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segunda-feira, 25 de maio de 2015

O abandono da metafísica


   A corrente filosófica filosófica do Positivismo foi idealizada pelo francês Auguste Comte. Conhecido como a ideologia do progresso, o Positivismo busca a observação e explicação útil e pontual dos fenômenos. Acreditava-se que a reclassificação das ciências segundo o seu grau de complexidade seria capaz de ajudar na compreensão da humanidade. Sendo assim, deixava-se de lado a Metafísica e a Teologia.
    Os seguidores de tal corrente abandonaram progressivamente as questões de caráter metafísico e que tentavam explicar fenômenos externos, como por exemplo a famosa indagação “de onde viemos?”. Ao invés disso, buscava-se explicar questões mais práticas na vida humana, como as relações sociais.
   Tal corrente filosófica influenciou muito os pensadores brasileiros, e suas idéias ainda podem ser notadas em nosso sistema político e educacional. No Brasil, por exemplo, os escritos dos naturalistas Aluísio de Azevedo e Raul Pompéia possuem diversos indícios positivistas. 
    Além disso, a instalação da República no Brasil foi obra de pessoas com pensamentos postivistas e o escrito em nossa bandeira segue o lema de Comte  ''amor como princípio e ordem como base; progresso como objetivo”. Apesar dessa aceitação do Positivismo no Brasil e Europa, tal linha de pensamento foi muito criticada pela tradição sociológica e filosófica marxista, com destaque para a Escola de Frankfurt.
 

Sofia de Almeida Antunes
1° ano
Direito - noturno

 

Ver para prever

Fruto de uma relação familiar tempestuosa, Augusto Comte nasceu em Montpellier, na França, em janeiro de 1798. Teve na Escola Politécnica de Paris – para ele, modelo ideal para a educação superior – seu primeiro contato com “uma comunidade verdadeiramente científica”; entretanto, foi ao estudar o Esboço de um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano, de Condorcet, que o pensador se depara com um dos principais pontos de sua filosofia: os descobrimentos e invenções da tecnologia levando o homem para o interior de uma completa racionalidade. Após sair da Escola Politécnica, Comte cooperou com Saint-Simon e, posteriormente, iniciou seu próprio curso, dando origem a uma de suas principais obras, o Curso de Filosofia Positiva.
O conservador francês fundamenta que a sociedade só poderia ser habilmente reorganizada por meio de uma íntegra reforma intelectual do homem. Diferente de outros filósofos de seu tempo – como o próprio Saint-Simon –, Comte pregava que, antes da ação empírica, os homens deveriam adquirir novos hábitos de pensar de acordo com as ciências contemporâneas. O método comteano compôs-se em derredor de três temas elementares: uma filosofia da história, com o objetivo de mostrar as razões pelas quais uma certa maneira de pensar deve imperar entre a humanidade, uma fundamentação e classificação do conhecimento baseado no pensamento positivo e, por fim, uma nova religião de renovação social que permitisse a reforma prática das instituições.
A filosofia da história sintetiza-se na lei dos três estados, proposição de Comte que diz que todas as ciências e o espírito humano desenvolve-se, de forma assintótica, em três fases: a teológica, a metafísica e a positiva. No estado teológico, a imaginação desempenha papel definitivo, uma vez que, diante da multiplicidade da natureza, o homem só compreende o mundo por meio da crença em deuses e espíritos; nesse estágio de desenvolvimento, o ser crê na posse absoluta do conhecimento, utilizando essa mentalidade para fundamentar a vida moral. No estado metafísico, o homem transita para a ideia de forças na intenção de substituir as divindades da fase teológica; aqui, a natureza é a unidade que corresponde ao deus único do monoteísmo. Ambos procuram explicar a origem e o destino das coisas.
Já o estado positivo tipifica-se pela subordinação da imaginação e da argumentação à observação: cada enunciado positivo deve ser proporcional a um fato. Nessa fase do conhecimento, não se busca a essência das coisas, mas, sim, a vinculação imutável entre os fenômenos. Na mesma época, o mesmo procedimento surge em Bacon, Galileu e René Descartes – os fundadores da filosofia positiva para Comte. Ao contrário dos estados teológico e metafísico, o positivismo considera impossível a redução dos fenômenos naturais a um só princípio como Deus e a natureza. Para Augusto Comte, a união entre a teoria e prática torna-se uma possibilidade, uma vez que, observando as relações imutáveis entre os eventos, é possível prever o seu futuro desenvolvimento. A previsibilidade científica permite o desenvolvimento do know-how, correspondente de um meio industrial capitalista, concentrando, na esfera político social, o conhecimento nas mãos de uma elite de sábios e cientistas.

Alexsander Alves,
Ingressante do Direito Noturno (XXXII, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais)

(Comte) Marginalização das Reivindicações

       Após todas as revoluções burguesas do século XVIII, Augusto Comte surge como um consolidador das ideias dessa classe, como um ponto definitivo na instituição de seu poder e cuja intenção era o mantimento deste. Pode- se dizer que a filosofia positivista, embora, de certa forma, iniciada por Bacon e Descartes, coloca-se como um divisor de águas entre a filosofia antiga e a filosofia preponderante na Era da Burguesia, que vai da revolução francesa até os dias de hoje.

       Comte buscou esquematizar as diferentes sociedades, já que este era um objeto movediço a seu ver; ele tentou procurar aquilo que havia em comum entre estas organizações e então, sistematizou as relações, sem tato algum ou respeito pelas diferenças, padronizou o que poderia ser considerado comum e normal. O filosofo buscava observar a sociedade como os físicos observavam os planetas – o paradigma newtoniano da gravidade, por exemplo, foi muito usado por ele. Se valendo disso, ele acabou por instituir um dos maiores males que qualquer sociedade pode enfrentar: a ideia errônea de que relações humanas são passiveis de interpretação superficial e de que existe um padrão – excluindo assim milhares de minorias, oprimindo aqueles que, por escolha ou não, não se encaixam, gerando preconceitos, imensas desigualdades e até mortes.

       O burguês pregou também pela ordem acima de qualquer outra coisa; a sociedade deveria fazer o que fosse preciso para se manter, mesmo que isso significasse ações imediatas abusivas, como intervenções militares (e, por isso, suas ideias foram muito absorvidas por esse grupo, os militares, se incorporando a seus lemas). Sendo assim, o governo foi aliviado em seu papel de buscar o real motivo, de se aprofundar nas causas de certo acontecimento ou fato que perturbe a ordem, como por exemplo, o fenômeno das favelas ou a violência urbana, e de trata-lo em longo prazo, de maneira cuidadosa, e para fins definitivos, sendo a repressão a solução mais usada.


       Entre tudo isso, porém, talvez a maior fatalidade infligida por Comte foi amordaçar todos aqueles que se sentem insatisfeitos com a sociedade, todos aqueles que são oprimidos, que querem e precisam de mudanças. O filosofo instituiu o fim da total liberdade (afinal, os reprimidos não seriam os da classe dominante) – a liberdade do individuo não podia extrapolar a estática do conjunto e, portanto, não era liberdade – o que remete ao forte caráter positivista que os regimes nazifascistas possuem. Pode-se dizer então que Augusto Comte tirou a maior arma que um povo pode ter, a de fazer a sua revolução e com isso, incrustou a opressão de tantas formas que as consequências perduram até hoje, e perdurarão enquanto a burguesia tiver nele base para se manter e possuir os objetos de coerção, deixando o povo a margem, como se sua luta não fosse legítima. 

Stephanie Bortolaso
Direito - Noturno 

O suicídio na sociedade contemporânea

A crítica de Durkheim ao sistema capitalista industrial em seu livro "O Suicídio", é mais atual do que em qualquer outra época. A noção de que o individualismo exarcebado e a pressão para que sejamos bem sucedidos são a chave para entendermos as mazelas da sociedade
Se mostrou revolucionária na época do livro, em fins de século XIX.
Mesmo após 100 anos da observação de Durkheim, a taxa de suicídios não pára de aumentar. Em sua tese, Durkheim discorre sobre cinco principais questões que estariam levando às pessoas a esse fato social, e a principal causa seria a ruptura extremada dos valores e condições tradicionais das pessoas em relação ao antigo estilo de vida e à natureza. Essa mudança de paradigma na vida das pessoas, representado pela adoção de horários bem definidos, o trabalho exaustivo nas indústrias, as condições de vida precárias nos cortiços urbanos e o ambiente de competição selvagem, levaria-as a um desgosto tão enraizado que levaria as pessoas a tirarem a própria vida.
Em nossa sociedade pós-industrial, cerca de 800 mil pessoas se suicidam todos os anos. Vivendo em condições bem melhores daquelas vistas no século  XIX, as pessoas hoje continuam tirando a própria vida em taxas alarmantes. Para Durkheim, além das condições de vida, os comportamentos derivados do capitalismo, como o individualismo, seriam uma causa para tal fato social. Tal fato pode ser observado nas sociedades orientais contemporâneas, onde jovens que não obtém sucesso em entrar na universidade tiram a própria vida

Ordem e Progresso?

         
         Augusto Comte foi um importante filósofo e sociólogo francês do século XIX. É considerado o criador da corrente filosófica, política e científica conhecida como Positivismo.

            O Positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Para os positivistas somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada através de métodos científicos válidos. Os defensores dessa corrente filosófica não consideram os conhecimentos ligados as crenças, superstições ou qualquer outro conhecimento que não possa ser comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos.

            O lema nacional “Ordem e Progresso” tem inspiração positivista, porém é um lema ultrapassado. Afinal o que é essa tal de “ordem” que exclui os que não se encaixam no padrão estabelecido e esse “progresso” que visa o crescimento econômico ilimitado e os avanços tecnológicos, mas destrói e polui o meio ambiente?
           
     Deveríamos repensar o nosso lema e buscar algum que promova a justiça , a busca para a resolução dos problemas socioambientais e a igualdade social.

Juliane P. Motinho 
1° ano
Direito - noturno.

Apenas Uma Função Social

Zona Sul, São Paulo, no hospital
Nasce-se mais um filho de operário
Desde pequeno uma tarefa manual
Um emprego aos treze de aniversário

Aluno SESI aprendeu toyotismo
Foi um orgulho quando entrou no SENAI
Teologia, metafísica, positivismo
Conclui com mérito-padrão o seu curso

Conquistou a carteira de trabalho
Uma glória. Inserido na sociedade
Quem não seguiu esse rumo foi falho

Mais uma história de sucesso
Um cidadão com sua função social
Esse é o Brasil com Ordem e Progresso


Cauê Varjão
1º Ano - Direito - Noturno

Do Soldado Amarelo à Rota na Rua

Dep. Estadual Coronel Telhada (PSDB-SP),
ex-comandante da ROTA.
Fonte: coroneltelhada.com.br

Em 1938, o escritor alagoano Graciliano Ramos publica Vidas Secas. Romance que retrata a vida precária de retirantes no Sertão Nordestino. Personagens rústicos que simbolizam as fraquezas das relações humanas, sobretudo quando tratam com o poder do Estado investido no personagem Soldado Amarelo. 

Fabiano, chefe da família que foge da seca, é preso arbitrariamente e permanece em situação vexatória. A farda confere ao Soldado Amarelo o caráter de representante da Justiça e, Fabiano, desprovido de educação formal básica, é abusado injustamente. Hoje, mais de setenta anos depois, o livro continua atual não só por causa do flagelo da seca, mas pelo que representa o Soldado Amarelo: o autoritarismo. 

Não se trata da região mais carente do país; pelo contrário: São Paulo, o estado que ostenta os melhores índices em quase todas as estatísticas. Os personagens não pertencem à ficção, cruzam conosco diariamente em viaturas. Um de seus expoentes toma posse como deputado estadual em 2015: Coronel Telhada, ex-comandante da ROTA (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar), grupo especial da Polícia Militar de São Paulo. 

A ROTA, sob seu comando de maio de 2009 a novembro de 2011, elevou o número de "autos de resistência" em 63%, galgando a marca de 114 vidas no período; os números são do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Telhada é famoso por aparições públicas gabando-se dos feitos de sua tropa mesmo em ações arbitrárias comprovadamente frustradas. Como agente do Estado, tem em sua ficha 29 processos judiciais e militares; todos arquivados. 

Telhada é representante do povo paulista na Assembleia Legislativa? Sim, ele foi eleito como o segundo deputado mais votado do pleito estadual. Em seus discursos como policial da ROTA ou agora como deputado, Telhada apoia a arbitrariedade de alguns policiais e glorifica o excesso da força policial no enfrentamento da violência urbana. Graciliano Ramos fez uso do Soldado Amarelo para denunciar essa condição desumana travestida de justiça. 

Os eleitores de Telhada se identificam com os valores da "bancada da bala". Para essas pessoas, os desajustados precisam se adequar às regras que mantêm a sociedade funcionando sem sobressaltos. E Telhada é a esperança para que esse ajuste normatizado tome as ruas, como a ROTA. 

Comte e a Reforma da Educação 

"Para que a filosofia natural, possa terminar a regeneração, já tão preparada, de nosso sistema intelectual, é, pois, indispensável que as diferentes ciências de que se compõe, presentes para todas as inteligências como diversos ramos dum tronco único, se reduzem de inicio ao que constitui seu espirito, isto é, seus métodos principais e seus mais importantes resultados. Somente assim o ensino das ciências pode construir para nós a base duma nova educação geral verdadeiramente racional." Assim Comte apontava para a necessidade de reformulação do sistema educacional europeu que imperava em sua época. Sua proposta consiste em um método que visa um destrinchamento do conhecimento científico, sendo esse perpassado de maneira que suas generalidades imperem sobre as especificidades. 
Deixando de ser um projeto, o positivismo do sistema de educação foi aplicado em boa parte do mundo contemporâneo. Contudo, essa positivação no contexto educacional levou a uma inflexibilidade e limitação das liberdades acadêmicas. O método comtiano propõe uma uniformização da educação, desconsiderando as particularidades, sejam essas dos sujeitos ou das ciências. Em relação aos sujeitos, é como se fossem todos iguais em capacidade de aprendizado e entendimento, o aspecto crítico e subjetivo perde espaço em uma cultura conteudista. Já as ciências veem sua evolução limitada a um conceito retrogrado de progresso, no qual esse só existe se for reflexo da ordem, que por sua vez é a manutenção de um status quo. 
Pode-se concluir que da mesma forma que Comte foi capaz de revolucionar o sistema educacional de sua época, é necessário que existam pensadores capazes de revolucionar o sistema de nossos tempos. Pois o método positivista não consegue mais suprir as demandas a que se propunha. É preciso transformar a ordem para novamente atingir o progresso.

Matheus Vital Freire dos Santos - Direito Noturno 1º ano         







Faca rasa, solução falha

Auguste Comte, filósofo francês e defensor de uma completa reforma intelectual no homem, desenvolveu a "Teoria dos Três Estados" na qual discorre sobre as distintas fases que as ciências e o espírito humano percorrem: a teológica, a metafísica e a positiva. Nesse sentido, considera-se como ideal a última, caracterizada pela subordinação da imaginação e argumentação à observância, privilegiando um racionalismo imediato sobre os elementos que regem os fenômenos. A utilização de tal método empírico, apontado como o mais avançado, pode trazer equívocos sérios e ações ineficazes. Verifica-se assim no assunto desta semana, a criminalização do porte de arma branca. Se partirmos da premissa positivista, temos uma causa superficial, aquele que sai de casa com faca deseja cometer um delito, e uma solução diversas vezes denominada "tapa buraco, ou seja, sem consequências capazes de mudar estruturalmente a vida social, condenar ao regime fechado quem portar tais objetos. No entanto, ignorando essa problematização simplista, definida pelo Positivismo, e considerando aspectos mais profundos, será possível constatar uma provável falta de oportunidade de geração de renda, proveniente de uma deficiência escolar, provocada por um sistema educacional abandonado pelo Estado, que levou o indivíduo a cometer infrações nas quais o benefício a ser adquirido são aparentemente maiores e melhores do que a miséria ou punição. Além disso, outros problemas atuais trazem teores comteanos, como a redução da maioridade penal que criminaliza uma vítima da sociedade capitalista. Portanto, deve-se deliberar corretamente sobre os fenômenos do cotidiano para não ocorrer excessos ineficazes. Victor Lugan- 1 ano direito- Noturno

O positivismo na sociedade contemporânea

       Auguste Comte foi um importante filósofo francês. Colaborou no estabelecimento de uma ciência social, a sociologia, que seria uma forma de constituição das demais ciências. Fato curioso é que ele está muito presente em nosso dia a dia: a bandeira brasileira estampa um lema do Positivismo, corrente filosófica fundada por Comte.
      Ordem e progresso andam juntos para o pensador francês, pois não há um sem o outro. Através desse pensamento, fica claro que o sujeito, ao ir contra a ordem positivista, necessita ser combatido, pois consequentemente é contra o progresso de sua sociedade. Um exemplo da influência desse ideal no mundo contemporâneo é o Código Penal brasileiro, bastante arcaico, que estabelece como crime a “vadiagem”, ou seja, incrimina o ser social que está à margem do sistema (sem moradia, família, trabalho, instituições fundamentais à sociedade, segundo Comte), e que deixa de contribuir, portanto, para o progresso da nação.
        Apesar de uma enorme cooperação para a sociologia, Comte já não é compatível com o mundo atual, pois ao concluir que tudo aquilo fora do “normal social” vai contra a ordem, ele não considera parcelas da sociedade que necessitam de atenção e solução imediata para seus problemas.

Arthur Augusto Zangrandi
1º ano Direito noturno

"Ordem e progresso": ideal arcaico

Desde a Antiguidade, a homossexualidade é condenada à marginalização pelas instituições sociais. A religião judaica, na bíblia, denominou a relação sexual entre homens como algo abominável e impuro, além de atribuir a prática de pederastia como uma das causas do episódio de destruição de Sodoma. A medicina e a psicanálise consideraram por muito tempo a homossexualidade como um desvio de personalidade e comportamento, havendo, em 1975, ela ingressado na Classificação Internacional de Doenças (CID).
Ainda hoje, no Brasil, os indivíduos homossexuais são, em parte, privados de sua cidadania: têm seus processos de adoção de crianças e adolescentes dificultados, lhes é negado o reconhecimento jurídico de sua afetividade na realização de casamentos e na constituição de família, como é evidente nas conhecidas iniciativas legislativas da bancada conservadora do Congresso de tornar invisível a existência da homoafetividade. Evidentemente, são cotidianas e diversas as violências praticadas diariamente contra a população LGBT, sejam elas físicas, psicológicas ou institucionais.
Todos os fenômenos sociais mencionados podem ser legitimados pelo Positivismo de Augusto Comte - no qual a homossexualidade constitui expressão de anormalidade e subversão dos valores estabelecidos que viabilizam a perpetuação da espécie humana. A lógica positivista institui uma concepção científica petrificada acerca da sociedade, que funciona sob uma ordem própria – que tem por significado a manutenção do “fluxo natural” de existência da sociedade, que é a inalterabilidade das instituições que garantem sua “coesão e reprodução” – e um progresso, concretizado na realização do "bem-estar humano" pelos meios técnicos científicos. Tal progresso de Comte se realiza por contradições: as mazelas sociais humanas continuam presentes, vidas são definhadas e estagnadas dentro de uma realidade “evolutiva” – os mais capazes se destacam e submetem os demais, para manter a dita ordem.  
Enfim, esta ordem e progresso não privilegiam a dignidade da pessoa, que sem condições plenas de realização, torna-se uma sombra fugaz no meio social. Via as ideias de Comte, os seres humanos são meras engrenagens de um sistema que funciona mantido por arcaicos motores.

Aula 4. João Victor Ruiz. 1º Ano Noturno

Positivismo contra a monarquia

A corrente filosófica criada por Augusto Comte , conhecida como positivismo , foi extremamente presente não só no pensamento da sociedade brasileira do século XIX como também na sua estrutura.
Trazida da Europa por Benjamin Constant e implantada por ele na Escola Militar do Rio de Janeiro, essa corrente teve forte influência no fim do Segundo Reinado .
Além de problemas com a Igreja Católica , com a elite latifundiária (principalmente a paulista) e muitos conflitos internos , o descontentamento do exército brasileiro somado com a ideia do positivismo foram responsáveis pela abdicação de D. Pedro II e a Proclamação da República.
Defendendo a ideia da necessidade da criação de um Estado Positivo , Constant consegui facilmente difundir o positivismo no Exército Brasileiro , que mesmo defendendo seus próprios interesses , lutou pela ordem e pelo progresso ,sendo que apenas tendo um se teria o outro.
Eric Kaoro Okino
Direito noturno

E diga o verde-louro dessa flâmula...

A máxima política positivista estampa a bandeira nacional. O verde, o amarelo, o azul e o branco tremulam com os ventos nas mais diversas regiões do país, fazendo as duas expressões presentes a todo canto e recanto. Ordem e Progresso. Seja em uma partida oficial da Copa do Mundo, seja na comemoração escolar de uma data cívica importante: o brasileiro é confrontado com tais ideais a todo instante. Enraizada seria tal ideologia no cotidiano deste povo?
            Em uma sociedade que apresenta o Congresso mais conservador dos últimos tempos, facilmente a resposta seria sim – sem maior aprofundamento na análise e tendo em consideração os dados mais substanciais. Ainda na mesma, em que há a represália a todos aqueles que desviam do percurso da tão fantasiada normalidade, do caminho da manutenção das instituições mais prezadas por uma grande parcela populacional, a resposta continuaria sim. Onde qualquer distúrbio social possui maior relevância que uma pequenina melhoria na condição de vida de um carente, sim. Onde o choque de ordens faz-se notório sob uma perspectiva recorrente, ainda, sim.
Sim. Sim. Sim.
Eis um considerável – e alarmante – porém: se existem aqueles que estufam o peito para defender seu pensamento com orgulho, há também a fração que se sente censurada a expor sua posição. Ser positivista não está em voga. A condição considerada fundamental na busca pelo progresso, a ordem, encontra-se, então, tanto explícita quanto velada em terras brasileiras. O senso é passado de geração em geração, criando novos adeptos da segmentação pública entre “lixo social” e “berço social”; e o futuro que aguarda o povo do verde e amarelo, distancia-se mais e mais dos tão pretendidos dizeres.
Isabelle Elias Franco de Almeida
1˚ ano – Direito (noturno)
Introdução a Sociologia – aula 4

E se o Positivismo não for tão positivo?


Mediante uma época de diversas transformações socioeconômicas, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, origina-se a filosofia positivista. No contexto em que se encontrava, Augusto Comte vivenciou a desfragmentação social e a desordem moral decorrentes da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, levando à sua preocupação com os problemas sociais e ao início de uma análise metodológica e sistemática da sociedade.
 Opondo-se à filosofia tradicional, abstrata e metafísica, por vislumbrar a realidade, a filosofia positiva busca a interpretação e compreensão da sociedade para uma possível intervenção, com o diagnostico de seus problemas. É uma ciência atual e de ação, assim como a baconiana. Em seu resumo de “saber é poder”, Comte propõe uma nova relação entre conhecimento e influência, onde o poder espiritual passa a ser exercido por cientistas e sábios, não mais por religiosos, assim como os industriais detém o poder material.
 Ideais propostos pela máxima positiva: “Amor por princípio, ordem por base e progresso por fim”, onde há a defesa da ordem como condição inerente ao progresso, foram fontes de influência inclusive ao Brasil, em seu lema da bandeira “Ordem e Progresso”, bem como garantiram ao positivismo o título de conservador.

Em sua referência ao sistema solar Newtoniano como reflexo de uma sociedade ideal (por representar instituições e indivíduos em lugares específicos, exercendo suas “devidas funções”), Comte estabelece conceitos que ainda permeiam o pensamento contemporâneo, como a relutância popular à questão homossexual (onde o indivíduo é discriminado pois deixa de cumprir sua suposta “função” positiva na sociedade de reprodução): casos que exemplificam como a assimilação de ideais positivistas podem cumprir papéis prejudiciais ao bem comum social.
 Além de progressos científicos obtidos, alguns de seus conceitos extremistas não assimilam a conjuntura cultural e social de uma questão, propondo questionamentos sobre a balança favorável do positivismo na sociedade contemporânea.

Alice Rocha - 1 ano Direito Noturno



O legado de Comte

 August Comte, filósofo francês e criador do positivismo, categorizou a sociedade em três estágios crescentes de evolução: teológico, metafísico e positivo. Para evitar problemas no estágio mais avançado, a sociedade positiva, e garantir a ordem, ele sugere a criação de uma ciência social utilizando os métodos científicos, ou seja, a "Física social".
 A criação da sociologia é um dos grandes legados de Comte, no entanto, seu pensamento é alvo de algumas críticas. Uma delas é a visão da sociologia como uma ciência objetiva, em que o sociólogo, trata de maneira imparcial o problema. Outra crítica, é a função conservadora que Comte atribui à sociologia, ou seja, que busca apenas manter a ordem e sem nenhuma pretensão de alterar nada.
 Em suma, mesmo que Comte seja muito criticado por algumas correntes ideológicas, devido a alguns equívocos cometidos, sua obra é muito importante.

Luís André Vidotti, Direito noturno

O positivismo comteano no mundo contemporâneo

Auguste Comte (1798-1857), foi um importante pensador francês cuja filosofia deixou um legado incontestável para a modernidade. Considerado o pai da sociologia, Comte é o fundador do positivismo, corrente filosófica que alega que o conhecimento científico é a única forma verdadeira de conhecimento, ou seja, admite-se o método científico como único meio para alcançar a verdade, desconsiderando os princípios da teologia e da metafísica, uma vez que não possuem fundamentação científica.
Em sua obra “Curso de Filosofia Positiva”, Comte expõe a chamada Lei dos três estados, segundo a qual o conhecimento humano passa ordenadamente pelos estados teológico, metafísico e positivo, sendo os dois primeiros necessários para a edificação do espírito humano e o último o ponto mais alto da nossa evolução, já que, segundo a filosofia positivista, nesse estágio o conhecimento se encontra concretizado através de métodos científicos.
Com isso, vê-se que o positivismo estabelece uma reestruturação integral do pensamento humano na modernidade, propondo que a ordem deve ser mantida dentro da sociedade para que se alcance o progresso de fato, servindo de alicerce para a reorganização social. O positivismo, então, preconizando regras fixas do comportamento humano, acaba por tornar a estrutura social completamente mecânica, reiterando a necessidade de se preservar a ordem, sendo contrário a qualquer manifestação que contrarie a estrutura vigente.
Portanto, é notório que o pensamento positivista comteano ainda encontra-se presente no mundo contemporâneo, estando ele estampado na bandeira do Brasil com os dizeres “Ordem e Progresso”. Contudo, ao priorizar a estática em relação a dinâmica social, tal pensamento torna-se opressor diante da real evolução e das diferentes formas de organização e de eventos sociais, assumindo uma postura favorável à exclusão social.

Luís Felipe Oliveira Haddad
1º ano - Direito noturno

A importância de aprofundar:Como o positivismo falhou em explicar a histeria no séc XX

      No que se refere a ciência em sua concepção positivista,métodos e fontes de pesquisa devem ser os mais críveis e concretos possíveis,baseando-se no que se vê e como se resolve.Fazendo uso de lógica matemática,Augusto Comte(1798-1857) propõe,em sua obra Curso de filosofia positiva(1848) um método de análise do relativo,onde o que importa são as relações entre objetos,pessoas e fenômenos,sem se preocupar com o absoluto de significância maior,conhecimento que,na visão comtiana,é inatingível.
      A interpretação dos sonhos(1900) é o trabalho do psiquiatra austríaco Sigmund Freud sobre como a influência do subconsciente e de sua manifestação mais detalhada(o sonho) eram responsáveis por respostas sintomáticas em mulheres diagnosticadas com "histeria".Ao contrário do que se esperava de uma patologia onde ocorriam dores fortes ou paralisação de membros,a causa da doença não era orgânica,mas psíquica.A profilaxia não era composta de medicamentos ou cirurgias,mas de um procedimento que envolve procedimento catártico,ou seja,buscar a causa do problema no inconsciente fazendo uso de  artifícios como hipnose e análise.
      Em uma abordagem positivista quanto a histeria,não se escolheria um método tão incerto,preferindo um tratamento embasado em medicamentos,observando a questão superficialmente e considerando uma profilaxia como a investigação psíquica.Entendendo o que observa,mas sem se estender em imaginação e sem quebrar uma harmonia  como "doença pede medicamento"

                                                                   Diego Franco Veloso-1o ano Noturno

Abordagens do pensamento Comteano

O positivismo é uma corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX. Idealizada pelo pensador August Conte a filosofia positivista(cientificista) é posteriormente aperfeiçoada por Émile Durkheim concretizando,assim,  a Sociologia como ciência. O positivismo consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, por meio da promoção do primado da experiencia sensivel, unica capaz de produzir a partir dos dados concretos(positivos) a verdadeira ciência(na concepção positivista), sem qualquer atributo teológico, subordinando a imaginaçao à observaçao. Esse pensamento era fortemente embasado na ideia do PROGRESSO - bem difundida por estar em no contexto das Revoluções Industriais - sendo esse , para Comte , atingido , a partir da teoria TELEOLÓGICA , que tem inicio na era Teológica, embasada na religião, passando , posteriormente , pela era Metafísica , embasada na Filosofia , para finalmente alcançar a era Positiva , supostamente , mais avançada e perfeita das sociedades humanas , embasada na ciência a qual era, para Comte,  a unica capaz de explicar tudo à nossa volta. Nessa etapa final seriamos governados por um ditadura republicana(que visava o bem comum) e tecnocrata, governada por tecnicos , homens positivos.A partir dessa ideia é que Comte cria a ideia da sociologia como ciencia- concretizada por Durkheim posteriormente - , afim de sanar os problemas sociais garantindo a ordem para atingir o esperado Progresso até a era Positiva. Apesar de sua importância o Positivismo é altamente criticado por escolas posterios, nao só devido sua abordagem superficial da sociedade, mas como também por sua ideia-chave de progresso , altamente questionada principalmente a partir do advento da Primeira Guerra Mundial , colocando em cheque a ideia de que a ciencia caminha apenas à "evolução"

Gabriel Osaki Queiroz Urzedo - Direito Noturno



Positivo e operante.

"Construir o futuro."
Este é um dos maiores clichês usados por oradores, políticos e visionários. E não é à toa. O uso do primeiro termo remete à instituição social que é mais comumente apontada como a mantenedora de ordem e geradora de progresso: o trabalho.
Desde os tempos da caverna, o trabalho é visto como o meio necessário de o homem sustentar-se e sobreviver, caçando e coletando sua comida, fabricando utensílios como vestimentas, armas e ferramentas que facilitassem o labor e aumentassem o conforto da tribo. E foi justamente a busca incessante pela facilitação e pelo conforto que provocou a evolução e o progresso das sociedades humanas, e assim é até nossos dias.
Um dos fundamentos das igrejas surgidas a partir da Reforma Protestante pregava que "o trabalho enobrece o homem". Notamos a aplicação prática desta afirmação quando vemos em um trabalhador um ser humano de boa fé e em um mendigo um "folgado", "vagabundo".
O operário é o construtor do futuro. Ao integrar-se no sistema, trabalhando religiosamente de cinco a seis dias por semana, ele colabora para a manutenção da ordem de sua nação e, transformando seu labor em renda para si e para os seus, colabora também para o progresso desta mesma nação.
A ordem, figurativamente, é justamente o trabalho conjunto de todas as peças de uma engrenagem. Com diferentes tamanhos, espessuras e até mesmo formas, cada engrenagem exerce sua função particular, e na falta dela todo o sistema falha. Manter a ordem, ou seja, o perfeito funcionamento e o zelo de cada peça, é essencial para que a engrenagem cumpra sua função: mover-se. E esta é a figura do progresso: cada peça fazendo sua parte para mover um sistema maior.
O cidadão que se levanta todos os dias bem cedo para ir trabalhar está, mesmo que inconscientemente, cumprindo seu papel social: em sua particularidade, o labor que ele exerce é parte de um coletivo de labores específicos que, juntos, colaboram para a ordem e o progresso da nação. 
Podemos concluir, assim, que o trabalho é essencialmente positivista. Esta instituição que nasceu juntamente com o homem é a base de nossa vivência em sociedade e a engrenagem que move a máquina social. O trabalho enobrece-nos: transforma-nos em indivíduos de bem. Não mais egoístas, somos parte de um todo, parte de uma ordem. Assim, tornamo-nos uma nação positiva e operante, tendo em nossas mãos a capacidade transformadora de construir o futuro.

Hiago A. Cordioli
Introdução à Sociologia 
Augusto Comte - "Curso de Filosofia Positiva"
1° ano de Direito, período noturno

O Positivismo utópico de Comte

Auguste Comte, filósofo e sociólogo francês do século XIX, foi o principal criador do pensamento positivista. Antes dele, filósofos como Francis Bacon e René Descartes tiveram algumas ideias acerca deste tipo de filosofia, porém, apenas Comte seguiu com ela como principal.
Esta era uma ciência que tinha como principal objetivo o conhecimento científico, porém, sem ser comprovado e apenas refletido. Ela tinha como objetivo principal a formulação de leis gerais que regem uma sociedade através da observação, experimentação e do método comparativo. No fim, suas ideias fariam com que se mantivesse a ordem em determinada sociedade que as use.
Estas são as principais ideias de Auguste Comte. Porém, eu as considero um tanto quanto utópicas, pois, para mim, não é possível formular uma lei geral que se aplique em todas as sociedades. Isso porque além das sociedades, as pessoas também diferem muito entre si, e portanto seria impossível identificar algo que seja recorrente em todos os lugares.
Além disso, seria um tanto quanto imperalista pensar que haja leis invariáveis em certa sociedade, já que o positivismo é antiliberal. Eu o vejo em maior vigor em sociedades teológicas, onde a moral da religião em vigor, por exemplo, se aplica de forma total em toda a sociedade.

Caio Mendes Guimarães Machado
1º ano Noturno


                O Positivismo e o Brasil de 1964

Augusto Comte foi um filósofo francês do início do século XIX fundador da sociologia e do Positivismo, corrente filosófica cujo lema é “Ordem e Progresso”. Esse lema foi adotado pela bandeira nacional brasileira, criada em 1889 no início do governo republicano, e mais tarde pelo governo militar que iniciou em 1964. 

A filosofia comtiana tem o foco no real, é aquilo que se consegue observar e interpretar da realidade, é uma ciência social. Para Comte, não se deve buscar a essência das coisas mas apenas a vinculação entre elas. Ele afirma que a sociedade é regulada por leis naturais, e conhecendo esses mecanismos pode-se organizar a sociedade. A partir disso chegamos a ordem, outro ponto crucial da filosofia de Comte. Para o filósofo os indivíduos devem obedecer as normas da sociedade para que essa possa progredir.

O governo militar no Brasil utilizou-se dessa concepção de “ordem e progresso” para manter sua ditadura durante anos. Qualquer tipo de oposição ao governo, de protesto, era visto como transgressão da ordem e, consequentemente, como oposição ao progresso do país. Os militares se intitulavam os responsáveis por manter a ordem interna do Brasil.

Para manter essa “ordem”, o governo militar se dispôs às maiores atrocidades contra a vida humana. Torturas, prisões, perseguições e morte eram comuns para qualquer indivíduo que o governo julgasse como ameaçador da ordem interna. O próprio golpe militar foi efetivado com o preceito de que o governo de João Goulart, caracterizado como comunista, ofereceria um perigo a segurança nacional e a ordem da sociedade brasileira.

Como consequência de suas atrocidades, o governo militar chegou ao fim vinte anos após seu início graças a uma grande oposição popular e manifestações. Ironicamente, o governo que supostamente dizia-se instaurador da ordem acabou por gerar uma grande desordem e descontentamento da população. Isso se explica pelo curto raio de observação positivista, que tem uma visão muito mecânica da sociedade, como se apenas seguindo normas ela se organizaria, esquecendo-se que a sociedade não é uma máquina com um funcionamento regrado, mas que ela é sim um sistema que depende de diversos fatores e circunstâncias que devem ser analisados a fundo e não superficialmente.


Caroline Setti
1º ano - Direito Noturno

A escola positivista nos dias de hoje

   Auguste Comte, francês fundador da sociologia e corrente filosófica do positivismo, tinha ideias próprias a respeito de como a educação deveria funcionar no Estado positivista ideal.
    Comte acreditava profundamente na disciplina como fundamental no aprendizado da criança. Ele priorizava a ordem em toda a sociedade e, dentro das escolas, isso não poderia ser diferente. Além disso, para evitar explicações teológicas dos fenômenos desde cedo, o sociólogo acreditava que se deveria impor o ensino científico acima de tudo, em detrimento dos ensinos literários, caracterizados como anticientíficos, pois provinham da mente do educador.
   É claro, é visível o prejuízo que uma educação nos moldes positivistas teria. Mais aulas de matemática, física, química e biologia, com as matérias de humanas quase desaparecendo do currículo. Além de perigosa, essa estratégia é bem conhecida de ditadores ao redor do mundo para emburrecer a população politicamente. Como, portanto, seria justificável, ou correto, tentar instaurar esse estilo de escola para as crianças de hoje?
    Incrivelmente, é a escola que temos hoje. As aulas da área de exatas e biológicas têm uma clara preferência por parte de pais, educadores, e até mesmo alunos, que desprezam as humanidades, taxando-as de inúteis e aqueles que as fazem, de fracassados. Esse é um pensamento, no mínimo, deprimente. O que seria da sociedade sem os historiadores, para nos alertar e estudar a fundo nossos padrões? E os sociólogos, que detectam movimentos perigosos em sua raiz? E quanto aos juristas, que mantêm a sociedade sã e funcionando? Eles não precisariam ter sua importância reconhecida, também?
    Temos, atualmente, um modelo de escola mais positivista do que seria saudável. Essa é, no entanto, uma tendência que vem diminuindo cada vez mais. Com novos modelos de ensino, como o Waldorf, e escolas que fogem do modelo tradicional cada vez mais numerosas, o caminho futuro é esperançoso para a educação.