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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Teatro Social de São Cunha do Pau Oco

Eduardo Cunha, presidente da Câmara, descobriu uma coisa capciosa: basta ser contra o governo para virar um herói da mídia. Cunha concede entrevistas, nestes últimos tempos, como se fosse um supercraque da Champions League. Ele é um personagem ubíquo em jornais, revistas e sites das grandes empresas jornalísticas.
Bater em Dilma e no governo e clamar, agora, pelo impeachment opera um milagre da transformação em seu perfil como personagem da mídia. Cunha agora aparece dando sermões sobre corrupção – ele que no A a Z da malandragem preenche virtualmente todas as letras.
É que ele passou a ser amigo da imprensa.
Um fenômeno parecido ocorreu, algum tempo atrás, com Joaquim Barbosa. Era visto com extrema reserva por ter sido indicado por Lula para o STF. Depois que passou a dar cacetadas no PT no Mensalão, virou manchete diária. Numa de suas capas já clássicas pelo bestialógico, a Veja o chamou de “o menino pobre que mudou o Brasil”.
Pausa para rir.
JB, está claro, não mudou nem a si próprio, ou o Supremo, ou o Judiciário — e muito menos o Brasil. No site da Veja, antes que Eduardo Cunha fosse promovido a aliado, ele foi incluído num levantamento chamado “Rede de Escândalos”. Ali você lê que ele é alvo de inquéritos no STF por crimes tributários.
Repare: crimes, plural, e não crime, singular.
Você fica sabendo também que ele responde a ações por crimes de improbidade administrativa, fora o levantamento, do jornalista Lauro Jardim, da seção Radar, informando que Eduardo Cunha é mentiroso.
“Eduardo Cunha andou falando que não conhecia o lobista Fernando Soares, o Baiano, citado por Paulo Fernando Costa em seus depoimentos. Admitiu, no máximo, ter estado com ele sem saber quem era. Elogiado até por adversários por sua memória prodigiosa, Cunha deve ter tido, sabe-se lá por que, um lapso. Baiano já esteve diversas vezes na casa de Cunha, no Rio de Janeiro, em companhia de outras pessoas.”
Cunha, se não fossem suficientes ao dados da Veja, agride a Constituição como dono de rádio. Político, diz a Constituição, não pode ter rádio. Mas Cunha, como tantos outros representantes do atraso, tem – mediante gambiarras jurídicas de moralidade abaixo de zero.
Era assim que ele era apresentado pela mídia enquanto era aliado de Dilma.
Hoje, ele parece Catão, o último reduto da moralidade romana, se acreditarmos nas jornais e revistas. O colunista do UOL Josias de Sousa, em sucessivos textos, vem tratando com reverência Cunha, e repercutindo prazerosamente suas previsões apocalípticas sobre Dilma, bem como suas palavras edificantes contra a corrupção.
Eis aí Cunha, o mentor dessa provável ação social, digamos, sem a intenção de ofender, weberiana, cujo sentido é fincar cada vez mais fundo as garras da corrupção na política brasileira, com a ajuda de deputados e empresários mercenários com o fim de auto enriquecimento influenciado pelo sistema do capitalismo selvagem.
Eis Cunha então como um quase santo, aos olhos da mídia.
Sua obra suprema para a beatificação: ser contra Dilma.

Uma salva de palmas à peça medíocre do teatro social São Cunha do Pau Oco.

Nome: Rafael dos Anjos Souza
Período: Direito Noturno/ Turma: XXXII

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