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segunda-feira, 24 de outubro de 2016


[ALERTA DE TEXTÃO] [DESABAFO] [PRA QUEM NÃO ME CONHECE SOU MULHER]

Olá, caros amigos/colegas que me leem por esse meio de comunicação!
Tenho me incomodado com algumas espécies de comentários "despretensiosos", ou "desprovidos de maldade" que a muito brotam nas entrelinhas dos dispositivos desse canal! Ah! São tantas objeções a fazer... Mas, por ora, me atento a citar um amigo, por muitos conhecidos, por outros... como queria que o tivessem conhecido! @Weber, peço permissão para falar sob o jugo de sua crítica:
Sou transexual, o que não-quer-dizer que eu sofra de transexualismo (ou qualquer variação da palavra que se subentenda doença, patologia ou transtorno de identidade) porque eu estou plenamente certa de que essa condição a que estou submetida (digo, o descompasso primeiro de meu corpo, ao não se adequar com meu desejo mental e espiritual) não me trouxera qualquer lesão corporal, psicológica, enfermo, mal ou moléstia, de que não tenha sido derivada essencialmente de pressões sociais (coercitivas, de um todo) - @Durkheim, peço a licença de sua palavra para me explicar - com intenção exclusiva a convencer-me a agir com os outros e comigo mesma de uma maneira covardemente infiel aos meus próprios instintos, sob a absolvição imoral de estar em conformidade com a racionalidade formal que, desde sempre, pautou a lógica social cis-normativa.
Já aproveito para "linkar" a observação de que, dentro dessa racionalidade, o instinto é incentivado mas - que fique claro - dentro das expectativas do padrão para os parâmetros sexuais e normativos esperados.
É, mas apesar disso tudo... EU EXISTO. E a minha racionalidade material está colocada em pauta. Por quem? Por quem me qualifica no direito de ser chamada pelo gênero (ela) que eu bem desejar, por quem me qualifica na liberdade de agir como eu bem entender, de me vestir como eu bem preferir, e de usar o meu corpo da melhor maneira com que eu me sentir a vontade...
Até ontem, esse direito esteve reconhecido primordialmente e defensivamente por mim (oras, sempre tive tanta auto-estima? alivia-me pensar que sim, mas não é regra geral, é exceção).
Hoje, foi determinado judicialmente que a mudança de meu nome e de gênero em todos os meus documentos, bem como no Cartório de Registro Civil fosse demandada - e, além de tudo, que a cirurgia de mudança (prefiro readequação) de sexo fosse realizada.
VITÓRIA! A racionalidade jurídica reconheceu minha realidade material! Deveria ser tão "suada"? Aposto certeiramente que não. Além de que, o reconhecimento jurídico do mesmo aparato que é, sabidamente, utilizado como instrumento para imposição da racionalidade formal ao legitimar muitas ofensas a classes marginalizadas como a minha, é exclusivamente dedicado a mim, e não modifica ou atenua o pensamento consensual de um brasileiro - quiçá de um ser humano global - médio. (Lembrando que é este mesmo "cidadão de bem", que sozinho ou junto a outros de seu mesmo segmento, agridem, maltratam e marginalizam seres transexuais como eu).
Por isso, faço um convite humilde, e despretensioso, a você, caro leitor/amigo/colega/conhecido a quem me dedico a palavra. Estou livre e aberta para esclarecer suas dúvidas sobre quem sou; quem sabe... você não cai naquela premissa disseminada pelos programas "humanitários-de-fim-de-ano" dos canais televisivos: "Somos todos iguais"?
#campanhaafavordadiminuiçãodebolsominions

"Pareço pedra; queria ser pedra. Mas nasci flor" (Autor desconhecido).
................................................................................... publicado agora há pouco
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(Simulação de uma postagem via facebook - baseado em uma autora real)

Aluna: Luana Ambiel Marachini Período: noturno

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