra “O Discurso do Método”, escrita no século XVII, o filósofo e matemático René Descartes expõe seu método para atingir o conhecimento. Segundo Descartes, a verdade só pode ser obtida através da razão, que para ele é algo inerente a todos os indivíduos. Além da racionalidade, o questionamento é fundamental no método cartesiano para se chegar a um conhecimento real e indubitável. Para Descartes é necessário duvidar de todo o conhecimento prévio antes de assumi-lo como verdadeiro.

    Na realidade do século XXI é importante notar que o pensamento cartesiano, mesmo sendo de séculos atrás, permanece muito válido e deveria ser mais utilizado pelas pessoas. Alguns dos grandes problemas do mundo atual são a arrogância e a prepotência de muitas pessoas. Infelizmente, é muito comum encontrar indivíduos que não aceitam terem suas opiniões questionadas e que desprezam opiniões que divirjam das suas. Esse tipo de postura ajuda a entender o mundo caótico e conflituoso em que vivemos. Se todas as pessoas usassem a capacidade intelectual e senso crítico que possuem para questionar primeiro as próprias concepções ao invés de julgar as opiniões alheias, o mundo seria um local muito mais harmônico e pacífico.

Rafael Carpi Baggio – 1° Ano de Direito - Diurno

A contemporaneidade de Descartes

Descartes, quando escreve a obra “discurso do método”, estava inserido em contexto especifico e diretamente influente na maneira de pensar da sociedade. A igreja condicionava comportamentos e fundamentos, restringindo o espaço para busca voluntaria de conhecimento. Em 1637, a força da razão tal qual a conhecemos era muito mais do que incipiente. Por esse motivo, o pensamento cartesiano surge como ponto de partida para a filosofia moderna. Na obra, o autor revela a maneira pessoal utilizada para conduzir sua racionalidade e se afastar das incertezas provenientes dos sentimento e sentidos.
A maneira pela qual René busca autonomia na apreensão de conhecimento se faz muito atual quando observamos as bases utilizadas por ele – objetividade e racionalidade – ­­em sua trajetória. Propondo esvaziar-se de todas as crenças e conhecimento adquiridos, Descartes encontra a questão que garante a certeza segura de algo: “Penso, logo existo”. A existência, a partir dessa constatação, se torna a base da certeza de que podemos conhecer de fato algo sem qualquer tipo de questionamento que possa negá-lo: se soubermos que pensamos, é por que necessariamente existimos. Hoje diversas áreas, como a ciência, se fazem valer das máximas racionais, buscando distanciar-se cada vez mais de subjetividades, como os sentimentos. Sendo assim, o que Descartes postulava, que a razão deveria permear todos os âmbitos da vida, está cada vez mais presente e ,de forma profunda, estabelece os princípios do cotidiano.
Isabela Rocha, 1º ano Direito-Noturno.

Discurso do método: uma nova forma de pensar




            O “Discurso do método” pode ser considerado como uma introdução a um conjunto de obras igualmente revolucionárias, Descartes exemplifica, além das escrituras, um conceito de que se pode errar, com os erros são gerados e melhorados os conceitos essenciais tanto das ciências exatas quanto das ciências humanas. Esse modo de visualização da realidade como uma fábrica de conhecimento pode revelar os mistérios de toda vida humana, uma vez que o homem é forçado a promover o conhecimento, partindo do errado ou certo, a partir de observações, análises críticas do que anteriormente já foi visto como certo e indiscutível.
Nesse contexto, observamos que a formação educacional pode levar o homem ao erro quando não se acha boas saídas para problemas simples e solucionáveis. A partir disso a formação de um ser depende exclusivamente de predefinições que reutilizamos sob conceitos estabelecidos sob a denominação de preconceitos. Assim é explicado o surgimento de organizações paralelas, com pensamentos e formas de agir diferentes, como o crime organizado, divisão de classes sociais, teorizado posteriormente por Karl Marx e Friedrich Engels.
Carlos Roberto, Direito Noturno
13 de março de 2016