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domingo, 10 de maio de 2015

O Fotógrafo de Deus
(DEM L 190, disponível em Hubblesite.org)

Este ano o telescópio espacial Hubble completa 25 de atividade. Lançado em 1990, o Hubble passou a orbitar a Terra e a servir ao homem como uma espécie de periscópio espacial, permitindo “ver” acima da atmosfera e, assim, obter imagens e dados empíricos mais precisos dos mais distantes confins do universo.

Este sistema engenhoso permitiu à humanidade grandes avanços no conhecimento, trazendo luz aos grandes mistérios da astronomia. Mais de 10.000 artigos científicos foram produzidos a partir das informações coletadas pelo Hubble. Foi possível, por exemplo, determinar com mais precisão a idade do universo, identificar os quasares e verificar a existência da energia escura. Tais resultados são exemplos evidentes da importância, nos dias de hoje, de se extrair dados reais da natureza para fundamentar e desenvolver as teorias científicas. Mas essa concepção nem sempre foi aceita.

Há aproximadamente 400 anos atrás, Francis Bacon defendia que a ciência não deveria se guiar pelo mero labor da mente humana, mas, antes de mais nada, pela observação e experimentação da natureza. Segundo ele, os filósofos gregos, como Aristóteles, pregavam (incorretamente) que a experiência deveria ser escrava da razão e isso, na visão de Bacon, corrompia a ciência. Para ele, ao contrário, a experiência seria fundamental para regular a razão no caminho da construção das bases do conhecimento científico. Alertava ele, entretanto, que o método de se rejeitar o labor da mente seria difícil de implementar. De fato, quão difícil terá sido para os primeiros cientistas frear a imaginação para extrair algum dado concreto de uma noite majestosa salpicada aleatoriamente de estrelas.

Mas alguns seguiram na árdua tarefa, como Tycho Brahe, Johanes Kepler, Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Este último, no início do século XVII, por exemplo, deu contribuições importantíssimas à ciência ao apontar sua luneta artesanal para os céus e confirmar que era Copérnico, das observações, e não Aristóteles, do racionalismo, quem tinha razão na questão do papel da Terra no plano celeste. Desde então, muito se avançou no caminho científico apontado por Bacon e, nesse sentido, o Hubble é certamente um dos exemplos mais contundentes desse progresso. Mas, apesar disso, o exercício de outrora não parece ter ficado mais fácil, afinal, como olhar um céu estrelado ou as imagens do Hubble sem se pegar divagando sobre o milagre criado por Deus?    

Referências:

Fernando - 1º ano Direito noturno (Francis Bacon - Novum Organum)

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