Total de visualizações de página

domingo, 3 de junho de 2012

A família como força de trabalho

A revolução industrial mudou de forma intensa e irreversível a sociedade inglesa do século XXIX, tanto em questões econômicas quanto em questões sociais. A substituição da manufatura pela maquinofatura revolucionou o instrumento de trabalho, tornando a força muscular, anteriormente fundamental na produção, em algo banal e supérfluo, tornando-se assim possível a incorporação de trabalhadores sem força muscular no mecanismo de produção. 


O ingresso de mulheres e crianças no mundo do trabalho acabou por tornar os vínculos sanguíneos submissos e substituídos pelas necessidades e valores de mercado,  torna-se a principal fonte de trabalho, devido ao menor porte muscular e aos membros mais flexíveis, fundamentais para a operação das máquinas, colocando todos os membros das famílias sob o domínio do capital. A família, com a revolução da indústria e com o advento da maquinaria, perdeu seu valor afetivo e passou a ter um valor propriamente econômico. Isso porque, como ele mesmo diz, “a maquinaria, desde o início, ampliou o material humano de exploração”. A necessidade de uma mão de obra mais abundante e flexível obrigou todos os integrantes da família, e não somente mais o “cabeça da família”, a participar do processo produtivo. Com isso, o próprio conceito de família foi extinto, uma vez que seus integrantes passaram a representar apenas suas respectivas forças de trabalho e não mais representavam uma unidade de convivência afetiva, como assim se esperava. Crianças acabam por se tornar meros instrumentos nas engrenagens do mecanismo de produção, aumentando de forma alarmante os índices de mortalidade infantil. O homem, que antes vendia sua força de trabalho, agora passa a vender sua mulher e filhos.  É fácil julgar o quanto as condições de trabalho eram desumanas, mas o que ocorria era que necessitavam trabalhar para seu sustento, não havia escolha, um dia de trabalho equivalia praticamente a uma refeição.

É muito evidente nos pensamentos de Marx, que a mulher tinha um papel fundamental dentro do lar. Após a substituição da instituição familiar de afetiva para uma comercial, a mulher se afasta do lar. Esse fato vai influenciar na dinâmica em relação as crianças, que passam a ser vistas como mais um integrante para ser alimentado.  Mulheres parindo durante seus turnos não era uma cena que indignava, pelo contrário, era corriqueiro. Não era mais possível uma estrutura familiar, todos trabalhavam durante muitas horas do dia e quando chegavam em casa não havia tempo para afetos e preocupações com o próximo. É nesse contexto que aparecem os infanticídios, abandono de lar e uma total dissincronia do ambiente familiar.

As condições da época eram muito diferentes do que nós conhecemos hoje, não havia direitos trabalhistas, melhor dizendo, praticamente não havia vida para esses operários. Entretanto, apesar dessas transformações terem ocorrido durante o século XXIX, algumas ainda são vigentes na sociedade atual, como é o caso do funcionamento das escolas.
De acordo com a lei fabril emendada de 1844, crianças menores de 14 anos eram obrigadas a passar um determinado período de horas na escola, recebendo assim um certificado que comprovasse o feito. O estado das chamadas escolas era precário, o professor mal sabia ler, a situação era lamentável, havia a falsificação de certificados e havia crianças de várias idades em uma única sala sem nenhuma forma de estudo.

Mais de um século se passou e a situação atual das escolas brasileiras se encontra de forma semelhante as escolas inglesas daquele período. Há falta de livros e de material de ensino, falta de comprometimento por parte dos professores, pois de acordo com a pesquisa realizada pelo Censo
do IBGE, o magistério é a carreira de pior remuneração no país e desinteresse dos alunos, que muitas vezes abusam da violência, ameaçando os professores de modo obter nota e passar de ano, há a expedição de certificados de aprovação dos alunos, mesmo não sendo esses aptos para o proxímo ano, devido ao regime de progressão continuada, recomendado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (lei 9.394, de 1996), no artigo 32, que permite que alunos passem de ano mesmo sem saber ler e escrever.

A revolução industrial revolucionou a sociedade européia do século XXI, trazendo fortes conseqüências para a sociedade atual.

Por Gabriela Costa Frigo de Carvalho, Guilherme Jorge da Silva Gravatim, José Eduardo de Andrade Filho, Lorena Carpinelli Perozzi Brasileiro e Ludmila Zaroni Teixeira
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário