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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Disfunção

O “não” que devia ser “sim”
A disfunção daquilo que devia seguir.
Uma arma apontada, a fúria, a dor.
Prisão, repulsão, torpor.

A batida, a cusparada, as mãos e o dano.
O soco na cara, o oco da vida,
O sem querer, público metano.

A consciência pesa.
Os olhos julgam.
Os braços da lei crucificam.
E o Estado come.

Antes de nascer o plano já estava formado
Antes de querer, já estava querendo.
Antes de sentar, já estava sentado.
Antes de morrer, já estava morrendo.
Ia por uma rua onde todos vestiam caqui,
Todos comiam com as mãos,
Ali se cria em milagre.

- Meu filho vai ser doutor!
O menino queria ser ator.
Ator(mentado) pelas ideias,
Preso nas promessas de louros,
Abrindo a boca pra cantar no banho.
O sonho que pulsa contraria o ganho.
Finge alegria.
O ator rima pobre e vai ser doutor.

Aqueles que não fizeram,
Aqueles que não cooperam,
Vão pro seu lugar.
Ou se está in, ou se está out.
Ouve-se os aplausos da grande fraude.

Um fardo nas costas que não se suporta.
Asco, quarto, conduta torta.
Um viajante que se prende na existência.
Verdade, compaixão, essência.
Gregor e sua metamorfose.
A não utilidade, a não função.
Amor?
Não se ama aquilo que não se usa.


A vida, no fim, pesa como uma maçã nas costas.

José Eduardo Adami - 1º ano Direito (noturno) 

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