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quinta-feira, 10 de março de 2016

A Atemporalidade do Método de Descartes

     No que diz respeito ao saber e conhecimento científico na concepção de Descartes, a elaboração de seu método não só revolucionou a ciência moderna em sua totalidade, mas também consagra a razão como principal instrumento ideológico de uma época em constante mudança e avanço.
     A crença perde seu espaço para a indagação e o estudo prático da natureza intima e pessoal, na qual o ser humano se insere e vive, fazendo e criando história, no mais importante, pensando, o ato de pensar efetiva a própria existência, e é nesse contexto que Descartes formula, analisa e elabora seu método.
     Método este que, busca a melhor compreensão do que está ao redor, e principalmente no que está além do que os próprios olhos enxergam, além de qualquer sentido do homem. É valido ressaltar que em nenhum momento há a imposição de seu conhecimento, Descartes mesmo afirma que sua elaboração não busca oprimir outros artifícios, pelo contrário, tem como verdadeiro objetivo firmar uma forma mais coesa, singular e compartimentada da pesquisa, tornando mais fácil o estudo de um determinado objeto.
    Fica-se clara essa afirmação no trecho de sua obra a seguir:
"Os viajantes que, estando perdidos numa floresta, não devem
ficar dando voltas, ora para um lado, ora para outro, menos ainda permanecer
num local, mas caminhar sempre o mais reto possível para um mesmo lado, e
não mudá-lo por quaisquer motivos, ainda que no início só o acaso talvez haja
definido sua escolha: pois, por este método, se não vão exatamente aonde
desejam, ao menos chegarão a algum lugar onde provavelmente estarão melhor
do que no meio de uma floresta."
    E no mais que se refere a atemporalidade, a conclusão é simples, já que a didática vista nas atuais escolas e universidades segue os preceitos desse grande pensador, dividindo-se as várias áreas do conhecimento e compartimentando esse saber, tornando-o mais fácil de se compreender e absorver. Mesmo que haja um considerável período de tempo separando esse idealizador do presente(aproximadamente quatro séculos), é quase que impossível não notar o quão atual este mesmo é, visto que há a herança de um contexto histórico tomado por expectativas, transformações e avanços sociais e tecnológicas.
    Herança essa que ainda se estende e se renova cada vez mais nessa geração contemporânea, situação propícia a novas indagações, dúvidas e conflitos que já foram confrontados, analisados e problematizados por Descartes a quase quatro séculos atrás.

Caio Turco 1° Ano
Direito - Matutino

A herança da Igualdade

René Descartes em sua obra "O Discurso do Método" é conhecido pela frase, "Eu penso, logo existo", mas sua contribuição não se resume à isso. Dentro dessa obra é possível encontrar o "embrião" do ideal da igualdade, que até hoje é extremamente discutida, principalmente nos Direitos Humanos.

Antes de Descartes os gregos haviam concordado que a razão era inerente aos humanos e diferenciava o homem dos animais, mas o autor escreveu que " o bom senso, ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens", assim todo ser humano é igualmente racional, somente chegando à conclusões diferentes por terem usados caminhos diferentes para chegar à resposta. Isso é um gigantesco avanço, significando que toda pessoa tem a capacidade de resolver qualquer problema que requeira da racionalidade, desse modo há uma ruptura com a ideia que antes existia, antes a filosofia era  fundamentalmente aristocrática ou elitista. Com essa conclusão de Descartes uma grande parcela da humanidade que era excluída da busca do conhecimento começa à ser admitida nessa busca.

Assim percebe-se que o matemático em sua obra não apenas define um método de pensamento, mas nos deixa uma herança há ser cultivada nos séculos seguintes, todo homem tem a razão, ou seja, a igualdade das faculdades mentais, que mais para frente colaboraria para a construção do ideal de igualdade que temos hoje.

Juan A. M. Castilho 1° ano- Matutino