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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A ação social nos faz maestros


O Maestro guia a melodia. Os espectadores se emocionam. O coral encanta. Assim é a vida, o amor e a profissão do Maestro Bertolazzo, guiando a melodia por toda a Europa, vez ou outra é convidado para se apresentar na casa de ópera de Nova Iorque. Os amigos íntimos conhecem sua história, infância sofrida e pobre, abandonado, ainda com 3 anos, nas ruas de Verona, na Itália, onde acabou tendo que se virar por um bom tempo. Foi atraído pela Igreja, e lá conseguiu ser letrado por um padre, que era na verdade um bom amigo, e com ele descobriu a música, rapidamente demonstrando ter talento e dedicação.
Não foi a infância difícil que determinou seu caminho, não foi a pobreza e o abandono atribuídos ao capitalismo que determinou a que classe ele pertencia. Afinal, ele considera que nunca pertenceu a classe alguma, não crê nesse tipo de identificação limitada. Pode não ter sido o fato social de Durkheim que definiu o seu agir e nem os meios de produção que definiu o seu destino, talvez, seja apenas a sua própria decisão junto à participação daqueles que passaram por sua vida levando a desenvolver suas próprias ações.
Independentemente do resultado de nossas ações, não é o exterior, mas sim nosso interior individual que nos leva a decidir como agir, de acordo com a sociologia compreensiva de Max Weber. Qualquer outra pessoa, nas mesmas situações que o maestro e recebendo o mesmo contato com as mesmas pessoas poderia conseguir resultados diversos em sua vida, o exterior não a determina.
Para Weber, a sociologia deve estudar a ação social dos indivíduos e seus sentidos. A ação social divide-se em 4 tipos. A ação racional com relação a um objetivo que é puramente racional em busca de realizar algum objetivo, como, por exemplo, as ações que Bertolazzo tomou para se tornar um maestro, que passou a ser seu objetivo após a descoberta da música. A ação racional com relação a um valor que pode ser ético, religioso ou político, dentre outros, como o padre que considerando os valores altruístas de seu ser e de sua fé decidiu ser um tutor para o garoto. Temos também a ação emotiva que é guiada por sentimentos e paixões, como a decisão de Bertolazzo de ajudar crianças carentes e abandonadas na esperança de que não sofram como ele sofreu. Já a ação tradicional é aquela que é guiada por hábitos e costumes, como a ação tomada diariamente pelo maestro de como organizar sua apresentação. Cabe ressaltar que os seres humanos, em suas ações, não se baseiam em um único tipo de ação social, mas em vários.
As sociedades e os Estados não são nada mais de que os reflexos das ações sociais dos indivíduos que os compõem. A reciprocidade, resposta e conjunto de ações social formam as relações sociais. Dessa forma fica impossível determinar e fazer previsões sobre o que acontecerá no futuro, o que marca a sociologia de Weber, que vai totalmente contra o determinismo, o dogmatismo do denominador comum e a aplicação forçada do materialismo histórico, que além de diminuir o indivíduo, diminuem a importância das outras causas que guiam o comportamento humano. Ou seja, cada ser é um maestro e age sempre de forma a comandar a melodia de sua vida, independente do público ou do palco em que se apresenta.
 
Alexandre Roberto do Nascimento Júnior
Introdução à Sociologia - Aula 9
1º ano Direito diurno

Benjamin Franklin e a ética capitalista de Weber

Max Weber é, possivelmente, um dos últimos grandes clássicos da Sociologia e uma das matrizes do pensamento sociológico com métodos estruturados. Em seu livro mais conhecido e, talvez, o mais importante, A ética protestante e o espírito do capitalismo, aborda o surgimento desse modo de produção e do que ele se trata – vale ressaltar que a concepção weberiana de capitalismo foge à concepção marxista a que estamos acostumados, de modo que, para ele, o sistema não é uma busca incessante por lucro, mas uma racionalização da sociedade.
            Weber aponta que o calvinismo desenvolveu o espírito capitalista e, por conseguinte, o capitalismo. Ao falar da ética capitalista, o autor se utiliza de um texto de Benjamin Franklin chamado Time is Money, em que o autor abarca o “Utilitarismo ético” que, em suma, critica o ócio, incentiva o acúmulo de bens e a poupança. Em um de seus trechos indica: “nunca se permita pensar que tem tudo de que precisa”.
            Posto isso, a ética utilitarista afirma que o indivíduo deve pagar suas contas em dia, não porque é o certo a se fazer, mas porque isso é crucial para que ele consiga novos empréstimos, atraindo mais dinheiro. Além disso, esse sistema faz com que o homem se sinta na obrigação de reinvestir seus ganhos para fazer crescer seus lucros.
            Com essa perspectiva do comportamento humano, é possível fazer uma análise de como a rotina dos indivíduos se tornou auto-exploradora. É certo que o proletariado oprimido descrito por Marx convive em situações complicadas de trabalho, condicionadas pelo sistema do capital; todavia, a ética capitalista descrita por Franklin e Weber nos mostra que até mesmo os burgueses são dependentes do sistema que eles próprios impuseram.

            O ócio que antes fora considerado próspero, hoje é considerado como a perda da prosperidade. A expressão “tempo é dinheiro” define aquilo que a sociedade se tornou, dependente de sua própria ambição, viciada em aumentar progressivamente seus lucros, deixando de lado a própria qualidade de vida e os momentos essenciais de lazer.
Gabriela Melo Araújo - 1º Ano
Direito Noturno