Total de visualizações de página

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Max Weber e poesia de Leminski

"Não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino."
                                                                          (Paulo Leminski)


  Analisando os versos acima dispostos à luz da sociologia de Max Weber é possível observar que, diferentemente dos deterministas e de outros autores, como Durkheim, Weber não acreditava que as ações humanas pudessem ser pré-determinadas por fatores externos ao homem. Nesse sentido defende que toda a ação humana é unicamente guiada pelos valores que cada um possui e opta por considerar naquele momento.
      Partindo desse pressuposto inicial, o destino, como descrito no poema, não é o responsável por conduzir a vida dos indivíduos e consequentemente, nenhuma situação existe, sem que se tenham tomado atitudes que conduzissem à ela. Assim, a maior preocupação de Max fora compreender quais valores os indivíduos mobilizam para agir, sejam eles culturais, religiosos, etc.

"[...] Já nem tudo nem sei
se vai saber a primavera
ou se um dia saberei
quem nem eu saber nem ser nem era."
(Paulo Leminski)

      Em outro trecho de sua obra, Weber defende que as ações humanas são incertas, instáveis e justamente por isso, não se pode prevê-las. Diante desse aspecto, as palavras de Leminski convergem com a visão weberiana, posto que o poeta também diz não pode prever nada do que o futuro será. Embora não haja um caminho a ser seguidos pelas ações dos indivíduos, para Weber elas são guiadas por quatro diferentes tipos sociais: o racional-objetivo, o racional-valorativo, o emocional e o tradicional.

[...] Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
(Paulo Leminski)

      Por fim, neste último poema, cita-se outra característica presente nos escritos do poeta e do sociólogo: embora as ações sejam individuais e cada um aja de maneira diferente do outro, as ações se convergem; nunca as ações dos seres humanos estão sós, pois elas constroem entre si uma teia de relações sociais complexas. 

Juliana Previato - 1º ano direito noturno

Nenhum comentário:

Postar um comentário