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terça-feira, 25 de outubro de 2016

O disfarce institucional do preconceito

Segundo Weber, a ação social só existe quando um indivíduo estabelece comunicação com outros, e consiste na realização de um ato esperando outro correspondente. Para ele, a função do sociólogo é compreender o sentido das ações sociais e por isso as divide em quatro tipos ideais de acordo com seus nexos causais: ação social racional com relação a fins; ação social racional com relação a valores; ação social afetiva; e ação social tradicional.
Outra ideia central das obras de Weber trata sobre a dominação. Ele a define como uma oportunidade de encontrar um determinado indivíduo pronto a obedecer a uma ordem de conteúdo determinado e a divide em três tipos legítimos: dominação legal; dominação tradicional; e dominação carismática.
A partir desses conceitos, é possível analisar o caso da transexual que pleiteava cirurgia de mudança de sexo custeada pelo governo, além da alteração de seu prenome e de seu gênero no âmbito civil. Seu pedido pode ser visto como uma ação social racional com relação a fins, pois o objetivo buscado e os meios usados para tal são racionalmente escolhidos. A cirurgia é algo racional, não algo que surgiu de mero desejo subjetivo da requerente, tendo em vista que ela preenche todos os requisitos estabelecidos pela medicina no país. Entretanto, já não se pode ter certeza de a resposta do governo diante do caso é apenas racional (pensando nos gastos para a economia brasileira) ou envolve valores que subjulgam a comunidade LGBT. Partindo de outro conceito weberiano, observa-se predominância da dominação legal na relação entre o Estado brasileiro e seu povo. Nesse tipo, a obediência se presta à regra, que acreditam ser competente para designar a quem e em que extensão se deve obedecer. Sustentando-se na burocracia, o governo faz parecer legal a proibição da realização da cirurgia de trangenitalização pelo SUS e consequentemente, sem a mudança de sexo, dificulta a alteração do prenome e do gênero nos documentos da requerente, e assim sustenta o preconceito enraizado na sociedade.

Gabriela Prado - 1º Ano (Matutino)

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