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segunda-feira, 2 de maio de 2016

A educação coercitiva

Durkheim define o fato social como maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder imperativo e coercitivo, que se apresentam de forma diferente dos fenômenos orgânicos e psíquicos.

A coercitividade gerada por tal fenômeno age sobre o indivíduo a partir da consciência pública, ao exercer uma vigilância sobre sua conduta perante a sociedade, e pela repressão de todo ato que a ofenda.  Ainda que a maioria dos atos e tendências de um ser não se originem na sua essência, mas de um ensinamento realizado para que ele se adeque aos padrões esperados.

A educação é uma das principais formas de coercitividade, possui a capacidade de impor ao indivíduo, desde a sua infância um dever ser que não lhe é natural, moldando e ajustando-o à forma idealizada e aceita pelos demais. Ela é um esforço contínuo para manter os seres dentro dos moldes esperados e do “permitido”. Tal característica sai do século XIX, período no qual Durkheim escreve a obra, e se faz presente nos dias atuais, em que a educação, que deveria se mostrar libertadora, é uma das principais amarras do indivíduo.

O instrumento que deveria direcionar o ser a um pensamento crítico, faz com que este siga o pensamento das massas e evite fugir das normas, deixando de questionar e de se impor pela possibilidade de não mais pertencer ao coletivo, e fazendo-o acreditar que a resistência às regras não o libertará.  

Camilla Bento Lopes - Direito Noturno 


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